07 setembro 2014

dia 24 - saudosa

Um brasileiro sessentão ou setentão meteu conversa comigo. Disse que os portugueses se distinguiam logo, que ele os identificava a olho. Falou então sobre o Brasil, sobre Portugal, contou muitas histórias e disse que um dia iria outra vez a a terras lusitanas. "Não sei porquê gosto daquele país".
Eu também não sei porque gosto. Mas gosto muito.
Fico imune às fotografias que trouxe a família, às conversas no skype, às lembranças do dia-a-dia que não estou a viver, aos desenhos da minha filha que me acompanharam, mas assim que a eu reconheço o meu país por qualquer indício mínimo (como as tabuletas castanhas que assinalam monumentos) vem uma lagriminha aos olhos.
Que país é este, tão desgraçado, usado, deteriorado, pobre, infeliz e ingrato que é capaz de congregar tanto amor de tanta gente?! 

O Brasil, por ter como parte da sua história a história de Portugal, acabou por se apropriar de todos os acontecimentos lusos até hoje como seus. E fazem-no com orgulho e com simpatia. Dizem: Este ano comemoramos os 40 anos da revolução! Porque é verdade que eles também celebram essa data como se fosse sua.

O 25 de Abril, o Grândola Vila Morena, o Fado Tropical e o Tanto Mar, em separado comovem-me. Todos juntos, aqui desterrada e saudosa, fizeram com que numa palestra eu parecesse estar num velório, tal a quantidade de lágrimas que me escapavam dos olhos.

Do 25 de Abril comove-me a vontade de um povo, a união, a esperança e também a inocência antes da constatação de que afinal "a vontade do povo" tem pouca força num povo sem vontade, que tem como lema "se é de todos, vou tirar a minha parte".

E ainda assim, gosto muito...

1 comentário:

gralha disse...

Eu também. E só há uma altura em que se gosta mais do que quando estamos longe: no momento exacto do regresso :)