29 dezembro 2011

jane eyre

oh my god!
Logo agora que o Mr. Rochester acabou de pedir a Jane Eyre em casamento, fui convocada para fazer o lanche...

22 dezembro 2011

googlemaps

Acabei de ver a minha casa há dois anos atrás e a minha antiga casa.
Aproveitei e passeei por Londres e Tóquio, e antes fui dar uma espreitadela às Balneares.
Também sobrevoei ilhas desertas, cobertas de neve e com grandes penhascos, algures nos mares do Norte.

Being Creative Takes Time



Um lembrete para ver se não deixo os trabalhos para o último minuto!

09 dezembro 2011

na rua dos Fanqueiros

Na semana passada, na Baixa, uma senhora cega esperava de um lado da Rua dos Fanqueiros para atravessar. Um senhor despachado repara nisso, observa o fundo da rua e grita-lhe:
- Minha senhora! Atravesse agora que não vem nenhum!
Mas um outro senhor, de casaco cinzento, adverte-a logo:
- Não atravessa nada, que está vermelho!
O sr. Despachado não se dá por vencido - atravessa a rua, dá o braço à senhora e diz:
- Vamos agora que não vem nenhum.
E a sr. Cega lá foi, apesar do sr. De Casaco Cinzento ainda o tentar convencer que mais valia esperar pelo sinal verde.
 
E felizmente não veio mesmo carro nenhum, porque se viesse, não sei se o sr. Despachado, para quem os semáforos são iluminações de Natal permanentes, teria conseguido levar a sra. Cega a bom porto.

06 dezembro 2011

Ainda no embalo da "amigalite"....


Ora bem, o contacto com este tipo de falsidade ou hipocrisia amical deu-se neste Verão, no final do Verão até. E nem fez grande baque no meu coração, apenas uma sucessão de pequenos espantos que terminou na conclusão óbvia de que certa pessoa dizia o que não fazia.

Parecia que estava nos meus 12 ou 15 anos quando há um diz-que-disse ininterrupto, quase sempre intermeado com o "ele gosta dela" e vice-versa, "ela não gosta dele" e vice-versa, "ela não é amiga dela", etc... (sendo rapariga acho que poucas vezes ouvi o "ele não é amigo dele"). E foi assim, no fim do Verão surgiram burburinhos sobre várias coisas nenhumas. Para mim é só estranho, não faz mossa. Tanto mais que a amizade é uma coisa que se constrói e estava a ser construída. Ainda estávamos a pôr os alicerces...

 

E tudo isto  me leva a uma coisa estranha que me aconteceu nos meus 13, 14, 15, 16 anos: o boato e maledicência!

 

Sempre fui uma rapariga pouco dada à marginalidade, muito normal, seca e respeitadora (por exemplo, quando os amigos se juntam e começam a falar de todas as partidas que fizeram aos professores durante o percurso escolar eu fico sempre calada porque nunca fiz mal a ninguém. Uma seca!). Contudo, tive um namoradito nos meus 15 anos, uma coisa que durou 3 dias, e que foi terminada por ele. Continuámos amigos até hoje e há uns bons anos atrás soube que a mãe dele o tinha obrigado a acabar comigo porque lhe tinham dito que eu me drogava e andava com todos (o insulto é sempre o mesmo). Pouco depois desse namoro terminado houve outro rapazinho no meu coração. Uma coisa mais duradoura que me levou ao contacto com a família dele. E não é que um dia a madrasta me chama à parte e me diz que "uma grande amiga dela e pessoa da sua confiança" lhe tinha dito que eu me drogava. Respondi apenas que ela não devia confiar na tal amiga porque lhe tinha dito mentiras. Ainda houve mais tarde alguém que também disse a mesma coisa (falta de imaginação) sobre a minha irmã. Tudo isto se passou dentro do bairro em que vivíamos.

As grandes questões que me ficam são estas: quem é a pessoa, mulher adulta, que anda a dizer mal de adolescentes? Como é que uma pessoa descaradamente mentirosa pode ser da confiança de tanta gente? Qual o interesse em denegrir a minha reputação e da minha irmã (e quem sabe de outras miúdas do bairro)? Qual a nossa importância para se dar a esse trabalho?

Naturalmente todos estes pais e mães destes amigos, amizades que se mantêm até hoje, agora me cumprimentam bem, percebem que não sou de modo nenhum uma amizade de risco e a nossa reputação está construída com base naquilo de que eles têm conhecimento. Ainda assim, bem que eu gostava de saber quem é essa língua viperina que habitou o Bairro Santos… 




05 dezembro 2011

"amigalite"

Discutir com amigos é coisa que me deixa de rastos.

Fico sempre com medo de perder amizades para sempre. Choro. É incontrolável.

Depois passa e fica tudo como terá de ficar: ou deixa marcas ou não deixa, depende apenas da amizade que se tem.

O peso da fatalidade sobre uma zanga é uma coisa que não suporto emocionalmente. Percebi agora que muitas vezes devo ter ficado calada nesse receio de perder alguém.  

 

Sobre as amizades também, ou neste caso sobre os conhecimentos, sempre estranhei as pessoas que se queixavam de estratagemas, de intrigas, de falsidade. Nunca me tinha deparado com tal coisa. Até ao Verão passado. De repente dei por mim metida em embrulhadas, com comentários exteriores, com tentativas de sacar informação ou maledicência sobre terceiros…

É estranho… São pessoas para manter ao longe, para não confiar, de quem não se pode depender. A vida continua, sim, e na boa. É só chato perceber que as tragédias que para mim apenas os outros viviam, de vez em quando me tomam como personagem.

 

E eu não estou chateada nem amarga – estou é com uma amigdalite e obras em casa, e trabalhos para entregar, e pouco tempo. Isso é que eu estou.

