15 dezembro 2014

Não sou teenager e os erasmus já deram o que tinham a dar

Lá vamos nós de regresso ao país de origem.
Que coisa boa!
Também foi bom o estrangeiro, a experiência da estadia fora, a necessidade de fazer amizades, perceber como funciono, enfim...
Sei que tudo vai ser melhor e mais bonito visto pela lente da distância e do tempo.
Agora tenho pena de não ter sido espectacular, de não querer emigrar para o Brasil, de não ter um jantar de despedida com 20 pessoas a pedirem "Volta! Volta!". Mas sou eu e é assim. Não mudei com o calor.
Tenho mais de 20 a dizerem "Regressa, regressa, regressa" e isso sabe-me bem melhor!

Ilha Grande

Pão de Açúcar

Foi bom ter trazido a Mariana e fazer com elas umas voltas. Tenho a certeza de que sem ela os últimos dias teriam sido bem mais dolorosos e custosos de passarem.

Conclusão: estou madura. Gosto de convívio, mas não idolatro a copofonia (até me cansa quando em repetição continuada), aprecio os prazeres da vida independente das cultura regional (corridas, escaladas, leituras, cinemas, teatros, concertos, ...). Gosto da minha família. Tenho um lar e um lugar.

13 dezembro 2014

Lista em LX


  • vestir à chegada a roupa quentinha da bagagem de mão para chegando
  • comprar ovos, farinha e o que for preciso para fazer um bolo e encher a casa com cheirinho a bolos acabados de fazer
  • ir ao sótão buscar a árvore de Natal e enfeites para montar a árvore
  • ficar a olhar para as luzes da árvore com a Mariana, enquanto planeamos o que vamos fazer nas férias ou se vamos andar de bicicleta nesse momento
  • adormecer no sofá, depois de comer bolo, deixando a loiça toda por lavar na cozinha
  • pôr o despertador para o dia seguinte e pensar em todas as tarefas do quotidiano: escola, trabalho, reuniões, supermercado, lavar roupa, etc.
  • viver a vida como ela é!

03 dezembro 2014

Beleza brasileira

Desde que cheguei ao Rio tenho-me conectado com várias páginas electrónicas brasileiras ou sobre o Brasil. Através delas e das conversa que vou tendo alargo os meus conhecimentos sobre o Brasil, brasileiros e Rio de Janeiro.
Uma das páginas de FB que passei a seguir é a do escritor/ jornalista Hugo Gonçalves, que escreveu, entre outros, Enquanto Lisboa arde o Rio de Janeiro pega fogo, e que opina sobre o Brasil no seu FB.
Numa das suas críticas falou em Valeska Popozuda. Não sabia o que era e pesquisei na net. Apareceu uma mulher de mamas e rabo gigante, que dizia quais os mililitros* ideais para injectar em cada uma destas partes do corpo para se ser "popozuda". Ao lado de imagens dela aparecem outras mulheres com o mesmo tipo de corpo e sou informada de que a beleza feminina reside em se ser musculada como um homem da cintura para baixo  e, da cintura para cima, feminina (cintura fina, mamas gigantes).
Esta questão dos rabos anormalmente grandes ou grandemente anormais, com coxas de halterofilista, leva a que, além do ginásio, haja uma série de intervenções cirúrgicas e químicas. Numa de notícia de há poucos dias** revelou-se que uma participante de reality shows, com muitas intervenções cirúrgicas e injecções de gel nas coxas acabou por ter uma infecção grave. Dizem que está em perigo de morte ou de perder a perna, mas creio que é sensacionalismo. Espero que de qualquer forma seja uma lição para outras mulheres.
Mas nem só do corpo se preocupa a estética brasileira. Existem os cabelos, que se querem lisos, loiros, quase cinzentos. Explicaram-me "São luzes!". Pesquisei  na net e vi um vídeo onde uma rapariga de 20 e tal anos ficam com uma cabelo de uma mulher de 60 - cinzento e branco. Feio! O processo demorou cerca de duas horas, com aplicação de uns 5 produtos. Incompreensível!
Incompreensível também é o conceito de que uma marca de biquini bem definida é bonita. Há até conselhos sobre como conseguir uma e um dos métodos é colar fita adesiva branca nas mamas e no rabo!!! Meu Deus!

Aqui ouvi isto: "Nenhuma mulher é feia - apenas não aprendeu a usar a maquilhagem certa". Ah! Afinal é isso! A maquilhagem é usada por quase todas as mulheres. Pintam-se bem. Quis aprender um pouco, e uma vez que havia vários vídeos sugeridos sobre o tema, escolhi um que era sobre a maquilhagem de noiva, onde a pele tinha um tom normal e suave. O que eu aprendi foi que é preciso aplicar 6 camadas de produtos para se ter tom de pele. Desisti... 

Nota: Nem todas as brasileiras são agarradas a este tipo de estética tão plástica e falsa. A maior parte são normais e perdem o tempo da vida delas em coisas mais interessantes, não deixa de ser significante a forma como a "estética" tem um peso tão grande na vida delas.


* Eles aqui dizem "èmi éli", mesmo quando pedimos uma cerveja é uma de 33 "émi éli".
** Vi a notícia na Rodoviária. Não tinha som. Passaram durante 20 minutos, em loop, os mesmos 2 minutos de filme da popozuda a fazer pesos, como foco especial nas coxas, rabo, e no ar ofegante de lábios estendidos da rapariga. Não consegui perceber do que se tratava apesar de achar que era uma notícia. No entanto, interrogava-me sobre o que poderiam dizer durante tanto tempo sobre aquelas mesmas imagens.

28 novembro 2014

Vão ou talvez não

É um facto inquestionável: passados 4 meses de pesquisa não encontrei nada. Não encontrei o que queria, nem o que não queria.
Foram 4 meses de revirar folhas com mais de 300 anos em vão.
Vão ou talvez não - alguma coisa de útil sobrou para a história do teatro em Portugal, apresentei palestras, comunicações, escrevi artigos, assisti a colóquios...
Consegui, em Recife, um documento muito importante, que buscava há séculos (mas não o encontrei no Rio).
Enfim...

A angústia quer apoderar-se da minha pessoa, questiona-me intermitentemente "viste tudo? viste tudo?", obriga a dar de novo volta a catálogos, a pedir de no novo documentação, ler mais 20 livros e artigos a repetir a mesma coisa, ver catálogos manuais, e mais catálogos online, enviar emails para bibliotecas nas redondezas sempre com a mesma pergunta ("Já vi o vosso catálogo online. Será que têm um catálogo manual que tenha mais documentação para além da que está online?") para ter sempre a mesma resposta (instruções para pesquisar no catálogo online).

Faltam ainda alguns dias, ainda vou de novo a arquivos, dar mais voltas, não deixar nada em branco.

A angústia permanece: vi tudo? Vi mesmo tudo? Estive aqui 4 meses, saio de cá sem resultados... Será que o que procuro existe em algum documento que não me lembrei de pedir?!
Nunca vou saber...

Comecei hoje o meu luto. Larguei os catálogos, deitei fora todas as folhas escrevinhadas com bibliografias, referências, palavras a pesquisar, fundos a pesquisar. Lixo. Porque já está visto, já está terminado, fiz o que havia a fazer, perscrutei bem, olhei muito, estive atenta.

Se não há, não encontrei, é porque provavelmente não existe.

Não foi em vão - repete para ti mesma: não foi em vão.

27 novembro 2014

Corcovado

A trilha começa no Parque Lage. Há uma guarita onde deixamos o nome e número de contacto junto com uns guardas que afirma que não há assaltos na trilha há muito tempo.
Dizem que duração é de 1h40 a 2h30. Parte fácil, depois mais difícil, escalaminhada com ajuda de correntes, posso comprar o bilhete para o Cristo e fico com direito a descer na van.
Subo. Tudo muito fechado. Sempre a ouvir-se o barulho dos carros e das pessoas. Árvores, árvores, árvores. ... Ai! Um ruído estranho... Não é nada. Mais árvores. A primeira cachoeira. A segunda cachoeira (com pouca água, tem chovido pouco). A partir de agora é que é mais inclinado (nota-se). Suo como um porco. Cada vez que me cruzo com alguém ponho a t-shirt como deve ser. Um americano ultrapassa-me (se calhar ele é o que faz em 1h40 e eu em 2h30). A certa altura vislumbra-se um pouco de vista. fotografo com os olhos, uma vez que não levei máquina por causa dos assaltos. Subo mais. Cada vez mais suada e com manchas de suor que marcam partes do corpo. E de repente, estrada! Pergunto as horas a uns caminhantes da estrada: três menos vinte, responde um espanhol. Epá, pelas minhas contas até ali foi só 1h10! Que rápida! Subo o resto da estrada até ao Cristo. Pelo caminho vou vendo a vista e fotografando com os olhos. Reconheço várias partes da cidade. Fico orgulhosa.
Chegando lá acima as camionetas descarregam turistas. Os guias gritam "daqui a 45 minutos aqui! Têm 45 minutos para visitar o Corcovado!". Bebo uma cerveja e pergunto as horas (15h30, demorei hora e meia :) é bom!), quero saber onde se compram os ingressos e o preço. O senhor do café chama-me "Portuguesa! Pergunte aquela moço ali!". 11R$ dias úteis, 21 R$ fins-de-semana. Ok. Está tudo estudado. Voltarei com companhia. Talvez subamos a trilha, talvez apenas a desçamos. Acabo a cerveja e começo o caminho de volta.
Na estrada um casal brasileiro faz a subida íngreme de bicicleta. "Vamo! Vamo!" encoraja ele, "Pára de dizer vamo!" responde ela, ofegante.
No início da trilha sou ultrapassada de novo pelo americano. Como já somos conhecidos diz um "hello!" sorridente.
Estou feliz! O Rio é uma boa cidade.
[...]
No final um beija-flor verde esvoaça parado ao meu lado.

