28 fevereiro 2011

amigos

Sábado tive uma visão muito positiva de mim mesma.
Fui à Guia em trabalho, portanto, para além do outro formador, apenas contava com um grupo de desconhecidos.
Logo pela manhã começaram a aparecer pessoas conhecidas: vinham cumprimentar-me, perguntar-me pela vida e pela filha, questionavam sobre assuntos recentes sobres os quais tinha falado com eles e convidavam-me a fazer qualquer coisa em conjunto num futuro próximo.
Foi, um, e outro e outro e outro e outro e eu só a ver pessoas a aparecer, pessoas de quem gosto, com quem aprecio passar um dia de escalada, mas também momentos de convívio; e acenava e dizia "olás". E outro e outro e outro. E eu interrompia a formação e ia dar umas palavrinhas a um e depois regressava ao posto. Eu estava contente, sem dar por isso. No final do dia, já no percurso de regresso, uma data de conversas iniciadas, acabadas e deixadas a meio.
Voltei para casa, cansada, sozinha... mas antes de me deitar dei-me conta da quantidade de amigos que tenho, do tão acarinhada me senti durante o dia, e depois de relembrar como fui tratada por tanta gente, fiquei contente comigo própria, por ter deixado de olhar para o chão e ter começado a ganhar coragem para falar com as pessoas. Ganha-se tanto!!! Há carradas de gente que vale a pena!
Obrigado eu por ter consigo ser uma pessoa melhor.

22 fevereiro 2011

num país de bananas governam-se os sacanas

Ontem ouvi no parque "num país de bananas governam-se os sacanas" e parece que Portugal se reduz a estas duas classes e que nós ou somos uma ou outra. Que temos de optar. Ou somos bananas ou somos sacanas.
Ontem senti a chegada do fim do Inverno, ou melhor, ouvi-a. Nas traseiras tocava um solo de saxofone e à noite ouvia-se bem. Gosto de ouvir a música dos outros e fiquei debruçada na janela da casa-de-banho um bocado a ouvir jazz na cidade meio adormecida.
E quando constato que gosto destas coisas tão simples (estar em casa, ouvir a noite, sossego, etc) dou-me conta que é tão difícil ter isso. E eu quero mesmo pouco.
Na segunda passada assinei o contrato. Duas horas antes de o fazer chamaram-me para dizer que não havia dinheiro e que não sabiam quando me iam pagar. Mas que fizesse o contrato, porque sempre era melhor. ???!!!!
Enfim, portanto sou banana: trabalho, acato tudo, não sei se me pagam.
O que posso fazer? Ser sacana? Fazer de conta que trabalho?
O que eu gostava era que houvesse respeito de ambas as partes e que não fosse necessário optar por uma destas classes.

Mas na verdade, já estou muito cansada de ser banana...

14 fevereiro 2011

Dia dos Namorados

Apaixonei-me. Por um ser querido, querido, de quem já tinha ouvido falar, mas que não conhecia pessoalmente. Ele ajuda-me e com o apoio dele tenho conseguido ultrapassar alguns momentos dolorosos da minha vida.
Adoro-o, nunca mais o largo e ele chama-se Voltaren rapid 50mg.
Obrigado por tudo, Voltaren.

01 fevereiro 2011

janela

Estava ainda em pijama no sossego
d'após faxina colhendo o doce fruto
naquele engano de alma ledo e cego
que a Mariana não deixa durar muito.
Dedicava-me à leitura no aconchego
da poltrona verde, e num minuto
um ruído ao longe estou a ouvir,
como o barulho de vidros a partir.

Levanto-me rápida como uma bala,
com angústia e a mente em alvoroço
ignorando o que se passara na sala.
Corro então o mais veloz que posso.
Vejo que o seu rosto dor não assinala
e da sua voz triste eis o que ouço,
olhando o chão com ar arrependido,
"Ó mãe, o vidro da janela está partido."

Não está bonito. No fundo estou a expor um exercício.
Inspirado nos primeiros verso do episódio de Inês de Castro d'Os Lusíadas.

móni, móni*

O objectivo da Epopeia Trágica do Quotidiano era reduzir a versos as pequenas coisas do dia-a-dia que me irritam muito, a ponto de quase estragar uma manhã ou tarde inteira. Coisas que não valem nada.
Infelizmente, verifico que a minha lista de pequenas desgraças ultrapassa em muito os meus dotes poéticos. Não há dicionário de rimas que me valha para o rol de micro-itens que me deixam piurça.
Tentarei parodiar as minhas desgraças em versos heróicos, mas... para quando ninguém sabe.
 
Entretanto, vou experimentar as páginas estáticas do blogger para isso. Pode ser que me incite.
 
Agora que tenho emprego tento tirar o fantasma da miséria de cima de mim, mas ele não sai. Ficou colado. Não consigo gastar dinheiro sem ficar logo apta a insónias e pensar na quantidade de outras coisas que podia fazer com esse mesmo valor. É doentio.
Nos desenhos do Pato Donald, o Patinhas era de uma avareza doentia, mas era para os outros. O próprio era feliz. Eu também quero viver contente com a minha avareza. (Se calhar faltam-me os banhos matinais em moedas de ouro...)
 
 
* Cantado pelo Billy Idol.