25 março 2014

azedas

Incomodava-me o lamento de mãe solteira como cabeçalho do blogue. Resolvi escrever qualquer coisa. Comecei um textinho sobre como as pessoas estão azedas e de como os comentários em jornais online são o testemunho disso. Embirram com os comentários dos outros sem razão, vão buscar pormenorzinhos da treta, fazem leituras transviadas, etc. para insultar e maldizer.

Resolvi não escrever isso. Não queria coisas azedas como cabeçalho do blogue.

Pensei numa coisa alegre, uma anedota, diversão, uma cena para rir...



E no final descambei em mais um lamento e no azedume.

Sorry...

anedota da segurança social

Factos: sou bolseira, pago o seguro social voluntário, tenho uma filha com deficiências auditivas e necessidade de terapia da fala.

A SS atribui uma bonificação por deficiência a menores de 24 anos a pessoas com deficiências de vários tipos, entre as quais sensoriais e fisiológicas (como é o nosso caso) e que necessitem de apoio terapêutico (como também é o nosso caso).
Apesar de a deficiência da minha filha sr de carácter permanente tenho de entregar anualmente um atestado médico a comprovar isso mesmo na SS. Todos os anos tenho de ir buscar o modelo à SS, entregar no hospital e esperar um ou dois meses para ter o atestado, que depois entrego. Fica carimbado.
Todos os anos, depois de o subsídio ser atribuído cerca de três meses, recebo uma carta a informar que afinal não temos direito e que se quisermos contestar esta decisão temos de entregar os documentos e preencher novamente o impresso. Entretanto não há subsídio, nem dos meses que demora até ter o atestado. Depois recebemos uma carta a dizer que nos foi atribuído e passados uns três meses inicia-se o ciclo.

Este ano, farta desta merda que é a SS, quando recebi a carta a dizer que não teríamos a bonificação decidi nem fazer nada e não receber nada. Engraçado é que enviam uma carta no final de Fevereiro a dizer que o não recebimento é a partir de Janeiro, inclusive. Diga-se que os papéis tinham sido entregues em Outubro, por isso só tínhamos recebido dois meses.
Uma semana depois, recebo outra carta. Desta vez, para além de afirmar que o subsídio não é atribuído, dizem que o recebi indevidamente e pedem-me que devolva os meses de novembro e dezembro, oferecendo-se, caso eu não o faça, a irem à minha conta bancária e penhorarem os meus bens.
Uma semana depois recebo outra carta, dizendo que a bonificação não será dada porque só é atribuída a crianças com menos de 24 anos, deficiências e com necessidade de apoio terapêutico. (???!!!)

A minha questão é (entre outras): quem são estes anormais que não sabem ler um atestado médico preenchido em formulários da SS nos quais o médico só tem de pôr cruzes? Quem tomou essa decisão!? Com que fundamentos?!

Como é óbvio já reclamei, não só porque não quero devolver dinheiro, mas porque é uma questão de princípio.  Além de que, na escola só atribuída terapia da fala se apresentar um recibo da SS em como recebo a bonificação. Do atestado médico, da opinião do médico especialista, ninguém quer saber...

Há mais uma coisa, como bolseira, pago o seguro social voluntário, uma contribuição não obrigatória para a SS, que não me dá direitos nenhuns (nem baixas por doença, nem fundo de desemprego, nada... apenas anos de desconto). De uma das primeiras vezes que reclamei sobe a bonificação por deficiência disseram-me que eu não podia receber a bonificação pelo regime contributivo - porque não deduzo parte do ordenado - , mas que também não poderia receber pelo não-contributivo - porque contribuo. Disse logo à senhora que me atendeu que queria cancelar o SSVoluntário. Espertinha, ela, sugeriu, "vamos tentar pelo contributivo". E recebi, dois meses...

Conclusão: se eu não contribuir para a SS recebo bonificação e a miúda tem terapia da fala. Se contribuo, não recebo bonificação e ela não tem direito a apoio terapêutico.

Este país é uma anedota de merda gerido por gananciosos sem escrúpulos ou panhonhas sem cérebro com o objectivo de nos transformar em idiotas iguais a eles.

