09 fevereiro 2012

descontentamento

Parece que entrámos numa época em que a expressão "quem está mal muda-se" se transformou no slogan da classe política no poder. Primeiro foram os professores: "emigrem para áfrica se querem melhores condições", depois os jovens licenciados "emigrem para qualquer lado se querem ter alguma hipótese" e ontem ouvi dizer às forças armadas "se não gostam das condições mudem de profissão".

Se esta estratégia política for avante e a população corresponder ao slogan, tenho a impressão de que daqui a pouco tempo em Portugal só haverá políticos e gestores, porque esses realmente não têm razão nenhuma para se mudarem: está-se bem, ganha-se bem, há sempre perspectivas de futuro e as condições de trabalho são super fixes!

O pior é que a gente vai ouvindo o slogan e aos poucos podemos esquecer que o verdadeiro slogan da democracia é: o que está mal muda-se. Ou seja, não somos nós que temos de deixar o país a ser regido por quem não tem o mínimo interesse nem consideração pelas pessoas que o habitam, mas as pessoas que o habitam é que têm de ter muito interesse em mudar o que está mal e obrigar a classe política a largar o tacho.

Não sei como é que isso é possível, uma vez que a política se afastou e separou das pessoas e não há como intervir naquilo que supostamente é uma democracia, mas que na verdade não é, porque os eleitores o único direito que têm é votar uma vez, e a partir daí não têm qualquer possibilidade de intervir, de dizer: Eh, pá! Mas não foi nisso que eu votei! Estou a ser enganado! Não, ser enganado, usado e ridicularizado faz parte.

Não sei mesmo o que há a fazer. Andar por aí nas ruas a gritar não tem efeito... Mostrar descontentamento parece ser apenas um programa de humor para os políticos. Ah! Ah! Lá estão aqueles palhaços-eleitores que julgam que têm direitos e que vivem numa democracia! Ah! Ah! Devem rebentar de riso a ver os telejornais. Fixe era que rebentassem mesmo.

2 comentários:

Paula disse...

Parece que a única hipótese é mesmo começar uma guerra civil. Assusta-me. Não sei se vamos continuar ordeiros por muito tempo, Deve ser mesmo preciso lançar umas granadas contra a assembleia...

mm disse...

Tudo bem que se atirem granadas, mas não contra o património nacional! Contra as casas particulares desta cambada de gatunos! Contra os bancos, contra as empresas, mas não contra o património, não só porque é de todos, é bonito, é de perservar, mas também porque o dinheiro para reconstrução saía mais uma vez do nosso bolso.
Destruir sim, mas não Portugal!