30 dezembro 2013

... e ainda

E ainda escalei e com genica! :)
Ah, que quanto mais coisas boas há para lembrar, parece que menos coisas más há para esquecer.

28 dezembro 2013

Felizmente...

... consigo andar de bicicleta!

Belo passeio!

azar no amor... sorte em quê?

Leio o último post e sinto-me derrotada pelo meu corpo - coxa ainda dói, entalei um dedo que está todo roxo, outras queixas constantes que me dificultam estar ao computador... Enfim, um rol de velhices que me deixa ainda mais triste e zangada com a vida que o habitual. 
Já não basta estar sozinha desde a eternidade, ter sempre dificuldades com dinheiro e instabilidade, saber (preferia não saber mas acho que vai ser assim) que vou morrer daqui a  muito tempo e sem nunca ter vivido um grande amor, ainda tenho que ficar privada de fazer as pequenas coisas que me deixam esquecer esta vida merdosa que tenho? 
Se não me posso ter desejos que são cumpríveis - correr meia hora, uma hora, escalar dois dias por semana - ; ter metas alcançáveis - correr na meia maratona, escalar 6c à frente - , como posso esquecer que aquilo que tanto quero nunca acontece nem vai acontecer.
Se emocionalmente sou um traste, porque é que o meu corpo não me ajuda a não o ser fisicamente.
Acho que não é querer muito...

10 dezembro 2013

Corpo e Mente

Inspirada na Gralha, também eu vou relatar a última conversa entre o meu Corpo e a minha Mente durante a corrida.


A corrida começou, estava frio, o Corpo queria ficar em casa, mas a Mente ditou que era a oportunidade ideal para correr - a criança estava numa festa de aniversário e havia duas horas para treinar, até podiam correr mais de uma hora se estivessem inspirados.
Mas o Corpo sempre refilou sempre com o frio e lembrou que havia uns emails para enviar e tal. A Mente, firme, achava que aquela poderia ser uma bela corrida: "Até pode ser que comece a correr com vontade outra vez!" pensava ela.
Passados 5 minutos o Corpo diz:
- Dói a anca.
A Mente responde:
- Isso são só desculpas para ir para casa.
- Dói mesmo a anca.
- Desculpas.Daqui a nada já passa.
Na segunda volta o Corpo continuava:
- Dói a anca. E cada vez mais. Se calhar era melhor parar.
- Parar uma ova! Fazemos uns estiramentos e continuamos. Não vou perder esta oportunidade de correr uma hora por causa de uma dorzinha qualquer.
Fizeram uns estiramentos, esticaram a dor o mais que puderam para ver se passava ou melhorava e continuaram a corrida. Mal começaram o Corpo atirou logo:
- Esses estiramentos não deram em nada. Continua a doer.
A Mente, já com alguma noção de que o Corpo tinha fundamentos, negociou:
- Pelo menos três voltas, não saímos daqui sem fazer três voltas. É o mínimo dos mínimos.
- Vais-me lixar... Estou-te a avisar
- Três voltas é o mínimo...
E, a mancar, lá continuaram os dois. 
Na segunda volta a Mente só não parava por birra, porque o Corpo dava grandes mostras de que lhe doía mesmo a anca. Acabou-se a segunda volta e começou a terceira.
- Isto já não dá  mais. Não consigo. Dói muito! - queixava-se o Corpo.
- Pelo menos a terceira volta temos de acabar.
- Ai! Ai! Ai!
A Mente começava a perceber que era impossível continuar. As dores do Corpo eram realmente muitas e relembrava as vezes que não lhe tinha dado ouvidos e de que se tinha arrependido a seguir, tendo de ficar dias sem correr. Ainda assim insistia:
- Vá lá! Estamos a acabar a terceira volta!
- Ai! Ai! Não consigo! Dói tanto! Leva-me para casa! - o Corpo já estava de rastos com dores.
A Mente percebeu que devia ter dado ouvidos ao Corpo. A dor era agora mesmo grande e o Corpo regressou a casa a desejar bengalas, compressas, analgésicos e pomadas milagrosas. Chegados a casa a Mente fez por ele o que pode, mas foi tarde de mais. Já passaram dois dias e o Corpo ainda manca e as dores são bastantes.
A Mente arrepende-se: devia ter dado ouvidos ao Corpo. 

01 dezembro 2013

a minha casa assombrada

Há filmes e histórias nos quais as casas são o grande inimigo dos heróis. Sejam casas assombradas, com vizinhanças desagradáveis, heranças ou outro mal, o resultado é que os seus moradores e donos acabam por lutar com elas numa constante tentativa de as tornarem habitáveis e confortáveis.
Em muitos desses filmes há uma pessoa ou uma família que se muda para essa casa com o objectivo de iniciar uma nova etapa da vida (melhor, sempre) mas que é  dificultada por todas as dificuldades que a casa lhes impõe. 
Alguns filmes acabam com a expulsão ou apaziguamento dos maus- espíritos, outros com a destruição da casa, outros com a sua recuperação impecável. Neste último caso, quando a casa está espectacular e mesmo a pedir para alguém viver feliz no seu interior, por vezes as personagens abandonam-na na mesma com desejo de nunca mais voltar a ela, noutros ficam. Só neste último caso há um final feliz.

