05 junho 2014

A inutilidade da ferida

Pela boca do protagonista, o Jonathan, que passou a maior parte da vida magoado por um amor não correspondido, diz a Pearl S. Buck a respeito das dores da alma e do coração : "O pior não é a ferida, mas a inutilidade da ferida."
O Jonathan era responsável, honesto, homem de família, trabalhador, circunspecto e pouco dado a desejos que não fossem o melhoramento da sua cidade e o bem da sua família. Teve obstáculos na vida, superou-os, foi pai de família e marido, prosperou, ganhou o respeito e admiração dos que o rodeavam. Já velho, a mulher morta (por quem nunca se tinha apaixonado nem sentido um grande amor), os filhos independentes (nenhum deles excepcional como gostaria), constatou que nunca foi feliz.
Admirou (e invejou) o amor entre outros casais por nunca ter experimentado o mesmo.
Um dia, ao constatar o respeito e carinho que a sua cidade tinha por si, sorriu. Foi tudo o que de mais alegre fez na sua longa e preenchida existência.

1 comentário:

Cheila disse...

lindo!
mas as feridas curam-se.
não podemos é ter medo...de ficar em ferida :)