26 novembro 2011

Caro Metropolitano,

9 minutos não é normal!
No metro agora espera-se mais tempo que antes. De certeza que reduziram o número de comboios.
Antes, tínhamos a certeza de que não esperaríamos mais de 3 minutos pelo metro. Era possível dizer a alguém "Estou aí em 15 minutos" com a certeza de que estaríamos: 3 minutos para chegar ao metro, mais 3 de espera, 5 para a viagem e mais 4 para chegar ao ponto de encontro. Agora não. Principalmente se houver transbordo. Esperar 9 minutos por cada comboio são quase mais de 10 minutos de viagem.
As razões porque ando de metro é porque é mais rápido, não tenho de esperar muito tempo, e enquanto espero não me chove em cima e estou à sombra. Mas irrita-me ter de passar o passe. Principalmente na saída. Era uma das coisas que gostava antes era de não ter de abrir mala e carteira para entrar, ao contrário dos autocarros. Agora, com estas portas automáticas é uma chatice. Não se pode descansar a mochila nas costas, ou a carteira no bolso, ou seja o que for. O passe também não pode ir para o bolso (estraga o chip...). E ainda por cima temos de guardar o recibo, para salvaguardar uma avaria no chip. E dizem-nos que é mais ecológico. É treta! Por cada pagamento sai um recibo. Outra coisa que não gosto é o sobe escada, desce escada, sobe escada, desce escada. O autocarro espera-nos no plano horizontal e à luz do sol, em vez das luzes artificiais.
Que saudades das vinhetas! E dos módulos! Podiam andar na carteira uma ano, que eram sempre válidos, funcionavam sempre. Era garantido! E era simples.
Portanto, o que eu te tenho a dizer, ó Metropolitano, é isto: se perdes a grande vantagem que tens sobre os autocarros (pouco tempo de espera)  de certeza também perderás clientes. Rectifica isso, por favor.
 
Obrigada.
 

23 novembro 2011

HOJE

Só ao constatar o meu espanto ("Oh! A jornalista está a apresentar o telejornal de calças e t-shirt!") é que me apercebo de que tenho entranhado em mim um código de fardamento para pivot de telejornal. Já me tinha ocorrido o mesmo espanto no Verão ("A apresentar o telejornal de alças?! A mostrar os ombros?!"). A forma como somos formatados é extraordinária. Sem darmos conta somos conservadores. Estranhamos que outros se vistam confortavelmente, como nós fazemos todos os dias.
Nunca me julguei conservadora, até pelo contrário. 
HOJE* está tudo diferente.
 
* Era para pôr aqui o logo do telejornal das 21h da RTP2 (o melhor canal da televisão portuguesa!).

18 novembro 2011

memory lane

Recordar os posts antigos é uma grande viagem. É uma viagem a situações ultra-superadas, emoções que já foram, outras vezes confirmar que somos as mesmas, dificuldade e stresses que passaram e, não fosse estarem relatados, nem havia memória deles, as alegrias tidas por isto ou aquilo que agora tomamos por certo, outras infelicidades que não mudam com o tempo.
Acabo por ter sempre um certo carinho e alguma pena de mim. Também me acho piada em alguns momentos.
Há também o crescimento da miúda, com as graças permanentes e outras esquecidas, a evolução constante - parece outra pessoa
A relação entre nós também parece que não era a mesma, que agora é outra. É sempre estranho. Não consigo descrever.
Escrevia mais, mais vezes, sobre mais coisas, a vida mais exposta. Acho piada a forma como escrevia. Só passado algum tempo é que consigo achar isso. Na altura parece sempre banalíssimo e mal-alinhavado.
Gostava que isto fosse um local de exercício de escrita, onde me esforçasse para escrever bem, mas na maior parte das vezes entra-se no registo diarista e depois é dificil ter piada nesse registo. A primeira pessoa é dificil. A terceira soa melhor.
Tudo isto porque reparei no decréscimo de posts e, ao passear os olhos pelo passado, constatei também que o tamanho tem diminuído.

15 novembro 2011

guarda-chuva

O guarda-chuva fechado tocava ao de leve o chão de pedra da estação do metropolitano, marcando o passo da mão que o levava a passear. No tapete rolante o espigão de metal do guarda-chuva sentiu-se aconchegado nas ranhuras de metal e descansou da marcação do ritmo - parado seguia o seu caminho, equilibrado pela mão, que o impedia de tombar desamparadamente. A mão voltaria a erguê-lo no ar daí a pouco - a passadeira estava a terminar - e o guarda-chuva retomaria a marcação do ritmo do passo com o seu espigão de ferro no chão de pedra e depois na calçada.
Mas a mão puxou-o e o guarda-chuva não se ergueu no ar como previsto. A mão puxou com mais força, mas o espigão estava preso na ranhura de metal. Duas mãos tentaram arrancar o guarda-chuva, que entretanto ficou preso nos dentes finais da passadeira. Já não eram só as mãos que puxavam, também uma bota o pontapeava, tentando arrancá-lo às garras da passadeira rolante.
Ao lado saíam da passadeira guarda-chuvas balouçando nas mãos de quem os levava, e aquele ali, entalado, preso, com uma espuma cinzenta escura a crescer imparavelmente junto ao local onde o espigão estava preso, libertando um cheiro químico a borracha queimada e óleo. Parecia que estava a ser triturado pelos dentes, engolido pela passadeira rolante e transformado em espuma escura.
A insistência das mãos que o puxavam finalmente libertou-o da tortura.
Foi virado de cabeça para baixo para que os efeitos do entalamento fossem observados. Ao ver o espigão achatado, torto e rasgado soltaram-se gargalhadas em barda.
De imediato, o guarda-chuva voltou a marcar o passo, acompanhado pelos risos de quem o salvara.

11 novembro 2011

caraças

Li a Melissinha e senti-me espelhada no primeiro parágrafo. Também eu carrego as culpas de tudo, desde o não dizer boa noite ao vizinho como das intervenções e questões que fiz na aula. A sensação de culpa e de asneira é tão constante, que muitas vezes nem questiono e assumo logo as culpas de um erro que não cometi. Ultimamente tem acontecido bastas vezes e em geral a tentativa de correcção imediata do erro acaba por criar um novo disparate (porque afinal não me tinha enganado) de forma que ando sempre a padecer do stress pós-asneira: que varia entre o stress pós-pseudo-asneira e om pós-pseudo-pseudo-asneira. É muito cansativo... e ocupa-me imenso a cabeça, não me deixando livre para outras acitividades intelectuais.
 
Como é que isto se pára?
Eu sei, é o terceiro parágrafo da Melissinha. Vou assumir as minhas qualidades do caraças e está feito!

09 novembro 2011

........