Não sei que espíritos malignos e de auto-destruição, comandado por insectos, térmitas e outros seres vivos escavam frestas e buracos por onde entra vento, humidade, chuva, tentando num esforço (ainda inútil...) expulsar-me de casa. A minha casa! Luto incansavelmente contra o mau-estado e procuro erigir neste mesmo espaço o meu lar - quente, confortável, amistoso. 

Não sei como acabará esta história, mas cada dia que passa dou comigo mais recorrentemente a pensar que se ganhasse 300 mil euros no euromilhões comprava uma casa nova e vendia esta.

Ontem venci mais uma batalha arrancando à pancada uma tábua do soalho: descobri a fonte de humidades que achava inexplicáveis, mas ainda não sei como solucionar o problema. Será solucionado, eu sei! Mas que outro problema vai aparecer? É que isto cansa...

27 novembro 2013

O presente pós-stress

Quando era pequena o meu pai fez vários exames à Ordem dos Médicos, uns para uma coisa, outros para outra. Lembro-me de a minha mãe escrever o currículo à máquina várias vezes e de haver um stress familiar porque eu e as minhas irmãs não devíamos fazer barulho nem chatear muito.
Numa das vezes em que essas provas foram superadas com sucesso (como sempre acontecia) o nosso pai levou-nos a Feira Popular para nos agradecer o termos portado bem e termos ajudado enquanto ele estudava. Naturalmente não me lembro de termos feito nem uma coisa nem outra, mas aproveitámos a feira: andámos nos carrinhos e carrosséis, comemos doces e chupas e levámos recordações para casa. 
Tantos anos passados, estou eu do outro lado, e acabada uma tarefa que me deu algum trabalho e me retirou muita da paciência que devia despender com a minha filha, eis que lhe digo: "Vamos onde quiseres por te teres portado tão bem enquanto eu tinha de trabalhar." E lá fomos nós andar de bicicleta para a Expo, almoçar no café,  visitar o Pavilhão do Conhecimento, jantar fora e comer gelados.
Acho que no fundo é um pedido de desculpas pela falta de paciência que tivemos durante uns tempos e um agradecimento por continuarem a gostar nós apesar disso. 
Viva os pais e viva os filhos!

19 novembro 2013

Tanta coisa para fazer

Talvez há um ano que não lavasse as janelas com detergente. Limpava de vez em quando com um pano, mas utilizar detergente, não. Não era necessário.
Mas ontem teve de ser: as janelas todas lavadinhas com limpa-vidros.
E hoje? Organizar os pacotes de chá - era urgente. Tive de o fazer!
Que outras tarefas urgentes, a requerer execução imediata surgirão nos próximos três dias?
É que como tenho uma comunicação para escrever, para daqui a três dias, exactamente, receio que outras tarefas de maior urgência surjam entretanto. 
  • Lavar o chão da casa à mão com um pano húmido.
  • Tirar o pó de todos os rodapés.
  • Pintar a parte de dentro da porta da despensa.
  • Transplantar o alecrim.
  • Pôr verniz fungicida nas traves do sotão.
Será que consigo escrever a comunicação?! Com tanta coisa para fazer...

06 novembro 2013

13 de julho de 1786

Consta nesta Intendência que aos Domingos e Dias santos se juntam na Praça do Comércio uns dentistas que cercados de povo, a quem com visagens e pantominas tiram os dentes, fazendo deste modo um espectáculo ridículo à boa Polícia e decoração da cidade.

Também na mesma época há esta ordem:

Vossa Mercê mande prender a um cirurgião que receitou um vomitório ao prior de santa Engrácia, que morreu ontem, e ao respectivo boticário que preparou a receita do dito cirurgião.

31 outubro 2013

corrida de memórias

Para além de uma bela corrida, o parque da Bela Vista ainda me proporciona outros passeios:
- apanha da azeitona, com três pessoas a varejar as árvores e lonas estendidas no chão, fazendo lembrar os tempos de Serpa, quando a minha avó apanhava a azeitona do quintal;
- sessão de taichi só com chineses, desta vez a lembrar o jardim Camões em Macau (e todos os jardins chineses por onde passei), onde há sempre um grupo de velhotes a fazer exercício.
Com tanto entretenimento consegui correr uma hora!

25 outubro 2013

Júlio Diniz




Apanhei por acaso um Júlio Diniz, Os fidalgos da casa mourisca. Por ignorância, imaginei que fosse tão confuso e rocambolesco como Os mistérios de Lisboa do Camilo Castelo Branco e julguei que iria encontrar o soporífero necessário para adormecer atempadamente nas noites de semana. 
Enganei-me, senhores!!!
A história, bastante banal por sinal, prendeu-me e acabou por ter o efeito perverso de me deixar acordada na leitura de "só mais um capítulo" as últimas noites, maltratando o meu sono necessário e fazendo-me acordar mais tarde e preguiçosa todos os dias da semana.
Ontem acabou: deu-se o final feliz nas páginas editadas pela Europa-América. Dentro do livro estão todos alegres e bem-dispostos, como eu os deixei... Mas e eu?! Que leio eu hoje à noite? Ou dormirei finalmente a boas horas? "Assim com'assim" preferia ficar acordar com pouco mais de sono e adormecer acompanhada pelo Júlio Diniz.



