24 dezembro 2012

18 dezembro 2012

jogging

Corrida, ou melhor, jogging de 1 hora para compensar os doces comidos.
Tenho muito jogging para fazer nestes dias...

14 dezembro 2012

Que cara é esta?

Tenho uma cara que exprime emoções que não sinto. Não sei como. Já me chateei muito com as minhas irmãs por isso. Por qualquer razão olhavam para a minha cara, enquanto eu não pensava em nada de mal ou até mesmo em nada, e diziam-me "Pára com essa cara! Irritas-me!". Já tive pesadelos com o assunto.
Hoje revivi isto na conversa com o meu orientador. Ele a dizer-me que tinha de fazer isto ou aquilo, eu pensava como o faria, ou de que forma é que poderia organizar o trabalho, e pensava-o de forma construtiva, enquanto o ouvia com atenção e interessada, e ele irritava-se "Marta, não faça essa cara! Parece que não tem a noção do que tem de fazer! É preciso esforçar-se!". E eu a ficar com medo de mexer as sobrancelhas, os cantos da boca, sem saber que raio de cara estava eu a fazer que o fazia pensar que eu não queria esforçar-me, ou que não sabia que o teria de fazer. Várias vezes assim... 
Conselho de uma amiga: "Pega num papel e escreve tudo o que ele diz. Assim, quando estiveres a escrever ele não consegue olhar para ti."
Mas o que eu queria mesmo, juro que queria, era uma cara que não irritasse as pessoas.

07 dezembro 2012

recriminação não!

8h00
Oiço o toque do despertador. Digo a mim própria "Sai da cama e começa a despachar-te para depois não nos atrasarmos. Acorda já a Mariana e começa a vestir-te e a tratar do pequeno-almoço."
Ponho o despertador para tocar daí a 10 minutos

8h10
Oiço o toque do despertador. Digo a mim própria "Já devias ter saído da cama. Começa a despachar-te para depois não nos atrasarmos mais. Acorda já a Mariana e começa a vestir-te e a tratar do pequeno-almoço."
Ponho o despertador para tocar daí a 10 minutos

8h20
Oiço o toque do despertador. Digo a mim própria "Já são 8h20!? Tenho de me despachar, acordar a Mariana, fazer o pequeno-almoço... Vamos chegar atrasadas!!!". E saio da cama e começo a acelerar em tudo. Abano-a miúda dizendo-lhe: Já estamos atrasadas! Temos de nos despachar!
Não há tempo para molezas, para espreguiçar, para contar uma história, um sonho, distrair-se com migalhas, ou com o casaco, ou duvidar da roupa que se leva vestida. É a despachar! É a despachar!
E o tempo todo em que corro de um lado para outro recrimino-me:
Não devia ter ficado a ver televisão até tarde! Porque assim não tinha sono hoje de manhã... Não devia ter deixado a Mariana a brincar até tarde, para ela acordar bem hoje de manhã!

durante a manhã
Digo a mim própria: "Vai correr. Vai trabalhar para a biblioteca. Pára de ver séries no computador. Não comas pão nem bolos."
Ligo o computador, vejo mails, acho que vou ver só um episódio antes de começar a trabalhar, enquanto faço estiramentos e me visto para ir correr.
Não vou correr (está frio, chove, estou com fome, tenho de trabalhar).
Começo a trabalhar, mas paro pouco depois porque estou com fome e quero ir almoçar.
Recrimino-me: "Devias ter ido correr, depois queixas-te que estás gorda e que te perdes a elasticidade."
"Devia ter ido trabalhar para a biblioteca, porque é melhor fazer esta investigação agora que depois."
"Agora tenho de ir almoçar e ainda não trabalhei nada hoje, não devia ter ligado o computador se a única coisa que fiz foi ver filmes."

à tarde
Digo a mim própria: Vai lavar a loiça. Prepara a sopa. Não comas pão e bolos. Não bebas café, porque depois não consegues dormir.
Fico o tempo todo sentada ao computador, com pequenos intervalos em que não aguento mais e me dá fome de bolos, torradas e quejandos.
Recrimino-me: "Não consigo terminar o que me tinha proposto fazer hoje - porque é que perco tempo a ver filmes?"
"Devia ter feito a sopa e lavado a loiça - assim quando a Mariana chegar tenho tempo para estar com ela em vez de estar na cozinha."

à noite
Digo a mim própria: Tenho de ter mais paciência para a miúda. Hoje não posso ver mais filmes. Tenho de a pôr na cama às 21h30.
Digo que não tenho tempo para ver as coisas dela porque tenho de fazer o jantar e lavar a loiça, e depois é pôr a mesa, jantar, levar tudo para a cozinha, e no fim estou cansada e a única coisa que me apetece é ver filmes, e enquanto os vejo deixo o tempo passar, porque Mariana também está entretida.
Recrimino-me: "Estás com falta de paciência para a miúda porque tens de ir fazer sopa e lavar loiça, enquanto ela te solicita para tudo e mais alguma coisa. Se tivesse feito a sopa antes, isto não acontecia."
"Em vez de estares a ver filmes devias estar com a Mariana e a pô-la na cama cedo"
"Meu Deus! Já são 22h! Não há tempo para ler história porque já é tarde e ela tem de ir para cama!"
"Já estou na cama há uma hora e não consigo adormecer. Não devia ter bebido o raio do café. Ainda por cima comi torradas e não corri. Vou ficar cada vez mais gorda..."

no banho
Digo a mim própria: "Fecha a água: só se gasta água e gás, e além disso é pouco ecológico. E fico com a casa-de-banho toda molhada."
A água quente cai na cabeça e sabe tão bem. Enquanto ponho champô não a desligo porque depois começa fira.
Recrimino-me. "Tanto tempo no banho... É a factura do gás e da água a aumentar. E esta casa-de-banho gelada, com água a escorrer pelas paredes vai demorar imenso tempo a secar. Porque é que não tomei um banho rápido?!"

Sempre assim...
Pois bem: FARTEI-ME!
A partir de hoje não me quero recriminar - assim que começar a dizer "devias estar a fazer isto ou aquilo" quero fazer exactamente isto ou aquilo. Quero para de me recriminar e de me culpabilizar. se não consigo viver com o prazer que as coisas me dão, tenho de acabar com o sentimento de culpa que fica sempre. Acredito que haja alguma mudança, porque pelo menos algumas já se instalaram no meu modo de vida e tem corrido bem.

Deve durar três dias (um já passou) mas ao menos são três dias de saúde e de massagem ao ego. Faz sempre bem!

26 novembro 2012

Sobre a condição física

Correr, comer, dormir, estirar, não comer, alongar.. de tudo isto bem feito depende a minha condição física.
Umas vezes está melhor, outras pior, mas nunca ficou como eu queria. Não que eu queira ter uma silhueta impossível de consolidar com o meu corpo, mas porque quando estou no bom caminho desvio-me sempre. Devo estar umas 50 ou 100 vezes por dia no bom caminho e acabo sempre por seguir atalhos para zonas impróprias.
Ainda no fim-de-semana, mesmo com a chuva ininterrupta que houve decidi ir ao mercado. Precisava de fruta. Era impossível ter uma boa alimentação sem fruta e era essa a razão (dizia-me eu...) dos últimos desaires. Lá fui. Carreguei com um saco bem pesado para casa, tão pesado que tive de ir trocando de mão durante o caminho, que alternava com a do guarda-chuva, tarefa complicada, e chegada a casa faço o quê? Torradas!! Tanto vegetal, tanta fibra, tanta vitamina e tanto esforço e fui-me lambuzar com farinhas, fermentos e gorduras animais. Deos Christi!!! 
Hoje fui correr. Já foram tantas as vezes que comecei a correr e que depois parei que nem sei. Corro sempre pesada, com esforço. Corri uns 40 minutos, mas foram 40 minutos de moleza e peso. Quando corro para o metro sinto-me tão ágil (tem dias, claro), sinto-me uma velocista, mas nesta práticas semanais faço jogging e o que eu queria mesmo era fazer corrida. Sonhar por sonhar já agora ultra-trail (Acho fantástico o ultra-trail. Adorava ter a força de vontade para conquistar a resistência e a força física). Voltando ao meu passo de corrida, vou a trote e quero mesmo é ir a galope. Já melhorei em relação à última corrida, mas nunca chego ao estilo de uma rapariga loura que vi no outro dia a correr no parque - era o retrato vivo  dos meus sonhos de fitness a passar por mim!

Mas não é só o meu Eu-Mental que me derruba, o Eu-Físico anda pelas horas da morte. Listando partes do meu corpo que já não são o que eram e aquilo que me impossibilitam de fazer, então temos assim:
pulso direito - pinos (que saudades de um belo pino!...), rodadas, flexões, etc...
ombros - pontes (a última vez que tentei senti-me a rapariga da escola que não tem jeito nenhum para Educação Física)
cóccix - abdominais (há de outros géneros, mas uma pessoa preguiçosa gosta de os fazer sentada)
tendões das coxas (têm outro nome pela certa) - espargatas (não que faça muitas vezes, mas era uma coisa de que sentia algum orgulho, das laterais)
dedo grande do pé e vários dedos das mãos - coisas variadas

Com tudo isto, não consigo fazer aranhas, cambalhotas atrás, rodadas, etc. etc. E a vontade vai-se com a impossibilidade de fazer as coisas. 

Blá.blá, blá.... 

(não sei quem me lê, mas eu já nem me posso ouvir com tanta lamentação... Vou ver as minhas séries e coser roupa)

17 novembro 2012

ler

Criam-se tantas expectativas com o primeiro ano, com a iniciação no mundo da leitura e dos livros, e depois o mundo das letras revela-se um inferno familiar.
Não consigo lidar com o facto de ter uma filha incapaz, quando chega à leitura. Só consegue dizer disparates uns a seguir aos outros sem qualquer noção do que acabámos de repetir. Não tem memória, não tem esperteza, não tem raciocínio lógico, não tem intuição. É quase como se lhe estivesse a pedir para ler palavras em cirílico sem nunca lhe ter sido ensinado nada.
Sou capaz de lhe dizer 30 vezes "te" a apontar para a última sílaba de "tomate", fazê-la repetir o som, fazê-la repetir a frase "o som "T" mais o som "E" faz "te"" 10 vezes, e quando lhe peço para ler a palavra diz disparates como "tomame", "toma"... até "sapato" pode dizer.
Não consigo compreender que falha de raciocínio é que ela tem para a ajudar e acabo por passar três horas* ao lado dela, normalmente aos gritos e a esmurrar a mesa. 
Fico exasperada, frustrada, ansiosa, angustiada... Não sei como a hei de ajudar, gostava de não a frustrar, mas não consigo. Tento esquemas diferentes, imprimo quadros para divisões silábicas que eu mesmo invento, exercícios novos que penso que a vão ajudar no problema que detectei anteriormente e nada ajuda. 
Com isto percebo que nunca poderia fazer ensino doméstico e pergunto-me como conseguiria lidar com uma criança com atrasos. Talvez fosse diferente. Só podia ser. Se não não poderia ser mãe.
A escrever safa-se. Nos ditados corre tudo bem e mesmo no inventar frases e escrevê-las. A ler é que é o caos. O que é que faz com que um processo corra bem e outro, tão semelhante, não tenha linearidade nenhuma? Sei que tem de certeza uma relação com a falta de audição dela, mas não sei como. 
E depois, parece que não podemos dizer que a nossa filha é burra. Quando há um problema temos de aceitar que ele existe para tentar resolvê-lo. A minha família, com o amor que lhe tem, tem dificuldade em concordar comigo e não aceitar que ela tem dificuldades é permitir que essas mesmas dificuldades permaneçam.
Não podemos fazer-lhe os TPC porque ela está frustrada e chora e diz que a cabeça dela não é boa. É preciso insistir para ela fazer as coisas sozinha. E é nesta insistência que se estragam os finais e inícios de dia. Porque depois de 3 horas disto ainda é preciso limpar a casa, fazer o almoço, preparar um bolo para um lanche, arranjar a bicicleta, enviar mails, arrumar o escritório, lavar a loiça, aspirar a casa, escolher a roupa para lavar... de forma que o tempo passado em casa é uma espécie de escravatura doméstica. A única coisa que depois consigo fazer é ver filmes para ver se não penso em nada. Mas os choros e a frustração dela e os meus gritos nunca me saem da cabeça.

* E ainda só fizemos um quarto dos TPC...

08 novembro 2012

sapato do Papu

A Mariana aprende pelo método das 28 palavras. É um bom método, não digo que não. Mas esperava que quando ela fosse para a primeira classe eu revisse algumas das palavras com que aprendi a ler.
Aprendi com o Papu. O Papu 1 e depois o Papu 2. As primeiras frases/palavras eram: O pai do Papu. O pópó do papá. O pau. E depois vinha o D: O dói-dói no dedo. O dado. Dói o dedo do Papu. E depois vinha... já não me lembro, talvez um T. E por aí fora até ao Z: A Zita ficou com azia porque comeu muitas azeitonas. E ao lado um desenho de uma miúda com a cara verde ao pé de uma árvore. Por causa da Zita livrei-me sempre de comer muitas azeitonas,com medo da azia.
Mas voltando às 28 palavras... a primeira palavra foi menina, a segunda menino e depois uva. É muito difícil fazer palavras e  frases apenas com as letras destas palavras, daí que tendo espreitado o livro e percebido que a quarta palavra seria um maravilhoso sapato, ansiava pelo dia em que ela a aprendesse. Foi hoje. 
Com o sapato poderemos escrever e ler tantas coisas! Vai ser espectacular! Podemos deixar o nove, nave, a avó do Ivo e da Eva que ouve uma ave e vê um ió-ió.
Pato, sapato, sopa, povo, põe, mapa, papa, tapa, soma, toma, são, eu sei lá! É o mundo!

05 novembro 2012

Um Dó Li Tá

Tenho um problema de fidelidade extrema: quando inicio qualquer relação com alguém ou alguma instituição custa-me deixá-la.
Quando andava na ginástica mudei de classe várias vezes. A modalidade que eu queria mesmo praticar estava-me interdita (por mau comportamento), mas eu não consegui deixar o ginásio onde estava para ir à procura do que gostava. Fiquei no mesmo ginásio, durante anos, saltitando de classe em classe.
No secundário também não fui capaz de mudar de escola para uma onde os professores davam notas mais altas.
Quando arrendei a casa senti-me uma traidora a todos os visitantes interessados quando finalmente escolhi os inquilinos que lá iam ficar. 
Hoje sofro enormemente com o dilema de qual o empreiteiro escolher para as obras de casa: o referenciado? o mais barato (a diferença é mínima)? os que me pareceram mais à vontade com a obra? Sinto que os estou a trair a todos. 
Ainda por cima, como tenho visto o Downton Abbey de uma forma obsessiva, acabo por me sentir como o Lord Grantham a velar pelos seus criados: quero o melhor para eles, mas não posso permitir que a minha posição saia prejudicada.

04 novembro 2012

Hoje foi o dia

Preenchi algumas lacunas da minha existência como portuguesa, lisboeta e estudante de humanísticas: fui ao Museu Nacional de Arte Antiga. Vi à distância de dois palmos dos meus olhos os Biombos de Nambam, os Painéis de S. Vicente de Fora e a Custódia de Belém. Obrigado, dias de chuva anunciada, mas sem queda de precipitação.
Os Biombos de Nambam ficaram-me do tempo da Expo'98 e da Livraria do Pavilhão de Portugal. Todos os dias vendíamos cassetes da animação feita a partir das imagens dos biombos. Vendíamos postais, lenços, cadernos, etc, e e explicávamos em várias línguas o que eram os Biombos. As imagens rodearam-me durante imenso tempo, mesmo depois da Expo acabar, e sempre quis ver a origem daqueles desenhos. Vi. São mesmo engraçados. Não sei porque é que o Museu não vende puzzles com partes da imagem.
Os painéis de S. Vicente fazem parte da cultura portuguesa: o grande tríptico, o Nuno Gonçalves, é ou não é o Infante? Tinha de ir ver.
E a Custódia? Pois, sobre a Custódia, é a história de ter sido feita por Gil Vicente. Ainda me custa acreditar que o Gil Vicente além de dramaturgo fosse ourives, mas... Já muita tinta correu sobre o assunto e a tese de que ele é o ourives está bem defendida. Ainda assim faz-me confusão. Olhei para ela bem de perto e não vi lá nada do Gil Vicente dramaturgo, mas ele deveria saber separar o sagrado do profano quando era necessário.
Ainda deu para pôr os pézinhos no lindo jardim do Museu (espectacular!) e finalmente percebi onde vai dar aquela escadaria imponente e maravilhosa que se vê da 24 de Julho.
Foi um dia cheio de aprendizagem.
Como mãe e como estudante de teatro preenchi outra lacuna enorme: fui ao Museu da Marioneta! É giro, tem muitas marionetas, mas era bom que fosse mais interactivo, que se pudesse ver um bocadinho de teatro sem ser em vídeos de péssima qualidade. O espaço do convento é muito bonito, apesar de ter algumas partes velhas a precisar de restauro. Gostei também muito de ver os bonequinhos feitos pelas alunas da Ana Ventura.
Foi um dia a preencher lacunas. É bom. Nem sei há quantos anos me dizia a mim própria que tinha de ir ver estes dois museus. Hoje foi o dia!

29 outubro 2012

velhice

Mas como é que estou a chegar ao fim de Outubro e apenas postei uma vez?! E um desenho que eu não fiz, ainda por cima.
Não me acontece nada memorável? Não.
Não penso nada memorável? Talvez não.

Tenho andado com a cabeça em velhos e morte e o aumento dos anos de vida sem saúde. A eterna dúvida daqueles que se preocupam: quando é que se deve parar? Parar com as operações, com os comprimidos, com o arrastar de uma coisa que já não é viver e que não dá alegria a quem "vive" nem a quem o acompanha nessa luta. 
Já não sendo eu nova, os meus pais são-no muito menos e os meus avós... nem se fala. É difícil vê-los decair tanto.
Ainda este fim-de-semana, a primeira vez que vi o meu avô estava sentado na cozinha, depois atravessou o quintal com ajuda, esteve a ver televisão e depois foi para a cama. Dois dias depois já teve de ser levado ao colo para a maca para ir de ambulância para o lar. Parece que entre os dois dias distam dois meses. Que fiquei imenso tempo sem o ver e nem me apercebi da mudança. Mas foram só dois dias.
Quanto mais rápido melhor. Todos sabemos isso. Todos queremos isso - para aqueles que gostamos e para nós próprios. 
A vida não eterna, não tem de ser. Quando parar de tentar prolongá-la? 
Vejo como os meus pais lidam com a velhice e decadência dos meus avós e vou pensando o que irei fazer, com as minhas irmãs, quando chegar a altura de também nós termos de tomar decisões difíceis sobre os nossos pais.
Os nossos pais que deviam ser mais fortes, mais espertos que nós. Que deviam saber sempre o que é para fazer. O que é nós devíamos fazer. Apesar de moralmente e afectivamente se dever tomar conta dos pais quando eles precisam de nós, o melhor mesmo é que nunca precisem. E que nós possamos contar com eles sempre que precisarmos, Devia ser sempre assim. Inverter as coisas só dá confusão... e muita lágrima.

Beijos aos meus avós (todos: vivos e mortos), aos meus pais e às minhas maninhas, com quem partilharei num futuro longínquo muita angústia sobre este tema ao vivo.

04 outubro 2012

bicla para duas

Sempre quis uma fotografia dos nossos passeios quotidianos na bicicleta. Não o conseguia fazer, mas a Mariana resolveu o problema.