No Jardim Infantil (com alunos entre os 3 e 5 anos) está afixado o anúncio para uma escola de dança (para meninas, suponho), cujo nome é "As Virgens de Tutu" [ou de outra coisa de que não me lembro].
Este cartaz, pelo qual passo todos os dias causa-me horror diário. Tenho de o arrancar da parede!
Como é que é possível algum pai inscrever uma filha numa escola que mistura dança com sexo? Que acha que tem alguma razão caracterizar as suas alunas entre os 3 e 5 anos como meninas que ainda não tiveram relações sexuais?! Algo que está tão longe dos pensamentos das miúdas, mas que pelos vistos tem todo o sentido para os directores da escola.
É doentio, nojento e só mostra que as pessoas que tentam mostrar que são puras (o que quer que isso seja) são aquelas que têm mentes depravadas.
 
E pronto, é assim a vida: coisas aparentemente inocentes são o indício de que inquisição deixou seguidores.
 

Chove...

Chove... Corro de um lado para outro, projecto um dia fazer bolinhos nas formas novas, coser a roupa que precisa, ter umas janelas novas, voltar a fazer exercício, escalar com tempo, et coetera, et coetera...
A miúda anda toda contente por ser deixada aqui e ali, hoje com este amanhã com aquele, casas diferentes e hábitos diferentes. Só quer é passeio e pessoas. E eu anseio por ficar em casa e não ter de cumprir 7 horários num só dia. Sete momentos em que posso ficar atrasada, em que posso falhar, em que acabo por stressar.
É tão rápido ficar cansada...
 

28 outubro 2011

doclisboa

Parece-me que é a primeira vez que o DocLisboa me vai passar completamente ao lado. Bem tentei ver se havia alguma sessão compatível com a maternidade, mas nada. O que é que aconteceu?!
Já não há sessões o dia todo. Pelo menos para ontem e hoje só às 16h e a essa hora já não é compatível com horário da escola da miúda; à noite é impossível...
Therefore:
- DocLisboa, olá-adeus... Até para o ano!
 
Que pena...

21 outubro 2011

adrenalina

Sem dar por isso, às vezes vêm parar às mãos livros que de outro modo não leria. Desta vez foi o Adrenalina, um policial. Nada de especial no estilo, nem na história, nem nas personagens, mas a verdade é que li 400 páginas em 5 dias, quando o meu último livro (Charles Dickens, O homem e o espectro, umas 100 páginas em livrinho de bolso) me demorou cerca de duas semanas!!!
Enfim, para quem perde tempo com séries policiais na TV não deveria ser anormal, mas sempre considerei a leitura outro campo, onde não se misturava o fast-food comercial. Olha, enganei-me... E diverti-me.
 

cenouras

Havia uma "cenoura", na ideia do doutoramento, que era ter tempo meu, deixar de me sentir presa e de sentir que alguém me estava a fazer um favor.
O doutoramento chegou, trinquei a cenoura, mas afinal não me saciou. E eu questionava "porquê?! Um sonho, um projecto de vida realizado e porque é que não estou histérica de felicidade?"
Percebi finalmente, foi porque no meu sonho eu ía ter tempo meu, deixar de me sentir presa e de sentir que alguém me estava a fazer um favor, e neste momento, porque tenho de conciliar trabalho com aulas e com trabalhos de seminário o tempo foi à vida, estou dependente de "amas" para ir às aulas e continuo presa ao trabalho e, no final disto tudo, acabo por não conseguir dedicar-me ao doutoramento como queria.
Sei que estou a fazer o quer quero, sei que é apenas uma fase díficil, e por isso todo o esforço é recompansado.
Mas já tenho uma nova cenoura à minha espera: o dia em que efectivamente deixar de trabalhar, de cumprir horários, de me esforçar por um projecto que não é devidamente apoiado.
Mesmo sem cenouras andaria para a frente, mas a gulodice impele a viagem.

14 outubro 2011

descontos à rasca

Adorei esta notícia: Durante os meses de Outubro a Dezembro de 2011, todos os desempregados e jovens à procura do primeiro emprego beneficiarão de um desconto de 50% em todos os cursos da Booktailors. É aproveitar!!!!

formigas

Tenho a casa cheia de formigas. Qualquer pequena coisa elas atacam em força e desproporcionalemnte: cerca de 1000 formigas para dois bagos de arroz, 20 para um pano de limpeza.
Para dar conta delas é preciso ter a louça sempre lavada, a casa aspirada, os caixotes do lixo vazios.
Deve estar a resultar, porque nos últimos tempos o desespero delas é tanto que até atacam copos com água, mas como a água não deve ter interesse, começaram a suicidar-se. Em meio centímetro de água 30 formigas afogadas...

07 outubro 2011

Memórias dos sons

Há sons que fazem parte das nossas memórias e que já não são recuperáveis: os das K7 dos spectrums, enquanto os jogos carregavam, e os do final dos vinis, quando a agulha saía, ou nos telefones de disco, quando o disco ia para trás depois de marcar um número. São sons engraçados.
As campainhas dos eléctricos, quando para pedirmos para parar tínhamos de puxar um cordão que corria no tecto.
Muitos dos sons que agora correm não tem uma ligação causa efeito entre uma material ou uma acção e o som produzido. É apenas um som, como podia ser outro qualquer. E de repente os sons deixam de fazer sentido, de ter uma origem.
Nem sei bem que reflexão é esta, mas é qualquer coisa que me dá que pensar, embora não saiba em que sentido.

29 setembro 2011

ortografia portuguesa

Sabiam que por volta de 1500 houve um dicionário português em que se defendia a simplificação da escrita e a aproximação à oralidade? Por exemplo, escrever umedo em vez de húmido, umano em vez de humano e sustância em vez de substância? O que é engraçado, pois parece que a discussão é nova, mas afinal não é. Sabiam que esses primeiros dicionários/gramáticas tinham por norma escrever o erro e depois a forma correcta: assentar (errado) - sentar (certo)?  Ou seja, se não soubessemos falar mal, não saberíamos como falar bem*. Vemos também qual a evolução fonética da língua e como essa evolução foi travada e fez marcha atrás tantas vezes, por haver da parte dos intelectuais o desejo de aproximar a língua ao latim (que era tido como mais culto).
A exposição tem piada, especialmente se lermos os painéis (ou se alguém os ler para nós).
Aconselho: Faculdade de Letras de Lisboa até 8 de Outubro
Toda a exposição é feita com base nos livros da biblioteca de Leite de Vasconcelos, alguns deles diponíveis on-line em http://legadovasconcelos.fl.ul.pt/.
 