Bambina

A minha rua tem:

  • supermercado com superbocks, vinho português e pastéis de nata;
  • clube de escalada 
  • uma pessoa que todas as noites anda kms de bicicleta estática numa varanda num 11º andar
  • mercado de rua todas as 2ª feiras para me abastecer de toda a fruta estranha e comum, legumes, peixinho, tapioca, queijo de minas e requeijão, goiabada e misturas de doce de leite
  • bar de "sinuca" com concertos e djs na mais completa decoração e arquitectura underground
  • hostel com livros para a troca
  • café onde toda a gente se chama pelo primeiro nome, com mesa-concerto onde ensaia saxofone, violão, pandeireta, flauta transversal e ... (estive a ouvir a música, e este último músico estava de costas, não recordo)


Além disso é próxima da praça Nelson Mandela, onde há o meu açaí preferido, uma barraca de arranjo de bicicletas baratinha e rápida, um sapateiro, e tudo o resto numa colecção gigante de barracas verdes (parece a praça de Espanha, mas com serviços); é próxima também da Estação Botafogo, onde passam os melhores ciclos de cinema do Rio; do pequeno jardim da casa Rui Barbosa, onde há um certo fresquinho e sossego (muitas crianças a partir das 17h) e, caso me aleije, de uma UPA (unidade de Pronto Socorro) muito bem recomendada.

26 novembro 2014

preguiça e falta de vontade

A  falta de vontade que tenho de sair de casa para ver microfilmes é gigante. 
Mas lá irei para terminar as pesquisas infrutíferas que me trouxeram ao Rio de Janeiro.
Há dois documentos que deveria escrever antes de regressar a Portugal: um sobre os arquivos e bibliotecas do Rio, as dificuldades em aceder aos mesmos, e a consequente falta de pesquisa documental que se nota na bibliografia brasileira (pelo menos na área que me toca); um outro sobre conselhos à geração futura: pôr o ar condicionado menos frio, deixarem de culpar os portugueses por tudo o que é cronicamente mau no Brasil, exigir aos motoristas de ônibus que conduzam as pessoas a casa e não ao hospital, e mais uma série de coisas. A preguiça de escrever isso é quase tanta com a de sair de casa para ver microfilmes.
Felizmente não está um dia óptimo para praia, não tenho convites para escalar e o único programa a meio da tarde é no Centro.

20 novembro 2014

Salvam-se as árvores

Depois de mais umas experiências decepcionantes com os arquivos e bibliotecas cariocas, derrotada pelo desânimo e pela pesquisa infrutífera, maldizendo os brasileiros, a burocracia e o Rio, resolvi ir a pé para casa, revolvendo, reciclando e inovando discursos imaginários onde questionava os bibliotecários, arquivistas e técnicos, explicava a falta de pesquisa de fundamentos dos seus livros de história... enfim, maldizia tudo galgando os 5km que me afastavam de casa. 
A certa altura uma alça da sandália parte-se, fica lassa e ganho uma bolha no pé. O vento sopra e o pó das obras de todo o lado entra-me nos olhos. Tenho fome. Tudo é mau. Quero o meu país!...
Prossigo nos impropérios contra o Brasil, brasileiros e tudo o que eles inventaram e fazem.
E assim do nada, uma árvore florida à minha frente, interrompe-me a verborreia mental. "Ao menos as árvores são bonitas", constato.
Já nem tudo é mau..

.

17 novembro 2014

cine


Tenho ido a tantos festivais de cinema que até estranho a falta de aplausos no final de um filme comercial.
Ciclo de curtas, filmes de montanha, filmes do Peru, do Paraguai, festival do Rio... vai tudo!
(normalmente escolho o G8 - é central)
 

16 novembro 2014

A verdade

A verdade é que apesar de sentir saudades da vida de mãe, a vida de solteira também me deixava saudosista de há uns oito anos para cá. São essas saudades que tenho andado a matar. Ainda não morreram por completo
Gosto de acordar à minha hora, conforme o que tenho ou não para fazer, gosto de ir a festivais de cinema, de teatro, ficar na rua a ouvir música, aceitar beber uma cerveja, ver exposições, ir correr, escalar, ao ginásio, bicicleta, ler, trabalhar, almoçar, etc... sempre que me apetece.
Não sofro por estar sem filha - aproveito. Por vezes gostava que aqui estivesse, quando faço ou vejo alguma coisa que penso que ela também gostava. Nem uma lágrima de saudades. Mas quando me perguntam por ela, conto e conto histórias e episódios do que fez, de como é, falo durante mais tempo, e atrás de uma lembrança vem sempre outra.
Não sofro porque sei exactamente em que dia a vou ver, até a que horas, onde. Talvez chore no reencontro, talvez sorria sem parar antes.. Quase de certeza, pouco depois já estarei a ralhar por qualquer coisa...

Entretanto aproveito. Faço uma lista do tudo o que tenho de fazer antes de passar a ser novamente mãe a tempo inteiro: 30 kms de bicicleta para ir a uma praia mais longe, caminhada até ao Corcovado, noitada em Santa Teresa...

(feito: acordar às 5 da manhã para escalar e chegar ao ponto de encontro às 6h00 da manhã, a tempo de ver o sol nascer)

15 novembro 2014

já faltou mais

O cheiro a bolo no forno por toda a casa. Ficar no sofá, enroladinha e quentinha, a sentir conforto de uma casa que preparámos para nós. Alguma música ou qualquer coisa na TV. Esperar para comer o bolo ainda morno. Ser interrompida por uma frase começada por "Mãe...".
O aroma aconchegante de bolos acabados de fazer...

10 novembro 2014

saudades

Sempre vivemos as duas sozinhas. Em certos momentos, quando ela era ainda um bebé, absolutamente frágil, às vezes dava por mim a pensar no que lhe aconteceria se eu tivesse algum acidente, se eu morresse de repente. Será que o choro dela chamaria os vizinhos? Será que alguém iria sentir a minha ausência a tempo?
Via-a a frágil e indefesa e desejava que crescesse rápido e passasse a uma outra fase: mais robusta e independente.

Quando tinha cerca de 6 anos teve uma virose (entre muitas outras viroses que teve ao longo da vida). Ficámos em casa, eu à cabeceira dela, com uma tigela onde ela podia vomitar, um copo com água, lenços de papel para que pudesse limpar a boca depois. 
Dias mais tarde a virose virou-se para mim. Estávamos a ir para casa e tivemos de sair do metro para eu vomitar num restaurante. Quando chegámos a casa expliquei-lhe que estava muito mal, que me ia deitar um pouco e que depois logo fazia o jantar. 
Fui para cama, adormeci por um pouco e quando acordei tinha na minha banca de cabeceira a tigela, o copo de água e os lenços de papel. Enterneceu-me. 
Levantei-me, ainda mal-disposta, para tratar do jantar, quando a vejo na sala, com um prato com um crepe com chocolate, um pacote de sumo e a ver televisão.  Completamente independente e feliz.
Fiquei tão contente e aliviada nesse dia. Não só por ela já poder tomar conta dela, mas também por poder tomar conta de mim.

(nestes três meses de distância, quando sonho com ela, são só coisas banais: como ela comer um crepe de chocolate na sala. É uma banalidade tão preenchida, tão benfazeja, tão boa...)

02 novembro 2014

Calor

O calor começou. E eu começo a perceber porque é que as mulheres andam de calções curtos e camisas sintéticas. Habituo-me ao ruído constante da ventoinha. Aprecio o chá mate com limão na praia. Bebo cervejas em esplanadas. Quase que corro em top no Aterro do Flamengo (ainda tenho pudor).

No meio disto tudo consulto com agrado as previsões meteorológicas para o próximo mês e meio - poucos dias acima dos 30º e alguns dias com chuvas. Mas eu sei que estão erradas, nos últimos dias a confrontação com a previsão e as temperaturas actuais deu para ver que vai ser quente, apesar da amenidade apresentada.
Tenho de trabalhar em frente ao computador. Preguiça de sair para um local mais fresco. Fico em casa até me fartar e aí, mesmo tendo trabalhado pouco, vou à praia dar um mergulho, ouvir as conversas (que são sempre em voz alta), adormecer um pouco, ficar menos branca.
Tenho o meu livro quase no fim. Daqui a pouco saberei o que acontece à personagem principal: aposto que fica no Rio e esquece a Margot*. Por causa deste romance quero ir beber uma cerveja ou outra coisa qualquer fresca ao Vidigal. Se calhar só vou ouvir o barulho das moto-táxis, mas quero ir. Quero ver o cenário ao vivo.
É bom que os livros nos levem a fazer coisas.
Mas a coisa a fazer agora é ler um bocado debaixo da brisa da ventoinha...


