31 outubro 2013

corrida de memórias

Para além de uma bela corrida, o parque da Bela Vista ainda me proporciona outros passeios:
- apanha da azeitona, com três pessoas a varejar as árvores e lonas estendidas no chão, fazendo lembrar os tempos de Serpa, quando a minha avó apanhava a azeitona do quintal;
- sessão de taichi só com chineses, desta vez a lembrar o jardim Camões em Macau (e todos os jardins chineses por onde passei), onde há sempre um grupo de velhotes a fazer exercício.
Com tanto entretenimento consegui correr uma hora!

25 outubro 2013

Júlio Diniz




Apanhei por acaso um Júlio Diniz, Os fidalgos da casa mourisca. Por ignorância, imaginei que fosse tão confuso e rocambolesco como Os mistérios de Lisboa do Camilo Castelo Branco e julguei que iria encontrar o soporífero necessário para adormecer atempadamente nas noites de semana. 
Enganei-me, senhores!!!
A história, bastante banal por sinal, prendeu-me e acabou por ter o efeito perverso de me deixar acordada na leitura de "só mais um capítulo" as últimas noites, maltratando o meu sono necessário e fazendo-me acordar mais tarde e preguiçosa todos os dias da semana.
Ontem acabou: deu-se o final feliz nas páginas editadas pela Europa-América. Dentro do livro estão todos alegres e bem-dispostos, como eu os deixei... Mas e eu?! Que leio eu hoje à noite? Ou dormirei finalmente a boas horas? "Assim com'assim" preferia ficar acordar com pouco mais de sono e adormecer acompanhada pelo Júlio Diniz.



14 outubro 2013

tm

Lembro-me do tempo sem telemóveis. Só com telefones fixos. Eu era pequena, mas parece-me que as coisas era mais calmas, que cada parte do dia tinha atenção dedicada às tarefas que propunha e que não andávamos sempre a saltitar entre preocupações com uma coisa e com outra.
No trabalho tinham-se telefonemas de trabalho e quando alguém ligava de casa era qualquer coisa importante. À noite, em casa, geralmente ligava a família. Se íamos passear à tarde, ninguém ligava e o dia era dedicado ao passeio.
O facto de agora a toda a hora nos preocuparmos com coisas diferentes e de podermos estar a trabalhar e responder a um convite para ir a um concerto ou marcar uma consulta, tal com na espera da consulta estamos a resolver questões de arranjo da casa, ou num dia de praia podemos receber um telefonema de trabalho, tudo isto, faz com que por um lado sejamos interrompidos a toda a hora, por outro ao ser multitask , acabamos por também ter mais facilidade em esquecer coisas, porque em todo o lado temos de nos lembrar de matérias muito diversas.  

Ou então sou só eu, que acho que não concentro nas coisas e que me distraio com tudo...

07 outubro 2013

matemática

Já me dei conta uma quantidade de vezes que aquelas coisa que achamos que temos receio de contar por vergonha acabam por ser problemas comuns a muitos de nós.

No fim-de-semana, depois de uma péssima manhã de domingo na relação mãe-filha por causa do TPC de matemática resolvi, ou melhor, não me contive, e comecei a desabafar a torto e a direito. Numa festa anos de uma colega dela da escola fiquei com outras mães no café à espera dos miúdos e confidenciei-lhes que não gostava de brincar com ela - alguns jogos sim (dominó, mikado, cartas, memória, xadrez, forca), mas chás de bonecos, cócegas, escondidas... não, por favor... e também contei que os trabalhos de casa de matemática me transformavam num monstro... 
Soube então que há outras mães que também não gostam de brincar. O peso que isto me tirou da consciência! Nem se imagina. Julgava que era a pior mãe do mundo e afinal... sou como as outras. Além do mais também fiquei a saber, que tal como eu, muitas outras se passam da cabeça com os trabalhos de matemática. Que não conseguem explicar os problemas aos miúdos, que eles têm paragens de raciocínio em que nada, nada avança. Que novo alívio na normalidade! 

Quanto à matemática, decidi que só fazíamos enquanto os TPC não nos estragassem o dia nem a relação.  Um amigo disse-me para experimentar isto durante um mês, mas eu acho que devia ser para sempre, embora me sinta culpada também com esta hipótese, pois parece que estou a desistir de ser mãe, que é também ajudá-la a resolver problemas, insistir nas coisas pouco agradáveis, mas fundamentais da vida.
Vamos experimentar um mês, depois logo se vê... Não quero que ela fique mais atrasada na escola,  mas também não quero que me odeie e que eu me arrependa da decisão de ser mãe. 

O resto do domingo correu bem: estivemos com outros amigos à tarde e todos disseram que ela era espectacular, muito gira, muita activa, muito querida, muito enérgica, muito feliz e muito alegre, com jeito para a música, capacidade de se dar com toda a gente e generosa!!!!  Com tudo isto, à noite, senti-me muito bem como mãe e o beijinho que ela me deu antes de se ir deitar é algo que não quero perder e faz esquecer todas as questões de arrependimento levantadas no mesmo dia à hora de almoço.

01 outubro 2013

sol chuva

Já chove há uma semana...

Há pouco mais de uma semana dei um excelente mergulho no mar, pela manhã, com um sol quente a contrabalançar a água fresquinha e a água fresquinha a contrabalançar o sol quente. Foi perfeito!

Apesar de um fim de verão, que parecia uma continuação, eu sabia que iria chover dentro em pouco. Por isso mesmo preparei-me: calafetei de novo as janelas, tirei o toldo e cadeiras da varanda, e lavei roupa enquanto ainda poderia secar ao sol. 
Porque a seguir à chuva vem o frio, comecei também a dedicar mais tempo a isolar o sótão. 

No entanto estes dias de chuva...

... pedem bolos e sofá - e isso faz-me tanto mal!
... pedem também séries - e isso também faz tanto mal!
... impossibilitam a escalada, logo quando começava a sentir alguma evolução (de novo) - e isso leva a um declínio  da capacidade física e mental (de novo...)
... tiram a vontade de correr, quando tinha recomeçado a correr - e assim tenho mais um recomeço para fazer.
Assim, o mal que os bolos, o sofá, as séries e a inércia me fazem começam a sentir-se em manifestações de dor e mal-estar no corpo.

Conclusão, apesar de saber que ia chover e de alguma forma me preparar, a verdade é que nunca reajo tão bem quanto devia.

Quero um pouquinho de sol outra vez e a oportunidade de me organizar de novo - e melhor - para mais uns dias de chuva.