* Mais ou menos: as formas erradas não ocupavam assim tantas páginas. É mais parecido a uma errata.

22 setembro 2011

Joan Baez

Quando tinha cerca de 8 anos fui com os meus e as minhas irmãs de carrinha (uma Toyota Hiace branca) de férias pela Europa. Nessa época ainda havia Jugoslávia, que atravessámos, e a Grécia foi o ponto final da viagem. No regresso atravessámos de barco o mar Adriático, até Itália. Dormimos num barco enorme uma ou duas noites numa zona comum onde toda a gente (malta da mochila às costas) dormia no chão e convivia. Não me lembro, mas acho que os meus pais deviam ser os únicos valentes com as três filhas atrás. No barco os meus pais travaram conhecimentos com algumas pessoas (um deles fez uma caricatura da minha irmã mais velha, com um nariz enorme, de que ela nunca gostou), outros mais tarde foram visitar-nos em Lisboa e levaram como oferta aos meus pais um disco da Joan Baez.
Durante muito tempo esta foi uma das minhas cantigas preferidas.

19 setembro 2011

paixão post-mortem

Estou apaixonada por homem morto...
Foi actor, autor e empresário de teatro. Viveu no séc. XVIII, andou pelos principais teatros da capital, foi amigo de ilustres conhecidos, viajou até ao Brasil e deixou uma extensa obra inédita.
Adorá-lo-ei para toda a eternidade, porque graças a ele, ao trabalho que ele fez e à importância que teve no meio teatral da época, eu obtive o meu primeiro momento de realização profissional: a aprovação da minha bolsa de doutoramento.
 
Obrigado AJP!

14 setembro 2011

sobre mosquitos mortos no pára-brisas

"É limpá-los enquanto estão frescos!"*
 
*Cito a minha mãe citando a minha irmã citando-me a mim (ou seja, fui eu que o disse, mas já nem lembrava)
 
..porque na minha família há várias opiniões sobre o assunto.

13 setembro 2011

A ver se não me esqueço

Dedicar um tempo à filha ao fim do dia a 100%. Disponibilidade total, para que depois tanto uma como a outra nos possamos dedicar a 100% às nossas tarefas privadas.
 
Às vezes esqueço-me de como um pouco de brincadeira conjunta cria muito melhor ambiente do que uma atenção parcial enquanto, paralelamente, nos dedicamos a outros trabalhos.

02 setembro 2011

É só um "post" de início de "saison"...

O trabalho de novo, a escola, levantar com despertador, os
compromissos, tudo de novo. Até as olheiras já cá estão, apenas em
dois dias...
Para sabermos mesmo que acabaram as férias, até esta chuva incessante
que nem nos deixa sonhar com um fim-de-semana para relembrar os
prazeres do Verão.
Mas as férias foram das melhores. Iniciei (conscientemente) uma nova
forma de passar férias que é ir visitando outros fereantes pelo país.
Desde que a Mariana nasceu que é isso que faço, mas este ano, devido
ao grande sucesso que tive, decidi que é isso que quero continuar a
fazer. E conhece-se o país inteiro (não neste ano, mas os próximos
contribuirão sem dúvida para isso).

11 agosto 2011

Praia com levante

Cena 1 - o amor

Um casal namora dentro de água. Apesar de estarem só as cabeças de
fora, a maior parte dos adultos percebe o que se passa (visto que
havia muitos olhares nessa direcção). Depois de estarem colados frente
a frente, os amantes separam-se e com água pela cintura fincam os
olhos no fundo, como se estivessem a apanhar conquilhas. Uns amigos do
casal juntam-se na pesquisa. Continuam a ser observados pela praia em
peso. Só quando o homem sai da água se percebe quem perdeu o
fato-de-banho: ela. Teve de ser resgatada com uma toalha pela cintura.
Ao final do dia passeavam-se pela beira-mar a ver que prendas as
grandes ondas tinham trazido para eles.

Cena 2 - a vida

Banal: dois homens valentes, a quem a bravura das ondas, a correnteza
do levante, a bandeira amarela e os avisos dos nadadores-salvadores
não os amedrontam e impedem de nadar até fora de pé e combater a
espuma das ondas como um heróico Camões de manuscrito na mão, acabam
por ser resgatados por dois nadadores-salvadores, de bóias
cor-de-laranja ao peito, e ser puxados até terra pelos outros
banhistas mais cuidadosos, que preferem ficar mais a seco.

03 agosto 2011

primeiro dia de praia

Não é só a minha miúda ter feito 5 anos e calçar o 29, ela está mesmo crescida.
Quando regressávamos do nosso primeiro dia de praia do ano, dei por mim a lembrar de todas as outras formas em que já fizemos o mesmo percurso: ela ao colo, ela na mochila a dormir toda inclinada, a caminharmos e eu  cheia de tralha, a caminharmos ela carregando a própria tralha, e agora tão simples: linda e feliz ao meu lado. Fixe!...
Gosto desta miúda, cada vez mais.

02 agosto 2011

comboios

Não há como um apeadeiro no meio do nada, um comboio que chega quase sem aviso, uma única pessoa no cais, para que se sinta que uma viagem emocionante e uma vida esfusiante está a começar. Mesmo que essa viagem seja apenas de 25km e demore meia-hora.
Uma estação de comboios quanto mais velha, mais mágica é...
E os sorrisos e acenos de quem vai e de quem fica partilham essa sensação de magia.

19 julho 2011

Obediência

Estreei-me na ida para o trabalho de bicicleta. É engraçado.
A parte mais complicada é levar a miúda à escola. Ela também vai de bicla. Em todo o percurso eu só lhe dou ordens: vira, pára, anda, espera, mais devagar, esquerda, frente, direita, não pares, olh'ás pessoas!, usa o travão, vai para a bicicleta, mais depressa, etc... de forma, que aquilo a aborrece um bocado. Eu tenho pena, mas enquanto ela não conseguir tomar estas decisões sozinha a única coisa que eu posso fazer é partilhar as minhas com ela e obrigá-la a obedecer-me. Espero que ela não desista disto, por causa das ordens. Mas há situações em que não pode haver cedências à obediência... Expliquei-lhe isto. Entenderá?

Nota: a foto é do Parque da Bela-Vista.

