20 junho 2011

Sobre a crítica

Desde que saí de casa dos meus pais, raramente leio jornais. Antes havia o Expresso ao sábado de manhã, agora não há nada. De vez em quando leio algumas críticas de livros e CDs em media diversos, mas fico sempre na dúvida sobre a crítica e o crítico: será a crítica mais interessante que o objecto? Será que o crítico não tem os mesmo gostos que eu? De forma que o objecto criticado nunca entra na minha posse (juntemos a isto a falta de recursos e temos o caso explicado).
No entanto, nunca me esqueço de duas críticas que li, que me convenceram a adquirir os objectos que analisavam e que me levaram a dois cultos que pratico até hoje: PJ Harvey e Albert Cossery.
Com a PJ Harvey, com os primeiro álbuns dela lembro-me de ter incomodado muita gente, numa altura em que havia festas em minha casa: era muito barulho, era estranho e parecia mal feito. Só mais tarde encontrei outras pessoas que também a apreciavam e eram sempre excelente pessoas. Depois a PJ Harvey até já vinha cantar a Portugal (fui uma vez a um Sudoeste, mas foi por essa mesma altura que desisti de concertos grandes – a minha altura só me permite ver costas e em geral o som é mau e ouve-se mais o público que os artistas) e agora até veio à Aula Magna, mas apanhou-me sem cheta e mãe solteira, de sorte que ainda não foi desta. Mas o culto fica.

O Albert Cossery e os seus Mendigos e Altivos foi o único autor que me fez ter vontade de mudar de vida. Tinha mesmo: depois de ler o livro a única coisa que eu queria na vida era ser mendiga, pedinte. É claro que não fui. Estava no 9º ou 10º ano, em casa dos pais e de repente ir para a rua pedir era uma mudança muito drástica e tenho a certeza que não iria correr bem. No entanto, não deixo de achar curioso que um livro consiga fazer com que uma pessoa tenha vontade genuína de seguir um rumo diferente (e o diferente aqui não é ser saudável, activa, pró-activa e outras qualidades promovidas pelos iogurtes). Li depois mais Cossery, e tornou-se repetitivo, mas gosto sempre.
Por estas duas descobertas, a crítica e os críticos hão-de ser sempre uma coisa de louvar.

Sem comentários: