24 junho 2014

Castelos de areia

Uma criança portuguesa, como muitos portugueses, frequenta a praia. E tal como os outros infantes portugueses faz construções na areia. Quando o mar chega ao castelo ou torre ou magnífico palacete, este fica inevitavelmente destruído pela fraca mas potente força da ondinha à beira mar. Mesmo que se remedeiem as paredes com nova areia após a primeira vaga, sabe-se que não durará muito tempo, porque o mar tem força e areia desfaz-se.
Este ilustrativo episódio pode ter ocorrido ontem, há 10, 20 ou 50 anos, ou mesmo, poderá ocorrer amanhã.
Resumindo: aí pelos 4, 5 ou 6 anos qualquer criança tem consciência que fazer castelos de areia junto ao mar, não é coisa durável. As crianças crescem, ficam adultas e mantêm o mesmo conhecimento, porque vêem todos os anos, com os seus próprios olhos, que o mar e a areia continuam a ter as mesmas características, sendo que o mar leva a areia para onde quer e quando quer, e a areia não dá luta.
Há contudo algumas pessoas que, estranhamente, não passaram por esta experiência pueril. Ou não tiraram dela as conclusões devidas. Acontece...
Aborrecido é que estas crianças se transformem nos  presidentes de câmara, engenheiros e outros profissionais que acreditam que se podem recriar areais, enchendo praias com areia que o mar a tirou de lá. 

Amigos, não é possível!!! A sério!..

Mas, não querendo que autarquias sofram com a redução do comércio balnear, deixo uma sugestão, pelo menos para a Costa da Caparica: arrasem os bairros de barracas (também denominados de "parques de campismo") e façam O-Maior-Areal- da-Península-Ibérica*! Asseguro-vos que terão umas praias lindas, de extensos areais a fazer lembrar postais das Caraíbas, onde todas as crianças terão espaço para aprender a efemeridade dos castelos de areia, contribuindo assim para um país com maior nível de inteligência política. 



* Em Portugal, quando uma coisa é grande a valer, é sempre A Maior da Península Ibérica. 

3 comentários:

gralha disse...

Onde é que assino por baixo?

mm disse...

Se calhar devíamos mesmo fazer um abaixo-assinado a sério...

Paula disse...

Eh eh! Nem mais!