14 outubro 2013

tm

Lembro-me do tempo sem telemóveis. Só com telefones fixos. Eu era pequena, mas parece-me que as coisas era mais calmas, que cada parte do dia tinha atenção dedicada às tarefas que propunha e que não andávamos sempre a saltitar entre preocupações com uma coisa e com outra.
No trabalho tinham-se telefonemas de trabalho e quando alguém ligava de casa era qualquer coisa importante. À noite, em casa, geralmente ligava a família. Se íamos passear à tarde, ninguém ligava e o dia era dedicado ao passeio.
O facto de agora a toda a hora nos preocuparmos com coisas diferentes e de podermos estar a trabalhar e responder a um convite para ir a um concerto ou marcar uma consulta, tal com na espera da consulta estamos a resolver questões de arranjo da casa, ou num dia de praia podemos receber um telefonema de trabalho, tudo isto, faz com que por um lado sejamos interrompidos a toda a hora, por outro ao ser multitask , acabamos por também ter mais facilidade em esquecer coisas, porque em todo o lado temos de nos lembrar de matérias muito diversas.  

Ou então sou só eu, que acho que não concentro nas coisas e que me distraio com tudo...

07 outubro 2013

matemática

Já me dei conta uma quantidade de vezes que aquelas coisa que achamos que temos receio de contar por vergonha acabam por ser problemas comuns a muitos de nós.

No fim-de-semana, depois de uma péssima manhã de domingo na relação mãe-filha por causa do TPC de matemática resolvi, ou melhor, não me contive, e comecei a desabafar a torto e a direito. Numa festa anos de uma colega dela da escola fiquei com outras mães no café à espera dos miúdos e confidenciei-lhes que não gostava de brincar com ela - alguns jogos sim (dominó, mikado, cartas, memória, xadrez, forca), mas chás de bonecos, cócegas, escondidas... não, por favor... e também contei que os trabalhos de casa de matemática me transformavam num monstro... 
Soube então que há outras mães que também não gostam de brincar. O peso que isto me tirou da consciência! Nem se imagina. Julgava que era a pior mãe do mundo e afinal... sou como as outras. Além do mais também fiquei a saber, que tal como eu, muitas outras se passam da cabeça com os trabalhos de matemática. Que não conseguem explicar os problemas aos miúdos, que eles têm paragens de raciocínio em que nada, nada avança. Que novo alívio na normalidade! 

Quanto à matemática, decidi que só fazíamos enquanto os TPC não nos estragassem o dia nem a relação.  Um amigo disse-me para experimentar isto durante um mês, mas eu acho que devia ser para sempre, embora me sinta culpada também com esta hipótese, pois parece que estou a desistir de ser mãe, que é também ajudá-la a resolver problemas, insistir nas coisas pouco agradáveis, mas fundamentais da vida.
Vamos experimentar um mês, depois logo se vê... Não quero que ela fique mais atrasada na escola,  mas também não quero que me odeie e que eu me arrependa da decisão de ser mãe. 

O resto do domingo correu bem: estivemos com outros amigos à tarde e todos disseram que ela era espectacular, muito gira, muita activa, muito querida, muito enérgica, muito feliz e muito alegre, com jeito para a música, capacidade de se dar com toda a gente e generosa!!!!  Com tudo isto, à noite, senti-me muito bem como mãe e o beijinho que ela me deu antes de se ir deitar é algo que não quero perder e faz esquecer todas as questões de arrependimento levantadas no mesmo dia à hora de almoço.

01 outubro 2013

sol chuva

Já chove há uma semana...

Há pouco mais de uma semana dei um excelente mergulho no mar, pela manhã, com um sol quente a contrabalançar a água fresquinha e a água fresquinha a contrabalançar o sol quente. Foi perfeito!

Apesar de um fim de verão, que parecia uma continuação, eu sabia que iria chover dentro em pouco. Por isso mesmo preparei-me: calafetei de novo as janelas, tirei o toldo e cadeiras da varanda, e lavei roupa enquanto ainda poderia secar ao sol. 
Porque a seguir à chuva vem o frio, comecei também a dedicar mais tempo a isolar o sótão. 

No entanto estes dias de chuva...

... pedem bolos e sofá - e isso faz-me tanto mal!
... pedem também séries - e isso também faz tanto mal!
... impossibilitam a escalada, logo quando começava a sentir alguma evolução (de novo) - e isso leva a um declínio  da capacidade física e mental (de novo...)
... tiram a vontade de correr, quando tinha recomeçado a correr - e assim tenho mais um recomeço para fazer.
Assim, o mal que os bolos, o sofá, as séries e a inércia me fazem começam a sentir-se em manifestações de dor e mal-estar no corpo.

Conclusão, apesar de saber que ia chover e de alguma forma me preparar, a verdade é que nunca reajo tão bem quanto devia.

Quero um pouquinho de sol outra vez e a oportunidade de me organizar de novo - e melhor - para mais uns dias de chuva. 