Nota: com paciência, farei versinhos sobre este tema.

21 março 2014

Mãe solteira

Porque foi Dia do Pai, porque no Dia do Pai muitas mães revelam ser mãe e pai, queria só expor a minha opinião sobre o tema "mãe solteira".

Confunde-se uma mãe solteira com uma mãe divorciada. As diferenças são as seguintes:

Mãe solteira:
- a criança não tem pai
- a mãe não tem com quem decidir para que escola a criança vai, se é melhor operar ou não operar, etc.
- quando a criança está internada só se dá um nome como acompanhante e ninguém substitui a mãe quando ela tem de sair de ao pé da cama  e ir comer ou à casa-de-banho
- não há pensão de alimentos, nem ninguém para dividir despesas de saúde ou educação
- não há quatro avós, nem mais tios para poderem apoiar
- não há ninguém
- no Dia do Pai não há festejo
- se a mãe morre a criança fica orfã e tem de ser acolhida por alguém (avós, tios...)
- a mãe não tem fins-de-semana livres ou semanas de férias, em que possa ser solteira - é mãe todos, todos os dias

Mãe divorciada
- a criança tem pai
- duas pessoas preocupam-se sobre o que é melhor para a criança e decidem em conjunto
- para além da mãe, há sempre o apoio do pai - num hospital, mesmo que espere quatro horas, a mãe sabe que poderá comer ou ir à casa-de-banho, porque vai chegar o outro acompanhante
- há apoio financeiro, mas mesmo que não haja, em caso de necessidade de saúde é possível arranjar dinheiro para uma operação ou um exame
- há avós que podem revezar-se a ficar com a criança de vez em quando sem sobrecarregar sempre os mesmos
- no Dia do Pai a criança e o pai fazem qualquer coisa
- se a mãe morre, a criança fica com o pai
- a mãe divorciada pode ser solteira de vez em quando - tem tempo e possibilidade de encontrar alguém para partilhar a vida - porque às vezes não é mãe, é mulher.

Concluindo:
Adorava, por mim e por ela, ser mãe divorciada. Adorava!...

17 março 2014

Meia Maratona

O nervosismo por me meter em algo que achava que não ia conseguir, em algo grande demais para mim era tanto que me sentia a rebentar de emoção (chamemos-lhe emoção, porque não sei o que era, mas que estava emocionada é um facto).
Não dormi nada a noite anterior - tendo ficado acordada entre as 2h30 e 4h00 da manhã a ler. De manhã, despertei definitivamente às 6h55. 
Era um nervoso incrível.
Chegámos ao tabuleiro e tive de me despedir da minha filha e dos meus pais que iam para a mini. Depois fiquei lá sozinha, a fazer alongamentos, sempre com as lágrimas da emoção a quererem saltar, mas bem reprimidas.
A certa altura, estava ainda à espera da partida, perto de umas casas de banho portáteis e vejo montes de gente a correr na minha direcção. Penso: "Estes querem todos ir fazer chichi agora!", até que me dou conta que não - eram os da mini que vinham a acelerar porque a partida já tinha sido dada. 
Comecei a correr também, e mal ponho os pés na ponte comecei a chorar. Aquilo era demais para mim... E corri meio tabuleiro com lágrimas a escorrer pela cara.
Na descida, para Alcântara já estava mais calma e soube muito bem ouvir Rage Against the Machine e o Fuck you I won't do what you tell me
Eu estava cheia de objectivos que variavam conforme o cansaço: umas vezes era correr pelo menos os primeiros 11km sem parar, outras eram os 16km, depois alongaria as pernas, comia a barra e continuava. 
Julgava que a primeira volta para trás era no Terreiro do Paço, por isso fiquei muito contente quando no Cais do Sodré retrocedemos. Ao ver os corredores que ainda vinham atrás de mim fiquei aliviada por pensar que não deveria ser a última. O objectivo nessa altura era correr pelo menos até Belém, onde poderia desistir se fosse preciso. Cheguei a Belém bem e comecei a procurar se nos passeantes da mini encontrava a minha mãe e filha, mas não as encontrei (soube depois que estivemos a par e passo).
Cheguei então ao km 12. Metade já tinha sido! Fixe!
E então começaram a doer os músculos... Pernas, pés, costas, rabo, tudo...
O objectivo mantinha-se na paragem nos 16km, mas, caso me aguentasse, poderia ser na viragem para meta. Só que não correu bem. Tudo doía muito, a viragem para a meta nunca mais chegava e, depois de andar, correr é uma dor desgraçada.
A partir daqui era correr-andar, com objectivos mínimos - correr até ao final dos prédios, começar a correr no próximo prédio, etc.
Cheguei a Belém a correr, ao CCB, à meta.
Chorei também aí, mas menos - estava feito.
No pós-corrida - dores nas pernas e muitas dores de cabeça bastante fortes.
Dicas a mim própria para a próxima: não correr na semana anterior; dormir descansada porque sei que consigo, ser mais rápida para não apanhar tanto sol e evitar as dores de cabeça.

