31 janeiro 2012

de manhã

Quando leio nalgum blogue “De manhã fiz uma saia” ou “Enquanto o arroz cozia fiz um saco para o pão” fico surpreendida com os dotes de costura dessas pessoas e mais ainda com a simplicidade aparente com que fazem coisas complicadas.
Ora bem, na azáfama das compras de Natal vi um avental para crianças. Era giro e comprei-o, mas na altura fiquei a pensar que era uma coisa simples de fazer. Pensei no assunto, projectei na cabeça, descobri com que tecido havia de fazer o avental e no sábado de manhã deitei mãos à obra a pensar que o queria feito em Março.
E não é que agora também eu posso dizer: de manhã fiz um avental?
Naturalmente não está bem feito, as costuras não vão bem a direito e algumas coisas deveriam ter sido feitas de outra maneira, de qualquer forma não deixo de pôr aqui uma imagem dessa maravilha saída das minhas mãos de fada do lar.

O meu próximo projecto é um saco - já tenho as ideias na cabeça, mas ainda há muitos problemas que não sei como resolver.

27 janeiro 2012

sardinheira

A minha bela sardinheira, que chegou a ser a mais viçosa e florida dos arredores, depois do Verão sofreu um ataque de larvas de sardinheira, que se multiplicavam sem parar. Todos os dias eu ia ver se havia larvas e dia-sim-dia-não, lá aparecia mais uma ou duas. As larvas até eram queridinhas (verdinhas, peludas e com uma risquinha vermelha), mas na verdade do que eu gostava era da sardinheira. Estas larvas entram dentro dos caules, bebem a água todas e as sardinheiras secam por dentro. Na net e nas floristas diziam-me que não havia remédio, mas eu fui sempre cortando os ramos secos, esgaravatando lá dentro nos buracos que os bichos faziam, com a esperança de curar a planta. Tanto tive de a cortar que se transformou um coto de 4 centímetros dentro do vaso. A pouco e pouco as folhas foram nascendo e das larvas nem sinal. Quando chegámos a casa do depois do ano novo havia dois botões a nascer. Um deles desabrochou há poucos dias - não parece uma sardinheira, mas é vistoso e é um símbolo de resistência e de vida.

25 janeiro 2012

fim de semestre


Trabalhos entregues, cabeça descansada, a preparar-me para uma corrida para tirar de cima a inércia de uma semana agarradíssima ao computador a tentar escrever coisas inteligentes (às vezes só o esforço de serem inteligíveis já dá para engorar uns kilos).
Vou poder finalmente fazer pequenas coisas (ler, ver TV, coser um botão, tricotar, pintar paredes, etc.) sem pensar que estou a roubar tempo a outro valor mais alto, a tarefas mais importantes que me propus fazer e permanecem inacabadas!
Apetece apenas gozar o nada, a ausência de prazos e de expectativas a cumprir, mas é preciso meter actividade no corpo, suar, pôr o sangue a bombar, que isto de ser saudável é coisa viciante, e para agarrar o vício é preciso começar.
Vamos lá, largar o computador JÁ!!

09 janeiro 2012

minha bicicleta, meu amor


Tenho a certeza de que acabei de ver a minha bicicleta a passar por mim. Mal passei ao lado dela senti que a conhecia.
E depois ela desceu a Av. de Brasil e subiu a Alameda da Universidade mesmo à minha frente. Reconheci tudo: o banco, o velcro à frente, o guiador. Era tudo ela...
O choque grande e o reconhecimento total deu-se quando vi o suporte para a cadeirinha da Mariana. Oh, os momentos que vivemos, as idas a Belém, a Mariana a tombar para o lado quando adormecia... Tudo isso que me foi roubado passeava-se agora em ziguezague à minha frente. Parecia de propósito. Queriam-me angustiar, espicaçar, ver se eu dava um berro, um soco, um empurrão.
Não fiz nada. Não acredito que quem estava em cima dela fosse o ladrão, embora comprar material roubado seja contribuir para a ladroagem. Segui-o até onde pude, com a esperança que a minha bicicleta fosse encostada a uma parede e eu a pudesse recuperar e levá-la para minha casa, para a casa dela, o sítio de onde nunca deveria ter saído e fazer com que tudo ficasse bem outra vez.

O mundo não só é injusto, como consegue ser muito cruel...

04 janeiro 2012

justiça de caca

Um indivíduo civilizado, que passeia o seu cão na cidade, que recolhe a caca do amigo fiel com um saco de plástico e depois a deita no lixo, vê-se confrontado com uma situação em que alguém não civilizado resolveu deixar o seu carro de tal forma em cima do passeio que é impossível passar e difícil sair do prédio que está atrás. Tendo a faca e o queijo na mão, o indivíduo civilizado realiza um acto de justiça pelas suas próprias mãos e espalha a merda punitiva no vidro do condutor.

Às vezes, quando ando pela cidade, tenho muita pena de não estar a passear cães.

03 janeiro 2012

dislexia

Desde pequena confundia "aspirador" e "elevador" e "autoclismo"  e "caixote do lixo", entre outras, mas nunca cheguei a pronunciar a palavra no contexto errado: era um erro mental que, antes de ser verbalizado, já estava corrigido. Mas sempre pensei que um dia ia dar o berro e que palavras sem sentido começariam a sair da minha boca. Já começou.

1) em criança era vítima de bowlling.
2) no google maps vi as ilhas balneares.
3) não podes passar as músicas por blacktooth?

A senilidade está a aproximar-se a passos largos...

02 janeiro 2012

ano novo

Chegar a casa é que é a sensação de ano novo!
Acho que nunca me senti tão bem por chegar a casa... Depois de lá estar e arrumar as coisas, preparar-me para o regresso ao trabalho e à rotina, é que sinto que vai começar alguma coisa nova este ano, que eu vou ser melhor.
Porque sim, eu é que tenho de ser melhor. Não é o ano que tem de o ser para mim. É claro que a vida ingrata deita a malta abaixo, mas também é preciso andar para frente. Sermos melhores para nós mesmos. Penso até que a realização das coisas mais ínfimas a que nos propomos é uma forma de sentirmos que estamos a realizar projectos. Não é preciso escrever um livro ou dar a volta ao mundo - se calhar remendar a roupa que está à espera, acabar o tricot, pintar as janelas, lavar a banheira é o passo em frente para depois acreditarmos que outros projectos e sonhos maiores se realizam. É acabar com a sensação de que há algo que devia e podia ter feito e ainda não fiz. É fazê-lo!
...
ando a descontrair os ombros, a ver se o peso do mundo me sai de cima.
 

01 janeiro 2012

Olá 2012!

Olá 2012! Espero que sejas tão bom para mim como eu quero ser para ti!