05 setembro 2013

Mais uma ficha, mais uma volta

E regressámos mais uma vez a casa carregadas de sacos, roupa suja, cansaço e tempo bem passado.
Canso-me sempre nas férias e o regresso sabe sempre bem, mas quando dou por mim reparo que nestes últimos tempos tenho tido umas férias bem boas fazendo aquilo que há muito queria fazer: conhecer Portugal.
Da primeira vez, quando a Mariana tinha apenas um ano, fomos até ao Minho e no regresso aproveitámos para umas paragens ou apenas umas vista de olhos sobre alguns locais: Praia de Toledo, Vila Nova de Cerveira e Ponte de Lima, a terra de uma empregada que os meus pais tiveram em casa muitos anos e que falava sempre na terra dela e eu nunca tinha visto antes. Ponte de Lima é muito bonita e a sua ponte justifica o nome do lugar.
Aos dois anos fizemos a hiper-turística costa alentejana, com poucas passagens pelo turismo cultural e um pouco mais de praia, pois por esta altura a catraia já tinha gostos.
Aos 4 fomos até à Terceira e S. Jorge, nos Açores, e iniciámos-nos no trekking, embora a praia e o parque infantil ganhem sempre ao "descobrir novas paisagens". Ficaram marcados os meios de transporte: navios e avião.
Nos 5 acho que nos ficámos por Tavira e Praia da Galé, com muita vontade de alargar horizontes.
O ano passado a estreia pelo turismo não-praia com a visita a Tomar e à rota das aldeias de xisto/ praias fluviais (o banho é fundamental!)


Batalha

Este ano, com sete aninhos no bucho, turismo cultural em peso, com passagem pelo mosteiro da Batalha e de Alcobaça e uma passagem por Óbidos. A praia e a piscina tiveram de estar presentes, num dos dias com passagem pelas Berlengas , e, fantasticamente, também consegui meter uns diazinhos de escalada. Viva a zona Oeste!!!

Graças à Mariana tenho conhecido Portugal como sempre quis, ou como quero há uns anos. É pena que nos chateemos um bocado, mas também nos temos conseguido divertir as duas. Eu irrito-me com facilidade principalmente porque tenho de fazer tudo e houve um dia em que ela disse: "Ainda bem que não nos perdemos outra vez, para tu não fazeres uma das tuas birrinhas." Pois é, eu faço birrinhas e ela atura-me e segue em frente. Que crescida e madura!

Importante nisto tudo é que estou a conhecer sítios que não conhecia. Não estou a mostrar o "bonito" que já conheço, não - estou a desbravar Portugal com ela como companheira. Obrigada, filha!

Para o ano: serra da Freita!!!

Berlengas

Alcobaça

Nota: disparámos tanta fotografia, que quando chegámos à fotogénica vila de Óbidos já não havia bateria...

27 agosto 2013

Férias até ao fim!

Ainda temos mais uns dias de férias e por isso é aproveitar: sair de casa e deixar mais uma vez as plantas entregues à vizinha, que trata tão bem delas que parece sempre que lhes deita alguma adubo (ela diz que não!). Quando regresso a casa tenho plantas aromáticas para dar e vender!! E a buganvília desponta novas flores!!!
Assim,  iremos visitar amigos e monumentos, escalar nas serras e regressar mais cansadas e com vontade de rotinas e dedicação ao trabalho.
Nada como o cansaço das férias para valorizar o sossego do trabalho em frente ao computador.

Ainda há tanto Portugal para desbravar e não foi desta que consegui ir ao norte. Fiquei com pena de não ter posto os pés no andanças, principalmente quando soube que tinha tantos amigos por lá, mas o algarve é como os maus-hábito: entranham-se em mim feito lapas e não os consigo largar apesar de perceber que seria mais feliz fazendo outras coisas. Assim, cada vez que vou ao sul, prolongo a minha estadia de modorra até o vício tomar conta de mim e precisar de me reabilitar.
Mas trabalhei no meio da modorra (primeria vez! Espectacular!), engordei (como sempre!!!) e fiquei mole (férias é férias...)

Gosto sempre quando as férias acabam e parece que vem aí um novo período de produtividade!


23 agosto 2013

dúvidas




Ó mãe, se a terra é redonda como é que a água que está em baixo não cai?

19 agosto 2013

agosto

Agosto também está a ser um bom mês!
Um convite inesperado para regressar aos Picos da Europa e ao Naranjo transformaram as férias deste ano em algo de memorável.
Pensava que tão cedo não teria uma semana de escalada com montanhas e dias e dias a dormir fora de uma casa, a tomar banho em riachos, cozinhar em camping gás e adormecer cansada sempre com uma dose de riso ao jantar e uns copos de vinho.
As coisas por vezes correm bem quando menos se espera :)

Depois uma temporada no Algarve para fugir ao calor aproveitando a possibilidade de andar em bikini o dia inteiro e dar mergulhos a qualquer hora que nos apeteça, foi bom ter algum frio e canseiras.

Ainda espero nestas férias fazer visitas a amigos antes de começar o ano lectivo cheio de boas novas memórias.


03 agosto 2013

julho

Julho foi um mês tão empolgante, com ida a Barcelona para participar num congresso, a celebração do 7º aniversário da bela criatura e ainda o início do início das férias e nem uma palavra. Uma mudez de julho que apenas se explica por muita dedicação a outras coisas ou a uma letargia intervalada de "empurrões para frente".
Foi preciso acabar a comunicação, tentei aproveitar para escalar mais, pus mais isolamento no sotão... e até as minhas plantas cresceram como nunca visto.
A festa de aniversário foi boa, pela primeira vez com mais crianças que adultos. E demonstrei ser uma mãe organizada, que até saca da água oxigenada e algodão 30 segundos após a ferida no joelho do conviva. E penso rápidos coloridos para dar alegria e esquecer as dores.