* Porque é que as mulheres amadas pelas personagens que são escritores homens inventados por autores homens portugueses são sempre espectaculares de beleza, de inteligência, com um toque de loucura e indolentes? Nestes romances em que o protagonista é um alter-ego do autor encontro-as sempre. No final o romance entre eles termina sempre com uma acção inexplicável (mas não espectacular dela). São estas as mulheres tipos que os autores gostam? Que gostariam de ter? Ou que TODOS os homens gostariam de ter? Irresponsáveis, inconsequentes, sexyse fogosas (claro!), cobiçadas por qualquer macho, mas possuídas apenas por eles (óbvio!!). É?!
Tenho de ver qual é o personagem típico masculino amante de personagens escritoras femininas alter-ego das autoras. Existe?





28 outubro 2014

Hoje não se trabalha

Hoje é Dia do Funcionário Público - eles hoje não trabalham. Há uns dias foi Dia do Comerciante - lojas fechadas. Há mais dias ainda Dia do Professor - os pais ficaram com as crianças em casa.
Perguntei se havia um dia para cada profissão: "Ô Marta, que ideia!..." 
Por ser dia do Funcionário Público, os meus locais de trabalho estão fechados (arquivos e bibliotecas), pelo que decidi tratar da correspondência com os amigos e família, da leitura, apanhar ar fresco e ventoso (é de aproveitar), almoçar acompanhada e rascunhar uma palestra futura na praia.
Tendo em conta a rapidez dos correios, aproveitei para desejar já um bom natal e feliz ano novo aos meus destinatários.


21 outubro 2014

Leitura

No Rio também se lê.
 Le fait du prince da Amélie Nothomb. Sobre um homem que quer ser outro. Uma das primeiras vezes que saí à rua para ler. Talvez no segundo dia. Ainda não sabia que nesta praia, Botafogo, não se toma banho porque água é poluída. Em frente, aproveito para namorar o Pão de Açúcar.



 O belo Servidão Humana do Somerset Maugham. Oferecido aos meus pais e trazido para o Rio. 500 páginas de boa leitura. Faz pensar sobre as decisões da vida. o que somos, o que queremos ser e o que queremos mesmo ser. Na praia do Leme.


Cidade solitária do Fernando Namora. Um dos primeiros livros comprados no sebo* - ou 10 ou 3 reáis - uma pechincha! Sempre confundi o Namora com o Amado, por causa destes dois apelidos dados ao amor. São contos a dar para o triste. A cerveja Skol não é grande coisa... Outra vez na praia do Leme.

 Agosto do Rubem Fonseca. Gosto muito do Rubem Fonseca e fiquei contente por este policial se passar durante os últimos dias do Getúlio Vargas. Foi enriquecedor para o meu conhecimento político do país. Também foi agradável reconhecer os nomes das ruas e saber em que espaços se passa a história. Paragem na minha primeira ida para o trabalho de bicicleta - antes de entrar no trânsito parei um bocadinho para ler, enquanto via ao longe uma aula de patins em linha.

 Vidas secas do Graciliano Ramos. Também do sebo com os de cima. Um belo clássico que me fez ir à wikipédia algumas vezes. Para quem não sabe, bolandeira é a máquina que separa o algodão.
Aqui estou a ler na Lagoa Rodrigo de Freitas. Sítio de que gostei muito e achei muito bem frequentado (apesar de ter sabido ontem que há uns dias assassinaram aí um rapaz para lhe roubar a bicicleta). Em frente, o Morro dos Dois Irmãos, que tinha subido há poucos dias.


O livro que ainda leio, O tronco do Ipê do José de Alencar. Um bocado chato. Mas agora acho que o Mário e a Adélia devem estar quase a entender-se. Pelo menos já não faltam muitas páginas.
Aqui estou no Parque Lage, esse belo local de frescura e piqueniques de crianças. Também tem grutas românticas e macacos que levam sacos do lixo para cima das árvores e vão atirando ao chão, e em cima de quem passa, o que não lhes interessa.


* Sebo é o nome que dão aos alfarrabistas/alfarrábios. Bah!....

14 outubro 2014

Itatiaia

Saí do Rio de Janeiro passados dois meses e fui apanhar frio para o Parque Nacional de Itatiaia, que fica na confluência dos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
Fui apanhar frio (4º à noite é muito frio, principalmente para quem só tem roupa de Verão) e fui escalar e fazer caminhadas e acampar. Tudo coisas de que gosto muito! E não ouvir nem autocarros nem aviões nem portas a fechar nem sinais sonoros de tipo nenhum.... Maravilhoso!!!
Éramos 4 e demo-nos bem. Rimos em conjunto - que é uma coisa muito boa - principalmente motivados por diferenças linguísticas entre o português de Portugal e o do Brasil.
Só faltou um vinho à noite para aquecer... Esqueci-me, mas não me esquecerei da próxima.
No regresso passámos numa loja característica onde dava vontade de levar tudo para casa: doce de leite com chocolate, geleia de mocotó, pé de moça, pé de moleque, picante molho atômico, picante morte súbita, leite de onça, cachaça, mel, geleia de pimenta, geleia de limão, queijo muçarela (é como escrevem aqui), queijo com especiarias, queijo coalho, etc... (mais umas trezentas variedades).



 Aqui podia-se tomar banho, mas ouvi dizer que era água mais gelada do estado do Rio de Janeiro.


Estas são as Agulhas Negras. Chegámos ao cume depois de uma bela "escalaminhada". 2791m de altitude!!! (daí as constantes dores de cabeça). A descida foi mais emocionante que a subida: rapéis, dúvidas, a noite, o escuro... Mas chegámos bem e a comida (atum com molho de tomate, tortelini de queijo, ovo cozido e queijo ralado, com suco de caju, e chocolatinhos para sobremesa e chá para empurrar) soube que nem ginjas! Bem melhor, até!

Este foi escalado no primeiro dia: Pedra do Altar. Lá em cima a rocha é toda ondulada, como a areia por vezes debaixo de água, cheia de covas. Muito bonito!


Cá estou eu no topo a mirar o horizonte!

Florzinha Amariis que cresce por todo o lado aos pares e que se destaca sempre pela vivacidade do tom vermelho no meio do cinzento das rochas e verde das doutras plantas.

Trilha fácil, mas muito bonita sobre um vale gigantesco de cada lado. Os urubus voavam por ali e faziam algumas razias (poucas, que eles não são animais muito dados).

02 outubro 2014

A minha casa

Beber um leite com café e ter de lavar logo a chávena. Depois descubro que afinal quero uma torrada. Lavar logo o prato e faca. Quando faço as minhas tapiocas com queijo coalho e goiabada tenho de a seguir limpar o fogão, a frigideira, a faca com que cortei o queijo e a goiabada e ajeitar de novo os naperons e enfeites em cima do fogão. Faço arroz a mais e deixo-o a arrefecer na panela antes de o pôr no frigorífico - se já esfriou e ainda não o tirei oiço logo a chamada de atenção "Martá, guardá o arroz na gêládeira!", e assim que o guardo tenho de lavar a panela e a colher que usei para pô-lo no turperware. Não interessa se estava ler um livro, escrever um artigo, ver um filme, ou mesmo coisa nenhuma: a cozinha tem de estar sempre como se ninguém passasse por lá. A cozinha é uma prioridade.
Estendo a roupa. Já está seca. Sou avisada de que posso tirá-la do estendal. Tem de haver espaço para as outras roupas.
Não posso andar pela casa de soutien, apesar do calor imenso. O esquentador demora 20 minutos até aquecer: se o ligo, não posso distrair-me a fazer outra coisa ou tenho o esquentador desligado e quando vou ao banho tenho de o ligar de novo e esperar novamente 20 minutos (mas desta vez cronometrando o tempo, para que ninguém o desligue de novo!). Para o banho levo o saco com o sabonete, champô e pedra pome, além da toalha. Quando saio levo tudo de volta, não me posso esquecer de desligar o esquentador, nem de uma peça de roupa suja esquecida.
O barulho da rua é imenso, com a janela fechada ou aberta (um pouco menos com a janela fechada, mas ainda assim parece que estou a dormir debaixo de um viaduto). O calor aperta, mas se abro a janela acordo com ruídos e mosquitos, se a fecho fico com calor, se ligo a ventoinha tenho um ruído constante no quarto.
O meu quarto é todo o meu espaço. A roupa suja, os ténis, as sandálias, o material de escalada, as mochilas suadas tudo deita um cheiro que fica encerrado no quarto, porque tenho de fechar quase sempre a porta: seja pela corrente de ar, seja pelos mosquitos, seja pelo cheiro a fritos (não há chaminé nem exaustor na cozinha), seja pela televisão aos berros. A janela fechada ou aberta é também um dilema, que já foi explicado.
A cadeira onde trabalho todo o dia é com assento de madeira. Às vezes ponho um travesseiro por baixo, mas depois cai ao chão, porque é grande demais, mas acabo por ficar sempre com o rabo desconfortável.
A corrente eléctrica é fraquíssima e a minha depiladora eléctrica não tem força para remover a pelagem que cresce sem piedade e sem pausas, neste país onde a saia e o biquini imperam.
Isto, aquilo, isto, aquilo, isto, aquilo. 
Estou farta de não estar na minha casa.

