30 dezembro 2015

O cãozinho simpático

"Mãe, aquele cãozinho é dos simpáticos. É daqueles que, quando fazem cocó, atiram a relva ou terra para cima para as pessoas não pisarem."

Acreditar que os cães se preocupam com a possibilidade de as pessoas pisarem os seus dejectos é uma muito maior forma de inocência. É deixá-los acreditar.

(Eu quando era nova, anos 80, achava que os enchumaços nos ombros eram para as senhoras não se magoarem com a alça da mala no ombro. O que não percebia era porque não usam só um, já que punham sempre a mala no mesmo ombro.)

14 dezembro 2015

um peão a menos no passeio

Às vezes lê-se nas bicicletas: um automóvel a menos na estrada. Como se as bicicletas se substituíssem aos automóveis, como se aqueles ciclistas fossem antigos automobilistas...
Amigos, sou completamente a favor das bicicletas, mas a verdade é que na maior parte dos casos não há uma opção entre uma coisa e outra. 
Eu acho (não sei, ninguém me disse e também não perguntei) que a maioria dos ciclistas são ex-utilizadores de transportes públicos ou peões.
Pessoalmente, não ando mais de bicicleta porque o percurso casa - escola - trabalho - escola - ginástica - casa, que de carro totaliza uns 50 minutos, talvez chegue à uma hora, de bicicleta transformar-se-iam em 1h50, talvez duas, talvez mais. E por vezes há a guitarra, outros dias outras coisas. Além de que andar com uma criança na estrada é perigoso, pelo que tenho de ir pelo passeio. Indo pelo passeio, é necessário escolher aqueles que permitem pedalar com desafogo nosso e dos peões, o que resulta em caminhos mais longos. Podemos juntar a estes inconvenientes a chuva e o frio, muito irritantes quando põem crianças doentes.
Assim, os dias em que posso sair de casa a pé, são os dias em que posso sair de bicicleta. Daí o título do post.

MAS...

O título é ambivalente, pois também serve à minha queixa sobre as ciclovias no passeio: colocar ciclovias no passeio é uma declaração óbvia de que as bicicletas substituem os peões. E tanto é assim que aqueles com quem os ciclistas mais embirram são os peões nas ciclovias, e os peões com as ciclovias no passeio.
É preciso conduzir as embirrações para lugar certo e, ciclistas e peões juntos, temos de explicar e exigir que se tratem as bicicletas como meio de transporte, exigir o espaço delas na estrada, e rebocar ou atomizar todos os carros em segunda fila para sermos todos felizes!

(mais um queixume guardado que veio ver a luz do dia. vão sendo libertados aos poucos)

11 dezembro 2015

a t-shirt unissexo

A t-shirt unissexo é uma t-shirt desenhada para homens, mas que as mulheres também conseguem vestir, apesar de, na maior parte das vezes, lhes ficar enorme e não tão bem como uma t-shirt feminina.
A t-shirt unissexo é uma forma de se poupar dinheiro fazendo apenas só um tipo de roupa dizendo que fica bem aos dois.
Eu tenho gavetas cheias de t-shirt unissexo que esperam os dias de serem transformadas em panos de pó. São t-shirts que paguei quando fui a corridas e outros eventos, mas que, ao contrário dos homens, só as consigo tornar verdadeiramente úteis como pijama ou pano de limpeza.
Quando se manda fazer uma t-shirt num clube, faz-se a t-shirt masculina. Se eu reclamo e peço uma t-shirt feminina respondem que a t-shirt é unissexo. A isto eu argumento:"Então se é unissexo mandem fazer com corte feminino que eu já estou farta de dar dinheiro por panos de pó.". A isto respondem: "mas isso são t-shirts femininas." [segue em diálogo]
Ela:
- Mas se as t-shirts são iguais para os dois sexos porque não este modelo?
Ele.
- Porque esse é de mulher.
Ela:
- Então escolhe um tamanho XL.
Ele
- Mas ia ficar ridículo.
Ela:
-  Mas eu sempre fiquei mal com t-shirts de homem.
Ele:
- Mas essas não são de homem, são unissexo.
Ela:
- Dizes que são unissexo porque te ficam bem a ti. Se a mim ficam mal, não são unissexo.
Ele (quando não tem mais argumentos nem paciência):
- Não sabia que eras feminista.

Nesta altura a minha irritação já vai num grande ponto de ebulição. 
O que me incomoda realmente é que nem se perceba que o mundo está desenhado para homens e se parta do princípio que esse é o desenho do mundo.
Digam-me:
- qual a lógica de as mulheres não chegarem com os pés bem ao chão quando se sentam nalgumas cadeiras, por exemplo nas paragens de autocarro?
- porque é que para chegarmos com os pés ao travão e acelerador como deve ser temos de ficar com o volante debaixo da cara?
- porque é que só conseguimos ver sem reflexo nas caixas multibanco se nos pusermos em bicos de pés?
- porque é que nos telefones públicos antigos tínhamos dificuldade em ver se a moeda já tinha caído ou não?

Não é por sermos pequenas. É porque o mundo construído (não o natural) está desenhado para homens.
Num país onde a percentagem de mulheres é muito maior é ridículo e chauvinista que a maior parte da população se tenha de conformar com ergonomias erradas.
A bem dizer eu até acho que a ergonomia mundial é para homens do norte da Europa. 

(Se houver quem não concorde que isto é assim, repare nos casos em que há uma caixa multibanco ou telefones públicos para deficientes de cadeiras de rodas, se não é muito mais confortável usar desses aparelhos, que estão a uma boa altura, que os outros...)

02 dezembro 2015

o saber ocupa lugar

Depois de um período intensíssimo de estudo em que tentei praticar ao máximo o ditado popular de que "o saber não ocupa lugar" durante o qual me esforçava a todas as horas e até ao máximo da minha atenção por "enfiar" matéria nova na cabeça, agora chego à noite e não sei o que hei-de fazer. Sinto falta de aprender coisas novas. Os romances já não me entusiasmam. Quero saber coisas sobre a Europa, a História Mundial, a Cooperação Internacional, quero ler regulamentos e decretos, fazer contas, saber como funciona o país, política! ... sei lá...
Continuo a ter a tese para fazer, mas estou ávida de matéria nova!

Das duas uma: ou frequento novas secções das bibliotecas ou isto passa. 

(está sempre a expirar o limite de visualizações do Público...)