17 março 2014

Meia Maratona

O nervosismo por me meter em algo que achava que não ia conseguir, em algo grande demais para mim era tanto que me sentia a rebentar de emoção (chamemos-lhe emoção, porque não sei o que era, mas que estava emocionada é um facto).
Não dormi nada a noite anterior - tendo ficado acordada entre as 2h30 e 4h00 da manhã a ler. De manhã, despertei definitivamente às 6h55. 
Era um nervoso incrível.
Chegámos ao tabuleiro e tive de me despedir da minha filha e dos meus pais que iam para a mini. Depois fiquei lá sozinha, a fazer alongamentos, sempre com as lágrimas da emoção a quererem saltar, mas bem reprimidas.
A certa altura, estava ainda à espera da partida, perto de umas casas de banho portáteis e vejo montes de gente a correr na minha direcção. Penso: "Estes querem todos ir fazer chichi agora!", até que me dou conta que não - eram os da mini que vinham a acelerar porque a partida já tinha sido dada. 
Comecei a correr também, e mal ponho os pés na ponte comecei a chorar. Aquilo era demais para mim... E corri meio tabuleiro com lágrimas a escorrer pela cara.
Na descida, para Alcântara já estava mais calma e soube muito bem ouvir Rage Against the Machine e o Fuck you I won't do what you tell me
Eu estava cheia de objectivos que variavam conforme o cansaço: umas vezes era correr pelo menos os primeiros 11km sem parar, outras eram os 16km, depois alongaria as pernas, comia a barra e continuava. 
Julgava que a primeira volta para trás era no Terreiro do Paço, por isso fiquei muito contente quando no Cais do Sodré retrocedemos. Ao ver os corredores que ainda vinham atrás de mim fiquei aliviada por pensar que não deveria ser a última. O objectivo nessa altura era correr pelo menos até Belém, onde poderia desistir se fosse preciso. Cheguei a Belém bem e comecei a procurar se nos passeantes da mini encontrava a minha mãe e filha, mas não as encontrei (soube depois que estivemos a par e passo).
Cheguei então ao km 12. Metade já tinha sido! Fixe!
E então começaram a doer os músculos... Pernas, pés, costas, rabo, tudo...
O objectivo mantinha-se na paragem nos 16km, mas, caso me aguentasse, poderia ser na viragem para meta. Só que não correu bem. Tudo doía muito, a viragem para a meta nunca mais chegava e, depois de andar, correr é uma dor desgraçada.
A partir daqui era correr-andar, com objectivos mínimos - correr até ao final dos prédios, começar a correr no próximo prédio, etc.
Cheguei a Belém a correr, ao CCB, à meta.
Chorei também aí, mas menos - estava feito.
No pós-corrida - dores nas pernas e muitas dores de cabeça bastante fortes.
Dicas a mim própria para a próxima: não correr na semana anterior; dormir descansada porque sei que consigo, ser mais rápida para não apanhar tanto sol e evitar as dores de cabeça.

2 comentários:

gralha disse...

Boa! Parabéns! :D

E não foi uma prova fácil para ninguém, estava muita gente e muito calor, para a próxima será ainda melhor.

Paula disse...

Já tinha lido e gostei muito, muito! (não comentei foi na altura). Não sabia que estavas tão ansiosa. Agora é continuar. Se calhar com umas mais pequenas pelo caminho e para o ano será muito mais fácil (nem que seja pelo facto de já não ser novidade). Parabéns!!!