Quando chegar a casa não vou lavar loiça durante 4 dias de seguida!!! É uma promessa! uma promessa e uma prenda... 
Só não digo que vou andar nua pelas divisões todas, porque vai estar frio, mas vai ser tão bom estar frio que nem me importo de andar vestida.

29 setembro 2014

Morros


O meu objectivo é subir a todos os morros, mirantes e miradouros aqui do Rio em boa companhia. Ainda faltam uns quantos, mas isto vai lá.
Há uns dias fui ao Morro do Dois Irmãos, dos quais subimos ao Irmão Maior.


Começa-se na favela do Vidigal (que tem ambiente de aldeia e não de antro da droga), subindo de van por uma rua estreita onde só cabe um carro de cada vez, mas onde miraculosamente se cruzam carros, com vans, com camiões e um zum-zum ininterrupto de moto-táxis. Goste de passar pela favela e perceber que tem aquele ambiente de perigo e morte súbita como nos têm feito crer, apesar de ter sentido mais à-vontade por estar com um brasileiro. Sai-se da van no topo da favela, passa-se por detrás de um quintal de alguém e começa a trilha.
No topo aproveitei para escrever um postal ao meu sobrinho - um postal escolhido antes com a imagem do Morro dos Dois Irmãos, para poder pôr uma seta a dizer "Estou aqui!". 
No caminho vi um tucano, mas muito rapidamente. Também nos cruzámos algumas vezes com um senhor com dois cães que gabou o trilho da pedra da Gávea - há de ser o próximo!
(Ah, estava nublado nesse dia, daí a falta de cor nas imagens...)

26 setembro 2014

dia 44

Sou uma espécie de emigra. Uma "espécie" porque é durante um curto período, porque não vou mudar a minha vida, porque não escolhi outro país para viver, porque não escolhi um outro país para NÃO viver (dizem que esta última coisa é que é a mais complicada). 
Mas por outro lado não me sinto de férias, gosto dos dias em que reconheço uma rotina, quero abraçar os hábitos locais, integrar-me socialmente.

Vivo uma vida diferente, na qual não tenho obrigações com ninguém, em que posso sair todos os dias às noite, em que posso escalar e correr quando quiser, faço os meus horários simplesmente ao sabor dos meus desejos, sonos, vontades, planeio os meus dias de acordo apenas comigo: com as minhas necessidades, objectivos e vontades. As coisa que me preocupam no dia-a-dia são comezinhas, fúteis, quase adolescentes. Sabe bem. A sério que sabe. 

Contudo, cai de vez em quando uma saudade de ser mãe, de não pensar só em mim, de pensar e agir por duas e para duas. De não ser só eu. 

De não ser só eu e os outros que não importam muito, que são passageiros.

Quero manter os amigos permanentes, tenho saudades desses, que às vezes vemos duas vezes num ano, mas que estão sempre presentes. E por isso agarro-me às novas formas de comunicação que permitem estar com os amigos não estando junto deles, mas estando ainda assim com eles.
Por esta razão, o blogue tem ficado vazio. Escrevo agora para fora daqui. Para quem não sou anónima.

Vou ver se mudo. Também gosto de escrever para quem sou anónima.



Ontem fui dar uma volta de bicicleta pela Lagoa Rodrigo de Freitas. É um sítio bem bonito (nalguns locais), com pessoas engraçadas, imensas festas de aniversário, piqueniques, música, comida, bicicletas, corrida, gaivotas, etc.
Vi uns animais estranhíssimo*s que não fotografei e que olhei durante pouco tempo. Eram peludos, com olhos grandes, pelo claro e estavam uns três deitados em cima uns dos outros. O que me pareceram, à primeira vista, foi serem pescoços de camelos, ou melhor, pareciam camelos mas só tinham o pescoço e cabeça - tenho de lá voltar para vê-los e percebê-los melhor.

Ouvi uma músiquinha e li um pouco do meu livro antes do sol se pôr.

No passeio pela Lagoa Rodrigo de Freitas, passei por uma cancela onde se lia "Não passar quando vier o helicóptero". Achei estranho, mas como não havia nenhum continuei. Aí a vista era ampla e dava para tirar umas boas fotografias, mas a máquina punha-me a noite como se fosse dia e então demorei-me um pouco a fazer várias tentativas.
Até que oiço a hélice do helicóptero e resolvo sair dali. Mas era tarde demais!! A cancela estava fechada dos dois lados! Oh, julgava que ia voar para dentro da lagoa...

*NOTA: Fui informada que os "animais estranhíssimos" são capivaras. Cá vos deixo a informação.

22 setembro 2014

Primavera

Dizem que hoje é o último dia de Inverno e que amanhã começa a Primavera...
Fiz uma corridinha de despedida, enquanto ainda há fresco pela manhã.
Havia muitas outras pessoas a correr entre Botafogo e a Glória. Também a andar de skate, bicla, etc. Há sempre muitos tropas ou outras forças do exército ou da polícia a correr em grupo.
Também se ouvem papagaios no alto das palmeiras (parecidos aos papagaios lisboetas, na Alameda da Universidade, de volta dos eucaliptos). De vez em quando consegue-se vê-los, mas estão mais presentes pela chinfrineira.
Mas do que gostei mais foi de uma lagarta verde alface gigante (do tamanho de uma salsicha Nobre das latas de 10 ou 12). Atravessava a pista transversalmente. Lentamente...
Creio que a esta hora estará espalmada no alcatrão... Às vezes o exercício mata.

17 setembro 2014

Colonialista pedante

O pequeno colonialista pedante que há em mim tem crescido nos últimos tempos.

Episódio 1

Eu e uma amiga portuguesa.
Rita - Quero uma caipirinha.
Moço - Cachaça ou vodka?
Rita - Com cachaça.
Moço - Quer com hortelã ou [não me lembro]?
Rita - Com hortelã.
Moço - É só uma?
Eu - Sim, eu não quero. Obrigada.
Rita - Onde é que eu pago?
Moço - Ali ao de vermelho. ... São espanholas?
Nós - Não.
Moço - São francesas?
Nós - Não.
Moço - Italianas?
Nós - Não. Somos portuguesas

Portanto, reconheceu a língua, mas achou que eram estrangeiras que a falavam.


Episódio 2

Dois brasileiros.
1 - O Marcus agora está em Angola!
2 - Angola?! E ele está bem? Como é lá?
1 - Muito bom. E fácil. Lá também falam português.
2 - Falam português em Angola?! Mas como falam a nossa língua lá?!


Episódio 3

Eu e um brasileiro
Eu - Lá em Portugal também passou o Sítio do Picapau Amarelo.
Brasileiro - Jura?! Ah, já não lembro da música.
Eu - Só me lembro de um pouco. "Sabugo de milho é gente/ boneca de pano é gente /  o sola nascente é tão belo" [tudo cantado em brasileiro]
Brasileiro - Oh Marta, você quando canta fala bem português, mas quando fala só não consegue.
[AAAHHHH!!!]

Apetece-me sair pela rua cantando os Heróis do Mar.

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16 setembro 2014

Pão de Açúcar

Queria tanto um amigo para escalar, para realizar o desejo de quando sabia que vinha para cá (escalar o Pão de Açúcar e o Corcovado) que dei por mim, no passeio da Urca a interpelar as pessoas que passavam com uma corda às costas, perguntando como arranjava companhia para escalar, quase implorando que escalassem comigo.
Só recebi cartões de guias de escalada e o conselho de continuar por ali agarrada aos boulders, que alguém haveria de passar e depois seria possível meter conversa.
Assim fiz, meio desacreditada, mas pelo menos treinando um pouco.
Passado um tempo juntam-se dois rapazes. Um com ar de marroquino agarra-se à parede e ali anda para baixo e para cima. Quando também eu começo a fazer alguma coisa diz: não é assim. Começa do outro lado.
Segui o conselho, fui para o outro lado e colocava os pés e mãos onde me dizia. 
Decidi contar-lhe o meu desejo: ir ao Pão de Açúcar caminhando. Propôs logo que fossemos nesse momento. Aceitei, pois há oportunidades que são irrecusáveis.


A caminhada é fácil, embora a estivéssemos a fazer como se fugíssemos de uma onde gigante, com o objectivo de apanhar o casal da frente, que tinha uma corda que poderíamos usar na parte de escalada.

Descansámos, vi a vista, agradeci a sorte que tive, vi a cidade lá do alto, descemos de bondinho até à Urca, depois descemos a trilha, aprendi a saída alternativa quando o portão fecha, combinámos uma cervejinha para a noite e uma escalada para outros dias.

Foi bom!

Passados dois dias, estava de novo a escalar o Pão de Açúcar. Foi muito melhor. Um sossego, uma companhia muito porreira.

Bom demais!

