20 julho 2012

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Vim só deixar mais umas fotos dos últimos treinos de bicicleta. Ja não vai haver mais. É daquelas coisas que não dá para fazer com uma criança de 5 anos. Mas ela há-de crescer e ganhar-lhe o gosto, pelo menos gosta de andar atrás na bicicleta.
O que tenho tentado aprender com ela é esta alegria por tudo, a felicidade das pequenas coisas, a satisfação do convívio com todas as pessoas.
Ontem ficámos penduradas: uma amiga que vinha jantar cá a casa não veio e cancelou em cima da hora marcada. Eu passei a manhã a limpar a casa, fui depois às compras, trouxe tudo para casa, não combinei outras coisas com outras pessoas, e no fim fico com um jantar vegetariano e uma garrafa de lambrusco fresquinha por abrir. Por acaso, acabei por encontrar outras pessoas e diverti-me bastante, mas não consigo deixar de me sentir abandonada.
Avisei a miúda de que afinal a Marta não ia lá a casa jantar. Ela disse que queria falar com a Marta e perguntar onde é que ela estava. Ao que eu respondi que poderia falar no dia seguinte e que lhe poderia contar que que tinha ficado triste e chateada e por ela ter faltado ao jantar. Ao que a miúda contrapõe: Só estou triste, chateada não. Gostava de também ser assim, de remoer menos as chatices. Enfim... estou a aprender com a melhor professora.

16 julho 2012

férias - 1ª parte

Cerca de 10 dias de solteira (sem "mãe" a anteceder o título) e houve um regresso avassalador a esse pré-estado da minha vida actual.
Apercebi-me que a minha filha me faz imensa falta para a minha sanidade mental. Sem ela não consegui trabalhar nada, foi só diversão, diversão, diversão. A cidade está toda em modo de diversão, com concertos gratuitos por todo lado, barraquinhas de cerveja por todo lado, amigos por todo lado e novos amigos no espaço livre.
Foi um regresso ao forrobodó e à vida de estróina, que só foi possível depois de um grande processo de mentalização, em que repetia incessantemente a mim mesma "estou de férias, estou de férias, estou de férias" para afastar o sentimento de desleixo académico.
Compreendi que a vida de boémia não é compatível com outras actividades e que é por isso mesmo que os boémios têm de ter um certo estatuto económico, pois é difícil trabalhar após noites de bailaricos e conversas intermináveis sobre tudo e coisa nenhuma.
No meio de tanta farra noctívaga ainda houve tempo para o desporto: caminhadas, escalada e bicicleta. E devo dizer que foram estas actividades exigentes fisicamente, aliadas a actividades exigentes socialmente que me demoveram totalmente dos estudos.
Hoje, quebrado este pequeno interlúdio, cá voltei às leituras, nets e minutas.

13 julho 2012

hola

Há agora na TV portuguesa um anúncio a desodorizante falado em espanhol. Primeiro não reparamos que não é em português; depois, quando ouvimos o espanhol parece que será um filme; de seguida, quando nos apercebemos que é um anúncio, há uma sensação de viagem como se estivéssemos a descansar numa bomba de gasolina a caminho dos Pirinéus; quando damos pelas legendas em português é o pior: estamos num Portugal colonizado em que o português é a segunda língua.
Que raio é isto? Como é que a alta autoridade para televisão permite uma coisa destas? Será que isto vai ser o normal?
Eu já andava chateada com a Kellogs, onde o português nas caixas de cereais quase não se nota, mas na televisão?... Puta madre!

06 julho 2012

Areeiro - Guincho - Areeiro


Ontem foi um dia excepcional em que decidi fazer uma coisa que me parecia loucura e para a qual achava que não tinha estofo: 84km de bicicleta!!! Mal consigo acreditar que ainda há poucos dias achava que 20km era muito. Obviamente estou muito cansada, com um escaldão e uma dor de cabeça por causa do sol a mais, mas só o ter conseguido sem treinos me leva a acreditar que o passeio até ao Algarve não há-de ser assim tão terrível.

Ainda é preciso ganhar calo no rabo e habituar os joelhos, que também estão um pouco ressentidos.

O caminho até lá é muito bom e na zona em que tinha mais dúvidas sobre como se ia foi quando correu melhor. Depois de Algés julgava que era meter-me nos passeios marítimos, no paredão, etc., mas só lá é que soube que tudo isso está interdito a bicicleta (dois polícias de bicicleta vieram ter comigo, eu pensei que me iam dizer "se precisar de alguma coisa diga" ou "a viagem está a correr bem?", mas não), de maneira que fui pelo passeio junto à marginal e às vezes pela estrada.

A chegada ao Guincho foi dolorosa: estava um vento contra que só me fazia arrepender da ideia de ter estendido o meu projecto inicial (Cascais) até ao Guincho. A recompensa final seria uma banhinho na praia, mesmo que estivesse vento. Só que vento era tão forte que ainda antes de se chegar à areia já estava a ser atacada por grãos de areia atirados a alta velocidade contra a minha cara. Acabei por ficar na esplanada a ler um livro. Ainda pensei no mergulho, mas já tremia quando pus os pés na areia e, como já se fazia tarde, decidi regressar.

O regresso foi puxado. Tinha um encontro combinado às 20h30 e então foi mesmo contra-relógio. Ao subir a Almirante Reis estava tão cansada que cada vez que punha as pernas no chão elas tremiam e eu achava que ainda caía a fazer uma coisa tão básica como andar.

Despachei-me em 10 minutos e fui ter coma minha amiga. Sentada numa poltrona parecia que rabo latejava ou que assento tinha qualquer coisa por baixo (era só o esforço a fazer-se sentir).

Foto 1. Praia de Algés
Foto 2. Estrada do Guincho

03 julho 2012

Lisboa - Tavira

Primeiro treino para as férias: 16,8km de bicicleta em Lisboa. Primeiro fomos ao hospital, depois fui deixar a miúda à escola, depois fui até à Baixa para comprar artigos indispensáveis: selim de gel, luvas de gel, calções com gel e uma luzinha para a dianteira; de seguida achei que era boa ideia regressar a casa pelo rio (a ideia não foi assim tão boa, porque a zona até Santa Apolónia é feia) e depois subir a Mouzinho de Albuquerque até à Paiva Couceiro (puxa!) e depois mais um pouco até casa. Cansei-me. Mas vale a pena. Não há nada como estar e andar na rua para encontrar pessoas: um café combinado, mais três encontros fortuitos para se trocar as idades das crianças (a minha tem 5, a minha tem 7, o meu tem 2).
Tenho a certeza de que este meu investimento (moral) na bicicleta vai render.
E gosto tanto de ser peão ou automóvel, conforme me dá jeito, e passar nos vermelhos todos. Não preciso de parar, a não ser em cruzamentos. Um espectáculo!
Enfim, estes 16km ainda estão muito longe dos 500km que me proponho pedalar em Agosto, mas tenho fé (e além da fé, muito importante, tenho tempo).
Um projecto tão antigo e só agora, quase aos 40 é que anda para a frente. Começo agora e depois já ninguém me tira o gosto e daqui a uns tempos, atravessarei países sobre o meu selim de gel: Hola! Bonjour! Hallo! Czesc! Vai tudo a eito!
 
(esta alegria espatafúrdia também se deve muito ao facto de o semestre ter terminado e já não ter nem prazos, nem trabalhos para cumprir. Ainda não estou de férias, mas é como se estivesse)