27 novembro 2013

O presente pós-stress

Quando era pequena o meu pai fez vários exames à Ordem dos Médicos, uns para uma coisa, outros para outra. Lembro-me de a minha mãe escrever o currículo à máquina várias vezes e de haver um stress familiar porque eu e as minhas irmãs não devíamos fazer barulho nem chatear muito.
Numa das vezes em que essas provas foram superadas com sucesso (como sempre acontecia) o nosso pai levou-nos a Feira Popular para nos agradecer o termos portado bem e termos ajudado enquanto ele estudava. Naturalmente não me lembro de termos feito nem uma coisa nem outra, mas aproveitámos a feira: andámos nos carrinhos e carrosséis, comemos doces e chupas e levámos recordações para casa. 
Tantos anos passados, estou eu do outro lado, e acabada uma tarefa que me deu algum trabalho e me retirou muita da paciência que devia despender com a minha filha, eis que lhe digo: "Vamos onde quiseres por te teres portado tão bem enquanto eu tinha de trabalhar." E lá fomos nós andar de bicicleta para a Expo, almoçar no café,  visitar o Pavilhão do Conhecimento, jantar fora e comer gelados.
Acho que no fundo é um pedido de desculpas pela falta de paciência que tivemos durante uns tempos e um agradecimento por continuarem a gostar nós apesar disso. 
Viva os pais e viva os filhos!

19 novembro 2013

Tanta coisa para fazer

Talvez há um ano que não lavasse as janelas com detergente. Limpava de vez em quando com um pano, mas utilizar detergente, não. Não era necessário.
Mas ontem teve de ser: as janelas todas lavadinhas com limpa-vidros.
E hoje? Organizar os pacotes de chá - era urgente. Tive de o fazer!
Que outras tarefas urgentes, a requerer execução imediata surgirão nos próximos três dias?
É que como tenho uma comunicação para escrever, para daqui a três dias, exactamente, receio que outras tarefas de maior urgência surjam entretanto. 
  • Lavar o chão da casa à mão com um pano húmido.
  • Tirar o pó de todos os rodapés.
  • Pintar a parte de dentro da porta da despensa.
  • Transplantar o alecrim.
  • Pôr verniz fungicida nas traves do sotão.
Será que consigo escrever a comunicação?! Com tanta coisa para fazer...

06 novembro 2013

13 de julho de 1786

Consta nesta Intendência que aos Domingos e Dias santos se juntam na Praça do Comércio uns dentistas que cercados de povo, a quem com visagens e pantominas tiram os dentes, fazendo deste modo um espectáculo ridículo à boa Polícia e decoração da cidade.

Também na mesma época há esta ordem:

Vossa Mercê mande prender a um cirurgião que receitou um vomitório ao prior de santa Engrácia, que morreu ontem, e ao respectivo boticário que preparou a receita do dito cirurgião.