15 setembro 2014

O melhor

Ontem, foi o Santa Teresa de Portas Abertas. Santa Teresa é um bairro de artistas e em alguns fins-de-semana eles abrem as portas dos seus ateliers para as pessoas poderem visitar. Fui lá com uma amiga dar uma volta. Parámos num terracinho para beber uma caipirinha. Enquanto conversávamos uma menina de uns 7 anos aproximou-se de mim. E depois disse baixinho a olhar para os pés:
- Você é muito bonita.
Nem acreditei no que ouvi.
- Quem? Eu?!
- Sim. Você é muito bonita. - repetiu ela sempre com os olhos no chão. E foi-se embora.
Fiquei encantada!... Foi o melhor elogio que já recebi.

09 setembro 2014

Para dar um pouco de vida aqui ao cantinho... umas imagens

O Rio tem muita praia e muita floresta, mas com todo o medo que é inculcado sobre assaltos e estupro (já apanhei algumas palavras) acabo por procurar zonas de ausência de carros (ruído e fumo) pertinho de casa. Sei que ainda tenho muito para onde ir, mas a investigação tem tirado o seu tempo e ainda não fui a sítios que tenho a certeza de que gostarei. Também não quero esgotar os motivos para passear antes do tempo (ainda falta tanto para regressar!).
Assim, vou guardando alguns locais que sei que serão fenomenais e passeio-me pelos mesmos sítios, que se vão tornando familiares e acolhedores.


07 setembro 2014

dia 24 - saudosa

Um brasileiro sessentão ou setentão meteu conversa comigo. Disse que os portugueses se distinguiam logo, que ele os identificava a olho. Falou então sobre o Brasil, sobre Portugal, contou muitas histórias e disse que um dia iria outra vez a a terras lusitanas. "Não sei porquê gosto daquele país".
Eu também não sei porque gosto. Mas gosto muito.
Fico imune às fotografias que trouxe a família, às conversas no skype, às lembranças do dia-a-dia que não estou a viver, aos desenhos da minha filha que me acompanharam, mas assim que a eu reconheço o meu país por qualquer indício mínimo (como as tabuletas castanhas que assinalam monumentos) vem uma lagriminha aos olhos.
Que país é este, tão desgraçado, usado, deteriorado, pobre, infeliz e ingrato que é capaz de congregar tanto amor de tanta gente?! 

O Brasil, por ter como parte da sua história a história de Portugal, acabou por se apropriar de todos os acontecimentos lusos até hoje como seus. E fazem-no com orgulho e com simpatia. Dizem: Este ano comemoramos os 40 anos da revolução! Porque é verdade que eles também celebram essa data como se fosse sua.

O 25 de Abril, o Grândola Vila Morena, o Fado Tropical e o Tanto Mar, em separado comovem-me. Todos juntos, aqui desterrada e saudosa, fizeram com que numa palestra eu parecesse estar num velório, tal a quantidade de lágrimas que me escapavam dos olhos.

Do 25 de Abril comove-me a vontade de um povo, a união, a esperança e também a inocência antes da constatação de que afinal "a vontade do povo" tem pouca força num povo sem vontade, que tem como lema "se é de todos, vou tirar a minha parte".

E ainda assim, gosto muito...

29 agosto 2014

Dia 15

Iniciei as minhas pesquisas e visitas a arquivos. Iniciei também um processo de aprendizagem sobre um mundo hiperburocratizado, ilógico e policial sem sentido.
Vou contar-vos uma anedota: chama-se Biblioteca Nacional do Brasil. 

Episódio 1 - O elevador.

Introdução: Na BNB existem dois elevadores para toda a gente - pessoal, leitores, turistas, equipas de limpeza. Um dos elevadores não funciona. O que funciona só leva 7 pessoas. As escadas existem, mas é proibido utilizá-las. A recepção é no piso 2, os manuscritos no piso 3. Um lanço de escadas de diferença.

A anedota da vida real: Cheguei à BNB, fui à recepção, identifiquei-me, deram-me a chave para o cacifo. Informei que já tinha o impresso a pedir autorização para levar o computador para a sala e perguntei o que era necessário fazer para o levar. Responderam que tinha de ir ao 3º piso, dos manuscritos, para que ele fosse assinado.
Deixei as coisas no cacifo, levei a autorização para assinar, passei num segurança, cheguei ao elevador, esperei 5 minutos para ter vaga lá dentro, subi, fui à sala de manuscritos, pedi a autorização, mais 5 minutos para conseguir descer, passei pelo segurança de saída, fui aos cacifos, peguei no meu saco de plástico transparente com o computador, cabos e rato lá dentro e fui até ao segurança de entrada, que informou que o saco não podia subir. Tentei demonstrar-lhe as vantagens de um saco transparente, que permite que se observe tudo o que vai lá dentro, e tentei fazer-lhe ver como era difícil equilibrar tudo nas mãos (ainda havia o lápis, a autorização, as requisições, telemóvel e folhas brancas). Irrevogável. Comecei a maldizer o país e fui deixar o saco no cacifo equilibrando as coisas no computador. Subi, com a eterna espera pelo elevador.
Comecei as minhas consultas e quis ter acesso à internet para consultar um texto teatral. Disseram-me que isso era na recepção. Desci, na sempre eterna seca por ter vaga no elevador, enquanto via a gigantesca equipa de limpeza composta por várias mulheres e um rapaz efeminado, cada um com o seu pano numa mão e o smartphone na outra, e cujo trabalho consistia em passar o pano por todos os objectos e paredes que estivessem entre a cintura e os ombros. Acima e abaixo desse nível nada é limpo, porque obriga a mexer o resto do corpo.
Desci. Fui a recepção. Deram-me o login e password. Subi - tic, tac, tac, o tempo a passar e eu sempre a perguntar coisas parvas: porque não podemos usar as escadas? para ter respostas igualmente idiotas: são as normas.
Cheguei pela 3ª vez à sala de manuscritos, mas não consegui ligar a net. O rapaz disse o que me dizia desde o início: tem de ir à recepção com o computador. Fui. Seca para a apanhar o elevador, sempre cheio de pessoal da limpeza. Desci, mas não consegui chegar à recepção, porque o segurança da saída, exigiu que eu apresentasse a autorização para andar com o computador. Sem a autorização não podia sair. Tentei mostrar a estupidez de tal exigência, mas a segurança, com um sorriso muito simpático e bonito, foi irrevogável e tentou enganar-me com a simplicidade da coisa - ela disse "é só ir lá a cima". Ao que eu respondi: ir lá acima e descer são 10 minutos à espera do elevador. E ela respondeu: Então faz isso.
Subi então pela 4ª vez à sala de leitura. Ainda não tinha feito nada - só subido e descido na merda do elevador. Peguei na autorização, desci. A segurança leu a autorização com toda a atenção, verificou o computador e deixou-me sair mostrando o seu sorriso simpático. Fui à recepção, corrigiram o erro, a net existia finalmente no meu computador. Saí de lá em direcção ao segurança de entrada, que leu muito a bem a autorização e verificou o computador. Subi, depois do segurança do elevador me ter deixado entrar na 3ª vez que o elevador passou. Entrei na sala de pesquisa, pus o meu manuscrito ao lado do computador, abri a página electrónica que queria e comecei a investigação. Tinha passado uma hora e meia!...

18 agosto 2014

Dia 5

Ainda não sei se sou turista ou família afastada.
Não me sinto turista, sinto-me enturmada. Não há coisas verdadeiramente estranhas que desafiem os meus hábitos e costumes*, entendo toda a gente, eles quase sempre me entendem, as novas tecnologias permitem ter a família em casa comigo. Enfim... Acho que ainda nem tive saudades. Mas penso com receio nos próximos meses que aí vêm - as saudades quando se abatem é como uma tempestade tropical - repentina e com brutalidade!





















* A senhora que está sentada dentro do elevador e carrega no botão do andar por nós; os rapazes que põem as compras nos sacos de supermercado; e o facto de os obesos, junto com grávidas, idosos e deficientes, fazerem parte do grupo de pessoas com assento prioritário no autocarro, tudo isto, na realidade, me causa alguma estranheza.

10 agosto 2014

banalidade

A normalidade é tão boa!
Acordar, ver a filha ainda a dormir, tomarmos o pequeno-almoço, irmos ao parque, ela a andar de bicicleta enquanto eu leio um livro.
Irmos à praia, fazer buracos e vulcões na areia, tomarmos banho, ela come um gelado, eu fico-me pela mini.
Vermos um filme de animação, ela ri-se às gargalhadas, eu interrogo-me como é possível porem o ar condicionado tão frio.
Darmos um passeio de bicicleta até ficarmos as duas com fome, e só chegarmos a casa depois do sol posto.
Estarmos em casa, ela inventa um restaurante, onde comemos o jantar escolhido num menu com alguns erros ortográficos.
Desenhos por todo lado, a toda a hora. A música da Violetta a toda a hora. O som das músicas dos jogos do tablet a toda a hora. Ela a falar a toda a hora.

Como se passa do "ela em todo o lado a toda a hora", para "ela em lado nenhum nunca"?

Dizem que 4 meses passa rápido. Sim, mas só quando chegam ao fim.

31 julho 2014

Parabéns

É o aniversário da mais bela criatura da minha vida. É hoje e não foi celebrado com a pompa e circunstância que merecia. Não teve a prenda de arromba que se esperava. O dia foi sombrio, quase de inverno, por contraste à luminosidade que devia haver.
Deveria ser resplandecimento e gargalhadas por todo lado.