02 outubro 2012

Adios Muchachos

passado recente

À procura de um documento word com cerca de 7 anos dei por mim a abrir CD's de documentos que guardei quando o computador em casa dos meus pais foi para arranjar ou que gravei quando fui para a minha própria casa.
São as férias em Galayos, primeira introdução na escalada clássica, onde conheci uma pessoa espectacular que veio a falecer num acidente de montanha. Estamos lá todos: divertidos, cansados, a conhecermo-nos, a escalar vias com 400m e a chegar ao topo e ter cabras a passear ao lado. Fui ao estágio a pensar que ia ficar com dois amigos, mas mal chegámos disseram: Tens de ficar com o Bruno. Um bocado chateada lá fiz a cordada e no final do primeiro dia cantávamos juntos, ainda que afastados pelo que ainda me faltava escalar para chegar ao pé dele, uma música que agora não recordo.
Também estão lá as fotos de Guatemala, Antigua e tantos outros locais da Guatemala onde já nem lembro de ter passado. Antes da viagem tinha comprado uma câmara de filmar e passei o tempo agarrada a ela. Os meus companheiros de viagem fartaram-se de me ver com  a máquina na mão e preocupada por não haver electricidade para carregar a bateria, ou por ter medo de cair à água e estragá-la. Filmei 3 cassetes e editei apenas uma. O meu objectivo era transformar cada cassete de 60 minutos num filme de 25, para dar um total de 1h15, que eu achava suportável. Só editei uma cassete. Nunca cheguei nem aos templos Maias, nem às cascatas, nem, no último dia, o concerto de metal guatemalteco. Primeiro comprei o programa e instalei no tal computador que acabou por ser limpo, depois, quando fui para a minha casa não tinha computador; quando arranjei um computador fui comprar novamente o programa, tive de comprar uma memória e depois de tudo instalado deu-me uma preguiça enorme. Nunca mais editei nada.
Também lá estão planos de uma viagem a Moscovo; as mensagens de correio electrónico de um amigo polaco, Pzremek, que posteriormente reencontrei e com quem nunca mais troquei mails nenhuns (embora ainda tenha um CD de Myslovitz, do qual consigo cantar duas meias músicas); trabalhos do mestrado; o curso de formação de formadores; e Carlos Gardel.
Foi uma altura em que saquei muita coisa da net, havia um programa (ou servidor ou como isso se chama) que era o Satellite (acho..) e era a melhor coisa do mundo: escolhia as músicas que queria, desligava o computador e quando voltava a entrar na net (no tempo que era só por linha telefónica) já lá tinha as minhas músiquinhas. Muita música saquei eu naquela altura! E depois nunca mais. agora não o sei fazer, nem me disponho a aprender.
Enfim, deste regresso a um passado recente, gozo agora o prazer de ouvir a Adios muchachos.

28 setembro 2012

...

Estávamos no carro e eu explicava-lhe que vinha um amigo da mãe jantar a nossa casa. Que não era português, era de outro país e que não sabia falar a nossa língua.
- Oh, mas assim não posso conversar com ele.
- Ele sabe dizer e compreende algumas coisas.
- Sabe dizer "olá"?
- Sim.
- E "adeus"?
- Também.
- Está bem.
Com o conhecimento destas duas palavras seria possível ter uma conversa com princípio e fim. 
Continuei a falar do amigo: que ele há muitos anos tinha estado em Portugal...
- [entretida com os bonecos]
... que nós os dois  tínhamos ficado amigos nessa altura...
- [entretida com os bonecos]
 ....e que ele se tinha ido embora antes dela nascer. 
- É o meu pai? - pergunta ela de imediato.

Conclusão: qualquer pessoa que se tenha ido embora antes dela nascer é um pai em potência. Que fasquia tão baixa... e, infelizmente, tão verdadeira.

Irmã mais nova

A primeira lembrança que tenho da minha irmã mais nova é de quando fomos visitar a nossa mãe à maternidade, depois do seu nascimento. Fui com o meu pai, a minha irmã mais velha e os meus avós. Lembro-me de ficar muito contente de ver a minha mãe, e eu e a minha irmã mais velha deitámos ao lado dela na cama e ficámos radiantes por isso.
Depois foi trazido um bebé pequenino e todas as pessoas olharam para ele. Tiraram-lhe a fralda e tinha um cocózinho pequenino.
Acho que se não fosse o espanto que me causou não só o tamanho minúsculo daquele cocó, como o facto de constatar que os bebés também o faziam, não tinha nenhuma memória tão antiga da minha irmã.
Da pré-primária só tenho memórias da minha irmã mais nova, não da mais velha,o que é estranho, porque a diferença de idades é maior com a primeira. A história de que me lembro melhor não a vou contar aqui, principalmente depois de uma memória sobre cocó.
Agora, de vez em quando, a minha irmã mais nova também me espanta: cresceu muito, é uma adulta nos 30 e já não é mimada. Como a continuo a ver como irmã mais nova fico surpreendida com a sua responsabilidade, a disponibilidade dela para ajudar e a inteligência (é muito esperta, embora o esconda por baixo da timidez).
É uma excelente pessoa, um adulto exemplar, mas eu continuo, instintivamente, a ir buscar a mão dela quando atravessamos juntas a rua . 


27 setembro 2012

A escola nova

Desde o início do ano lectivo tenho encontrado cada vez mais conhecidos: desde colegas do secundário, universidade, amigos do bairro, do Bairro, dos treinos, e de amigos. É só distribuir "olás" e "como estás", sorrir para aqui e para ali e ficar surpreendida com cada reencontro com um passado. Além de tudo isto, ainda há o bónus de nas redondezas da escola encontrar outros conhecidos que não têm lá as suas crianças, mas moram ou trabalham por ali. Tem sido um fartote de cumprimentos. Ninguém é ou foi meu grande amigo, mas o estar rodeada de pessoas que conheço de longa data faz-me sentir mais em casa naquela escola. Pois sim, eu sei, não é a minha escola, não sou eu que estou a fazer a primária, mas, pela parte que me toca, estou a gostar muito desta ingressão no mundo escolar.

17 setembro 2012

o grito popular


Na manifestação começaram alguma letras de músicas conhecidas a surgir na minha cabeça: eram melodias e palavras soltas que não conseguia identificar com um título, nem sequer cantar.
Hoje de manhã as músicas continuavam a ainda a na cabeça e iam ganhando forma. Finalmente consegui ter ideia de umas frases e fiquei felicíssima, porque a letra da tal música que já trauteava há dois dias tinha imenso a ver com o que se passa agora e com o que eu queria dizer. Fui procurar na net e encontrei letra e música. Vi que havia uma palavra que eu tinha confundido ("dito" com "grito"). Não sei se gosto mais da minha versão ou da original.
Cá fica o karaoke.

DESESPERAR JAMAIS - Ivan Lins

Desesperar jamais
Aprendemos muito nesses anos
Afinal de contas não tem cabimento
Entregar o jogo no primeiro tempo
Nada de correr da raia*
Nada de morrer na praia
Nada! Nada! Nada de esquecer
No balanço de perdas e danos
Já tivemos muitos desenganos
Já tivemos muito que chorar
Mas agora, acho que chegou a hora
De fazer valer o dito
[grito] popular
Desesperar jamais
Cutucou por baixo, o de cima cai
Desesperar jamais
Cutucou com jeito, não levanta mais
Bras. Fam. Fugir de, evitar confronto, compromisso, dificuldade etc.

13 setembro 2012

1º dia

Hoje foi oficialmente o primeiro dia de aulas.
Ontem arrumei o material necessário na mochila, mais a caderneta do aluno, pus etiquetas com o nome dela nos materiais, consultei o horário, vi que tinha Educação Física, e então procurei umas calças de fato-treino e os ténis. Nada do material que levava era novo, exceptuando as folhas.
Hoje na escola estavam os pais todos de máquina em punho a fotografar os futuros estudantes a estrear a roupa nova: as meninas cheias de folhos, sandalinhas, saias, cai-cais, cabelos entrançados, mochilas de cores vivas, enfim.
A Mariana estava deslocada dos outros porque  parecia que iam todos assistir a um baptizado, menos ela; por outro lado, achei que os outros miúdos é que estavam deslocados - não há baptismo ali. Além do mais, na reunião do dia anterior tinham dito aos pais para as meninas não levarem saias para educação física, nem sandálias, nem roupa ou coisas com atilhos e fitas. 
Ainda assim senti-me na necessidade de justificar a falta de aprumo da pequena e perguntei a uma mãe: "Mas hoje não é Educação Física?". Ela respondeu que não, não neste primeiro dia de aulas, mas que todas as outras 5ª feiras será. Ah... Então era isso?... Pois, a deslocada sou eu, a única mãe que não ouviu que hoje não havia EF e levou a filha para o primeiro dia de aulas vestida como se fosse jogar à bola com os amigos.

De resto, ficou bem sentadinha, mesmo em frente à prof, para não ter problemas de audição, com um miúdo que a chamou para o lado dele. Tinham-se conhecido no recreio, 10 minutos antes, e já são colegas de carteira.

Ah, o número dela é o 13. Ainda bem que não sou supersticiosa.

12 setembro 2012

A minha crise



Financeiramente, a minha vida está sempre no limbo: aguento-me, mas os gastos são no limite do possível, muita contenção, muita marca branca e poucos luxos. Vive-se.

No entanto, assim que há ou um corte nas receitas ou um aumento das despesas, tudo muda, seja ele pequeno ou grande, temporário ou permanente.

Desta forma, umas vezes somos uma família remediada, outras somos umas miseráveis.

Nesta semana soube de um grande corte nas entradas (uma receita vital para a manutenção desta família), que espero que seja temporário, embora não saiba por quanto tempo.

Tudo isto para dizer que hoje, quando entrei no supermercado para as compras do mês, tive de pensar um bocado. Com o carrinho de compras ainda vazio, interroguei-me: faço as compras como se estivéssemos bem ou como se fôssemos miseráveis? Para não entrar num espírito de ruína total inspirado na Pearl S. Buck, que me assolou o ano passado e que me deixou de rastos muito tempo, pensei positivo, acalmei-me a mim própria dizendo que era apenas temporário e comecei a pôr coisas no carrinho como se houvesse amanhã. Ainda assim, uma réstia de angústia fez despontar uma lágrima entre as prateleiras de material escolar.

