26 novembro 2011

Caro Metropolitano,

9 minutos não é normal!
No metro agora espera-se mais tempo que antes. De certeza que reduziram o número de comboios.
Antes, tínhamos a certeza de que não esperaríamos mais de 3 minutos pelo metro. Era possível dizer a alguém "Estou aí em 15 minutos" com a certeza de que estaríamos: 3 minutos para chegar ao metro, mais 3 de espera, 5 para a viagem e mais 4 para chegar ao ponto de encontro. Agora não. Principalmente se houver transbordo. Esperar 9 minutos por cada comboio são quase mais de 10 minutos de viagem.
As razões porque ando de metro é porque é mais rápido, não tenho de esperar muito tempo, e enquanto espero não me chove em cima e estou à sombra. Mas irrita-me ter de passar o passe. Principalmente na saída. Era uma das coisas que gostava antes era de não ter de abrir mala e carteira para entrar, ao contrário dos autocarros. Agora, com estas portas automáticas é uma chatice. Não se pode descansar a mochila nas costas, ou a carteira no bolso, ou seja o que for. O passe também não pode ir para o bolso (estraga o chip...). E ainda por cima temos de guardar o recibo, para salvaguardar uma avaria no chip. E dizem-nos que é mais ecológico. É treta! Por cada pagamento sai um recibo. Outra coisa que não gosto é o sobe escada, desce escada, sobe escada, desce escada. O autocarro espera-nos no plano horizontal e à luz do sol, em vez das luzes artificiais.
Que saudades das vinhetas! E dos módulos! Podiam andar na carteira uma ano, que eram sempre válidos, funcionavam sempre. Era garantido! E era simples.
Portanto, o que eu te tenho a dizer, ó Metropolitano, é isto: se perdes a grande vantagem que tens sobre os autocarros (pouco tempo de espera)  de certeza também perderás clientes. Rectifica isso, por favor.
 
Obrigada.
 

23 novembro 2011

HOJE

Só ao constatar o meu espanto ("Oh! A jornalista está a apresentar o telejornal de calças e t-shirt!") é que me apercebo de que tenho entranhado em mim um código de fardamento para pivot de telejornal. Já me tinha ocorrido o mesmo espanto no Verão ("A apresentar o telejornal de alças?! A mostrar os ombros?!"). A forma como somos formatados é extraordinária. Sem darmos conta somos conservadores. Estranhamos que outros se vistam confortavelmente, como nós fazemos todos os dias.
Nunca me julguei conservadora, até pelo contrário. 
HOJE* está tudo diferente.
 
* Era para pôr aqui o logo do telejornal das 21h da RTP2 (o melhor canal da televisão portuguesa!).

18 novembro 2011

memory lane

Recordar os posts antigos é uma grande viagem. É uma viagem a situações ultra-superadas, emoções que já foram, outras vezes confirmar que somos as mesmas, dificuldade e stresses que passaram e, não fosse estarem relatados, nem havia memória deles, as alegrias tidas por isto ou aquilo que agora tomamos por certo, outras infelicidades que não mudam com o tempo.
Acabo por ter sempre um certo carinho e alguma pena de mim. Também me acho piada em alguns momentos.
Há também o crescimento da miúda, com as graças permanentes e outras esquecidas, a evolução constante - parece outra pessoa
A relação entre nós também parece que não era a mesma, que agora é outra. É sempre estranho. Não consigo descrever.
Escrevia mais, mais vezes, sobre mais coisas, a vida mais exposta. Acho piada a forma como escrevia. Só passado algum tempo é que consigo achar isso. Na altura parece sempre banalíssimo e mal-alinhavado.
Gostava que isto fosse um local de exercício de escrita, onde me esforçasse para escrever bem, mas na maior parte das vezes entra-se no registo diarista e depois é dificil ter piada nesse registo. A primeira pessoa é dificil. A terceira soa melhor.
Tudo isto porque reparei no decréscimo de posts e, ao passear os olhos pelo passado, constatei também que o tamanho tem diminuído.

