27 março 2015

dois assuntos

Feita.
21km, muitos de cansaço, mas todos de corrida. Nem uma pausa! 2h21 de corrida a par e passo com a minha irmã. 
Vitória! Meia-maratona feita antes dos 40!


Depois a minha mãe contou-me que um alemão de 43 anos tinha morrido durante a prova, e lamentou: "Ainda era novo...", ao que eu rapidamente pensei em resposta "Novo, não! Lá porque era mais novo que tu não quer dizer que fosse novo." Mas ainda nem terminava o pensamento, já o meu cérebro começava a funcionar e murmurava-me "Era quase da minha idade..." 

Ainda não me interiorizei desta coisa dos 40. Devia conseguir. 
Para certas coisas começo a ser velha: ter mais filhos (a menopausa está aí a bater à porta, não tarda), começar coisas de novo, desportos..., mas na minha cabeça parece que ainda tenho tudo por fazer: ter uma vida estável e segura, dinheiro, felicidade, amor, a minha própria família, deixar uma marca no planeta, ser alguém...

Ainda no Recife, fui à  praia com uma eslovena de 25 anos. Sabia-me mais velha, mas sentia-me companheira. Um rapaz mete conversa com ela, mas ela não entendia nada. Ele olha para mim e eu oiço "É tua irmã?", ela pergunta-me "o quê" com os olhos. Respondo "nada". O rapaz repete e oiço "É tua mãe?".
...
Que choque! Que tristeza! 
Respondi à eslovena que não tinha entendido o que o gajo dizia, mas na realidade pensava que realmente tenho idade para ser "mãe". Já não sou tipa para ser alvo de engate na praia.
Já não sou alguém com o futuro pela frente. Daqui a nada a vida acaba e que fiz eu que queria ter feito?



17 março 2015

Conselho para o ano

Há um ano atrás dei conselhos a mim própria para a próxima meia-maratona. Esqueci-me de me aconselhar sobre estadias no estrangeiro até à véspera.
No calor do Recife não se consegue correr: ou começamos às 5h30 da manhã (e aí tenho de apanhar um autocarro até à beira-mar) ou às 17h30 da tarde, num parque perto de casa com uma pista de 1 km.
Seja a que horas for o suor escorre-me pelo corpo como uma torneira, dos braços vão gotas penduradas que caem com a passada, a t-shirt fica totalmente empapada, o ar que respiro parece não oxigenar e é uma sede imensa a toda a hora.
O que me vale é que passo os dias a andar de um lado para o outro - calcorreio a cidade sob este calor húmido de 36º constantes durante horas a fio, acho até que os dias todos. Demoro mais tempo a chegar às bibliotecas e outros possíveis locais de pesquisa e a caminhar de uns departamentos para outros do que sentada lá dentro a ler ou pesquisar.
Além disso, porque sim, deu-me para as diarreias, cansaço nas pernas e sonolência. Não estou a conseguir fazer a última corrida e com a proximidade da prova já nem posso puxar muito por mim.


Conselho para o próximo ano: fica em casa, Marta.

13 março 2015

De Recife

Após 4 meses e meio de pesquisas no Brasil finalmente encontrei alguma coisa nova, interessante e significativa para as novas informações que pretendo dar ao mundo sobre o meu investigado.
Acontece que este novo documento aponta para a Bahia, essa terra que pus de lado por aparecer apenas numa referência...
De Recife levo uma cidade suja, feia malcheirosa, com imensas possibilidade de ser uma cidade bonita.
Uma amiga brasileira insurge-se contra qualquer pequeno mal que eu aponte à cidade e culpa o Estado por não cuidar da cidade. Ora bem, há que dizer que, além de prédios sujos e cheiro fétido na rua, o que me incomoda é o lixo. O lixo que é deixado por qualquer pessoa que recorre às centenas de vendedores de rua que não tem grande preocupação com a limpeza do espaço que utilizam. O chão está cheio de copos de plástico, saquinhos de plásticos, tigelas de esferovite, latas de bebidas, palhinhas, talheres de plástico, guardanapos de papel, pacotinhos de ketchup e mais qualquer coisa que me devo ter esquecido de enumerar.
Por outro lado, disseram-me que o sistema de saúde daqui é impecável e com óptimas condições e médicos. Talvez o país tenha optado por investir na saúde, e não na limpeza e educação. Não é um mau investimento. Mas não posso achar esta uma cidade bonita.
Se se fizer uma visita de um dia apenas aos pontos turísticos, leva-se uma ideia agradável de uma cidade caricata, com vida (se o passeio for num dia de semana) e até bonita, mas quando uma pessoa precisa de deslocar-se a sítios não turísticos é impossível fugir ao choque. E embora passado 10 dias deixemos de exclamar "Que cheiro horrível!", a verdade é que o continuamos a sentir e ele existe.

Sobre este problema do lixo, poderia ainda falar sobre um tema que anda na minha cabeça e que é "os gatos são os novos ratos", mas fica para outro dia.

E sim, "tem carnaval!"!

06 março 2015

Fruta


Demorei algum tempo até comprar fruta. Só me cruzava com vendedores ambulantes quando ia a caminho de arquivos ou bibliotecas e não dava para levar fruta comigo. Ao fim do dia quando chegava a casa não encontrava nenhum supermercado, mercearia ou vendedor onde pudesse comprar.
Um dia até dei uma grande volta pelo meu bairro, já bastante cansada de um dia cheio de caminhadas pela cidade. O meu bairro tem escolas, oficinas, um cemitério, armazéns e treinos de escolas de condução. Nesse dia vislumbrei uma loja cheia de verduras com uma tabuleta FRUTARIA SANTA MARTA. Estava salva! Aproximei-me contente, até pela coincidência do nome, mas quando mais me aproximava mais me apercebia de que não havia fruta no meio daquela verdura toda, apenas arranjos de flores. Nem Santa Marta me ajudou: não era uma FRUTARIA mas sim uma FUNERÁRIA...
No dia seguinte comprei decidida a fruta num carro ambulante. Optei pelas cor-de-rosa abaixo (jambo), umas a que chamei laranja mas o vendedor corrigiu-me para .... (esqueci) e as familiares banana e manga.
O jambo tem o tamanho de uma "nêspera" espanhola*, a consistência de um pimento vermelho, a forma de um figo e o sabor de flores.
Pela amostra dos vendedores ambulantes ainda tenho muita fruta para experimentar!!!
* A "nêspera" espanhola é um vegetal sem sabor, com aparência de nêspera e aumentado em relação ao original (como é toda a "fruta" espanhola que chega a Portugal).