Houve gargalhadas nossas nalguns momentos e calor intenso no meu coração. E isto enche o mundo que é o  meu.

06 julho 2014

Linda cidade

No Porto as gaivotas grasnam em todo o lado, o nariz fica mais sujo, as bicas são sempre quentes, come-se "bem e bom" e há sempre um portuense de gema ou de empréstimo para nos fazer companhia!

25 junho 2014

O sono fugitivo

O sono fugiu.
Primeiro porque havia uma candidatura a ser feita, com poucas esperanças de resultados.
Depois houve um colóquio a organizar em simultâneo com a escrita de uma comunicação.
Depois mais novas candidaturas e redacção de projectos.
O sono voltou por uns dias, até que a data de publicação de resultados se aproximava.
Os resultados vieram, a bolsa foi conquistada e o sono bazou diligentemente para parte incerta com todas as novas questões se colocavam: viagens, alojamentos, financiamentos, preços, escolhas, distâncias, indecisões, dúvidas, perplexidades. O sono desapareceu.
Depois a cada decisão tomada, o sono regressava mas por breves momentos, porque as decisões, apesar de tomadas, continuam a angustiar pela incerteza de terem sidos as melhores.
Aproxima-se o momento, a viagem, a partida, a aventura e o sono foge, foge, foge...
Quando voltará uma noite bem dormida? 
Cá? Lá? Ou só depois, cá?


24 junho 2014

Castelos de areia

Uma criança portuguesa, como muitos portugueses, frequenta a praia. E tal como os outros infantes portugueses faz construções na areia. Quando o mar chega ao castelo ou torre ou magnífico palacete, este fica inevitavelmente destruído pela fraca mas potente força da ondinha à beira mar. Mesmo que se remedeiem as paredes com nova areia após a primeira vaga, sabe-se que não durará muito tempo, porque o mar tem força e areia desfaz-se.
Este ilustrativo episódio pode ter ocorrido ontem, há 10, 20 ou 50 anos, ou mesmo, poderá ocorrer amanhã.
Resumindo: aí pelos 4, 5 ou 6 anos qualquer criança tem consciência que fazer castelos de areia junto ao mar, não é coisa durável. As crianças crescem, ficam adultas e mantêm o mesmo conhecimento, porque vêem todos os anos, com os seus próprios olhos, que o mar e a areia continuam a ter as mesmas características, sendo que o mar leva a areia para onde quer e quando quer, e a areia não dá luta.
Há contudo algumas pessoas que, estranhamente, não passaram por esta experiência pueril. Ou não tiraram dela as conclusões devidas. Acontece...
Aborrecido é que estas crianças se transformem nos  presidentes de câmara, engenheiros e outros profissionais que acreditam que se podem recriar areais, enchendo praias com areia que o mar a tirou de lá. 

Amigos, não é possível!!! A sério!..

Mas, não querendo que autarquias sofram com a redução do comércio balnear, deixo uma sugestão, pelo menos para a Costa da Caparica: arrasem os bairros de barracas (também denominados de "parques de campismo") e façam O-Maior-Areal- da-Península-Ibérica*! Asseguro-vos que terão umas praias lindas, de extensos areais a fazer lembrar postais das Caraíbas, onde todas as crianças terão espaço para aprender a efemeridade dos castelos de areia, contribuindo assim para um país com maior nível de inteligência política. 



* Em Portugal, quando uma coisa é grande a valer, é sempre A Maior da Península Ibérica. 

06 junho 2014

o sofrimento do investigador

Dias, dias, meses, anos a pesquisar uma informação. Sempre a colocar uma nova hipótese sobre onde essa informação possa estar, que outros fundos a contêm, sob que outros títulos poderá estar classificada.
Encontra-se um novo fundo que parece responder à nossa pesquisa. Guardamos todas as esperanças para esse novo documento. Esperamo-lo com ansiedade no silêncio da sala de leitura, com a esperança de que corresponda aos nossos anseios. 
Chega e manuseamo-lo com cuidado - afinal, é lá que está o tesouro.
Todas as palavras, fólio após fólio, são lidas do princípio ao fim para que não se perca nada. A cinco palavras do fim do documento guardamos a esperança para que seja mesmo ali, no final, que está tudo.

MAS NÃO ESTÁ, PORRA!

Tanta coisa documentada e do que eu preciso nada! O meu homem andou à paisana no séc. XVIII? Undercover?!

Aparece, gajo, que eu estou à tua espera para te fazer um elogio laudatório!

05 junho 2014

A inutilidade da ferida

Pela boca do protagonista, o Jonathan, que passou a maior parte da vida magoado por um amor não correspondido, diz a Pearl S. Buck a respeito das dores da alma e do coração : "O pior não é a ferida, mas a inutilidade da ferida."
O Jonathan era responsável, honesto, homem de família, trabalhador, circunspecto e pouco dado a desejos que não fossem o melhoramento da sua cidade e o bem da sua família. Teve obstáculos na vida, superou-os, foi pai de família e marido, prosperou, ganhou o respeito e admiração dos que o rodeavam. Já velho, a mulher morta (por quem nunca se tinha apaixonado nem sentido um grande amor), os filhos independentes (nenhum deles excepcional como gostaria), constatou que nunca foi feliz.
Admirou (e invejou) o amor entre outros casais por nunca ter experimentado o mesmo.
Um dia, ao constatar o respeito e carinho que a sua cidade tinha por si, sorriu. Foi tudo o que de mais alegre fez na sua longa e preenchida existência.

14 maio 2014

Aforismos

Lição do dia

É mais difícil comer uma maçã enquanto se conduz uma bicicleta, do que comer uma maçã enquanto se conduz um carro.


Adivinha

O que traz a filha de um passeio à Serra da Estrela?
1) uma caveira de uma cabra
2) duas dúzias de pinhas
3) um calhau de granito.

09 maio 2014

Um borracho na minha varanda


... mas não daqueles que dá gosto olhar...

05 maio 2014

depois de ouvir as notícias

Vinha há pouco pela Avenida de Berna e de repente dou com os carros parados com sinal verde. Só depois me apercebo que uma mega escolta policial está a passar prioritariamente entre os cidadãos. Penso: "Será a Dívida a deixar Portugal?".
Dizem que sim...

já foste!

e eu nem o provei...

28 abril 2014

Serra da Estrela


Foi ver a neve pela primeira vez, mas inteligentemente diz "Não é neve, é gelo" sem que isso lhe tire o entusiasmo por aquela coisa branca e fria que tanto aparece nos filmes da época natalícia.
Acampámos na Serra, choveu todo o sábado e esse para ela foi o melhor dia do fim-de-semana: brincou com  novos amigos no café, fomos experimentar um muro de escalada, fizemos uma aula de ioga e outra de pilates e à noite houve música e slackline.

Por qualquer razão, hoje, não tinha memória para a rotina: esqueci a aula de viola, onde tinha posto a carteira, ainda não recordei onde guardei os documentos do carro e quando cheguei ao arquivo tive de fazer um esforço descomunal para me lembrar o que tinha pesquisado no último dia e o quais os planos para hoje.

Foram 3 dias, mas pareceram umas férias.

Viva a Serra!

21 abril 2014

A Primavera chegou à minha varanda!

Morangos, couves, hortelã, flores, ervas de cheiro, buganvilia... e até pombos (!!!) - tudo cresce na minha varanda!!!

08 abril 2014

saúde!

Depois de uma semana de doença finalmente acordei sem pensar em analgésicos.
Adeus dores, febres, dores, vómitos, dores, dores... Foi uma semana má. Não acabou de todo, a tosse cá fica alojada no meu corpo mais uns dias (está-se bem, não é? É um bom corpinho para chatear).  Mas às outras todas já lhes dei ordem de despejo - definitivamente, espero.

Não há nada como estar mal para valorizar a normalidade.

Já diz o outro "A saúde é um estado transitório que não augura nada de bom".

E esta passarada toda no parlapié que ouço pela janela parece que me veio dar as boas-vindas.

É linda, a Primavera...

25 março 2014

azedas

Incomodava-me o lamento de mãe solteira como cabeçalho do blogue. Resolvi escrever qualquer coisa. Comecei um textinho sobre como as pessoas estão azedas e de como os comentários em jornais online são o testemunho disso. Embirram com os comentários dos outros sem razão, vão buscar pormenorzinhos da treta, fazem leituras transviadas, etc. para insultar e maldizer.

Resolvi não escrever isso. Não queria coisas azedas como cabeçalho do blogue.

Pensei numa coisa alegre, uma anedota, diversão, uma cena para rir...



E no final descambei em mais um lamento e no azedume.

Sorry...

anedota da segurança social

Factos: sou bolseira, pago o seguro social voluntário, tenho uma filha com deficiências auditivas e necessidade de terapia da fala.