Agora é Agosto. Também é férias. Também é mês de dar empurrões para a frente. Gostava de ir ao Gerês, Serra da Freita, viagem de escalada e passeio de bicicleta.
Acho que consigo o Gerês e Serra da Freita.

minimalismo

Li, apenas agora, um artigo do BN Magazine sobre minimalismo e descobri que sou minimalista. Não me afirmo como tal mas sou.Não li nenhum livro para saber como sê-lo, não tive de me descartar de coisas inúteis porque nunca as adquiri, não tive uma epifania: é inato.

Fui cuscar uns blogues sobre o assunto (de minimalistas a darem lições de minimalismo) e descobri que em certos momentos até sou mais minimalistas que elas. Enfim, fico muito contente. Ouvia falar sobre o assunto e achava que era uma coisa interessante, mas vai-se a ver e já faz parte do meu modo de vida.

De qualquer forma ainda me falta melhorar a horta e empenhar-me no ioga em casa (foram só dois dias de intenção/acção que se vaporizaram com o cansaço). Também devia comer melhor.

Chegarei lá? Não chegarei?




23 junho 2013

buganvília

A minha buganvília teve as suas primeiras flores. Demorou, mas aconteceu.
Até já tinha pensado que ela nunca teria flores, ou pelo menos este ano, o primeiro que está cá em casa.
De início eram umas folhinhas roxas que deixavam dúvidas sobre se eram flores ou folhas, mas agora não há dúvidas nenhumas.
Espero que para o ano esteja florida como as outras buganvílias que por aí vejo a alegrar lares e terraços.



Linda, não é?

12 junho 2013

fadário - (s.m) Vida trabalhosa, difícil ou com muitos desgostos.

Há os dias em que tudo corre mal, há também as semanas em que tudo corre mal, até o mês em que tudo corre mal, num auge - o ano em que tudo corre mal... Mas eu às vezes parece que tenho a vida em que tudo corre mal.
É porque é uma coisa que se prolonga no tempo, que nunca acaba, em que cada passo dado em frente é o mesmo passo dado para trás, mas com o cansaço acumulado de se caminhar para lado nenhum numa caminhada que não se quer fazer.
Tento, embora não tenha vontade, ir em frente: fazer as grandes coisas que têm de ser feitas, não adiar mais, transpôr a barreira da inércia, cansar-me, estafar-me, perder tempo, deixar outras coisas para segundo plano, para no final conseguir ter a tarefa concluída e olhar satisfeita para a obra realizada. Olho-a um curto momento com satisfação, para perceber pouco depois que afinal não está feita, está falhada. Tanto trabalho em vão, tanto esforço para nada, tanto investimento para o lixo.
É uma luta desigual contra o destino ou o fado ou que quer que seja que me persegue e que me põe sempre na fila mais lenta, que me faz comprar as coisas com defeito, que me magoe quando estou quase a atingir um objectivo desportivo, que se percam os meus impressos, que se enganem na minha morada, que chova nos dias em que planeio actividades na rua...
Não queria muito, só a normalidade de depois de acabar de fazer uma coisa ela ficar concluída.

Também tento lutar contra este mau fadário concretizando as "pequenas coisas" e mesmo essas se atrapalham, transformando a actividade em mais uma acha para a fogueira dos falhanços.

Depois é uma amargura em tudo que me impede de rir as vezes que devia, de brincar o que me apetece, de ser feliz quanto podia.

Com tudo isto nem sei bem qual o melhor remédio/tratamento: inércia ou acção?


10 junho 2013

sobre pensos higiénicos

Este último anúncio a pensos higiénicos "sem odor" deixa-me quase mal disposta.
Supostamente são umas 40 mulheres com o período a usar pensos higiénicos, todas juntas numa sala, de saínhas curtas e a andar e a dançar sempre de perna aberta. E depois fazem aquela coisa horrível que me transtorna o estômago: inspiram com cara de prazer odorífero o cheiro que as mesmas quarenta mulheres menstruadas libertam dos seus pensos higiénicos!!! É nojento!!!

Só mesmo as crianças é que podem ser enganadas por um anúncio daqueles...

E já agora, uma anedota da vida real:
Os anúncios a pensos higiénicos da minha infância apresentavam um penso, em que havia umas coisas grossas que estavam nele (sangue, mas eu não sabia), que depois se tornavam finas.
Um dia, num chuveiro de num parque de campismo, onde eu iria tomar banho, estava um penso deixado a um canto. Vi-o e fui dizer à minha mãe:
- Não quero tomar banho naquele, está ali uma daquelas coisas que servem para as senhoras ficarem com os pêlos mais fininhos.
Naturalmente, a minha mãe não percebeu do que é que eu estava a falar e teve de ver o objecto em si. Foi nesse dia que me foi explicada a menstruação. 

