26 setembro 2014

dia 44

Sou uma espécie de emigra. Uma "espécie" porque é durante um curto período, porque não vou mudar a minha vida, porque não escolhi outro país para viver, porque não escolhi um outro país para NÃO viver (dizem que esta última coisa é que é a mais complicada). 
Mas por outro lado não me sinto de férias, gosto dos dias em que reconheço uma rotina, quero abraçar os hábitos locais, integrar-me socialmente.

Vivo uma vida diferente, na qual não tenho obrigações com ninguém, em que posso sair todos os dias às noite, em que posso escalar e correr quando quiser, faço os meus horários simplesmente ao sabor dos meus desejos, sonos, vontades, planeio os meus dias de acordo apenas comigo: com as minhas necessidades, objectivos e vontades. As coisa que me preocupam no dia-a-dia são comezinhas, fúteis, quase adolescentes. Sabe bem. A sério que sabe. 

Contudo, cai de vez em quando uma saudade de ser mãe, de não pensar só em mim, de pensar e agir por duas e para duas. De não ser só eu. 

De não ser só eu e os outros que não importam muito, que são passageiros.

Quero manter os amigos permanentes, tenho saudades desses, que às vezes vemos duas vezes num ano, mas que estão sempre presentes. E por isso agarro-me às novas formas de comunicação que permitem estar com os amigos não estando junto deles, mas estando ainda assim com eles.
Por esta razão, o blogue tem ficado vazio. Escrevo agora para fora daqui. Para quem não sou anónima.

Vou ver se mudo. Também gosto de escrever para quem sou anónima.



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