26 janeiro 2013

educação cívica

Texto e ilustração de Miúda-Espectáculo

22 janeiro 2013

como é triste o séc. XVIII

"Branca, chorando: Minha amada senhora.Que crueldade! Não sei como ainda te deixarão viva aqueles cafres desumanos, aqueles ímpios que te trespassaram com tantas flechas.

Leonor:  Sim, minha Branca, ainda tenho vida para morrer todos os instantes que ela me durar."

16 janeiro 2013

frasco de pimenta

O frasco de pimenta .1
O frasco de pimenta veio da prateleira do supermercado para a nova prateleira da casa nova. Uma casa onde se ia viver uma vida nova e independente.
O frasco foi utilizado em muitas refeições para uma só pessoa, algumas refeições para muita gente e, a certa altura, começou a ser utilizado em refeições para duas pessoas.
Uma das pessoas, a que o tinha trazido do supermercado, começou a ter uma barriga cada vez maior, a outra pessoa ria alarvemente e um dia deixou o frasco cair ao chão, fazendo com que a tampa se partisse e nunca mais fosse possível tapá-lo.
A certa altura a pessoa que ria alarvemente desapareceu da casa nova e da vida nova. Atrás ficou o frasco de pimenta com a tampa partida, uma barriga grande que se esvaziou e uma pessoa pequenina que não podia comer pimenta.
A partir daí o frasco de pimenta deixou de ser usado tantas vezes: a pessoa pequena não comia pimenta e a pessoa grande, quando pegava no frasco e via a tampa partida, lembrava-se de quem a tinha partido e preferia não usar pimenta.
Por ser pouco usado, o frasco tinha sempre pimenta, por isso não se acabava e não se arranjava um frasco novo, sem a tampa partida e sem despoletar memórias.
Um dia foi esvaziado, a tampa partida foi para o saco das embalagens e o frasco foi para o dos vidros. Reciclagem.


O frasco de pimenta .2
O frasco de pimenta veio da prateleira do supermercado para casa da família. Uma casa onde se viviam duas vidas novas em conjunto.
O frasco é utilizado em muitas refeições para duas pessoas e em algumas para muita gente.
Cada vez que a pessoa que cozinha pega no frasco de pimenta lembra-se de um outro frasco de pimenta com a tampa partida que ficou para trás e sorri, porque aquele frasco já não está na casa nem na vida dela e por todas as novas memórias que podem ficar ligadas ao novo frasco.
Um frasco de pimenta faz muita diferença.

15 janeiro 2013

Lido e visto

Lido:

A boneca de Kokoschka de Afonso Cruz

De início parece um pouco esquivo, as frase não entram bem e causam alguma estranheza, mas com a continuação da leitura descobre-se muito humor nas pequenas coisas e tudo é dito de uma forma muito mais rica que a linearidade. O fio narrativo é interrompido várias vezes, o que faz com que se perca o rasto às personagens e também as relações entre elas e o contexto em que nos foram apresentadas. Mas no final tudo se liga e mesmo o singular arranjo gráfico ganha significado e cobre as personagens de mais substância e torna-as mais próximas.
Pena ter sido lido em quase um mês, precisa de uma leitura corrida para ser bem apreendido e melhor apreciado.
Ainda tenho de o reler... porque acho que há bem mais prazer a retirar destas histórias e personagens.

Visto:

A 20 de Novembro dos Artistas Unidos

No teatro, e também no cinema, dificilmente me consigo abstrair do facto de estar numa sala, com outras pessoas, da sala, da luz das cadeiras, dos actores, das roupas deles, do texto que dizem, etc. Ver um espectáculo só um actor é logo para mim constrangedor, porque sei que eu e outras tantas pessoas vamos estar o tempo todo a olhar para uma só pessoa a reparar em tudo o que for mal e bem feito. Quando esse actor é relativamente desconhecido (pelo menos para mim) ainda me constrange mais porque penso que vai estar a ser avaliado por todos nós. Quando o texto se trata de um monólogo dito por alguém jovem que vai assassinar indiscriminadamente miúdos numa escola, com apenas uma motivação estúpida para o fazer, ainda me encolho mais, porque é complicado representar tudo isso, e é difícil dar realismo a essas motivações. Quando o espectáculo começa e me apercebo que as luzes sobre a plateia não são apagados ainda me assusto mais, porque percebo que vai ser um espectáculo onde o público está conscientemente presente.
E depois começa o espectáculo: o actor está bem (apesar de haver uma espécie de gaguez forçada que lhe tira consistência), o texto ás vezes desadequa-se (quem interpela o público dizendo-lhe "A tua filha está a foder com um gajo da tua idade", não usa o condicional numa pergunta como "Que gostarias de fazer?", mas sim "O que é que gostavas de fazer?").O único senão é que o público para quem o rapaz fala, não é aquele que está ali. Não é um público de BMWs e prostitutas e vidas frustradas: são pessoas que decidiram ir ao teatro. O público é chamado várias vezes a fazer parte do espectáculo, mas, como público, hesita entre responder ou não. Não sabe se há-de fazer parte desse espectáculo ou deixar-se manter apenas como espectador. 
É um espectáculo agressivo. Tanto no texto, como o contexto, como para o público.
Como disse a minha amiga "Pareces assustada." 

11 janeiro 2013

desejo para os próximos milénios

Era bom que não houvesse "maus". Que não tivesse de me preocupar em que me roubassem coisas, que não tivesse aquele medo terrível que todas as mães têm que nos levem os filhos, que as pessoas não deitassem lixo para o chão e apanhassem os cócós, que não fossem precisas multas, que não olhássemos de lado para pessoas com aspecto suspeito enquanto planeamos como reagir se a suspeita estiver certa, 
Era tão bom nunca ter a cabeça ocupada com preocupações que seriam inexistentes se as pessoas fossem todas boas. Ou mesmo indiferentes. 
Eu sei que há muita gente boa, a maioria das pessoas é gente boa, mas a gente má estraga a vida a tantos de nós. 
Ninguém me fez mal para estar aqui com este lamento, mas no outro dia saí de casa um bocadinho só para ir comprar buscar umas batatas. Deixei a miúda em casa com os seguintes conselhos: não atendas o telefone e não abras a porta a ninguém. E enquanto as batatas demoravam mais que o previsto fiquei a pensar nisto: porque temos de andar sempre com medo de alguém mau apareça para estragar a nossa vida? Porque não podemos deixar a criança em casa a brincar sem achar que alguma desgraça está para acontecer? Porque não podemos deixar as coisas pesadas (computadores, guitarras, malas de viagem) no carro quando vamos lá voltar? Porque nos obrigam a carregar com tudo como se estivéssemos a mudar de casa a pé? As pessoas más irritam-me por isso: mesmo sem fazer nada já me dificultam a vida e me deixam cheia de preocupações. 
Se ninguém roubasse, violentasse, matasse, enganasse podíamos preocupar-nos com as coisas que são mais importantes.
Eu gostava...

04 janeiro 2013

bricolage

Depois de várias tentativas mal sucedidas, eis que me sinto a Rainha do Berbequim: 3 prateleiras, 3 estores, 1 cabide! Tudo fixado à parede e sem ceder a puxões e empurrões. Um espectáculo!
Superei sem danos a prova de furar azulejos: nem uma tentativa de racha. Passados quase três anos, já posso pendurar a toalha das mãos. Aleluia!
Ainda tenho um teste difícil pela frente: fazer furos para buchas de tamanho 10. Isso é que me assusta a valer. Além de nunca saber se vou rebentar um cano (neste caso não vou de certeza), nem se apanho algum cabo de electricidade, o tamanho 10 exige bastante força, determinação e orientação. Se ficar mal feito é um buracão na parede. A prova só estará superada quando a bicicleta, depois de pendurada, não cair ao chão.
Vamos a ver o que acontece, mas, por enquanto, este 2013 está a correr muito bem!!! 

03 janeiro 2013

Bom ano!

E umas imagens para dar alguma cor a este cantinho.