17 maio 2013

banhas banidas

Porque tenho eu de assistir a um vídeo interminável de uma barriga gorda e feia a ser abanada por duas mãos quando consulto a definição de "summon" no dicionário? Ou quando quero saber se estará muito frio no Festival de Música Islâmica? Ou quando... outra coisa qualquer? 
Como tirar aquelas banhas que escondem um umbigo quase invisível do nosso monitor?! 
Sei que há gente mais gorada e que todos temos direito a andar despidos na praia, não questiono isso, mas ser obrigada a ver aquelas barriga balofa durante o meu trabalho acho um bocado atentatório.
Ainda por cima, estou a consultar um dicionário on-line e as banhas estão mesmo debaixo da caixa de pesquisa... :(

08 maio 2013

suor e pêlos

O que é que aconteceu para que as marcas de suor nas axilas sejam agora algo tão embaraçante como um macacão a sair do nariz ou uma mama fora do biquini?
De há algum tempo para cá quando me acontece passar por revistas ou programas que pretendem apanhar os famosos em flagrante aparecem essas imagens do suor.
Pode ser estar fulano num concerto, ou numa sala cheia de gente; pode ser que seja uma mancha de 4 centímetros de diâmetro, mas bolas! que escândalo! Suou!!!
Eu suo. Sou humana. 
Às vezes é preciso subir 6 andares rapidamente e não dá jeito ir com os braços no ar para evitar o escândalo da mancha na axila; outras vezes há de repente um aperto no autocarro e não conseguimos despir-nos a ponto de evitar o suor nem sequer nos sentimos à vontade em soutien no meio de tantos desconhecidos; a filha também nos pede para levar a mochila, o casaco, o peluche, mais o nosso casaco, a nossa mala e o saco do talho e de repente o sol brilha impiedoso e... FLAGRANTE, HUMILHAÇÃO, ESCÂNDALO!!!!
Felizmente não sou seguida por paparazzi, por isso posso suar sem humilhação pública, mas na verdade começo a sentir-me apontável quando sinto um suorzinho.
Estas banições e interdições do que é natural da aparência humana fazem-me confusão.
Os pêlos já foram há muito tempo, e agora se não tivermos sobrancelhas arranjadas já temos o dedo apontado. Pêlos à vista!? É para fugir com medo do apedrejamento. Até os homens, agora...! Os meus vão-se, mas às vezes gostava que a pressão social fosse menor, que eu própria não me sentisse tão mal com um pelo ou outro. Mas já fui lavada cerebralmente pela pele imberbe. De tal forma que olho para a minha filha com pena, quando vejo naqueles pêlos dos braços o quanto ela sai à mãe (e o pior é que faço parte de um grande grupo).
E agora o suor... como é que uma pessoa se há de escapar a isto? Como não suar quando está calor? Teremos de andar todos de alças?

Queria que nos sentíssemos bonitos mas sem ser por obrigação: só porque nos apetece agradar e não porque temos receio da humilhação. 

30 abril 2013

Parece que a minha previsão a dez dias em deixou parada no tempo.

O tempo melhorou, recomecei as actividades outdoor, conheci um novo grupo de gente porreira onde me sinto bastante bem e vou adquirindo mais confiança na minha personalidade. Falo menos constrangida, sem tanto medo de dizer disparates, conto coisa que me vêm à cabeça, enfim... A normalidade.

Diga-se de passagem, que estes feriados também deixam qualquer um bem-disposto!

10 abril 2013

previsão a 10 dias

Acho que está quase. Quase mesmo... Hoje vi dois dias com nuvens e depois oito sóis, uns com nuvens outros sem, mas eram sóis! E ao lado números acima que andavam entre os 18 e os 22!!!
Ah, acho mesmo que está quase!
Quero ter vontade de estar na rua, de ir correr, de ir escalar, de apanhar sol...
Quero guardar os aquecedores, tirar o edredão, não pensar mais em que casaco levo (se o de chuva se o de frio). Quero deixar de ter frio nos pés e no resto do corpo, andar descalça em casa, ter apetite para saladas e não para sopas.
Quero fartar-me do sol e procurar uma sombra!
Acho que está mesmo quase... Aleluia!

08 abril 2013

papéis de fim-de-semana

Domingo à noite deitar as mãos aos bolsos e tirar de lá dois bilhetes da Festa de jazz do São Luiz, um guardanapo da papel da gelataria Marino, um bilhete de 6 pessoas do Museu de História Natural, recibo dos ténis nº 31 que deixaram a dona felicíssima, mais um bilhete de um espectáculo no Dom Luis Filipe de acrobacias aéreas de uma amiga - enquanto os deito na reciclagem constato que tivemos um belo fim-de-semana.
E tudo isto sem mencionar as actividades que não deixam testemunhos :)

25 março 2013

Marços

Andei a consultar Marços passados aqui no blogue para ver se havia tanta água. Não, não havia. Poderia haver alguma, mas nada que desse direito a uma queixa de "Pôrra, estamos quase no final de Março e ainda não parou de chover!!!" Até há menções a dias de sol, esplanadas, escaladas, idas ao parque...
Não gosto de me queixar da chuva: a chuva é boa, faz bem às plantas, existem 4 estações, na Primavera também chove, flores, o Alentejo verdejante, a barragem do Alqueva a render, o Guadiana de margens largas, etc, etc, etc... nos últimos Verões tem estado muito quente, o derretimento da calote polar, a diminuição de espécies piscícolas nos rios, as abelhas, o pólen, a fecundação das plantas, etc, etc,... Portugal não é África, nem o Brasil... blá, blá... temos tempo para limpar a casa, ler livros, fazer miténes, tricotar cachecóis, fazer obras em casa... and so on...
Mas...
... PÔRRA! ESTAMOS QUASE NO FINAL DE MARÇO E AINDA NÃO PAROU DE CHOVER!!!!

21 março 2013

Star fm

Na Star FM passam várias músicas que tiveram o seu tempo. Algumas mais populares, foleiras que outras; outras mais divertidas; ainda algumas que trazem recordações, outras emoções, outras coisa nenhuma.

