29 outubro 2012

velhice

Mas como é que estou a chegar ao fim de Outubro e apenas postei uma vez?! E um desenho que eu não fiz, ainda por cima.
Não me acontece nada memorável? Não.
Não penso nada memorável? Talvez não.

Tenho andado com a cabeça em velhos e morte e o aumento dos anos de vida sem saúde. A eterna dúvida daqueles que se preocupam: quando é que se deve parar? Parar com as operações, com os comprimidos, com o arrastar de uma coisa que já não é viver e que não dá alegria a quem "vive" nem a quem o acompanha nessa luta. 
Já não sendo eu nova, os meus pais são-no muito menos e os meus avós... nem se fala. É difícil vê-los decair tanto.
Ainda este fim-de-semana, a primeira vez que vi o meu avô estava sentado na cozinha, depois atravessou o quintal com ajuda, esteve a ver televisão e depois foi para a cama. Dois dias depois já teve de ser levado ao colo para a maca para ir de ambulância para o lar. Parece que entre os dois dias distam dois meses. Que fiquei imenso tempo sem o ver e nem me apercebi da mudança. Mas foram só dois dias.
Quanto mais rápido melhor. Todos sabemos isso. Todos queremos isso - para aqueles que gostamos e para nós próprios. 
A vida não eterna, não tem de ser. Quando parar de tentar prolongá-la? 
Vejo como os meus pais lidam com a velhice e decadência dos meus avós e vou pensando o que irei fazer, com as minhas irmãs, quando chegar a altura de também nós termos de tomar decisões difíceis sobre os nossos pais.
Os nossos pais que deviam ser mais fortes, mais espertos que nós. Que deviam saber sempre o que é para fazer. O que é nós devíamos fazer. Apesar de moralmente e afectivamente se dever tomar conta dos pais quando eles precisam de nós, o melhor mesmo é que nunca precisem. E que nós possamos contar com eles sempre que precisarmos, Devia ser sempre assim. Inverter as coisas só dá confusão... e muita lágrima.

Beijos aos meus avós (todos: vivos e mortos), aos meus pais e às minhas maninhas, com quem partilharei num futuro longínquo muita angústia sobre este tema ao vivo.

04 outubro 2012

bicla para duas

Sempre quis uma fotografia dos nossos passeios quotidianos na bicicleta. Não o conseguia fazer, mas a Mariana resolveu o problema.

02 outubro 2012

Adios Muchachos

passado recente

À procura de um documento word com cerca de 7 anos dei por mim a abrir CD's de documentos que guardei quando o computador em casa dos meus pais foi para arranjar ou que gravei quando fui para a minha própria casa.
São as férias em Galayos, primeira introdução na escalada clássica, onde conheci uma pessoa espectacular que veio a falecer num acidente de montanha. Estamos lá todos: divertidos, cansados, a conhecermo-nos, a escalar vias com 400m e a chegar ao topo e ter cabras a passear ao lado. Fui ao estágio a pensar que ia ficar com dois amigos, mas mal chegámos disseram: Tens de ficar com o Bruno. Um bocado chateada lá fiz a cordada e no final do primeiro dia cantávamos juntos, ainda que afastados pelo que ainda me faltava escalar para chegar ao pé dele, uma música que agora não recordo.
Também estão lá as fotos de Guatemala, Antigua e tantos outros locais da Guatemala onde já nem lembro de ter passado. Antes da viagem tinha comprado uma câmara de filmar e passei o tempo agarrada a ela. Os meus companheiros de viagem fartaram-se de me ver com  a máquina na mão e preocupada por não haver electricidade para carregar a bateria, ou por ter medo de cair à água e estragá-la. Filmei 3 cassetes e editei apenas uma. O meu objectivo era transformar cada cassete de 60 minutos num filme de 25, para dar um total de 1h15, que eu achava suportável. Só editei uma cassete. Nunca cheguei nem aos templos Maias, nem às cascatas, nem, no último dia, o concerto de metal guatemalteco. Primeiro comprei o programa e instalei no tal computador que acabou por ser limpo, depois, quando fui para a minha casa não tinha computador; quando arranjei um computador fui comprar novamente o programa, tive de comprar uma memória e depois de tudo instalado deu-me uma preguiça enorme. Nunca mais editei nada.
Também lá estão planos de uma viagem a Moscovo; as mensagens de correio electrónico de um amigo polaco, Pzremek, que posteriormente reencontrei e com quem nunca mais troquei mails nenhuns (embora ainda tenha um CD de Myslovitz, do qual consigo cantar duas meias músicas); trabalhos do mestrado; o curso de formação de formadores; e Carlos Gardel.
Foi uma altura em que saquei muita coisa da net, havia um programa (ou servidor ou como isso se chama) que era o Satellite (acho..) e era a melhor coisa do mundo: escolhia as músicas que queria, desligava o computador e quando voltava a entrar na net (no tempo que era só por linha telefónica) já lá tinha as minhas músiquinhas. Muita música saquei eu naquela altura! E depois nunca mais. agora não o sei fazer, nem me disponho a aprender.
Enfim, deste regresso a um passado recente, gozo agora o prazer de ouvir a Adios muchachos.