06 setembro 2012

cresci e já sei andar


Quando ficava mal-disposta ou vomitava e alguém me perguntava "O que é comeste?" achava sempre a questão era inútil: se já tinha vomitado, se já tinha acontecido, porquê querer saber?! O importante era melhorar, deitar-me, procurar um balde e um guardanapo.
Agora, mais velha, mais experiente, já sei que a comida tem uma influência enorme nas nossas vidas: há o que dá sono (cerveja à tarde num dia de sol), o que desperta (a segunda bica), o que faz borbulhas (chocolate, frutos secos, azeitonas, etc.), o que dá gases (adoçantes, fermentos em farinhas),o que é diurético (cerveja, chocolate, café, aveia); o que ajuda na digestão (tantas coisas, tal como o vinho...), etc. Ou seja, é bom saber o efeito que as coisas têm em nós, que é diferente do efeito que poderão ter noutra pessoa.
Entretanto cresci no sentido de evolução intelectual (eu, pelo menos, acredito que sim), assim, dei-me conta que não é só aos efeitos da comida que devemos dar importância, não é só sobre isso que nos devemos questionar "Porque é que isto me acontece?".
Sei que disse que cresci, mas foi há muito pouco tempo. Até sentir uma necessidade de saber porque é que a minha vida é está no estado em que está, porque é que me acontece isto e aquilo, porque é que estou sempre sozinha, porque é que tenho de largar certos grupos e certas pessoas, porque é que entrego trabalhos com erros que podiam ser evitados, ou seja, porque é que estou sempre a colocar-me em situações onde nunca quis estar, até sentir essa tal necessidade, não questionava nada: acontecia, estava acontecido. O que havia a fazer era melhorar a situação.
Mas tenho compreendido que a auto-questionação, a auto-análise, o auto-conhecimento são úteis: podemos evitar coisas que nos desgostam ou encaminharmo-nos para outras que nos deixam mais felizes. 
Se por um lado me irritam pessoas que estão sempre a dizer "Eu sou assim" ou que que passam a vida a remoer as situações passadas; por outro, sei que é bom conhecermo-nos a nós próprios, para podermos encaminharmo-nos para um destino que mais nos agrada.
É inteligente, quando cairmos, 1) olharmos para trás e vermos o buraco, para não tropeçar no mesmo sítio da próxima vez ou para ter mais atenção a outros buracos que possam surgir; ou, 2) se o problema não for no caminho, mas nosso, percebermos que é mais seguro correr com os atacadores apertados e tratar do assunto e continuar o passeio.
Acho que, por agora, estou no bom caminho/caminhada, embora não conheça o destino.

04 setembro 2012

Rotina, chegámos!

A escola nova, a professora nova, os amigos novos e a nova forma de estar na escola causaram algum nervosismo à pequena criança que em breve será uma leitora certificada. No entanto, o desconforto não foi muito e à tarde, quando a fui buscar, ainda queria ficar lá mais tempo.
Na rotina também há sempre "papéis": papéis que alguém precisa e que nós temos que ir pedir a outro alguém noutro lado. Regra geral o "outro alguém" nunca ouviu falar do papel que nos pediram nem faz a mínima ideia da utilidade que tal coisa possa ter. Com alguma insistência nossa conseguimos um papel. Levamos o papel ao primeiro alguém que diz imediatamente que não era aquele papel que queria mas, depois de alguma explicação sobre a informação nele contida, declara que vai ver o que pode fazer e que se é só esse papel que arranjámos então que terá de dar. Isto ontem, para a escola dela; porque hoje, para a minha escola, mais papéis, mais "nunca ouvi falar em tal coisa, vou ter de falar com a Lurdes [ontem foi a Anabela que forneceu a solução]".
Pronto, agora é só preencher os papéis, entregá-los e acho que podemos ir à nossa vida como normal.

22 agosto 2012

Férias - parte III


Um projecto realizado: ir de Lisboa (Tróia, mais precisamente) a Tavira de bicicleta.

Foi uma prova dura e é disso que tenho mais pena: que não tenha sido um passeio. Tenho de treinar para que no próximo consiga desfrutar mais e sofrer menos com dores. Mas adorei pedalar durante 6 dias, ver um novo Algarve que eu desconheço (tanto o que não gostei como o que gostei). Em Albufeira, do mais turístico que há, regozijo-me em ter usado as escadas rolantes que levam as pessoas de e para a praia, com a bicicleta. Subir com a bicicleta na escada rolante é entrar totalmente no espírito ALLgarve.
Gostei do Carvoeiro, de Salema, apesar das subidas assassinas.
Gostei dos bocadinhos de ecovia de terra batida.
Gostei de sentir que estava a fazer uma coisa diferente (embora seja igual à de muitos outros, mas é um grupo onde gosto de me sentir igual).
Gostei da noitada de assistência ao karaoke na primeira noite em S. Torpes, que nos deu repertório para o resto da viagem.
Gostei da sensação de "Verão Azul" em todas as descidas vertiginosas com o bocal do camelbag a trepidar por causa da velocidade.
Gostei de pedalar à noite ao longo da albufeira da Ribeira de Odiáxere e também na estrada de Pedralva a Budens, enquanto cantava a Maria da Fonte, precisando-me nos versos "E àquela hora por ela marcada de noite ou de dia/ O Chico da Nora na encruzilhada esperava a Maria" sabendo que o meu companheiro de viagem haveria de estar à minha espera mais à frente.
 

Gostei de muita coisa, quero gostar mais vezes.
Bicla, aguenta-te, que aí vou eu!!!
 
 

     Eu lá ao fundo, vitoriosa, no Cabo Sardão.

 

01 agosto 2012

6 aninhos

Ainda antes do dia começar, um pesadelo em que me esquecia da minha criancinha numa festa ou num sítio qualquer (sonhos são coisas vagas e não me lembro muito dos pormenores). Só me lembro que me esqueci da filha e voltei para trás à procura dela, a perguntar por ela e com um sentimento de culpa enorme (como é que foi possível esquecer-me da Miúda-Espectáculo?!). Felizmente foi um pesadelo e assim que acordei vi-a deitada no chão da sala (é onde gosta de dormir agora e eu nem discuto essas coisas em férias), com a caixa de Legos, oferecida no dia anterior ao aniversário, rodeada de construções de casas, oficinas, carros e gatos.
Fui fazer o bolo para cantar os parabéns e quando ouvi remexer espreitei a sala: assim que se levantou foi brincar com os Legos. Fiquei mesmo contente por ter oferecido uma coisa de que ela gosta.
Depois foi o cinema, Madagáscar, num Londres gelado (para a próxima tenho de perguntar se têm mantinhas para emprestar durante a sessão, porque é muito, muito frio) e saída apressada para ir buscar a comida, para ir depois apanhar uma amiga, para depois chegarmos à festa apenas meia-hora atrasadas, mas as primeiras, como habitual.
Saídas do carro mostrei nova prenda: TROTINETE!!!
Há tanto tempo que ela falava na trotinete, que lhe quis oferecer. Tinha receio que fosse algo só momentâneo, mas, apesar de ter passado pouco tempo, já me apercebi que é uma prenda que a faz feliz. Feliz é pouco: eufórica! Canta, fala, diz "a minha mãe querida" e desliza e ondula pelo passeio e pela estrada com um enorme sorriso, que contagia qualquer um por quem ela passa. É um expansivo contagiante.
No lanche, muitos amigos, mais adultos que crianças, mas é o que se arranja, e o que se arranjou foi um grupo de pessoas que gosta muito dela.
Chegámos tarde a casa e ela acabou por adormecer na varanda, tapada com um pano, ao lado de um boneco. Fofinha...
E eu tenho cada dia mais a certeza de que ela é mesmo espectacular.

20 julho 2012

...

Vim só deixar mais umas fotos dos últimos treinos de bicicleta. Ja não vai haver mais. É daquelas coisas que não dá para fazer com uma criança de 5 anos. Mas ela há-de crescer e ganhar-lhe o gosto, pelo menos gosta de andar atrás na bicicleta.
O que tenho tentado aprender com ela é esta alegria por tudo, a felicidade das pequenas coisas, a satisfação do convívio com todas as pessoas.
Ontem ficámos penduradas: uma amiga que vinha jantar cá a casa não veio e cancelou em cima da hora marcada. Eu passei a manhã a limpar a casa, fui depois às compras, trouxe tudo para casa, não combinei outras coisas com outras pessoas, e no fim fico com um jantar vegetariano e uma garrafa de lambrusco fresquinha por abrir. Por acaso, acabei por encontrar outras pessoas e diverti-me bastante, mas não consigo deixar de me sentir abandonada.
Avisei a miúda de que afinal a Marta não ia lá a casa jantar. Ela disse que queria falar com a Marta e perguntar onde é que ela estava. Ao que eu respondi que poderia falar no dia seguinte e que lhe poderia contar que que tinha ficado triste e chateada e por ela ter faltado ao jantar. Ao que a miúda contrapõe: Só estou triste, chateada não. Gostava de também ser assim, de remoer menos as chatices. Enfim... estou a aprender com a melhor professora.

16 julho 2012

férias - 1ª parte

Cerca de 10 dias de solteira (sem "mãe" a anteceder o título) e houve um regresso avassalador a esse pré-estado da minha vida actual.
Apercebi-me que a minha filha me faz imensa falta para a minha sanidade mental. Sem ela não consegui trabalhar nada, foi só diversão, diversão, diversão. A cidade está toda em modo de diversão, com concertos gratuitos por todo lado, barraquinhas de cerveja por todo lado, amigos por todo lado e novos amigos no espaço livre.
Foi um regresso ao forrobodó e à vida de estróina, que só foi possível depois de um grande processo de mentalização, em que repetia incessantemente a mim mesma "estou de férias, estou de férias, estou de férias" para afastar o sentimento de desleixo académico.
Compreendi que a vida de boémia não é compatível com outras actividades e que é por isso mesmo que os boémios têm de ter um certo estatuto económico, pois é difícil trabalhar após noites de bailaricos e conversas intermináveis sobre tudo e coisa nenhuma.
No meio de tanta farra noctívaga ainda houve tempo para o desporto: caminhadas, escalada e bicicleta. E devo dizer que foram estas actividades exigentes fisicamente, aliadas a actividades exigentes socialmente que me demoveram totalmente dos estudos.
Hoje, quebrado este pequeno interlúdio, cá voltei às leituras, nets e minutas.

13 julho 2012

hola

Há agora na TV portuguesa um anúncio a desodorizante falado em espanhol. Primeiro não reparamos que não é em português; depois, quando ouvimos o espanhol parece que será um filme; de seguida, quando nos apercebemos que é um anúncio, há uma sensação de viagem como se estivéssemos a descansar numa bomba de gasolina a caminho dos Pirinéus; quando damos pelas legendas em português é o pior: estamos num Portugal colonizado em que o português é a segunda língua.
Que raio é isto? Como é que a alta autoridade para televisão permite uma coisa destas? Será que isto vai ser o normal?
Eu já andava chateada com a Kellogs, onde o português nas caixas de cereais quase não se nota, mas na televisão?... Puta madre!

06 julho 2012

Areeiro - Guincho - Areeiro


Ontem foi um dia excepcional em que decidi fazer uma coisa que me parecia loucura e para a qual achava que não tinha estofo: 84km de bicicleta!!! Mal consigo acreditar que ainda há poucos dias achava que 20km era muito. Obviamente estou muito cansada, com um escaldão e uma dor de cabeça por causa do sol a mais, mas só o ter conseguido sem treinos me leva a acreditar que o passeio até ao Algarve não há-de ser assim tão terrível.

Ainda é preciso ganhar calo no rabo e habituar os joelhos, que também estão um pouco ressentidos.

O caminho até lá é muito bom e na zona em que tinha mais dúvidas sobre como se ia foi quando correu melhor. Depois de Algés julgava que era meter-me nos passeios marítimos, no paredão, etc., mas só lá é que soube que tudo isso está interdito a bicicleta (dois polícias de bicicleta vieram ter comigo, eu pensei que me iam dizer "se precisar de alguma coisa diga" ou "a viagem está a correr bem?", mas não), de maneira que fui pelo passeio junto à marginal e às vezes pela estrada.

A chegada ao Guincho foi dolorosa: estava um vento contra que só me fazia arrepender da ideia de ter estendido o meu projecto inicial (Cascais) até ao Guincho. A recompensa final seria uma banhinho na praia, mesmo que estivesse vento. Só que vento era tão forte que ainda antes de se chegar à areia já estava a ser atacada por grãos de areia atirados a alta velocidade contra a minha cara. Acabei por ficar na esplanada a ler um livro. Ainda pensei no mergulho, mas já tremia quando pus os pés na areia e, como já se fazia tarde, decidi regressar.

O regresso foi puxado. Tinha um encontro combinado às 20h30 e então foi mesmo contra-relógio. Ao subir a Almirante Reis estava tão cansada que cada vez que punha as pernas no chão elas tremiam e eu achava que ainda caía a fazer uma coisa tão básica como andar.

Despachei-me em 10 minutos e fui ter coma minha amiga. Sentada numa poltrona parecia que rabo latejava ou que assento tinha qualquer coisa por baixo (era só o esforço a fazer-se sentir).

Foto 1. Praia de Algés
Foto 2. Estrada do Guincho

03 julho 2012

Lisboa - Tavira

Primeiro treino para as férias: 16,8km de bicicleta em Lisboa. Primeiro fomos ao hospital, depois fui deixar a miúda à escola, depois fui até à Baixa para comprar artigos indispensáveis: selim de gel, luvas de gel, calções com gel e uma luzinha para a dianteira; de seguida achei que era boa ideia regressar a casa pelo rio (a ideia não foi assim tão boa, porque a zona até Santa Apolónia é feia) e depois subir a Mouzinho de Albuquerque até à Paiva Couceiro (puxa!) e depois mais um pouco até casa. Cansei-me. Mas vale a pena. Não há nada como estar e andar na rua para encontrar pessoas: um café combinado, mais três encontros fortuitos para se trocar as idades das crianças (a minha tem 5, a minha tem 7, o meu tem 2).
Tenho a certeza de que este meu investimento (moral) na bicicleta vai render.
E gosto tanto de ser peão ou automóvel, conforme me dá jeito, e passar nos vermelhos todos. Não preciso de parar, a não ser em cruzamentos. Um espectáculo!
Enfim, estes 16km ainda estão muito longe dos 500km que me proponho pedalar em Agosto, mas tenho fé (e além da fé, muito importante, tenho tempo).
Um projecto tão antigo e só agora, quase aos 40 é que anda para a frente. Começo agora e depois já ninguém me tira o gosto e daqui a uns tempos, atravessarei países sobre o meu selim de gel: Hola! Bonjour! Hallo! Czesc! Vai tudo a eito!
 
(esta alegria espatafúrdia também se deve muito ao facto de o semestre ter terminado e já não ter nem prazos, nem trabalhos para cumprir. Ainda não estou de férias, mas é como se estivesse)
 

28 junho 2012

Porque às vezes também me dá para cozinhar.

E para cozinhar experiências ainda mais vezes. Normalmente como tudo sozinha.
A foto é tapioca. Ainda não faço bem, mas já percebi que mesmo bom é tudo o que é parecido com arroz doce: tira-se o arroz e mete-se tapioca, carolo de milho, aletria ou sabe-se lá mais o quê. O bom é o leite cozido, com açucar, gema de ovo, canela por cima e qualquer coisa que o torne pastoso.
Também gosto muito de um creme de custard: leva pau de canela e casca de limão, cozida em leite, manteiga, e o pó milagroso que torna tudo pastoso e faz com que seja possível comer estas maravilhas à colher.
Ah... Mnham! Mnham!

26 junho 2012

está quase!

Adoro o fim do ano lectivo. É o fim de tanta coisa:

- de ter de me lembrar de levar o bibe na 6ª, para devolvê-lo lavado na 2ª; de ter de me lembrar dos dias em que é ginástica para pôr calças de fato treino; ter de me lembrar de levar o boné para escola por causa do sol

- de entrar em stress 20 minutos depois de acordar porque já sei que vamos chegar atrasadas;

- de andar a correr da terapia para a escola e vice-versa;

- de preencher papéis seja para o que for: passe, SS, hospital, finanças, médico de família, FCT, etc;

- de às 22h perder a paciência porque sei que no dia seguinte de manhã a vou perder outra vez (ver o primeiro ponto);

- ansiar pelo fim de semana para o repouso mental;

- ter trabalhos para fazer, entregar, prazos... stress, stress, stress

- sentir-me um burro de carga à 6ª feira com os "trabalhos" feitos por ela durante a semana.

Obrigado, Fim-de-ano-lectivo!

 

E a melhor parte é que ainda posso largar a miúda na escola durante mais umas semanas e ter tempo para fazer o que me apetece (e preciso) durante a semana: uns filmes, umas corridas, umas leituras, umas escaladas... eh! eh!

20 junho 2012

feijões


Fui correr hoje, coisa que já não fazia há duas semanas. As festas e os trabalhos, mais os amigos que vêm do estrangeiro tiraram-me o tempo disponível para a corrida.

Mas agora, na fase final dos trabalhos, resolvi calçar os ténis para descansar de tanto computador.

Durante a meia hora que corro sinto-me como um frasco de feijões, que depois de o enchermos, se batermos com o fundo do frasco no tampo da cozinha, os feijões organizam-se, encaixam uns nos outros, acabando por arranjar espaço para arrumar mais uns feijões.

Quando corro sinto que a cada passada as minhas ideias se organizam, arrumam e encaixam umas nas outras, abrindo espaço para mais outras que acabarão por tornar o meu projecto final de seminário (= frasco de feijões) num trabalho mais completo e entrosado consigo mesmo.

Enquanto corro consigo pensar no séc. XVIII e em requerimentos e documentos, manuscritos, edições e traduções, locais de espectáculos, actores, empresários e assentos de nascimento e óbito sem interrupções; contrariamente, em frente ao computador, num texto word com todas estas palavras escritas por ali, consigo pensar no que vou fazer 6ª e na 5ª, e na bicicleta e nas futuras obras em casa, e na Segurança Social (essa sacana!), em escalada, espectáculos que quero ver, organização das férias, a crónica e crescente falta de dinheiro, o que me apetece comer e o que devia comer, e tantas outras coisas.

Faz-me pensar que deveria correr com um pequeno gravador onde fosse depositando todas as ideias maravilhosas que despontam na minha cabeça a cada passada.

14 junho 2012

aconteceu

Foi hoje.

Foi hoje o dia em que a Mariana largou a bomba emocional que eu receio desde que ela nasceu, e mesmo antes.

Estávamos a chegar à escola hoje de manhã, ela vê uma colega e comenta: "Mãe, é a Rita. Ela vem com o pai dela. Porque é que eu não tenho pai?".

Só consegui responder "Não tens. Tens mãe." Continuámos a andar e de seguida o assunto já era outro - o Pedro hoje já ia à escola. Passado um bocado, regressa ao tema: "A Diana não tem pai nem mãe - tem uma professora. E o André também não tem pai - o Zé não é o pai dele." Peguei nesta deixa e disse: "Pois, o pai do André é o Bruno, lembras-te? Mas foi-se embora. Às vezes os pais vão-se embora." Mas não consegui dizer mais nada: que ela também tem um pai, que tem um nome, que se foi embora quando ela estava para nascer, que é uma pessoa que existe e anda para aí de uma lado para o outro, mas que a evita a ela.

O que posso atestar é que ela fez a pergunta temida e eu sobrevivi. Fiquei tensa. Não respondi, é certo, e tenho de responder. Tenho de dizer mais coisas. Tenho de atribuir um nome a essa entidade. Eu sobrevivi, mas queria que a minha resposta a tivesse assegurado de que ela não tem culpa nenhuma pela situação, que não a fizesse sentir-se abandonada; que não lhe criasse expectativas sobre a possibilidade de encontrar uma pessoa que existe, ou sobre a possibilidade de também ela ter um pai; queria que ela soubesse que é amada e acarinhada por toda a gente que a conhece, e que essas pessoas é que interessam; queria que "não ter pai" não lhe fizesse mossa, que não fosse um problema ou uma tristeza. Queria ter dado uma resposta onde tudo isto ficasse dito para sempre, mas não consegui dizer nada.

Só este ano é que ela ficou a saber o último apelido e foi na escola. Um dia contou-me: "Eu lá na escola também sou Sót." - não percebi à primeira - "Mariana  Sót." Quando compreendi tive a minha não-reacção costumeira: "Pois é". E também não lhe expliquei de onde vinha aquele "Sót", quem lho tinha posto. Não sabe pronunciar bem, mas gosta de o escrever de vez em quando.

Parecendo tudo correr tão bem e tão serenamente, vendo-a sempre bem disposta e sorridente no meio destas perguntas e (não)respostas, não sei porque me vêm sempre lágrimas aos olhos quando relembro a voz dela perguntar descontraidamente: "Mãe, porque é que eu não tenho pai?".

12 junho 2012

remédio santo

Hoje é que foi o grande dia da libertação aduaneira: tornei-me totalmente legal. Sou transparente. Declaro todo e qualquer rendimento que tenho. Já vou poder dormir descansada sem ter medo que um dia venha alguém à procura de rendimentos não declarados, ou uma assustadora carta registada da nova entidade - Autoridade Aduaneira - que me leve todas as poupanças. O que há para levar levam já. Acredito que vou deixar de ter dores nas costas. Se calhar até perco a tendinite! Uhu! Sim, porque eu sei como as preocupações, os medos, as ânsias e as angústias nos enxovalham, encurvam e "arterosclerosam". Declarar tudo, e para isso pagar impostos de selo e coimas, é o melhor analgésico anti-reumatismal. A partir de hoje vou correr a 15km/h, escalar sem medos e até vou poder fazer uma elevação sem estragar os ombros. Sim, eu sei-o! Eu sinto-o! Sinto-me curada. Um pouco mais pobre, mas...