Os meus óculos de sol
Das primeiras vezes atenta-se quase só no refrão e só depois de muitas audições é que toda a letra é entendida. A ideia de levar óculos de sol para a praia para se poder chorar em paz é algo com que solidarizo. Se inicialmente imaginava um teledisco foleiro, depois percebi a tristeza que há nesta história. E porque a razão principal porque quis uma casa minha, sem ninguém a aparecer ou a mandar pôr a mesa ou a refilar porque estou no meu quarto, foi para poder chorar em paz. Precisava de espaço para  a minha tristeza.

O leãozinho
Tinha lido o Kurika há pouco tempo e achava sempre que o leãozinho do Caetano Veloso era o Kurika. Se  não fosse o Kurika não gostava tanto assim do leãozinho...

Tous les garçons et les filles
Andava na ginástica com imensas raparigas do liceu francês. Elas cantavam todas esta música e só com algum esforço percebi a letra toda. Tinha uns 14 anos e achava que a letra se adequava completamente à minha pessoa. Passaram mais de 20 anos e a letra continua a adequar-se completamente mim - continuo a perguntar: Quand donc pour moi brillera le soleil?

16 março 2013

Porto

Não sou uma pessoa multi-task. Quando tenho algo que me (pre)ocupa não tenho muita cabeça para me dedicar a outras coisas. Daí esta ausência (muito notada, imagino :) )

Coisa boas aconteceram: fui a um colóquio, apresentei uma comunicação que correu bem, fizeram-me perguntas e respondi adequadamente. Apesar do nervoso não houve desastres fisiológicos e passado 2 minutos de tudo ter acabado já tinha esquecido as últimas duas horas de nervosismo.

Valeu a pena ver outra vez o Porto, onde só vou por razões que nunca as de passeio. Ainda passeei, comi a francensinha, bebi o fino e o cimbalino. Vi os barcos, a ribeira e a monumentalidade de uma cidade que vai ficando mais bonita com o tempo.

Expus dois projectos meus a amigos que, depois de alguma luta, foram bem percebidos e depois bem acolhidos, por isso acho que este ainda é capaz de ser um ano em que saio da casca. Fiquei e estou contente!


23 fevereiro 2013

fds

Há dias em que toda a gente tem planos menos nós... Bem que podemos enviar sms com os convites mais divertidos e interessantes, que recebemos sempre um (in)smile com os cantos invertidos e uns "desculpa" ou "sorry" (consoante a vertente linguística).
Enfim... Graças aos deuses ainda há parques infantis e sol cintilante! ... e um livro da Pearl Buck, pescado de um mar de livros para booktravelling, à espera de ser começado.

26 janeiro 2013

educação cívica

Texto e ilustração de Miúda-Espectáculo

22 janeiro 2013

como é triste o séc. XVIII

"Branca, chorando: Minha amada senhora.Que crueldade! Não sei como ainda te deixarão viva aqueles cafres desumanos, aqueles ímpios que te trespassaram com tantas flechas.

Leonor:  Sim, minha Branca, ainda tenho vida para morrer todos os instantes que ela me durar."

16 janeiro 2013

frasco de pimenta

O frasco de pimenta .1
O frasco de pimenta veio da prateleira do supermercado para a nova prateleira da casa nova. Uma casa onde se ia viver uma vida nova e independente.
O frasco foi utilizado em muitas refeições para uma só pessoa, algumas refeições para muita gente e, a certa altura, começou a ser utilizado em refeições para duas pessoas.
Uma das pessoas, a que o tinha trazido do supermercado, começou a ter uma barriga cada vez maior, a outra pessoa ria alarvemente e um dia deixou o frasco cair ao chão, fazendo com que a tampa se partisse e nunca mais fosse possível tapá-lo.
A certa altura a pessoa que ria alarvemente desapareceu da casa nova e da vida nova. Atrás ficou o frasco de pimenta com a tampa partida, uma barriga grande que se esvaziou e uma pessoa pequenina que não podia comer pimenta.
A partir daí o frasco de pimenta deixou de ser usado tantas vezes: a pessoa pequena não comia pimenta e a pessoa grande, quando pegava no frasco e via a tampa partida, lembrava-se de quem a tinha partido e preferia não usar pimenta.
Por ser pouco usado, o frasco tinha sempre pimenta, por isso não se acabava e não se arranjava um frasco novo, sem a tampa partida e sem despoletar memórias.
Um dia foi esvaziado, a tampa partida foi para o saco das embalagens e o frasco foi para o dos vidros. Reciclagem.


O frasco de pimenta .2
O frasco de pimenta veio da prateleira do supermercado para casa da família. Uma casa onde se viviam duas vidas novas em conjunto.
O frasco é utilizado em muitas refeições para duas pessoas e em algumas para muita gente.
Cada vez que a pessoa que cozinha pega no frasco de pimenta lembra-se de um outro frasco de pimenta com a tampa partida que ficou para trás e sorri, porque aquele frasco já não está na casa nem na vida dela e por todas as novas memórias que podem ficar ligadas ao novo frasco.
Um frasco de pimenta faz muita diferença.

