28 junho 2012

Porque às vezes também me dá para cozinhar.

E para cozinhar experiências ainda mais vezes. Normalmente como tudo sozinha.
A foto é tapioca. Ainda não faço bem, mas já percebi que mesmo bom é tudo o que é parecido com arroz doce: tira-se o arroz e mete-se tapioca, carolo de milho, aletria ou sabe-se lá mais o quê. O bom é o leite cozido, com açucar, gema de ovo, canela por cima e qualquer coisa que o torne pastoso.
Também gosto muito de um creme de custard: leva pau de canela e casca de limão, cozida em leite, manteiga, e o pó milagroso que torna tudo pastoso e faz com que seja possível comer estas maravilhas à colher.
Ah... Mnham! Mnham!

26 junho 2012

está quase!

Adoro o fim do ano lectivo. É o fim de tanta coisa:

- de ter de me lembrar de levar o bibe na 6ª, para devolvê-lo lavado na 2ª; de ter de me lembrar dos dias em que é ginástica para pôr calças de fato treino; ter de me lembrar de levar o boné para escola por causa do sol

- de entrar em stress 20 minutos depois de acordar porque já sei que vamos chegar atrasadas;

- de andar a correr da terapia para a escola e vice-versa;

- de preencher papéis seja para o que for: passe, SS, hospital, finanças, médico de família, FCT, etc;

- de às 22h perder a paciência porque sei que no dia seguinte de manhã a vou perder outra vez (ver o primeiro ponto);

- ansiar pelo fim de semana para o repouso mental;

- ter trabalhos para fazer, entregar, prazos... stress, stress, stress

- sentir-me um burro de carga à 6ª feira com os "trabalhos" feitos por ela durante a semana.

Obrigado, Fim-de-ano-lectivo!

 

E a melhor parte é que ainda posso largar a miúda na escola durante mais umas semanas e ter tempo para fazer o que me apetece (e preciso) durante a semana: uns filmes, umas corridas, umas leituras, umas escaladas... eh! eh!

20 junho 2012

feijões


Fui correr hoje, coisa que já não fazia há duas semanas. As festas e os trabalhos, mais os amigos que vêm do estrangeiro tiraram-me o tempo disponível para a corrida.

Mas agora, na fase final dos trabalhos, resolvi calçar os ténis para descansar de tanto computador.

Durante a meia hora que corro sinto-me como um frasco de feijões, que depois de o enchermos, se batermos com o fundo do frasco no tampo da cozinha, os feijões organizam-se, encaixam uns nos outros, acabando por arranjar espaço para arrumar mais uns feijões.

Quando corro sinto que a cada passada as minhas ideias se organizam, arrumam e encaixam umas nas outras, abrindo espaço para mais outras que acabarão por tornar o meu projecto final de seminário (= frasco de feijões) num trabalho mais completo e entrosado consigo mesmo.

Enquanto corro consigo pensar no séc. XVIII e em requerimentos e documentos, manuscritos, edições e traduções, locais de espectáculos, actores, empresários e assentos de nascimento e óbito sem interrupções; contrariamente, em frente ao computador, num texto word com todas estas palavras escritas por ali, consigo pensar no que vou fazer 6ª e na 5ª, e na bicicleta e nas futuras obras em casa, e na Segurança Social (essa sacana!), em escalada, espectáculos que quero ver, organização das férias, a crónica e crescente falta de dinheiro, o que me apetece comer e o que devia comer, e tantas outras coisas.

Faz-me pensar que deveria correr com um pequeno gravador onde fosse depositando todas as ideias maravilhosas que despontam na minha cabeça a cada passada.

14 junho 2012

aconteceu

Foi hoje.

Foi hoje o dia em que a Mariana largou a bomba emocional que eu receio desde que ela nasceu, e mesmo antes.

Estávamos a chegar à escola hoje de manhã, ela vê uma colega e comenta: "Mãe, é a Rita. Ela vem com o pai dela. Porque é que eu não tenho pai?".

Só consegui responder "Não tens. Tens mãe." Continuámos a andar e de seguida o assunto já era outro - o Pedro hoje já ia à escola. Passado um bocado, regressa ao tema: "A Diana não tem pai nem mãe - tem uma professora. E o André também não tem pai - o Zé não é o pai dele." Peguei nesta deixa e disse: "Pois, o pai do André é o Bruno, lembras-te? Mas foi-se embora. Às vezes os pais vão-se embora." Mas não consegui dizer mais nada: que ela também tem um pai, que tem um nome, que se foi embora quando ela estava para nascer, que é uma pessoa que existe e anda para aí de uma lado para o outro, mas que a evita a ela.