Ah, Finanças, Finanças, se soubessem o bem que me fazem por ausência do mal que me podem fazer...

 

06 junho 2012

alugar casa

A minha irmã tem a casa para alugar. Hoje achei boa ideia mostrar o prédio (não tinha a chave) a uma amiga que tinha divulgado o mail da casa a duas pessoas. Combinámos ir as duas juntas, passarmos pela escola da miúda, depois pela casa e finalizar num gelado.
Como estávamos à porta da escola, resolvi fazer o corta-mato e fomos pelas traseiras. Para além de montes de entulho, cheiro a mijo e dejectos canídeos, apareceu um bêbado/drogado que abraçou a  minha filha e não a largou mesmo quando eu gritei "Larga!". Nem sequer a largou quando lhe comecei a dar murros nas costas. Tentei dar-lhe um pontapé, mas como tinha o portátil, mais um livro de 600 páginas e outros apetrechos, num total de 13 kg ao ombro, não lhe acertei. Além disso, tinha na mão saudável um livro infantil e o casaco da criança, de sorte que apenas com a mão com tendinite e um dedo partido é que lhe consegui acertar, o que pelos vistos não o incomodava muito. Continuei até dizer palavrões. Largou-a e depois olhou-me com cara de porquê-tanto-histerismo ao que eu respondi "Ninguém agarra a minha filha, cabrão" e ele pasmou "Ah, é filha? Julgava que era filho." A minha amiga ficou em choque.
Resultado, acho que a casa perdeu dois interessados.
Moral da história: ao mostrar casas ir sempre pelo caminho principal.

30 maio 2012

frutas e legumes

Vem aí um novo piquenique do Continente com a esfarrapada desculpa de que estão a incentivar a produção nacional. Mas não estão e estão a enganar as pessoas. No Continente, na secção de legumes, há muitas bandeiras nacionais e imagens de cartazes de "sim aos produtos nacionais", mas quando vamos ver a origem dos legumes apanhamos surpresas extarodinárias com os legumes mais banais: feijão-verde de marrocos, tomate da argentina, batata de frança, pepino quase sempre espanhol e nem sei mais o quê. É incrível!  Quando lá vou, os únicos legumes que consigo trazer costumam ser couves, espinafres, beringelas, nabos, e outras pequenas coisas.
Na fruta é a parvoíce de sempre, que nem sei como persiste, dada a máqualidade da fruta espanhola. E existe coisa mais estúpida que comprar melancias e meloas espanholas?! Não sabem a nada! Têm cores e brilham no escuro (que bonito!) mas não sabem a nada. A única fruta portuguesa são a pêra rocha, alguns tipos de maçã, banana da madeira e cerejas do fundão. Os kiwis portugueses são bons, não vale a pena ir buscá-los à nova zelândia. Quanto às bananas, mangas, abacates, goiaba e etc., naturalmente que não se pode exigir que seja um fruto nacional.
Outra questão sobre a origem dos produtos prende-se com a pegada ecológica: muitos deles vêm de avião e o avião é das coisas mais poluentes que há. A partir do momento em que são produtos facilmente pereciveis é lógico pensar-se que eles vêm de avião (ou então será de barco em arcas frigoríficas, transformando-os em pequenas experiências científicas com aspecto de fruta, sem sabor, que se transformam em lares de bactérias em poucos dias?). Seja como for, é evitar ao máximo comprar produtos de outros continentes.
Querer ser-se saudável comendo legumes e frutas ao mesmo tempo que se mata sem (peso na) consciência um planeta (por sinal o único em que podemos viver)  é paradoxal.
Vá, vamos ser comedores sustentáveis e não acreditar nos cartazes gigantes do continente (ver sempre a origem, que esses maganos querem enganar a malta. É piqueniques e concertos para fazer de conta que a vida é uma festa patrocinada por eles, mas estão a ajudar a enterrar este país).
Sim, porque neste momento de crise, também é importante darmos o nosso contributo ao nosso país de outra forma que não sejam impostos: podemos contribuir para melhor a actividade agrícola incentivando a produção nacional. Desta forma os agricultores, os produtores e os distribuidores terão melhores condições de vida e, cá para mim, um país com um forte sector agrícola é um país muito mais verde, muito mais cheiroso, muito mais bonito.

25 maio 2012

o medo do imposto

Será que algum dia vou conseguir preencher a declaração de IRS sem recear que o senhor de pasta preta me venha bater à porta 5 anos depois e levar-me todo o meu dinheiro e obrigar-me a pedir emprestado para pagar juros sobre um erro que cometi?
Parece-me cada vez mais fácil preencher, mas tenho sempre tanto medo. Quero ser a pessoa mais limpa e transparente, mas mesmo assim carregar no "submeter" é tão assustador.
Gostava de ter muito dinheiro, para não ter de me preocupar com multas. Já agora com o dia-a-dia: a casa, a eterna indecisão sobre o passe (sai mais barato ou mais fica igual a andar de carro?), conseguiria pagar TVcabo?, faço desporto duas ou uma vez por semana?, a Marianita vai ter ginástica? e etc, etc, etc.
- Ó IRS, multas não, por favor!
Seria o meu dinheiro mais mal gasto...

17 maio 2012

emoções

Hoje vi o vídeo Tsunami caught on camera. É horrível, triste - há uma sério de situações dramáticas, de limite, das quais temos conhecimento através dos depoimentos e que nos fazem questionar as nossas próprias acções no mesmo contexto. Não sou capaz de pensar "se eu estivesse lá será que teria achado estranho não haver água e ia-me embora? será que tinha ido espreitar como estava a praia depois da primeira onda? será que me tinha conseguido agarrar a alguma coisa? será que tinha ajudado alguém? será que conseguia não largar a minha filha? como viveria depois de uma experiência assim?". E então começo a imaginar, o mais realisticamente que consigo, mas chega a uma parte que não quero imaginar mais. É demasiado triste. Nem num "suponhamos" vale a pena experimentar certas coisas.

Por vezes apetecia-me ter um leque mais largo de emoções, ter vivenciado momentos para além da banalidade, mas noutras alturas a banalidade é o melhor que há, o mais reconfortante. E uma boa banalidade, quase limitada ao que de mais animal há em nós, é um sonho cor-de-rosa cheio de emoções: crescer, criar família, morrer.

11 maio 2012

arbitrariedade

Lembro-me sempre do Sassetti, num concerto que deu na Culturgest - um palco enorme e ele meio de costas para o público, a tocar o tempo todo e ainda assim conseguiu ser super-comunicativo: rimos bastante. Adorei o concerto e a ele. Fiquei sempre com a ideia de que era uma pessoa divertida, simpática e alegre.

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Há pessoas que simplesmente não conseguem ser felizes. Para quem está sempre tudo mal, que preferiam estar noutro sítio, ter feito outras coisas, que qualquer boa notícia é abafada por um probleminha do quotidiano. É uma incapacidade muito triste, muito angustiante. Principalmente quando ser feliz é fácil. Parece quase uma opção - a felicidade. Há quem tenha problemas sérios, por exemplo de saúde, que são os mais difíceis de ultrapassar, e que continuam sorridentes e alegram as pessoas que as rodeiam.

Outras, acabrunhadas, metidas consigo mesmas, achando que tudo podia ser melhor, que nunca se está bem, não conseguem aproveitar as companhias, tornam-se chatas e feias por causa do azedume e da contínua insatisfação, como se alguém e tudo estivesse sempre em dívida. Depois ficam sós porque não têm piada. E depois de estarem sós ficam tristes, e depois é difícil ter piada quando se está triste e tornam-se azedas e afastam as pessoas, e depois disso só lhes resta serem ainda mais sós, feias, azedas e tristes. É uma horrível pescadinha de rabo na boca.

Como se perde ou ganha essa capacidade de ser feliz? Em criança todos somos, mas há uma altura em que a felicidade se torna uma coisa consciente e aí conseguimos perceber se somos ou não somos (não é "estar feliz", mas sim "ser feliz": a felicidade não é um estado é uma característica). Acontece algum trauma que impossibilita a felicidade de entrar, que inabilita a capacidade de retirar satisfação do que nos rodeia?

07 maio 2012

flores

Pensei correr hoje, mas com chuva não. Entretanto deixo aqui a imagem de umas flores que apanhei nas últimas corridas. Gosto imenso de correr no meio destas flores silvestres. Há muitas outras, também bonitas, mas com picos. E papoilas, giestas e todas as ervas que fazem parte do campo. Só é pena ouvir os carros em certos momentos do percurso.
Uma outra coisa que adoro é quando de repente aparece o Tejo. Adoro este rio. É demasiado grande para se travar uma relação de intimidade, mas é omnipresente e faculdade que ele tem de aparecer nos locais mais inesperados da cidade é a característica que mais aprecio.
 
 

25 abril 2012

feriado chuvoso

Coisas boas de um feriado chuvoso:
1) confirmar que as janelas não deixam entrar água;
2) fazer um bolo de sementes de papoila.
 
Coisas más:
1) comer um bolo inteiro de sementes de papoila;
2) não poder ir correr para desmoer o bolo.

22 abril 2012

...

A minha primeira foto do telemóvel no computador. A qualidade não é grande, mas o esforço e o trabalho que me deu a seguir todos os passos para a conseguir cá pôr foram gigantescos.
Aqui fica um registo de um passeio na Ria Formosa na altura do Natal

20 abril 2012

crista da onda

As ondas e as fases são uma coisa do piorio. Tão depressa se está na crista da onda a curtir o vento e o sol, como somos engolidos lá para baixo e andamos num turbilhão a raspar na areia, às voltas, sem saber onde é para cima e é para baixo, a bater os pés e a dar aos braços freneticamente à espera de pôr a cabeça novamente à tona e respirar o ar que tanto nos falta.
Depois de uns dias na crista da onda, ando agora num turbilhão, às voltas, completamente embrulhada. Consigo ficar dias inteiros em casa sem adiantar grande coisa no trabalho, reduzi as corridas, hoje está sol e não me apetece correr, digo então a mim própria que tenho de trabalhar e fico por casa. Ontem à noite não arranjei companhia para sair. Fiquei em casa sozinha e disse: vai trabalhar! Não fui - vi televisão até tarde. Depois fui para a cama e disse: Lê um livro! Mas não li - fiquei a olhar para o tecto a pensar que desperdiço tempo útil. Hoje acordei cedo e disse: Vai trabalhar! E ainda não fui: lamento-me em público.
Crista da onda, onde estás?

14 abril 2012

36

A Primavera está quase a chegar a minha casa: consigo ver os botões de pequenas flores prontas a desabrochar nas minhas kalenchoe (que tiveram ambas de ser cortadas, uma por ataque de formigas outra de “bolor”). Parece que recuperam e que vão florir. Nos coentros Ikea começam também a despontar as primeiras folhas recortadas, mas continuam inodoros.

Em termos de lavoures, consegui terminar a primeira fase das perneiras da sobrinha, mas ainda falta coser e acho que isso será complicado. Ando também com vontade de voltar à máquina de costura.Continuo encantada com o café de mistura moído na loja: uma com 20% café e outra com 50%. Desde que os comprei que o outro, já moído e de pacote, ficou de lado. Quando penso nele quase pressinto uma dor de cabeça.

Nesta entrada na fuga aos produtos mais plastificados desisti do molho bechamel em pacote (é fácil de fazer e sabe muito melhor, mas muito melhor), também deixei a carne congelada (que já era pouquíssima, quase nula) e quando acho que devemos comer carne passo pelo talho. A mercearia também tem sido mais frequentada e sempre com a compra de produtos nacionais.

A vida saudável, além da comida de melhor qualidade, também se faz com desporto. Para além dos treinos, tenho conseguido correr duas vezes por semana, 1h cada corrida.

Sei que tudo isto só é possível porque não tenho um trabalho com horário fixo. Durante anos desejei isto tudo, mas só a disponibilidade de tempo e da cabeça permitem que uma pessoa se entregue a estes pequenos prazeres e afazeres da vida de forma leve e contínua. Gosto da vida assim e gostava até de ser mais radical em cada uma das coisas: ter mais horta, costurar melhor, fazer camisolas em tricot, só ir ao mercado, correr mais tempo e mais vezes. Mas sei que há uma parte do tempo que tem de ser gasto com o estudo, porque esse é o meu trabalho e o meu compromisso agora. Quero fazer uma pesquisa, que resulte numa boa tese, bem fundamentada, explicada... Numa palavra: genial. Para isso as pequenas tarefas que me deixam mais feliz contribuem, mas é necessário gerir também o tempo de estudo e pesquisa, planear cada semana de trabalho, de forma a que seja produtiva e útil. Tudo deve ficar bem anotado, para não precisar de ser confirmado, para não ser necessário voltar atrás.

Sempre fui um bocado "8 ou 80" e sempre me foi difícil chegar ao 36 e manter-me lá. Este ano, com 36 há já algum tempo, parece que tenho conseguido, mas vou sempre com receio de descambar ou nos afazeres domésticos prazerosos ou no estudo intenso. Tenho 4 anos para ter o melhor de dois mundos: espero conseguir com resultados óptimos em cada um deles.

13 abril 2012

Hoje

I. Corri à chuva. Chuvinha fraca, por isso foi bom. Aos anos que não corria à chuva. É bom sentir as gotas a cair na cara e ficar ensopada. No ciclo e no liceu ficávamos encharcadas cada vez que chovia - punhamos-nos debaixo das goteiras para levar com a água com força na cabeça; subíamos escadas que pareciam pequenas cascatas, para ficar com os pés encharcados; e, ao atravessar a Praça de Espanha (que se tornava um lago), colocávamo-nos no sítio exacto onde apanhávamos em cheio com a água que os carros faziam saltar da berma. Hoje foram só umas gotinhas de nada, comparado com estes duches, mas teve qualquer coisa de regresso ao passado.
II. Apesar de gostar muito do meu BI e sentir pena por um dia passar para o CC, a verdade é que com o tempo a pena vai diminuindo e de vez em quando já anseio pelo dia 9/8/14, em que expira a validade do BI, e me livrarei do cartão de saúde, do cartão de eleitor, da segurança social, das finanças e da carta de condução. Podiam também arranjar um cartão único para lojas e juntar lá o Ikea, Decathlon, Pó dos Livros, Galp, e sei lá que mais. E já agora outro cartão único de investigação universitária onde se punha o cartão da cantina, o da biblioteca da FLUL, o de estudante, o de investigador, o da máquina de fotocópias da biblioteca, o cartão da Biblioteca Nacional e o da Torre do Tombo.
III. O meu forno é a minha Bimby. Meto uma travessa com legumes e peixe, tempero com sal, azeite e pimenta. Deixo 30 minutos no médio e tenho uma refeição maravilhosa que me deu pouco trabalho a fazer - foi só cortar e dispor.

09 abril 2012

páscoa

Férias feitas e bem passadas. Estava a precisar disto: tempo fora, acampar, natureza, sem horas, silêncio de campo.
No sábado ter frio, no domingo calor, comer boas broas, fogueira e churrasco, com vinho tinto. E pessoas a conversar à volta. É tudo bom!
Estreei o meu super saco-cama para temperaturas extremas e dormi quentinha. A Mariana também não se queixou dentro de dois sacos-cama. As próximas aquisições hão de ser uma tenda de atirar ao ar, porque, sem ajuda e só para uma noite, montar tenda das antigas custa, e uma colchonete de jeito, sem receio que a humidade nos ataque vinda do chão.
No regresso ela adormeceu em cinco minutos, e eu em meia-hora.
Haveremos de repetir!
 
 
 
 
 

07 abril 2012

sábado mediterrânico

Nesta sexta-feira fui espanhola e italiana: primeiro fomos à Baixa, passeámo-nos pelas lojas, gelatarias e cafetarias. Comemos gelados, bebi capuccinos e comprei roupa. Eu e uns tantos espanhóis.
Depois fomos ao castelo de S. Jorge: passeámos, vimos Lisboa de todos os pontos de vista possíveis, visitámos o novo núcleo museológico que dá conta da nossa história árabe, maravilhei-me com a cidade (como sempre) e fiquei com as pernas cansadas. Eu e uns tantos italianos.
Vale a pena ser turista em Lisboa: digo eu e de certeza que dizem os nossos vizinhos mediterrânicos.

02 abril 2012

Inércia

O desleixo é uma coisa que se infiltra na nossa vontade e se vai notando em tudo o que nos rodeia: casa, nós próprios, tarefas a fazer, decisões a tomar.
Não posso culpar o tempo: não é por estarem 4 dias de Inverno, a seguir a uma Primavera prematura, que tenho desculpa para o desleixo; nem por esta prova mensal que distingue as mulheres dos homens; nem por estar há uma semana a pesquisar livros de notas de notários e não encontrar nada... Não. Nem pelos meus kilos permanentes que teimam em não me largar; nem pelo meu desejo de bolos e bolos e bolos com creme e bolos sem creme e tudo o resto. Será de os projectos de férias ficarem em stand-by por causa do tempo? Ou de tudo o resto que é sempre igual-e-o-mesmo e que às vezes (tem sempre fases) bate com mais força?
 
Três dias sem uma actividade física e sinto-me como se tivesse um mês parada a enfardar croissants com chocolate.
 
 
 
 

21 março 2012

correr

São anos e anos sempre a pensar "Depois começo a correr e a comer melhor e perco o peso" e assim se aumentam 6 kilos que agora não me querem largar nem por nada.
Eu bem que fujo deles, tenho fugido duas vezes por semana, com bastante cansaço, cada vez com mais velocidade e mais tempo, mas o raio dos kilos não me largam. Parece que vieram para ficar. Se calhar tenho de fazer um tratamento mais agressivo: falaram-me em X pulsações por minutos durante X minutos, que só assim é que era possível perder peso, que outra qualquer coisa ficava perto do nada. Treinos aeróbicos, anaeróbicos, e blá blá, blá que não apanhei.
Corro por correr, tenho esperança de no caminho largar lastro. Também gosto de ver o Tejo ao longe na volta grande; de, na subida, onde antes morria no primeiro candeeiro, já conseguir passar o 3º; além de já não ouvir só 5 músicas no ipod: agora passo pelo transe, jazz, e indiana - são álbuns a desfilar nos meus ouvidos.
Perguntaram-me "Mas e as pulsações? Se não contas as pulsações como é que sabes que perdes peso? E o que é que o cansaço tem a ver com treino? E quanto metros fazes em etapas de quantos minutos?", querendo fazer-me acreditar que se não houver números e gráficos e escalas e sei lá o quê, correr é o mesmo que ficar parada.
Quero acreditar que não.
Hoje no metro, sentado ao lado da Mariana estava o rapazinho vencedor do Peso-pesado. Levava uma mochila e mais um saco de ginásio.Pelos vistos continua a treinar. Poderia perguntar-lhe o segredo, mas não há segredo, e eu sei o que é que é preciso: é querer.
Uma coisa boa: quando fiz o sprint para o metro (porque com a redução para 3 carruagens na linha verde há agora uma nova fornada de corredores de velocidade em cada estação, desde Telheiras ao Cais do Sodré) senti-me tão bem, tão desportista, tão saudável e resistente. Nada esgotada, apenas com a certeza de que, se reduzirem o metro para uma carruagem só, vou continuar a apanhá-lo mesmo quando ele chega ao cais antes de mim.

09 março 2012

...

Vamos crescendo e a realidade começa a ser menos bonita: há amigos doentes, pessoas da nossa idade. Antes, quando éramos crianças, as pessoas doentes e que morriam eram sempre ou da idade dos nossos avós ou da dos nossos pais. O nosso círculo era imune à desgraça. E quando a havia muitas vezes não dávamos por isso.
Depois vamos crescendo, perdemos um amigo, perdemos outro, amigos ainda com tanto pela frente... Agora de vez em quando uns ficam doentes, com doenças chatas e preversas.
Fico triste...
Além disso sinto-me cruel: vi um amigo meu com um problema e, como somos educados para fazer de conta que está sempre tudo bem, não perguntei o que era e fiz de conta que estava tudo como sempre, mas não consegui olhar para a cara dele de frente. Parecia outra pessoa e não consegui ser imune à estranheza que me causou vê-lo assim e ele reparou. Senti-me constrangida e má. Mas acho que o que tenho de fazer é olhá-lo bem e habituar-me à nova cara. Habituar-me a que as piadas que antes saiam de uma boca e as caretas que antes uns olhos faziam agora são feitos por outros um pouco diferentes. A pessoa é exactamente a mesma e o carinho que sinto por ela também. Espero ter oportunidade de me comportar convenientemente.