A SS atribui uma bonificação por deficiência a menores de 24 anos a pessoas com deficiências de vários tipos, entre as quais sensoriais e fisiológicas (como é o nosso caso) e que necessitem de apoio terapêutico (como também é o nosso caso).
Apesar de a deficiência da minha filha sr de carácter permanente tenho de entregar anualmente um atestado médico a comprovar isso mesmo na SS. Todos os anos tenho de ir buscar o modelo à SS, entregar no hospital e esperar um ou dois meses para ter o atestado, que depois entrego. Fica carimbado.
Todos os anos, depois de o subsídio ser atribuído cerca de três meses, recebo uma carta a informar que afinal não temos direito e que se quisermos contestar esta decisão temos de entregar os documentos e preencher novamente o impresso. Entretanto não há subsídio, nem dos meses que demora até ter o atestado. Depois recebemos uma carta a dizer que nos foi atribuído e passados uns três meses inicia-se o ciclo.

Este ano, farta desta merda que é a SS, quando recebi a carta a dizer que não teríamos a bonificação decidi nem fazer nada e não receber nada. Engraçado é que enviam uma carta no final de Fevereiro a dizer que o não recebimento é a partir de Janeiro, inclusive. Diga-se que os papéis tinham sido entregues em Outubro, por isso só tínhamos recebido dois meses.
Uma semana depois, recebo outra carta. Desta vez, para além de afirmar que o subsídio não é atribuído, dizem que o recebi indevidamente e pedem-me que devolva os meses de novembro e dezembro, oferecendo-se, caso eu não o faça, a irem à minha conta bancária e penhorarem os meus bens.
Uma semana depois recebo outra carta, dizendo que a bonificação não será dada porque só é atribuída a crianças com menos de 24 anos, deficiências e com necessidade de apoio terapêutico. (???!!!)

A minha questão é (entre outras): quem são estes anormais que não sabem ler um atestado médico preenchido em formulários da SS nos quais o médico só tem de pôr cruzes? Quem tomou essa decisão!? Com que fundamentos?!

Como é óbvio já reclamei, não só porque não quero devolver dinheiro, mas porque é uma questão de princípio.  Além de que, na escola só atribuída terapia da fala se apresentar um recibo da SS em como recebo a bonificação. Do atestado médico, da opinião do médico especialista, ninguém quer saber...

Há mais uma coisa, como bolseira, pago o seguro social voluntário, uma contribuição não obrigatória para a SS, que não me dá direitos nenhuns (nem baixas por doença, nem fundo de desemprego, nada... apenas anos de desconto). De uma das primeiras vezes que reclamei sobe a bonificação por deficiência disseram-me que eu não podia receber a bonificação pelo regime contributivo - porque não deduzo parte do ordenado - , mas que também não poderia receber pelo não-contributivo - porque contribuo. Disse logo à senhora que me atendeu que queria cancelar o SSVoluntário. Espertinha, ela, sugeriu, "vamos tentar pelo contributivo". E recebi, dois meses...

Conclusão: se eu não contribuir para a SS recebo bonificação e a miúda tem terapia da fala. Se contribuo, não recebo bonificação e ela não tem direito a apoio terapêutico.

Este país é uma anedota de merda gerido por gananciosos sem escrúpulos ou panhonhas sem cérebro com o objectivo de nos transformar em idiotas iguais a eles.

Nota: com paciência, farei versinhos sobre este tema.

21 março 2014

Mãe solteira

Porque foi Dia do Pai, porque no Dia do Pai muitas mães revelam ser mãe e pai, queria só expor a minha opinião sobre o tema "mãe solteira".

Confunde-se uma mãe solteira com uma mãe divorciada. As diferenças são as seguintes:

Mãe solteira:
- a criança não tem pai
- a mãe não tem com quem decidir para que escola a criança vai, se é melhor operar ou não operar, etc.
- quando a criança está internada só se dá um nome como acompanhante e ninguém substitui a mãe quando ela tem de sair de ao pé da cama  e ir comer ou à casa-de-banho
- não há pensão de alimentos, nem ninguém para dividir despesas de saúde ou educação
- não há quatro avós, nem mais tios para poderem apoiar
- não há ninguém
- no Dia do Pai não há festejo
- se a mãe morre a criança fica orfã e tem de ser acolhida por alguém (avós, tios...)
- a mãe não tem fins-de-semana livres ou semanas de férias, em que possa ser solteira - é mãe todos, todos os dias

Mãe divorciada
- a criança tem pai
- duas pessoas preocupam-se sobre o que é melhor para a criança e decidem em conjunto
- para além da mãe, há sempre o apoio do pai - num hospital, mesmo que espere quatro horas, a mãe sabe que poderá comer ou ir à casa-de-banho, porque vai chegar o outro acompanhante
- há apoio financeiro, mas mesmo que não haja, em caso de necessidade de saúde é possível arranjar dinheiro para uma operação ou um exame
- há avós que podem revezar-se a ficar com a criança de vez em quando sem sobrecarregar sempre os mesmos
- no Dia do Pai a criança e o pai fazem qualquer coisa
- se a mãe morre, a criança fica com o pai
- a mãe divorciada pode ser solteira de vez em quando - tem tempo e possibilidade de encontrar alguém para partilhar a vida - porque às vezes não é mãe, é mulher.

Concluindo:
Adorava, por mim e por ela, ser mãe divorciada. Adorava!...

17 março 2014

Meia Maratona

O nervosismo por me meter em algo que achava que não ia conseguir, em algo grande demais para mim era tanto que me sentia a rebentar de emoção (chamemos-lhe emoção, porque não sei o que era, mas que estava emocionada é um facto).
Não dormi nada a noite anterior - tendo ficado acordada entre as 2h30 e 4h00 da manhã a ler. De manhã, despertei definitivamente às 6h55. 
Era um nervoso incrível.
Chegámos ao tabuleiro e tive de me despedir da minha filha e dos meus pais que iam para a mini. Depois fiquei lá sozinha, a fazer alongamentos, sempre com as lágrimas da emoção a quererem saltar, mas bem reprimidas.
A certa altura, estava ainda à espera da partida, perto de umas casas de banho portáteis e vejo montes de gente a correr na minha direcção. Penso: "Estes querem todos ir fazer chichi agora!", até que me dou conta que não - eram os da mini que vinham a acelerar porque a partida já tinha sido dada. 
Comecei a correr também, e mal ponho os pés na ponte comecei a chorar. Aquilo era demais para mim... E corri meio tabuleiro com lágrimas a escorrer pela cara.
Na descida, para Alcântara já estava mais calma e soube muito bem ouvir Rage Against the Machine e o Fuck you I won't do what you tell me
Eu estava cheia de objectivos que variavam conforme o cansaço: umas vezes era correr pelo menos os primeiros 11km sem parar, outras eram os 16km, depois alongaria as pernas, comia a barra e continuava. 
Julgava que a primeira volta para trás era no Terreiro do Paço, por isso fiquei muito contente quando no Cais do Sodré retrocedemos. Ao ver os corredores que ainda vinham atrás de mim fiquei aliviada por pensar que não deveria ser a última. O objectivo nessa altura era correr pelo menos até Belém, onde poderia desistir se fosse preciso. Cheguei a Belém bem e comecei a procurar se nos passeantes da mini encontrava a minha mãe e filha, mas não as encontrei (soube depois que estivemos a par e passo).
Cheguei então ao km 12. Metade já tinha sido! Fixe!
E então começaram a doer os músculos... Pernas, pés, costas, rabo, tudo...
O objectivo mantinha-se na paragem nos 16km, mas, caso me aguentasse, poderia ser na viragem para meta. Só que não correu bem. Tudo doía muito, a viragem para a meta nunca mais chegava e, depois de andar, correr é uma dor desgraçada.
A partir daqui era correr-andar, com objectivos mínimos - correr até ao final dos prédios, começar a correr no próximo prédio, etc.
Cheguei a Belém a correr, ao CCB, à meta.
Chorei também aí, mas menos - estava feito.
No pós-corrida - dores nas pernas e muitas dores de cabeça bastante fortes.
Dicas a mim própria para a próxima: não correr na semana anterior; dormir descansada porque sei que consigo, ser mais rápida para não apanhar tanto sol e evitar as dores de cabeça.

15 março 2014

nervoso

Sonho com ténis, doces que não devia comer, dores no corpo... e ainda é só amanhã. Estou com um nervoso graudinho que nem vos digo nem vos conto.
Desde ontem que preparo o que preciso: roupa, música, comida, a filha (que vai a uma festa, a prenda, a roupa para a festa)...
Que stress! Só me apetece chegar a amanhã às 15h00 para poder pensar numa corrida calma, sem objectivos e sem receios, sem multidão à volta a saber quanto é vamos correr, quantos kms faltam para chegar à meta, quanto nos falta de força para lá chegar... Quero correr sem que ninguém saiba nem quanto corri, nem quanto vou correr.
No fundo, estou preocupada com o falhanço em público. Na corrida ocasional estamos só connosco e, agora sim, dou imenso valor a isso.

Que nervoso!