O que posso atestar é que ela fez a pergunta temida e eu sobrevivi. Fiquei tensa. Não respondi, é certo, e tenho de responder. Tenho de dizer mais coisas. Tenho de atribuir um nome a essa entidade. Eu sobrevivi, mas queria que a minha resposta a tivesse assegurado de que ela não tem culpa nenhuma pela situação, que não a fizesse sentir-se abandonada; que não lhe criasse expectativas sobre a possibilidade de encontrar uma pessoa que existe, ou sobre a possibilidade de também ela ter um pai; queria que ela soubesse que é amada e acarinhada por toda a gente que a conhece, e que essas pessoas é que interessam; queria que "não ter pai" não lhe fizesse mossa, que não fosse um problema ou uma tristeza. Queria ter dado uma resposta onde tudo isto ficasse dito para sempre, mas não consegui dizer nada.

Só este ano é que ela ficou a saber o último apelido e foi na escola. Um dia contou-me: "Eu lá na escola também sou Sót." - não percebi à primeira - "Mariana  Sót." Quando compreendi tive a minha não-reacção costumeira: "Pois é". E também não lhe expliquei de onde vinha aquele "Sót", quem lho tinha posto. Não sabe pronunciar bem, mas gosta de o escrever de vez em quando.

Parecendo tudo correr tão bem e tão serenamente, vendo-a sempre bem disposta e sorridente no meio destas perguntas e (não)respostas, não sei porque me vêm sempre lágrimas aos olhos quando relembro a voz dela perguntar descontraidamente: "Mãe, porque é que eu não tenho pai?".

12 junho 2012

remédio santo

Hoje é que foi o grande dia da libertação aduaneira: tornei-me totalmente legal. Sou transparente. Declaro todo e qualquer rendimento que tenho. Já vou poder dormir descansada sem ter medo que um dia venha alguém à procura de rendimentos não declarados, ou uma assustadora carta registada da nova entidade - Autoridade Aduaneira - que me leve todas as poupanças. O que há para levar levam já. Acredito que vou deixar de ter dores nas costas. Se calhar até perco a tendinite! Uhu! Sim, porque eu sei como as preocupações, os medos, as ânsias e as angústias nos enxovalham, encurvam e "arterosclerosam". Declarar tudo, e para isso pagar impostos de selo e coimas, é o melhor analgésico anti-reumatismal. A partir de hoje vou correr a 15km/h, escalar sem medos e até vou poder fazer uma elevação sem estragar os ombros. Sim, eu sei-o! Eu sinto-o! Sinto-me curada. Um pouco mais pobre, mas...

Ah, Finanças, Finanças, se soubessem o bem que me fazem por ausência do mal que me podem fazer...

 

06 junho 2012

alugar casa

A minha irmã tem a casa para alugar. Hoje achei boa ideia mostrar o prédio (não tinha a chave) a uma amiga que tinha divulgado o mail da casa a duas pessoas. Combinámos ir as duas juntas, passarmos pela escola da miúda, depois pela casa e finalizar num gelado.
Como estávamos à porta da escola, resolvi fazer o corta-mato e fomos pelas traseiras. Para além de montes de entulho, cheiro a mijo e dejectos canídeos, apareceu um bêbado/drogado que abraçou a  minha filha e não a largou mesmo quando eu gritei "Larga!". Nem sequer a largou quando lhe comecei a dar murros nas costas. Tentei dar-lhe um pontapé, mas como tinha o portátil, mais um livro de 600 páginas e outros apetrechos, num total de 13 kg ao ombro, não lhe acertei. Além disso, tinha na mão saudável um livro infantil e o casaco da criança, de sorte que apenas com a mão com tendinite e um dedo partido é que lhe consegui acertar, o que pelos vistos não o incomodava muito. Continuei até dizer palavrões. Largou-a e depois olhou-me com cara de porquê-tanto-histerismo ao que eu respondi "Ninguém agarra a minha filha, cabrão" e ele pasmou "Ah, é filha? Julgava que era filho." A minha amiga ficou em choque.
Resultado, acho que a casa perdeu dois interessados.
Moral da história: ao mostrar casas ir sempre pelo caminho principal.