01 março 2012

Às 15h

A miúda esteve adoentada. Para evitar recaídas, e porque este ano tenho a sorte de não ter horários de trabalho a cumprir nem hierarquias a respeitar, resolvi que ficaríamos em casa mais um dia. No entanto, como à tarde não havia febres e a M. estava desejosa de sair da clausura e eu já estava pelos cabelos de ficar fechada em casa, lá fomos ao parque infantil num dia de semana às 15h.
Pensei que não ia estar ninguém, ou então pouca gente. Era dia e hora de trabalho e de escola, não havia porque estar gente na rua.
Mas não.
Além dos 50 (não é exagero!) velhotes reformados a jogar às cartas, o parque infantil estava com bastantes miúdos e as esplanadas a cheias. É extraordinário! Quando eu penso que agora estou numa situação privilegiada, dou-me conta que afinal faço parte de uma grande fatia da população, que não tem nem horários a respeitar nem patrões (embora eu tenha objectivos de trabalho a cumprir) e que pode andar a passear durante a tarde. Ponderei que algumas daquelas conversas de café poderiam ser de negócios, que alguns dos outros miúdos também estivessem em convalescença, que alguns dos adolescentes tivessem tido um "furo", alguns dos adultos aproveitassem uma pausa ou que fossem trabalhadores independentes ou bolseiros. Afinal de contas, eu também estava lá, não é?
Enfim, às 15h da tarde, ao dia de semana, Lisboa é um domingo...

29 fevereiro 2012

Logo agora que estava lançada

Nada como demorar 4 meses até decidir começar a correr duas vezes por semana para que a miúda fique doente e fiquemos as duas em casa, de seguida me doa a garganta e depois comece a chover. Há de ser uma luta desacomodar-me de novo da inércia de não fazer nada, e justapondo a minha agenda e os dias de sol, parece-me que ainda falta algum tempo para a minha nova corrida. Só espero que quando a ocasião surgir não esteja outra vez numa fase de modorra, tricot e filmes.
Ainda por cima estreei ontem a entrada USB do descodificador de TDT e tenho carradas de filmes para ver no disco externo... Deus, ajuda-me a fugir à tentação!...

15 fevereiro 2012

A seca

Na licenciatura comecei a ter uma superstição idiota que me deixava absolutamente angustiada nos finais de ano lectivo: a de que os exames/testes/ trabalhos só tinham boas notas quando chovia. Esta idiotice fazia com que em Junho e Maio eu andasse a pedir chuva, chuva, chuva em desespero. Com o final dos estudos e dos exames esqueci gradualmente esta tonteria.
Naturalmente que a meteorologia não terá nada que ver com a minha prestação académica, mas esta seca de Dezembro a Fevereiro trouxe-me à memória de forma flagrante a superstição da licenciatura. A grande seca que houve revela-se de forma tão evidente nas minhas notas dos seminários que o único sítio em Portugal onde chove agora é na minha cara. Espero que lá para o final de Maio, início de Junho haja tempestades e cheias e inundações, porque esta seca não faz bem a ninguém.

09 fevereiro 2012

apelo

Queria deixar aqui um apelo para que quem quiser destruir alguma coisa por estar chateado com os nossos políticos, para que não destrua o património. Por exemplo, a assembleia é um edificio tão bonito. De que serve estragá-lo? Outro governo como deve ser pode governar a partir dali.
Tudo bem que se atirem granadas, mas não contra o património nacional! Contra as casas particulares desta cambada de gatunos! Contra os bancos, contra as empresas, mas não contra o património, não só porque é de todos, é bonito, é de perservar, mas também porque o dinheiro para reconstrução saía mais uma vez do nosso bolso.
Destruir sim, mas não Portugal!

descontentamento

Parece que entrámos numa época em que a expressão "quem está mal muda-se" se transformou no slogan da classe política no poder. Primeiro foram os professores: "emigrem para áfrica se querem melhores condições", depois os jovens licenciados "emigrem para qualquer lado se querem ter alguma hipótese" e ontem ouvi dizer às forças armadas "se não gostam das condições mudem de profissão".

Se esta estratégia política for avante e a população corresponder ao slogan, tenho a impressão de que daqui a pouco tempo em Portugal só haverá políticos e gestores, porque esses realmente não têm razão nenhuma para se mudarem: está-se bem, ganha-se bem, há sempre perspectivas de futuro e as condições de trabalho são super fixes!

O pior é que a gente vai ouvindo o slogan e aos poucos podemos esquecer que o verdadeiro slogan da democracia é: o que está mal muda-se. Ou seja, não somos nós que temos de deixar o país a ser regido por quem não tem o mínimo interesse nem consideração pelas pessoas que o habitam, mas as pessoas que o habitam é que têm de ter muito interesse em mudar o que está mal e obrigar a classe política a largar o tacho.

Não sei como é que isso é possível, uma vez que a política se afastou e separou das pessoas e não há como intervir naquilo que supostamente é uma democracia, mas que na verdade não é, porque os eleitores o único direito que têm é votar uma vez, e a partir daí não têm qualquer possibilidade de intervir, de dizer: Eh, pá! Mas não foi nisso que eu votei! Estou a ser enganado! Não, ser enganado, usado e ridicularizado faz parte.

Não sei mesmo o que há a fazer. Andar por aí nas ruas a gritar não tem efeito... Mostrar descontentamento parece ser apenas um programa de humor para os políticos. Ah! Ah! Lá estão aqueles palhaços-eleitores que julgam que têm direitos e que vivem numa democracia! Ah! Ah! Devem rebentar de riso a ver os telejornais. Fixe era que rebentassem mesmo.

03 fevereiro 2012

Aleluia!

Venho anunciar a boa nova!
A partir de hoje poderemos dizer aquela tão portuguesa e saudosa expressão que até ontem tivemos de calar: "seis da tarde".
Sim, porque se ontem o sol se pôs às 17h59, hoje, ALELUIA!, será às 18h00!
 
Nota: hora válida para Lisboa.

01 fevereiro 2012

Agradecimento

Ontem à noite fiquei mais uma vez surpreendida com a minha capacidade de ficar a ver televisão até tarde sem estar propriamente interessada na programação. Consegui ir mudando de canal em canal (nos quatro que tenho) até chegar às duas da manhã. E enquanto via televisão dizia a mim própria: Vai para a cama! Amanhã tens de te levantar cedo e não consegues. Mas não me consegui ouvir, apesar de o ter dito muitas vezes.
Hoje de manhã, acordei com o barulho dos vizinhos de baixo. Não foi com o despertador. Se ele tocou ou não é um mistério. Se não tocou, porque foi? Avariou-se? Tudo indicava que ia tocar e que estava tudo a funcionar como deve ser. E se tocou? Estaria eu tão carente de sono, que num estado de quase sonambulismo desliguei o despertador sem ter uma ínfima lembrança de o ter feito?
Seja como for a verdade é que disse a mim própria: Marta, nunca, mas nunca, tenhas TV cabo. NUNCA! E planeei logo pela manhã que hoje colocaria dois despertadores e deitava-me a horas normais.
À tarde, chegadas a casa, a miúda pergunta se pode ver televisão e eu aquiesço. Segundos depois a primeira interrupção: Mãe, não está a dar bonecos. Ao que eu, da cozinha, respondo: Os bonecos não dão a todas as horas. (resposta de quem não tem TV cabo). A miúda insiste: Está parada. Bolas, bolas, bolas! Lá tenho de parar a minha sopa (que está cada vez melhor) para ir ver o que se passa. Chego à sala e o que é que tenho no ecrã: Queres ver televisão? Vai comprar o TDT. (por outras palavras).
Por isso eu hoje quero deixar aqui o meu sincero agradecimento ao TDT, porque esta noite vou adormecer na cama a ler um livro. E antes da meia-noite, como a Cinderela!
Obrigado!

31 janeiro 2012

de manhã

Quando leio nalgum blogue “De manhã fiz uma saia” ou “Enquanto o arroz cozia fiz um saco para o pão” fico surpreendida com os dotes de costura dessas pessoas e mais ainda com a simplicidade aparente com que fazem coisas complicadas.
Ora bem, na azáfama das compras de Natal vi um avental para crianças. Era giro e comprei-o, mas na altura fiquei a pensar que era uma coisa simples de fazer. Pensei no assunto, projectei na cabeça, descobri com que tecido havia de fazer o avental e no sábado de manhã deitei mãos à obra a pensar que o queria feito em Março.
E não é que agora também eu posso dizer: de manhã fiz um avental?
Naturalmente não está bem feito, as costuras não vão bem a direito e algumas coisas deveriam ter sido feitas de outra maneira, de qualquer forma não deixo de pôr aqui uma imagem dessa maravilha saída das minhas mãos de fada do lar.

O meu próximo projecto é um saco - já tenho as ideias na cabeça, mas ainda há muitos problemas que não sei como resolver.

27 janeiro 2012

sardinheira

A minha bela sardinheira, que chegou a ser a mais viçosa e florida dos arredores, depois do Verão sofreu um ataque de larvas de sardinheira, que se multiplicavam sem parar. Todos os dias eu ia ver se havia larvas e dia-sim-dia-não, lá aparecia mais uma ou duas. As larvas até eram queridinhas (verdinhas, peludas e com uma risquinha vermelha), mas na verdade do que eu gostava era da sardinheira. Estas larvas entram dentro dos caules, bebem a água todas e as sardinheiras secam por dentro. Na net e nas floristas diziam-me que não havia remédio, mas eu fui sempre cortando os ramos secos, esgaravatando lá dentro nos buracos que os bichos faziam, com a esperança de curar a planta. Tanto tive de a cortar que se transformou um coto de 4 centímetros dentro do vaso. A pouco e pouco as folhas foram nascendo e das larvas nem sinal. Quando chegámos a casa do depois do ano novo havia dois botões a nascer. Um deles desabrochou há poucos dias - não parece uma sardinheira, mas é vistoso e é um símbolo de resistência e de vida.