09 março 2012

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Vamos crescendo e a realidade começa a ser menos bonita: há amigos doentes, pessoas da nossa idade. Antes, quando éramos crianças, as pessoas doentes e que morriam eram sempre ou da idade dos nossos avós ou da dos nossos pais. O nosso círculo era imune à desgraça. E quando a havia muitas vezes não dávamos por isso.
Depois vamos crescendo, perdemos um amigo, perdemos outro, amigos ainda com tanto pela frente... Agora de vez em quando uns ficam doentes, com doenças chatas e preversas.
Fico triste...
Além disso sinto-me cruel: vi um amigo meu com um problema e, como somos educados para fazer de conta que está sempre tudo bem, não perguntei o que era e fiz de conta que estava tudo como sempre, mas não consegui olhar para a cara dele de frente. Parecia outra pessoa e não consegui ser imune à estranheza que me causou vê-lo assim e ele reparou. Senti-me constrangida e má. Mas acho que o que tenho de fazer é olhá-lo bem e habituar-me à nova cara. Habituar-me a que as piadas que antes saiam de uma boca e as caretas que antes uns olhos faziam agora são feitos por outros um pouco diferentes. A pessoa é exactamente a mesma e o carinho que sinto por ela também. Espero ter oportunidade de me comportar convenientemente.

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