10 dezembro 2013

Corpo e Mente

Inspirada na Gralha, também eu vou relatar a última conversa entre o meu Corpo e a minha Mente durante a corrida.


A corrida começou, estava frio, o Corpo queria ficar em casa, mas a Mente ditou que era a oportunidade ideal para correr - a criança estava numa festa de aniversário e havia duas horas para treinar, até podiam correr mais de uma hora se estivessem inspirados.
Mas o Corpo sempre refilou sempre com o frio e lembrou que havia uns emails para enviar e tal. A Mente, firme, achava que aquela poderia ser uma bela corrida: "Até pode ser que comece a correr com vontade outra vez!" pensava ela.
Passados 5 minutos o Corpo diz:
- Dói a anca.
A Mente responde:
- Isso são só desculpas para ir para casa.
- Dói mesmo a anca.
- Desculpas.Daqui a nada já passa.
Na segunda volta o Corpo continuava:
- Dói a anca. E cada vez mais. Se calhar era melhor parar.
- Parar uma ova! Fazemos uns estiramentos e continuamos. Não vou perder esta oportunidade de correr uma hora por causa de uma dorzinha qualquer.
Fizeram uns estiramentos, esticaram a dor o mais que puderam para ver se passava ou melhorava e continuaram a corrida. Mal começaram o Corpo atirou logo:
- Esses estiramentos não deram em nada. Continua a doer.
A Mente, já com alguma noção de que o Corpo tinha fundamentos, negociou:
- Pelo menos três voltas, não saímos daqui sem fazer três voltas. É o mínimo dos mínimos.
- Vais-me lixar... Estou-te a avisar
- Três voltas é o mínimo...
E, a mancar, lá continuaram os dois. 
Na segunda volta a Mente só não parava por birra, porque o Corpo dava grandes mostras de que lhe doía mesmo a anca. Acabou-se a segunda volta e começou a terceira.
- Isto já não dá  mais. Não consigo. Dói muito! - queixava-se o Corpo.
- Pelo menos a terceira volta temos de acabar.
- Ai! Ai! Ai!
A Mente começava a perceber que era impossível continuar. As dores do Corpo eram realmente muitas e relembrava as vezes que não lhe tinha dado ouvidos e de que se tinha arrependido a seguir, tendo de ficar dias sem correr. Ainda assim insistia:
- Vá lá! Estamos a acabar a terceira volta!
- Ai! Ai! Não consigo! Dói tanto! Leva-me para casa! - o Corpo já estava de rastos com dores.
A Mente percebeu que devia ter dado ouvidos ao Corpo. A dor era agora mesmo grande e o Corpo regressou a casa a desejar bengalas, compressas, analgésicos e pomadas milagrosas. Chegados a casa a Mente fez por ele o que pode, mas foi tarde de mais. Já passaram dois dias e o Corpo ainda manca e as dores são bastantes.
A Mente arrepende-se: devia ter dado ouvidos ao Corpo. 

2 comentários:

gralha disse...

Yoga. Googla "yoga for runners". De nada, anca da mm.

(Gosto de acreditar que é a mesma persistência que nos ajuda em outros campos da vida que nos obriga a continuar a correr quando devíamos parar. É muito difícil tomar essa decisão, é verdade.)

mm disse...

Obrigada, Gralha! Já fui espreitar dois vídeos. Quando voltar a correr vou mais bem preparada.