14 julho 2011

Mau humor

Há coisas que me fazem mal e outras que me fazem pior.

Jardinagem

A minha sardinheira, que foi o meu orgulho de jardineira insipiente e incipiente, transformou-se num "Agora", que nem dá direito a foto (para não ser acusada de negligência e maus tratos a vegetais). Ficam aqui os registos dos seus tempos de glória.


Quando chegou a nossa casa


Umas semanas depois

08 julho 2011

Don't trash our world

Num daqueles dias de Inverno em que chove muito, muito o dia todo, fui até casa dos meus pais. Estacionei o carro e, quando estava a tirar qualquer coisa no porta-bagagens, vi que estava no chão uma t-shirt, toda molhada (naturalmente), enxovalhada, pisada e enlameada. Pensei guardá-la no carro, mas para além de estar encharcada, parecia-me que aquilo era mais um trapo que uma t-shirt e, além disso, podia ser que o dono a viesse buscar.
Horas mais tarde, quando me ia embora, passei novamente pela t-shirt e resolvi levá-la comigo.
Lavei-a. Continua com muitas manchas nas costas, mas agora é uma das minhas preferidas. Á frente diz assim: "Don't trash our world".

04 julho 2011

Para acabar de vez com as dúvidas


Quando temos dúvidas sobre se devemos comprar o passe do metro para uma miúda de 4 anos, que só o vai usar metade do tempo de validade do passe, nada melhor do apanhar com um grupo de revisores à saída, para termos a certeza de ter dado o dinheiro por bem empregue.

27 junho 2011

então o amor é isso?


Às vezes percebe-se que duas pessoas têm uma relação de namoro (ou qualquer outra coisa), quando começam a maltratar-se em público.
Muitas vezes é o contrário, com as mostras públicas de afecto, mas noutros casos, quando nos damos conta de uma facilidade em ser cruel e em denegrir a pessoa (de um lado), e a hipersensibilidade a qualquer forma de desatenção, a constante necessidade de opinião e apoio (no outro), percebemos que aqueles dois andam enrolados. Porque é que é assim? Porque é que a intimidade os leva a isso? Nos casais que fazem actividades de lazer em conjunto assisto muitas vezes a isso (não é sempre, como é óbvio, mas é prato do dia).
Acho estranho...
Não me lembro se já fui um deles...

24 junho 2011

Lacrei!

E já não à volta a dar...
O que estiver mal estará para todo o sempre.
O que estiver bem, também.
É esperar por Novembro e prosseguir...

Ai! e Ufa! em simultâneo.

20 junho 2011

Sobre a crítica

Desde que saí de casa dos meus pais, raramente leio jornais. Antes havia o Expresso ao sábado de manhã, agora não há nada. De vez em quando leio algumas críticas de livros e CDs em media diversos, mas fico sempre na dúvida sobre a crítica e o crítico: será a crítica mais interessante que o objecto? Será que o crítico não tem os mesmo gostos que eu? De forma que o objecto criticado nunca entra na minha posse (juntemos a isto a falta de recursos e temos o caso explicado).
No entanto, nunca me esqueço de duas críticas que li, que me convenceram a adquirir os objectos que analisavam e que me levaram a dois cultos que pratico até hoje: PJ Harvey e Albert Cossery.
Com a PJ Harvey, com os primeiro álbuns dela lembro-me de ter incomodado muita gente, numa altura em que havia festas em minha casa: era muito barulho, era estranho e parecia mal feito. Só mais tarde encontrei outras pessoas que também a apreciavam e eram sempre excelente pessoas. Depois a PJ Harvey até já vinha cantar a Portugal (fui uma vez a um Sudoeste, mas foi por essa mesma altura que desisti de concertos grandes – a minha altura só me permite ver costas e em geral o som é mau e ouve-se mais o público que os artistas) e agora até veio à Aula Magna, mas apanhou-me sem cheta e mãe solteira, de sorte que ainda não foi desta. Mas o culto fica.

O Albert Cossery e os seus Mendigos e Altivos foi o único autor que me fez ter vontade de mudar de vida. Tinha mesmo: depois de ler o livro a única coisa que eu queria na vida era ser mendiga, pedinte. É claro que não fui. Estava no 9º ou 10º ano, em casa dos pais e de repente ir para a rua pedir era uma mudança muito drástica e tenho a certeza que não iria correr bem. No entanto, não deixo de achar curioso que um livro consiga fazer com que uma pessoa tenha vontade genuína de seguir um rumo diferente (e o diferente aqui não é ser saudável, activa, pró-activa e outras qualidades promovidas pelos iogurtes). Li depois mais Cossery, e tornou-se repetitivo, mas gosto sempre.
Por estas duas descobertas, a crítica e os críticos hão-de ser sempre uma coisa de louvar.

14 junho 2011

A alucinar com projecto de doutoramento...

O fim-de-semana foi muito bom, mas na aproximação a Lisboa senti o meu cérebro a desocupar a zona de lazer e mudar-se para a organização de parágrafos, ideias, pontos e subpontos.
No domingo de manhã a Mariana deixou cair uma tigela com leite no chão e eu disse "não faz mal". Depois de ir ao computador e iniciar a reformulação da refourmulação, quando a Mariana ia deixando cair um prato com um crepe, ia-me saltando tampa.

Pelo sossego da minha família, quero despachar isto o mais breve possível.

Cérebro, ajuda-me!

07 junho 2011

recriando Pessoa

Ai que prazer não ter um dever,
ter um livro para ler e mais nada a fazer.
Ler não é maçada
Trabalhar é nada.

Ando às voltas com tanta coisa, tanto projecto, versões 1, 1.1. versão 2 e 3, versão 5, a de 06-06-11 e a de 28-05-11 e mais sei lá quantas. Quando olho para tanto início de versão sem fim, parece-me que vejo apenas várias hipóteses de suicídio.

06 junho 2011

as dores do crescimento

À medida que a minha filha cresce vai levando cada vez mais cotoveladas na cabeça.
Se calhar é nesta altura que eles largam as saias da mãe.
Tenho de ter cuidado...

