15 dezembro 2010

costura

Tenho um brinquedo novo, fruto do Natal antes da época. É linda, barulhenta e exigente. É a minha amiga X5, a minha Brother da costura.
Já comecei a inventar e tendo em conta que a máquina ainda funciona e eu também, acho que posso dizer que somos muito felizes as duas.
Até agora apenas fiz uma fronha. Mal cortada, meio à pressa, uma experiência para ver como é que é. Já vi. É giro! E depois experimentei outra brincadeira. Fazer um gato (o perfil e encher). Como estas ideias são para concretizar no momento (para experimentar um ponto e testar uma hipótese) o desenho do gato não foi muito bem delineado, de forma que parece que está com papeira do lado esquerdo. Enfim, percebi mais umas coisas. Agora é só esperar que as coisas corram bem. Acho que vou precisar de um livro básico de costura, porque há um monte de dúvidas básicas que tenho para resolver.
Há poucos dias vi umas calças minhas meio descosidas e sorri logo "Esta é para coser". Ainda não domino a técnica e fazer uma linha recta é difícil, além de que não sei se deve ou não puxar/acompanhar o tecido, ou se confiamos no mecanismo da máquina a 100%.

Sempre que estou a coser lembro da minha primeira experiência de costura (ou pelo menos da primeira lembrança marcante). Era eu pequenina, ponhamos 4 ou 5 anos nisso, e fui brincar com a máquina de costura da minha avó. Pus um pano debaixo da agulha, dei ao pedal e aquilo coseu... tudo torto e tal, mas eu percebi como é que era. Então decidi fazer um novo, já que já tinha compreendido o funcionamento da máquina. Mas estranhamente a linha acabou e eu, que não imaginava como é tal fosse possível, pus o dedo debaixo da agulha e dei ao pedal para ver o que acontecia. O que aconteceu foi que a agulha me furou o dedo várias vezes, eu berrei muito alto e, quase ao mesmo tempo, aparece a minha avó espavorida pelo corredor. Ela tirou-me o dedo da máquina e embrulhou-o num pano branco que eu via manchar-se de vermelho a uma rapidez assustadora. Era tanto sangue e tanta dor que eu julgava que não tinha dedo debaixo do pano, de maneira que quando a minha avó queria tirar o pano para ver como estava, eu só tinha medo de não ver lá dedo nenhum, ou qualquer coisa meio desfeita. Concluindo, o pano saiu e o dedo lá estava - picado, ensanguentado, mas nada que um simples penso rápido* não resolvesse. E suponho que em dois minutos eu já devia estar novamente no quintal a subir às árvores ou a brincar no galinheiro.
 
*Penso rápido?! Já havia? Numa vila do Baixo Alentejo?... Talvez fosse um paninho atado.

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