07 outubro 2013

matemática

Já me dei conta uma quantidade de vezes que aquelas coisa que achamos que temos receio de contar por vergonha acabam por ser problemas comuns a muitos de nós.

No fim-de-semana, depois de uma péssima manhã de domingo na relação mãe-filha por causa do TPC de matemática resolvi, ou melhor, não me contive, e comecei a desabafar a torto e a direito. Numa festa anos de uma colega dela da escola fiquei com outras mães no café à espera dos miúdos e confidenciei-lhes que não gostava de brincar com ela - alguns jogos sim (dominó, mikado, cartas, memória, xadrez, forca), mas chás de bonecos, cócegas, escondidas... não, por favor... e também contei que os trabalhos de casa de matemática me transformavam num monstro... 
Soube então que há outras mães que também não gostam de brincar. O peso que isto me tirou da consciência! Nem se imagina. Julgava que era a pior mãe do mundo e afinal... sou como as outras. Além do mais também fiquei a saber, que tal como eu, muitas outras se passam da cabeça com os trabalhos de matemática. Que não conseguem explicar os problemas aos miúdos, que eles têm paragens de raciocínio em que nada, nada avança. Que novo alívio na normalidade! 

Quanto à matemática, decidi que só fazíamos enquanto os TPC não nos estragassem o dia nem a relação.  Um amigo disse-me para experimentar isto durante um mês, mas eu acho que devia ser para sempre, embora me sinta culpada também com esta hipótese, pois parece que estou a desistir de ser mãe, que é também ajudá-la a resolver problemas, insistir nas coisas pouco agradáveis, mas fundamentais da vida.
Vamos experimentar um mês, depois logo se vê... Não quero que ela fique mais atrasada na escola,  mas também não quero que me odeie e que eu me arrependa da decisão de ser mãe. 

O resto do domingo correu bem: estivemos com outros amigos à tarde e todos disseram que ela era espectacular, muito gira, muita activa, muito querida, muito enérgica, muito feliz e muito alegre, com jeito para a música, capacidade de se dar com toda a gente e generosa!!!!  Com tudo isto, à noite, senti-me muito bem como mãe e o beijinho que ela me deu antes de se ir deitar é algo que não quero perder e faz esquecer todas as questões de arrependimento levantadas no mesmo dia à hora de almoço.

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