30 maio 2011

Oh...
Fiz a simulação do meu IRS e dizem que tenho de pagar quase um ordenado inteiro (mas quase, quase). Não percebo...
Como é que eu, mãe solteira, a pagar uma casa e a educação de uma miúda sozinha tenho de pagar isto tudo, e uma colega que ganha mais do que eu, não tem filhos e divide casa recebe... Não percebo, juro...
E também me arrependo de todos as facturas que dei aos outros. Afinal havia umas coisas que ainda podia descontar e não sabia, nunca mais. A partir de hoje todos os recibos são para mim.
O mundo é verdadeiramente cruel e injusto... E as finanças são incompreensíveis.
Lá se vai tudo, todas as poupanças, todos os planos...

Bela merda!

Queridos leitores, queria escrever-vos outra coisa, qualquer coisa alegre, mas esta triste contatação deixou-me de rasto e só consigo pensar em €€€€€€€!!!! Tinha novidades boas: consegui encontrar uma revista e um livro que andava à procura e li-os. Um na Faculdade Direito (biblioteca agradável mas com poucas mesas, ar condicionado a bombar) e no Palácio das Galveias (espectáculo! Às vezes adorava ser turista e poder deslumbrar-me com o meu país. Que biblioteca linda. Até vejo o Marquês de Pombal a andar por ali e abrir estantes para consultar os planos de Lisboa pós-1755, enquanto os pavões lá fora guincham. Também tem poucas mesas, mas ao menos são giras). Estava feliz até me ter posto a preencher o IRS...


voltarei, mais alegre, deus queira...

04 maio 2011

remédio para a depressão

O Peso Pesado marcou-me. Desde que o vi não como um chocolate, um bolo ou outra porcaria com a mesma leviandade. Percebi que é fácil a degradação física e mental e que comer mal é mesmo um crime contra nós mesmos.


Naturalmente, hei-de esquecer a impressão que me fez e em pouco tempo volto a comer os mesmos bolos e chocolates sem me lembrar do programa nem das pessoas.


Só espero que para a malta lá dentro aquilo resulte e que saiam dali não só com menos peso, mas com vontade de serem saudáveis.


Acredito que também eu podia estar ali (não no programa, mas com 170kg). É tão fácil uma pessoa deixar-se ir abaixo…



Portanto, remédio para depressão: (sempre que a depressão ataca) 10 flexões, meia hora de corrida, 15 abdominais e mais o que for necessário.

11 abril 2011

formigas

Por vezes, quando damos de chofre com pessoas de uma raça diferente da nossa (vulgo, ida ao estrangeiro), a primeira impressão é de que são todos iguais e todos os orientais têm os mesmos olhos e todos os guatemaltecos o mesmo nariz. Só com o tempo topamos um japonês no meio dos chineses, e distinguimos logo um guatemalteco de San Pedro de um de Guatemala City (e sem ser só pelo traje). Pois bem, o convívio contínuo que tenho tido com formigas em minha casa também me deu para aperceber que elas têm personalidades diversas: umas seguem o carreiro sem desvios e não alteram o percurso mesmo que estejam sob a ameaça mortal de um dedo indicador; outras fogem matreiras, encostam-se aos copos para não serem apanhadas, põem-se debaixo de folhas e andam em círculos, impedindo o dedo assassino de concluir a sua tarefa. Umas há que quando encurraladas num frasco com bolachas, continuam a amealhar comidinha para o Verão; outras, mal sentem que afinal já não estão ali de livre vontade, procuram desesperadamente escapar-se cada vez que a tampa se abre. Quando têm a entrada do quartel-general "perfumada" de Dum-Dum, formigas kamikaze continuam a entrar lá para dentro, mas outras, mais racionais procuram outros caminhos e outros abrigos.


Resultado: não sei como dar cabo da praga…

01 abril 2011

A sorte é que a moda muda...

... e assim as ciganas conseguem vender coisas diferentes, dizendo sempre o mesmo pregão:
"Olha a roupa da moda. 5 euros".

22 março 2011

medo...

Ai que medo que eu tenho do que aí vem.
Não quero eleições antecipadas. Mais não sei quantos gajos a quererem um tacho para eles e outros para os amigos, conhecidos e utilitários. Não!
Meu país, não faças isto. Gosto de cá estar... Mesmo mal como já estou.

17 março 2011

Fim de semana

Fazer puzzles com amigos e experiências de quilts com papel de embrulho.

16 março 2011

MST, que logro!

Jesus! Acabei agora de ouvir as tais declarações do Miguel Sousa Tavares e realmente demagogia e hipocrisia são os dois adjectivos que o definem belissamente. Nunca pensei que alguém que me pareceu tão interessante quendo eu era mais nova (e ele também) se transformasse nesta coisa nojenta. Como é que é possível ser contra pessoas que querem ter direitos quando trabalham? E a estupidez de resposta de que a Imperatriz Leopoldina no Brasil é que aboliu a escravatura?!! Por amor de deus!! A Leopoldina lembrou-se de repente de libertar os escravos, sem ninguém tivesse levantado a voz!? E a dizer que gritar por direitos está fora de moda e leva à ditadura? Ah, se eu pudesse atirar tomates em pensamento, eras uma tomatina ambulante.

14 março 2011

dar o corpo ao manifesto - à rasca

Estive lá.
Estou à rasca, vivo à rasca e tive de o fazer. Desfilei na avenida - mais para baixo e para cima à procura das irmãs, que também lá estavam, encontrei uns tantos amigos que também lá estavam, e ao cruzar-me pelas pessoas havia a pergunta habitual: "como é que estás?" , que era respondida pela resposta ambiente: "sou bolseiro", "sou recibo verde," "não encontrei nada", etc.
Do que vi das notícias na televisão, apercebi-me de que deram imensa importância ao número de pessoas, ao facto de os pais estarem presentes também (preocupados com o futuro dos filhos), relevaram algumas queixas, e falaram em músicas e cantores. Por vezes pareceu-me que havia uma certa confusão: pareciam dizer os comentadores que as pessoas tinham ido à manifestação porque tinham ouvido uma música ou iam lá uns cantores. Também outros comentadores/jornalistas se fascinaram com o facto de a manifestação ter sido convocada pelas redes sociais (!!!). Também ouvi que não havia organização, nem refrões nem palavras de luta. E que até nem se sabia muito bem os percursos, nem para onde se ia, nem quem organizava, nem o que era para fazer, no final de contas. Mas ninguém apresentou factos reais sobre os precários: quantos somos? que direitos temos? que Portugal nos sobra? até quando temos de adiar a nossa vida? os nossos filhos? as nossas casas? a nossa felicidade? Que país é este, que nos maltrata assim? e que diz nos quer?
Pois bem, eu achei o ajuntamento extraordinário. E cumpriu exactamente o propósito que se colocou: dar um corpo ao manifesto - literalmente. Mostrar quem somos, os mal pagos, chulados, sem futuro. Tudo pessoas normais. A descer na liberdade para um futuro sombrio. E o futuro não é aos 60 anos, é para o mês que vem...
 