12 março 2014

corrida

Vou (acho que vou mesmo) fazer a minha primeira meia-maratona. Não me sinto preparada. Não sei como vai ser.
Imagino-me a coxear até à meta ou sair da prova escondendo o dorsal para ninguém perceber que desisti.Também imagino o carro-vassoura a pedir-me para sair da estrada, que querem desempatar o trânsito, que o tempo previsto para a prova já passou. Imagino os meus pais indecisos entre o irem-se embora e esperarem por mim, com fome.
Mas prefiro estas imaginações todas à certeza de que acabaria a mini-maratona sem problemas. Está na hora de começar a exigir mais de mim e de confiar mais em mim. Ir a esta prova sem rede, sem certezas, é uma forma de aprender a confiar em mim (mesmo que corra mal), a dar o máximo em vez de me ficar pelo mínimo (que já nem é confortável, porque só me lembra que não me esforço). 
Hoje consegui correr 16km. Tenho mais 3 dias para conseguir os 21km. Mas mesmo que vá apenas com o treino que tenho, se tudo correr bem, o pior cenário será andar os últimos 5km, e isso não me parece assustador (desde que não seja atropelada pelo carro vassoura). Estou curiosa, ansiosa e receosa sobre o que me acontecerá no dia 16, mas seja o que for, pelo menos arrisquei.

11 março 2014

prazos

Depois de uns dias de stress, nada melhor que este solinho para me poder sentar à varanda a meio da tarde com uma cervejinha fresca na mão.
Com coisas para fazer o tempo passa rápido ou devagar: nem sei bem. Às vezes penso que estou no final de Fevereiro, outras no final de Março. Sempre no fim...
Mais 5 dias e o meu próximo prazo é 14 de Abril!!! Que bom! Cumprir prazos é muito cansativo... extenuante.... Principalmente quando são uns a seguir aos outros.
Gosto tanto de dormir e de há umas semanas para cá acordo sempre antes do despertador com um problema para resolver ou uma solução para um problema.

Enfim: entre 16 de Março e 14 de Abril será só ir andando. Espectacular...

ADENDA: Piei cedo de mais. Já há marcações para de 19 a 23 de Março, non-stop.

26 fevereiro 2014

Sair do youtube

... quando nas sugestões de vídeos aparece a primeira imagem ordinária.

A tendência para ver porcaria é grande...

20 fevereiro 2014

Lamento pelo meu pé*

Lamento-me pelo meu pé, mas lamento-me pelo tempo e pela impossibilidade que antevejo de correr a minha primeira meia-maratona. Tenho a certeza de que não vai acontecer.
Pensei que uma semana de repouso faria tudo, mas creio que em engano. Ainda irei experimentar. Duvido.
Terei de treinar para uma próxima. Se calhar é por etapas muito pequenas que lá chego: 1º penso no assunto durante alguns anos, 2º treino alguns anos sem me inscrever, 3º inscrevo-me, mas não participo, 4º ???? Será participo, ou ainda haverá(ão) mais etapas antes disso. 
Queria que fosse uma corrida antes dos 40. Talvez que seja antes do 50.

Entretanto fiz anos.

Queria escrever textos aqui, mas não sai nada.

Espero, conseguir escrever textos para outros sítios.


 * o título é uma paródia de "lament for my cock" dos Doors. Cada um tem as suas partes do corpo a lamentar...

07 fevereiro 2014

os meus dez livros


não são só livros que marcaram a minha vida, mas também que fazem parte de marcas da minha vida.

mendigos e altivos, albert cossery - com este livro quis ser mendiga. felizmente a educação conservadora dos meus pais impediu-me de me encostar à esquina de mão estendida e vida incerta e hoje, graças a deus, sou bolseira!
sidharta - gosto muito daqui da ideia do bem com a inexistência do mal. O bom sem o mau por contrapartida. Bom por bom, é muito bom!
uma aventura no supermercado - ri muito com este livro (na altura em que saiu). Para mim é o mais divertido desta colecção.
mil sóis resplandecentes - li-o por meio de um conselho num blogue. Livro magnífico! De chorar muitas vezes. Comovente. Já li todos os outros do mesmo autor e também vi o filme!!!
terra bendita, pearl s. buck - Li-o numa altura em que achava que a minha miséria estava próxima e antevia o meu futuro nas imagens daquela família a fazer caldos com três feijões, beber o caldo ao almoço e guardar os feijões cozidos para o jantar.
marley e eu - pedi ao meu pai que me levasse este livro ao hospital quando fui parir. A inocência de achar possível estar numa maternidade a ler um livro deitada na cama. Li-o quando cheguei a casa e diverti-me tanto que tinha de parar de ler para não rebentar pontos com as gargalhadas.
os lusíadas - é um livro para todas as ocasiões: para momentos de ladainha, para momentos de pressa… há sempre uns versos que vêm à memória para ilustrar situações do dia-a-dia. Gosto muito e tenho pena de não ter mais versos decorados.

sim, sei - nem são dez e nem todos têm autor. e faltam maiúsculas... É o que se chama WORK IN PROGRESS!!!

25 janeiro 2014

as calças elegantes

As casas elegantes fora adquiridas por necessidade.
Depois de uns tempos de vida informal, a dona das calças começou a entrar num mundo onde a forma de vestir era importante. Nem sempre, mas de vez em quando. Por isso foi necessário comprar umas calças elegantes, que lhe permitissem ter o estilo e a elegância conveniente ao evento. Por os eventos serem poucos e a carteira da dona das calças reduzida, a compra das calças elegantes foi pensada, ponderada entre vários modelos, entre algo que fosse versátil para Verão e Inverno e que não fosse demasiado singular para se notar a repetição da indumentária nas diferentes ocasiões.
Escolheu-se então um modelo que satisfazia todos os requisitos.
Quase todas as calças, elegante ou não, possuem um excesso de comprimento que é necessário rectificar com uma bainha (ou apenas dobrando, quando a elegância não está em jogo). Neste caso, foi estudada uma bainha. Ponderada. 
A ponderação levou a que nas primeiras utilizações se tivesse optado pelo uso de alfinetes, devidamente ocultados, para que a medida da bainha fosse a perfeita, antes de se proceder à costura definitiva. Após a decisão sobre o tamanho da bainha, foi ainda necessário algum compasso de espera até que a dona da calça ensaiasse a costura em roupas informais. Depois de quatro bainhas feitas com relativo sucesso e aprovado o comprimento da mesma,  num frio dia de inverno procedeu-se à marcação da linha de corte. Depois cortou-se... muito mal!

E assim, em menos de um minuto, as calças elegantes transformaram-se num modelo ideal para o Huckleberry Finn, com uma perna desproporcionalmente mais curta que a outra.

Como é fácil perder a elegância...


13 janeiro 2014

pró-activa

Este Janeiro anda a mil à hora: é o isto, o aquilo, mais o que disse que fazia e o que queria fazer, tudo junto, para parecer, e ser, uma pessoa muito activa, pro-activa até!!!
Não estou cansada, contudo. Só em início de stress.
Parece que são coisas de mais, que são demasiados projectos. Mas estes dois anos de bolsa que faltam deixam-me assustada: e depois? Depois da bolsa é o quê?! 
Provavelmente o nada. 
Mas para evitar um nada triste, ando com projectos, organizar colóquios, inscrever-me em grupos de trabalho internacionais, palestrar comunicações, escrever artigos, justificar pedidos de apoios para viagens científicas a arquivos estrangeiros... uff!
"Estás muito dinâmica!" dizem os outros.
Não é só dinamismo... Estou é com muito medo de não mostrar como sou tão pro-activa, eficiente e rentável que mereço qualquer bolsa ou projecto para o qual concorra daqui a 2 anos.
Sim, porque a casa só fica paga daqui a 40....

10 janeiro 2014

Primeira corrida do ano

A primeira corrida do ano foi uma corrida esperada, planeada, preparada e muito sentida.
1º acabar com as dores com 5 dias de anti-inflamatório
2º comprar ténis novos com bom amortecimento
3º vestir roupa indicada para não ter frio
4º sessão de 20 minutos de aquecimento com yoga for runners
5º corrida em passo lento e com muita atenção às queixas do corpo
6º sessão de alongamento de corredores, com sessão de alongamento da coxa/anca

Resultado: enorme alegria por ter voltado aos treinos. 

03 janeiro 2014

velhas resoluções de ano novo

1. mais exercício, comer melhor
2. iniciar projectos
3. ter mais confiança em mim: arriscar mais a nível intelectual e físico
4. dedicar-me aos livros de alguma maneira
5. estar mais disponível para as pessoas
6. esquecer rancores e ódios
7. tomar decisões bem pensadas, não ser impulsiva
8. não ser avarenta, mas consegui poupar
9. preparar um futuro mais alegre para mim
10. preparar um futuro mais alegre para a Mariana e ter mais disponibilidade para ela
11. [perdeu-se]
12. [perdeu-se]

Estas eram as resoluções de 2010. Encontrei-as guardada no frasco das "Coisas boas de 2013". (????)


Vou iniciar um novo frasco. 

02 janeiro 2014

Balanço

Olho ali para a coluna debaixo e constato que cada vez escrevo menos. Gostava de escrever mais. Coisas giras! Fixes! Iupi, a vida!!! 
Assim, coisas reconfortantes, alegres, assertivas, textos completos (introdução, meio, conclusão), ideias bem expressas, opiniões fundamentadas, por aí fora...

Enfim, blá, blá, blá,...  2014... ano novo... página em branco.... a nossa vida somos nós que  a fazemos blá blá blá... esperança....

Por agora uma só decisão: que no final do ano mais que 38 posts tenham sido aqui escritos. (Isto é que é aspirar alto!...)