15 março 2014

nervoso

Sonho com ténis, doces que não devia comer, dores no corpo... e ainda é só amanhã. Estou com um nervoso graudinho que nem vos digo nem vos conto.
Desde ontem que preparo o que preciso: roupa, música, comida, a filha (que vai a uma festa, a prenda, a roupa para a festa)...
Que stress! Só me apetece chegar a amanhã às 15h00 para poder pensar numa corrida calma, sem objectivos e sem receios, sem multidão à volta a saber quanto é vamos correr, quantos kms faltam para chegar à meta, quanto nos falta de força para lá chegar... Quero correr sem que ninguém saiba nem quanto corri, nem quanto vou correr.
No fundo, estou preocupada com o falhanço em público. Na corrida ocasional estamos só connosco e, agora sim, dou imenso valor a isso.

Que nervoso!

12 março 2014

corrida

Vou (acho que vou mesmo) fazer a minha primeira meia-maratona. Não me sinto preparada. Não sei como vai ser.
Imagino-me a coxear até à meta ou sair da prova escondendo o dorsal para ninguém perceber que desisti.Também imagino o carro-vassoura a pedir-me para sair da estrada, que querem desempatar o trânsito, que o tempo previsto para a prova já passou. Imagino os meus pais indecisos entre o irem-se embora e esperarem por mim, com fome.
Mas prefiro estas imaginações todas à certeza de que acabaria a mini-maratona sem problemas. Está na hora de começar a exigir mais de mim e de confiar mais em mim. Ir a esta prova sem rede, sem certezas, é uma forma de aprender a confiar em mim (mesmo que corra mal), a dar o máximo em vez de me ficar pelo mínimo (que já nem é confortável, porque só me lembra que não me esforço). 
Hoje consegui correr 16km. Tenho mais 3 dias para conseguir os 21km. Mas mesmo que vá apenas com o treino que tenho, se tudo correr bem, o pior cenário será andar os últimos 5km, e isso não me parece assustador (desde que não seja atropelada pelo carro vassoura). Estou curiosa, ansiosa e receosa sobre o que me acontecerá no dia 16, mas seja o que for, pelo menos arrisquei.

11 março 2014

prazos

Depois de uns dias de stress, nada melhor que este solinho para me poder sentar à varanda a meio da tarde com uma cervejinha fresca na mão.
Com coisas para fazer o tempo passa rápido ou devagar: nem sei bem. Às vezes penso que estou no final de Fevereiro, outras no final de Março. Sempre no fim...
Mais 5 dias e o meu próximo prazo é 14 de Abril!!! Que bom! Cumprir prazos é muito cansativo... extenuante.... Principalmente quando são uns a seguir aos outros.
Gosto tanto de dormir e de há umas semanas para cá acordo sempre antes do despertador com um problema para resolver ou uma solução para um problema.

Enfim: entre 16 de Março e 14 de Abril será só ir andando. Espectacular...

ADENDA: Piei cedo de mais. Já há marcações para de 19 a 23 de Março, non-stop.