24 setembro 2010

Nos próximos tempos...

Há-de ter ondas - umas vezes em cima outras em baixo.
Agradeço os amigos que tenho a confiança que depositam em mim, porque graças a isso já deixei de imaginar o meu futuro como o imaginava há uns tempos.

Ainda ando a ler a Pearl Buck. Lá no livro, por vezes chove muito, alaga as colheitas; e depois faz muito sol e seca o trigo. Nessas alturas o Wang Lung e família fazem várias coisas:
1) vão mendigar para a cidade;
2) comem cascas de árvore, fazem chá com torrões de terra;
3) vêem pessoas a morrer de fome, a vender as filhas como escravas;
4) roubam
5) ou então conseguiram juntar nos anos melhores e ainda têm trigo, arroz e feijão para comer.
Lendo isto, acabo por me imaginar com a Mariana, às escuras em casa, com a água a conta gotas, a comer o pão que sobra da escola, ...

Tenho uma imaginação muito pródiga...
E há uma imagem que nunca me saiu da cabeça, durante anos e anos. É do "Espírito do Natal" do Charles Dickens, quando o tio avarento vai espreitar pela janela a casa do sobrinho e vê uma árvore de Natal, que mais parece um ramo descarnado, esquelético e praticamente sem folhas, com três pequenos enfeites, descoloridos, feitos com restos de coisas. É a árvore de Natal mais pobre que já vi. Mais pobre e mais triste. Mais miserável.
E lá vou eu imaginar: nós as duas, com frio (porque não tenho dinheiro para calafetar melhor a casa), com uma árvore feita de restos, com prendinhas famélicas, tipo "Ena! Um choclate Regina!".

Isto tudo, para dizer que já pensei que sim, que se calhar não preciso de ir lavar escadas, nem de andar sempre cansada e desistir de tudo o que gosto; que sim, que posso arranjar qualquer coisa boa, que é uma oportunidade de largar uma coisa que não me traz prazer nenhum há tanto tempo.

Hoje, estou em cima. Obrigado aos amigos.

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