26 janeiro 2016

a vida é uma pilha de pratos a caírem no chão


Fui ver António e Maria, no Teatro Meridional.
No final ficou esta frase na memória: a vida é uma pilha de pratos a caírem no chão.
O António Lobo Antunes é complicado, mas é de uma beleza acutilante.

06 janeiro 2016

Queixinhas e divulgação


Não me parece nada boa ideia gastar 10 milhões a empatar o trânsito em Lisboa. Seria preferível investir esse dinheiro em transportes ou habitação ou a salvaguardar os espaços verdes ou a criar novos onde é possível (Feira popular, por exemplo). Criar o caos no meio das árvores é irrealista, pretensioso, ridículo, obsoleto e um atentado à qualidade de vida dos lisboetas, que tem vindo a diminuir cada vez mais. Apenas os autocarros de turistas terão prazer em circular a 60km/h no meio das árvores. Ou se tiram as empresas de Lisboa e se colocam nos arredores, onde moram pessoas, ou se colocam pessoas em Lisboa, onde estão os seus empregos. Agora, afastar uns dos outros e depois criar obstáculos para que cheguem ao trabalho e a casa é de tal forma egoísta que penso que a única razão porque o fazem é por causa dessa praga chamada turismo, que cada vez mais transforma a cidade num local vazio de lisboetas e portugueses. Um dia destes estamos como no terceiro mundo: à porta dos monumentos a pedir uma moeda cada vez que nos tirarem uma foto da espécie em extinção: o alfacinha.

Estou há 5 meses com obras à porta de casa, para alcatroarem o piso. Noutras vias de Lisboa fizeram-no em 3 ou 5 dias. Gastaram 667 000€ na minha rua. Os moradores estão todos fartos e quando pudermos usar a rua normalmente não haverá nenhuma euforia, porque apenas regressamos à normalidade. Não sei o que se passa com a"alcatroagem", mas cheira-me que alguém mete dinheiro ao bolso. 
Tudo isto, para justificar o meu desagrado com esta coisa apesar de eu adorar o verde e desgostar de viadutos sobre as cidades. 
E eu nem uso a segunda circular...

NOTA POST SCRIPTA
Depois da minha queixinha li o plano, vi a memória descritiva e acho que os objectivos são bons: melhorar o ambiente, dar uma dimensão mais humana à cidade, enverdecê-la...
Já não sei...
As questões que coloco são:
- Terá de ser assim tão caro?
- Está assegurado que as pessoas que têm de usar a 2ª circular vão conseguir fazê-lo?
- O preço do projecto reflecte um trabalho bem feito? Por exemplo, nas imagens os candeeiros estão acima de árvores de copa frondosa: a luz chegará ao piso?
- Terá sentido transformar uma via rápida num via normal, com passeios? Estarão as pessoas seguras?
Enfim... 

05 janeiro 2016

Ano Novo, vidas novas

No Ano Novo os móveis ganham vida!
Há mais um par de olhos cá em casa!


04 janeiro 2016

Balanço do ano do blogue

Tem sido com pena que vejo decair de ano para ano o número de textos que posto.
A vontade é pouca, a preguiça é muita. 
Queria que este fosse um espaço, um meio que me obrigasse a escrever, principalmente a descrever, expor ideias e opiniões, contar episódios, etc. que são coisas que dão trabalho. 
Dá trabalho expor bem uma ideia, usar palavras adequadas, descrever uma situação para que quem leia retire da leitura exactamente o que quem escreve sentiu na tal situação. Expor uma opinião de forma fundamentada é um óptimo exercício, não só tentar que outros partilhem das nossas opiniões, mas para nós mesmos solidificarmos a nossa.
Escrever custa e escrever bem custa bué.

Só contra a quantificação, a avaliação pelos números, porque põe quase sempre de lado a qualidade, quando não a impede. No caso específico, lamentar o reduzido número de posts é um lamento pela falta de vontade que me tem movido na escrita (e em muito do resto da vida) e que no presente é um verdadeiro problema porque tenho uma tese inteira para escrever.

Queria exercitar-me aqui, para ganhar estaleca e à vontade para a escrita académica. Mas não aconteceu. Faço pequenos esforço, solto parágrafozinhos que mais não são que um pequeno aliviar da consciência pela tarefa que me tinha proposto.

Não escrever porque na vida não acontecem coisa não é razão. A maior parte do tempo escreve-se sobre o que não acontece. Portanto, desejos para 2016? Claro! Promessas? É melhor não...