01 fevereiro 2011

janela

Estava ainda em pijama no sossego
d'após faxina colhendo o doce fruto
naquele engano de alma ledo e cego
que a Mariana não deixa durar muito.
Dedicava-me à leitura no aconchego
da poltrona verde, e num minuto
um ruído ao longe estou a ouvir,
como o barulho de vidros a partir.

Levanto-me rápida como uma bala,
com angústia e a mente em alvoroço
ignorando o que se passara na sala.
Corro então o mais veloz que posso.
Vejo que o seu rosto dor não assinala
e da sua voz triste eis o que ouço,
olhando o chão com ar arrependido,
"Ó mãe, o vidro da janela está partido."

Não está bonito. No fundo estou a expor um exercício.
Inspirado nos primeiros verso do episódio de Inês de Castro d'Os Lusíadas.

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