06 setembro 2012

cresci e já sei andar


Quando ficava mal-disposta ou vomitava e alguém me perguntava "O que é comeste?" achava sempre a questão era inútil: se já tinha vomitado, se já tinha acontecido, porquê querer saber?! O importante era melhorar, deitar-me, procurar um balde e um guardanapo.
Agora, mais velha, mais experiente, já sei que a comida tem uma influência enorme nas nossas vidas: há o que dá sono (cerveja à tarde num dia de sol), o que desperta (a segunda bica), o que faz borbulhas (chocolate, frutos secos, azeitonas, etc.), o que dá gases (adoçantes, fermentos em farinhas),o que é diurético (cerveja, chocolate, café, aveia); o que ajuda na digestão (tantas coisas, tal como o vinho...), etc. Ou seja, é bom saber o efeito que as coisas têm em nós, que é diferente do efeito que poderão ter noutra pessoa.
Entretanto cresci no sentido de evolução intelectual (eu, pelo menos, acredito que sim), assim, dei-me conta que não é só aos efeitos da comida que devemos dar importância, não é só sobre isso que nos devemos questionar "Porque é que isto me acontece?".
Sei que disse que cresci, mas foi há muito pouco tempo. Até sentir uma necessidade de saber porque é que a minha vida é está no estado em que está, porque é que me acontece isto e aquilo, porque é que estou sempre sozinha, porque é que tenho de largar certos grupos e certas pessoas, porque é que entrego trabalhos com erros que podiam ser evitados, ou seja, porque é que estou sempre a colocar-me em situações onde nunca quis estar, até sentir essa tal necessidade, não questionava nada: acontecia, estava acontecido. O que havia a fazer era melhorar a situação.
Mas tenho compreendido que a auto-questionação, a auto-análise, o auto-conhecimento são úteis: podemos evitar coisas que nos desgostam ou encaminharmo-nos para outras que nos deixam mais felizes. 
Se por um lado me irritam pessoas que estão sempre a dizer "Eu sou assim" ou que que passam a vida a remoer as situações passadas; por outro, sei que é bom conhecermo-nos a nós próprios, para podermos encaminharmo-nos para um destino que mais nos agrada.
É inteligente, quando cairmos, 1) olharmos para trás e vermos o buraco, para não tropeçar no mesmo sítio da próxima vez ou para ter mais atenção a outros buracos que possam surgir; ou, 2) se o problema não for no caminho, mas nosso, percebermos que é mais seguro correr com os atacadores apertados e tratar do assunto e continuar o passeio.
Acho que, por agora, estou no bom caminho/caminhada, embora não conheça o destino.

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