01 março 2011

Boa noite!

O que é que acoteceu agora, às 00h36, quando estou quase a cair para o lado com sono, a tentar traduzir uma última página de um capítulo?!
Tocaram à campainha!! E quem havia de ser? O Continente.
Eu às 22h40 já pensava que se tinham esquecido. Nunca me passou pela cabeça que à meia-noite e meia me tocassem à campainha sem avisar antes que se atrasavam muito. É que em geral até estou a dormir a esta hora.
Hoje não.
E devia estar a gastar a esta teclagem para acabar o capítulo.
Boa noite!

28 fevereiro 2011

amigos

Sábado tive uma visão muito positiva de mim mesma.
Fui à Guia em trabalho, portanto, para além do outro formador, apenas contava com um grupo de desconhecidos.
Logo pela manhã começaram a aparecer pessoas conhecidas: vinham cumprimentar-me, perguntar-me pela vida e pela filha, questionavam sobre assuntos recentes sobres os quais tinha falado com eles e convidavam-me a fazer qualquer coisa em conjunto num futuro próximo.
Foi, um, e outro e outro e outro e outro e eu só a ver pessoas a aparecer, pessoas de quem gosto, com quem aprecio passar um dia de escalada, mas também momentos de convívio; e acenava e dizia "olás". E outro e outro e outro. E eu interrompia a formação e ia dar umas palavrinhas a um e depois regressava ao posto. Eu estava contente, sem dar por isso. No final do dia, já no percurso de regresso, uma data de conversas iniciadas, acabadas e deixadas a meio.
Voltei para casa, cansada, sozinha... mas antes de me deitar dei-me conta da quantidade de amigos que tenho, do tão acarinhada me senti durante o dia, e depois de relembrar como fui tratada por tanta gente, fiquei contente comigo própria, por ter deixado de olhar para o chão e ter começado a ganhar coragem para falar com as pessoas. Ganha-se tanto!!! Há carradas de gente que vale a pena!
Obrigado eu por ter consigo ser uma pessoa melhor.

22 fevereiro 2011

num país de bananas governam-se os sacanas

Ontem ouvi no parque "num país de bananas governam-se os sacanas" e parece que Portugal se reduz a estas duas classes e que nós ou somos uma ou outra. Que temos de optar. Ou somos bananas ou somos sacanas.
Ontem senti a chegada do fim do Inverno, ou melhor, ouvi-a. Nas traseiras tocava um solo de saxofone e à noite ouvia-se bem. Gosto de ouvir a música dos outros e fiquei debruçada na janela da casa-de-banho um bocado a ouvir jazz na cidade meio adormecida.
E quando constato que gosto destas coisas tão simples (estar em casa, ouvir a noite, sossego, etc) dou-me conta que é tão difícil ter isso. E eu quero mesmo pouco.
Na segunda passada assinei o contrato. Duas horas antes de o fazer chamaram-me para dizer que não havia dinheiro e que não sabiam quando me iam pagar. Mas que fizesse o contrato, porque sempre era melhor. ???!!!!
Enfim, portanto sou banana: trabalho, acato tudo, não sei se me pagam.
O que posso fazer? Ser sacana? Fazer de conta que trabalho?
O que eu gostava era que houvesse respeito de ambas as partes e que não fosse necessário optar por uma destas classes.

Mas na verdade, já estou muito cansada de ser banana...

14 fevereiro 2011

Dia dos Namorados

Apaixonei-me. Por um ser querido, querido, de quem já tinha ouvido falar, mas que não conhecia pessoalmente. Ele ajuda-me e com o apoio dele tenho conseguido ultrapassar alguns momentos dolorosos da minha vida.
Adoro-o, nunca mais o largo e ele chama-se Voltaren rapid 50mg.
Obrigado por tudo, Voltaren.

01 fevereiro 2011

janela

Estava ainda em pijama no sossego
d'após faxina colhendo o doce fruto
naquele engano de alma ledo e cego
que a Mariana não deixa durar muito.
Dedicava-me à leitura no aconchego
da poltrona verde, e num minuto
um ruído ao longe estou a ouvir,
como o barulho de vidros a partir.

Levanto-me rápida como uma bala,
com angústia e a mente em alvoroço
ignorando o que se passara na sala.
Corro então o mais veloz que posso.
Vejo que o seu rosto dor não assinala
e da sua voz triste eis o que ouço,
olhando o chão com ar arrependido,
"Ó mãe, o vidro da janela está partido."

Não está bonito. No fundo estou a expor um exercício.
Inspirado nos primeiros verso do episódio de Inês de Castro d'Os Lusíadas.

móni, móni*

O objectivo da Epopeia Trágica do Quotidiano era reduzir a versos as pequenas coisas do dia-a-dia que me irritam muito, a ponto de quase estragar uma manhã ou tarde inteira. Coisas que não valem nada.
Infelizmente, verifico que a minha lista de pequenas desgraças ultrapassa em muito os meus dotes poéticos. Não há dicionário de rimas que me valha para o rol de micro-itens que me deixam piurça.
Tentarei parodiar as minhas desgraças em versos heróicos, mas... para quando ninguém sabe.
 
Entretanto, vou experimentar as páginas estáticas do blogger para isso. Pode ser que me incite.
 
Agora que tenho emprego tento tirar o fantasma da miséria de cima de mim, mas ele não sai. Ficou colado. Não consigo gastar dinheiro sem ficar logo apta a insónias e pensar na quantidade de outras coisas que podia fazer com esse mesmo valor. É doentio.
Nos desenhos do Pato Donald, o Patinhas era de uma avareza doentia, mas era para os outros. O próprio era feliz. Eu também quero viver contente com a minha avareza. (Se calhar faltam-me os banhos matinais em moedas de ouro...)
 
 
* Cantado pelo Billy Idol.

21 janeiro 2011

Pérola que não é minha


O planeta Terra é uma nave espacial a navegar à volta do sol.

