21 outubro 2010

reflexão crónica

Muitas vezes dou por mim a pensar na relação das mulheres com a porcaria.
Há coisa de que não gosto mesmo e uma delas é o período, menstruação. É uma cagada.
Há quem diga que é o preço por se poder ter filhos, mas, ora bolas!, os homens também têm filhos e não precisavam de chafurdar na merda desde os 14 anos aos 45. Não é por aí...
Trinta anos a conviver com sangue mal-cheiroso, dores de barriga, trocar de pensos e tampões em situações pouco práticas, cagar a roupa no início do dia e não ter como a mudar, o cheiro nauseabundo de toda aquela nhanha. Que nojo! E contudo, que convívio tão íntimo e continuado. E tudo para possibilidade de um dia parirmos.
Claro que a minha querida e amada filha vale tudo isto, não consigo, no entanto, aceitar a menstruação nem com agrado nem com indiferença. Não gosto. Ponto.
E penso: será que a relação das mulheres com a limpeza tem a ver com essa convivência forçada com a chafurdice? Será a chafurdice uma forma de nos prepararmos para mudar fraldas, limpar rabinhos, espremer "puzes", aspirar ranhos, limpar vómitos e analisar o cheiro de urinas? E tantas outras coisas?
E a dualidade limpeza/porcaria como é que é (porque geralmente as mulheres são mais dadas às limpezas e à necessidade de limpar)? Uma serve para escamotear a outra? Ou é uma forma de compensação?
 
Esta é uma reflexão crónica que me ocorre em certas alturas do mês.

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