12 janeiro 2011

post com banda sonora

Porque toda esta história do possível desemprego (e já resolvido, acho…) me deu para pensar muito, acabei por me dar conta de que esta canção Jorge Palma fala mesmo sobre todas as ideias e constatações que andavam revoltear na minha cabeça.

Ou seja, quando mais temos mais necessidades e medos produzimos. Dou mais conta disso quando se fala de objectos. O medo de as coisas se estragarem, perderem serem roubadas.

Já há uns tempos perguntei-me o seguinte: os nossos pais também estavam sempre a dizer "não mexas aí que estragas isso, não atires o brinquedo para o chão que parte, tem cuidado com as tomadas, etc…" É que eu não me lembro de viver no mundo de nãos e frágil, passível de se destruir à minha passagem.

Mas depois comparo os tempos, os meus e os de agora e são tão diferentes. Por exemplo, as coisas que eu não quero que sejam destruídas: TV, leitor de DVDs, telemóvel, computador, comando do carro, brinquedos electrónicos… Tudo coisas que não existiam quando eu era mais pequena.

E as coisas perigosas: tomadas, microondas (se for mal usado), cacas de cães, desconhecidos que se podem revelar raptores de criancinhas, … também ou não existiam ou eram menos.

Também não havia bonecos na televisão o dia todo, nem filmes, nem play stations nem nada disso. Não havia tantos carros, nem tantos carros em cima dos passeios, que, logo, eram mais largos. As portas do metro não nos entalavam.

Para os pais havia empregos, sempre, e não era um stress querer ser empregado, querer ter uma casa e pagá-la. Não havia medo de pôr dinheiro no banco e ficar sem ele, de investir numa casa e vir um tsunami, etc…

Já me desviei do assunto, mas a verdade é que neste momento aconselho-me a primeira parte da música:

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Tira a mão do queixo não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar

Quem ganhou ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas pra dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem á batota
Chega a onde tu quiseres

Mas goza bem a tua rota

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Reflicto na última, quando penso que não quero continuar a minha vida toda a trabalhar, a perder o meu tempo de vida (sim, porque como ateia e agnóstica, só vivo uma vez e quando morrer não vou para lado nenhum, de forma que os anos que estiver viva serão os únicos que tenho para me divertir neste planeta (ainda) maravilhoso) e assim, que deveria investir a sério num doutoramento, porque vejo isso como um tempo dedicado a mim própria e aquilo que me interessa, um tempo de liberdade, de cumprimento de horários em troca de dinheiro :

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Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
A liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo



1 comentário:

Cheila disse...

lindo! é por isso que quem sabe viver com muito pouco é normalmente muito feliz. e as coisas mais simples, são muitas vezes as que nos dão maior satisfação.
um beijo (que é o que ainda temos para distribuir e que não custa nada)