17 janeiro 2011

Epopeia Trágica do Quotidiano

Primeiras estrofes do primeiro canto da Epopeia Trágica do Quotidiano

Eu canto a minha incompetência
no campo da burocracia confirmada;
Definitivamente não domino a ciência
Dos papéis que quase sempre dão em nada.
E dos outros gabo eu a paciência
No domínio da funesta papelada.
Eu canto a minha viva antipatia
Do convívio co'a nefasta b'rocracia.

Grafo bem, não dobro e não rasuro,
E na quadrícula de espaço restritivo
O nome vai em maiúsculas e a escuro.
Da morada levo o comprovativo
E do pagamento o mesmo não descuro.
De tudo cuido como dum ser vivo.
Para ouvir do vendedor atento
Que é inválido o infausto documento.

nota: refere-se à tentativa de adquirir um passe para a Mariana.

13 janeiro 2011

nevoeiro

Apesar do constante nevoeiro de hoje, ainda estou reconfortada pelos dois dias de sol que passaram.
Viva o pós-solstício de Inverno!

12 janeiro 2011

post com banda sonora

Porque toda esta história do possível desemprego (e já resolvido, acho…) me deu para pensar muito, acabei por me dar conta de que esta canção Jorge Palma fala mesmo sobre todas as ideias e constatações que andavam revoltear na minha cabeça.

Ou seja, quando mais temos mais necessidades e medos produzimos. Dou mais conta disso quando se fala de objectos. O medo de as coisas se estragarem, perderem serem roubadas.

Já há uns tempos perguntei-me o seguinte: os nossos pais também estavam sempre a dizer "não mexas aí que estragas isso, não atires o brinquedo para o chão que parte, tem cuidado com as tomadas, etc…" É que eu não me lembro de viver no mundo de nãos e frágil, passível de se destruir à minha passagem.

Mas depois comparo os tempos, os meus e os de agora e são tão diferentes. Por exemplo, as coisas que eu não quero que sejam destruídas: TV, leitor de DVDs, telemóvel, computador, comando do carro, brinquedos electrónicos… Tudo coisas que não existiam quando eu era mais pequena.

E as coisas perigosas: tomadas, microondas (se for mal usado), cacas de cães, desconhecidos que se podem revelar raptores de criancinhas, … também ou não existiam ou eram menos.

Também não havia bonecos na televisão o dia todo, nem filmes, nem play stations nem nada disso. Não havia tantos carros, nem tantos carros em cima dos passeios, que, logo, eram mais largos. As portas do metro não nos entalavam.

Para os pais havia empregos, sempre, e não era um stress querer ser empregado, querer ter uma casa e pagá-la. Não havia medo de pôr dinheiro no banco e ficar sem ele, de investir numa casa e vir um tsunami, etc…

Já me desviei do assunto, mas a verdade é que neste momento aconselho-me a primeira parte da música:

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Tira a mão do queixo não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar

Quem ganhou ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas pra dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem á batota
Chega a onde tu quiseres

Mas goza bem a tua rota

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Reflicto na última, quando penso que não quero continuar a minha vida toda a trabalhar, a perder o meu tempo de vida (sim, porque como ateia e agnóstica, só vivo uma vez e quando morrer não vou para lado nenhum, de forma que os anos que estiver viva serão os únicos que tenho para me divertir neste planeta (ainda) maravilhoso) e assim, que deveria investir a sério num doutoramento, porque vejo isso como um tempo dedicado a mim própria e aquilo que me interessa, um tempo de liberdade, de cumprimento de horários em troca de dinheiro :

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Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
A liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo



06 janeiro 2011

é o karma!

Ainda não vou sorrir completamente, mas parece-me que os desejos kármicos tiveram resultado.
Vamos esperar pela assinatura de contratos e respostas. E de coisas definitivas, por são as coisas pendentes que nos deixam com a corda no pescoço.

05 janeiro 2011

Um excelente 2011 para todos!

Cá vão, atrasados, os meus desejos de um excelente 2011 aos meus parcos leitores.

Ali em baixo diz que vai havendo mais seguidores, mas eu não sei. Estranho as pessoas que me seguem. Quem são elas e porquê? Uma ou outra conheço, mas são os desconhecidos que criam mistério.

Eu sigo alguns blogues. Seguir é bom: quando chegamos ao nosso painel lá estão as novidades de todos alinhadinhas e clicamos só naqueles que tem coisas novas para contar.

Eu neste momento não tenho novidades, a não ser que o previsto aconteceu e cheguei a Janeiro de 2011 sem emprego, sem previsões de emprego, muito triste, desiludida comigo, a pensar e a arrepender-me de todas as escolhas que fiz desde o 9º ano, que é uma coisa muito produtiva, eu sei, mas não querendo, é onde eu perco toda a minha energia.

Arrependo das escolhas de curso, de emprego, de falta iniciativa, de quando devia ter aberto a boca, de quando a devia ter fechado, e de tudo por aí fora até ao pequeno nada da pessoa que cumprimentei durante anos pensando que era outra e no momento em que vi a pessoa que julgava que cumprimentava, não a cumprimentei também e deixei de cumprimentar a outra... E arrependo-me e sinto-me culpada por não ter cumprimentado a pessoa certa durante esses anos.

É preciso ser-se mesmo tótó para juntar um episódio tão estúpido à lista de arrependimentos. Mas, então com cumprimentos são às toneladas. E de pessoas que só conheço de vista.

O "olá-tudo-bem" não é o meu género. Então em Espanha! Faz-se uma caminhada e no meio de espaços imensos e enormes cheios de gente a andar de um lado para o outro, ou pior, quando se está a subir e todos os outros estão a descer e nós temos de ir jorrando uma torrente de "hola!" por ali acima, quando o que nos apetecia mesmo era ofegar. Mas não há tempo: passa um viandante e lá vai o "Hola!" da praxe, para não dizerem que os portugueses são mal-dispostos. Mal-dispostos nunca, mas com falta de ar sempre.

A passagem de ano foi boa: fogo-de-artifício a rebentar quase por cima da cabeça durante 16 minutos. Melhor, só se a seguir tivéssemos ido jogar às cartas, acompanhados de cervejas e amendoins.

Desejo que todos os meus desejos sinceros de excelente 2011 sejam kármicos e se reúnam na realização de um excelente 2011 para mim também. Estou a precisar.