15 janeiro 2013

Lido e visto

Lido:

A boneca de Kokoschka de Afonso Cruz

De início parece um pouco esquivo, as frase não entram bem e causam alguma estranheza, mas com a continuação da leitura descobre-se muito humor nas pequenas coisas e tudo é dito de uma forma muito mais rica que a linearidade. O fio narrativo é interrompido várias vezes, o que faz com que se perca o rasto às personagens e também as relações entre elas e o contexto em que nos foram apresentadas. Mas no final tudo se liga e mesmo o singular arranjo gráfico ganha significado e cobre as personagens de mais substância e torna-as mais próximas.
Pena ter sido lido em quase um mês, precisa de uma leitura corrida para ser bem apreendido e melhor apreciado.
Ainda tenho de o reler... porque acho que há bem mais prazer a retirar destas histórias e personagens.

Visto:

A 20 de Novembro dos Artistas Unidos

No teatro, e também no cinema, dificilmente me consigo abstrair do facto de estar numa sala, com outras pessoas, da sala, da luz das cadeiras, dos actores, das roupas deles, do texto que dizem, etc. Ver um espectáculo só um actor é logo para mim constrangedor, porque sei que eu e outras tantas pessoas vamos estar o tempo todo a olhar para uma só pessoa a reparar em tudo o que for mal e bem feito. Quando esse actor é relativamente desconhecido (pelo menos para mim) ainda me constrange mais porque penso que vai estar a ser avaliado por todos nós. Quando o texto se trata de um monólogo dito por alguém jovem que vai assassinar indiscriminadamente miúdos numa escola, com apenas uma motivação estúpida para o fazer, ainda me encolho mais, porque é complicado representar tudo isso, e é difícil dar realismo a essas motivações. Quando o espectáculo começa e me apercebo que as luzes sobre a plateia não são apagados ainda me assusto mais, porque percebo que vai ser um espectáculo onde o público está conscientemente presente.
E depois começa o espectáculo: o actor está bem (apesar de haver uma espécie de gaguez forçada que lhe tira consistência), o texto ás vezes desadequa-se (quem interpela o público dizendo-lhe "A tua filha está a foder com um gajo da tua idade", não usa o condicional numa pergunta como "Que gostarias de fazer?", mas sim "O que é que gostavas de fazer?").O único senão é que o público para quem o rapaz fala, não é aquele que está ali. Não é um público de BMWs e prostitutas e vidas frustradas: são pessoas que decidiram ir ao teatro. O público é chamado várias vezes a fazer parte do espectáculo, mas, como público, hesita entre responder ou não. Não sabe se há-de fazer parte desse espectáculo ou deixar-se manter apenas como espectador. 
É um espectáculo agressivo. Tanto no texto, como o contexto, como para o público.
Como disse a minha amiga "Pareces assustada." 

11 janeiro 2013

desejo para os próximos milénios

Era bom que não houvesse "maus". Que não tivesse de me preocupar em que me roubassem coisas, que não tivesse aquele medo terrível que todas as mães têm que nos levem os filhos, que as pessoas não deitassem lixo para o chão e apanhassem os cócós, que não fossem precisas multas, que não olhássemos de lado para pessoas com aspecto suspeito enquanto planeamos como reagir se a suspeita estiver certa, 
Era tão bom nunca ter a cabeça ocupada com preocupações que seriam inexistentes se as pessoas fossem todas boas. Ou mesmo indiferentes. 
Eu sei que há muita gente boa, a maioria das pessoas é gente boa, mas a gente má estraga a vida a tantos de nós. 
Ninguém me fez mal para estar aqui com este lamento, mas no outro dia saí de casa um bocadinho só para ir comprar buscar umas batatas. Deixei a miúda em casa com os seguintes conselhos: não atendas o telefone e não abras a porta a ninguém. E enquanto as batatas demoravam mais que o previsto fiquei a pensar nisto: porque temos de andar sempre com medo de alguém mau apareça para estragar a nossa vida? Porque não podemos deixar a criança em casa a brincar sem achar que alguma desgraça está para acontecer? Porque não podemos deixar as coisas pesadas (computadores, guitarras, malas de viagem) no carro quando vamos lá voltar? Porque nos obrigam a carregar com tudo como se estivéssemos a mudar de casa a pé? As pessoas más irritam-me por isso: mesmo sem fazer nada já me dificultam a vida e me deixam cheia de preocupações. 
Se ninguém roubasse, violentasse, matasse, enganasse podíamos preocupar-nos com as coisas que são mais importantes.
Eu gostava...

04 janeiro 2013

bricolage

Depois de várias tentativas mal sucedidas, eis que me sinto a Rainha do Berbequim: 3 prateleiras, 3 estores, 1 cabide! Tudo fixado à parede e sem ceder a puxões e empurrões. Um espectáculo!
Superei sem danos a prova de furar azulejos: nem uma tentativa de racha. Passados quase três anos, já posso pendurar a toalha das mãos. Aleluia!
Ainda tenho um teste difícil pela frente: fazer furos para buchas de tamanho 10. Isso é que me assusta a valer. Além de nunca saber se vou rebentar um cano (neste caso não vou de certeza), nem se apanho algum cabo de electricidade, o tamanho 10 exige bastante força, determinação e orientação. Se ficar mal feito é um buracão na parede. A prova só estará superada quando a bicicleta, depois de pendurada, não cair ao chão.
Vamos a ver o que acontece, mas, por enquanto, este 2013 está a correr muito bem!!! 

03 janeiro 2013

Bom ano!

E umas imagens para dar alguma cor a este cantinho.