15 novembro 2011

guarda-chuva

O guarda-chuva fechado tocava ao de leve o chão de pedra da estação do metropolitano, marcando o passo da mão que o levava a passear. No tapete rolante o espigão de metal do guarda-chuva sentiu-se aconchegado nas ranhuras de metal e descansou da marcação do ritmo - parado seguia o seu caminho, equilibrado pela mão, que o impedia de tombar desamparadamente. A mão voltaria a erguê-lo no ar daí a pouco - a passadeira estava a terminar - e o guarda-chuva retomaria a marcação do ritmo do passo com o seu espigão de ferro no chão de pedra e depois na calçada.
Mas a mão puxou-o e o guarda-chuva não se ergueu no ar como previsto. A mão puxou com mais força, mas o espigão estava preso na ranhura de metal. Duas mãos tentaram arrancar o guarda-chuva, que entretanto ficou preso nos dentes finais da passadeira. Já não eram só as mãos que puxavam, também uma bota o pontapeava, tentando arrancá-lo às garras da passadeira rolante.
Ao lado saíam da passadeira guarda-chuvas balouçando nas mãos de quem os levava, e aquele ali, entalado, preso, com uma espuma cinzenta escura a crescer imparavelmente junto ao local onde o espigão estava preso, libertando um cheiro químico a borracha queimada e óleo. Parecia que estava a ser triturado pelos dentes, engolido pela passadeira rolante e transformado em espuma escura.
A insistência das mãos que o puxavam finalmente libertou-o da tortura.
Foi virado de cabeça para baixo para que os efeitos do entalamento fossem observados. Ao ver o espigão achatado, torto e rasgado soltaram-se gargalhadas em barda.
De imediato, o guarda-chuva voltou a marcar o passo, acompanhado pelos risos de quem o salvara.

11 novembro 2011

caraças

Li a Melissinha e senti-me espelhada no primeiro parágrafo. Também eu carrego as culpas de tudo, desde o não dizer boa noite ao vizinho como das intervenções e questões que fiz na aula. A sensação de culpa e de asneira é tão constante, que muitas vezes nem questiono e assumo logo as culpas de um erro que não cometi. Ultimamente tem acontecido bastas vezes e em geral a tentativa de correcção imediata do erro acaba por criar um novo disparate (porque afinal não me tinha enganado) de forma que ando sempre a padecer do stress pós-asneira: que varia entre o stress pós-pseudo-asneira e om pós-pseudo-pseudo-asneira. É muito cansativo... e ocupa-me imenso a cabeça, não me deixando livre para outras acitividades intelectuais.
 
Como é que isto se pára?
Eu sei, é o terceiro parágrafo da Melissinha. Vou assumir as minhas qualidades do caraças e está feito!

09 novembro 2011

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No Jardim Infantil (com alunos entre os 3 e 5 anos) está afixado o anúncio para uma escola de dança (para meninas, suponho), cujo nome é "As Virgens de Tutu" [ou de outra coisa de que não me lembro].
Este cartaz, pelo qual passo todos os dias causa-me horror diário. Tenho de o arrancar da parede!
Como é que é possível algum pai inscrever uma filha numa escola que mistura dança com sexo? Que acha que tem alguma razão caracterizar as suas alunas entre os 3 e 5 anos como meninas que ainda não tiveram relações sexuais?! Algo que está tão longe dos pensamentos das miúdas, mas que pelos vistos tem todo o sentido para os directores da escola.
É doentio, nojento e só mostra que as pessoas que tentam mostrar que são puras (o que quer que isso seja) são aquelas que têm mentes depravadas.
 
E pronto, é assim a vida: coisas aparentemente inocentes são o indício de que inquisição deixou seguidores.
 

Chove...

Chove... Corro de um lado para outro, projecto um dia fazer bolinhos nas formas novas, coser a roupa que precisa, ter umas janelas novas, voltar a fazer exercício, escalar com tempo, et coetera, et coetera...
A miúda anda toda contente por ser deixada aqui e ali, hoje com este amanhã com aquele, casas diferentes e hábitos diferentes. Só quer é passeio e pessoas. E eu anseio por ficar em casa e não ter de cumprir 7 horários num só dia. Sete momentos em que posso ficar atrasada, em que posso falhar, em que acabo por stressar.
É tão rápido ficar cansada...