16 dezembro 2010

fim do mundo

Acabo de ver no Público imagens do ministro dos ex-transportes grego a ser agredido na rua por uma multidão em fúria. O resultado foram ferimentos ligeiros, mas de certeza que o senhor ficou com muito medo de sair de casa.
Sempre me fascinaram as multidões, tanto pela parte horrível, como pela boa.
Neste momento receio que daqui a pouco tempo tenhamos também as nossas multidões em fúria em Portugal. Não sei se é só jornalismo, parece-me que é real e que há verdadeiramente muita gente por essa Europa fora a dar largas a uma raiva contida há algum tempo.
O desemprego, a falta de dinheiro e, pior, a ausência de perpectivas facilmente levam as pessoas a manifestar-se violentamente. Daqui a 15 dias, quiçá, também eu poderei manifestar-me violentamente dando largas à angústia e ao desconsolo de ser adulta e ainda não ter futuro nem presente nem perspectivas de os ter. Se estiver desempregada, terei todo o tempo livre para me manifestar por aí; e se estiver chateada, nada melhor que gritar uns palavrões a quem não me quer ouvir.
Espero sinceramente não fazer parte dessas multidões, na realidade, o melhor mesmo é que não chegasse a haver multidões em fúria em Portugal. É assustador. Parece-se com filmes de fim do Mundo (tipo Mad Max ou as imagens do futuro do Exterminador, ou outros de que agora não me lembro): toda a gente em fúria, uns apanhados no meio, uma elite protegida na redoma, não se ser útil para nada, não haver objectivos para alcançar...
Que as imagens que chegam de Roma, Atenas e Londres se fiquem por lá.

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