29 setembro 2010

lixo

Ando a enviar currículos e a responder a anúncios e com a pressa e o querer responder a tudo da melhor forma, mudo os textos, altero uma palavra ou outra. E depois, só depois, quando já é tarde demais, é que vejo que aquela pequena alteração arruina a carta. Fica estranha, meia descamabada. Pode ser apenas uma frase ou uma coisa pouca que até passa, mas quando o currículo é na área das letras não posso cometer erros desses.
Dá que pensar que deveria mesmo fazer outra coisa; que sim, como a minha mãe acha, só sirvo para introdução de dados.
 
Talvez vá apanhar algum lixo dos jardins de Lisboa. Juro que trabalharia com afinco e aprumo. Limpava tudo. Era um espectáculo. Vejo tantas vezes pessoas que deveriam estar a fazer esse trabalho, mas estão desmotivadas. Em geral têm a vara apanha-lixo na mão e olham para o horizonte durante meia-hora sem se mexerem. Normalmente há bons exemplares de lixo mesmo à frente deles, mas parece que não os vêem e continuam a olhar para o horizonte, como se mesmo ali à frente deles tudo estivesse limpo. E não está: há latas, pacotes de vinho de mesa, diversas formas de sacos de plástico e uma data de etecetras.
Eu limpava tudo. Ou melhor, pelo curso que as coisas tomam, vou limpar.
 

24 setembro 2010

Nos próximos tempos...

Há-de ter ondas - umas vezes em cima outras em baixo.
Agradeço os amigos que tenho a confiança que depositam em mim, porque graças a isso já deixei de imaginar o meu futuro como o imaginava há uns tempos.

Ainda ando a ler a Pearl Buck. Lá no livro, por vezes chove muito, alaga as colheitas; e depois faz muito sol e seca o trigo. Nessas alturas o Wang Lung e família fazem várias coisas:
1) vão mendigar para a cidade;
2) comem cascas de árvore, fazem chá com torrões de terra;
3) vêem pessoas a morrer de fome, a vender as filhas como escravas;
4) roubam
5) ou então conseguiram juntar nos anos melhores e ainda têm trigo, arroz e feijão para comer.
Lendo isto, acabo por me imaginar com a Mariana, às escuras em casa, com a água a conta gotas, a comer o pão que sobra da escola, ...

Tenho uma imaginação muito pródiga...
E há uma imagem que nunca me saiu da cabeça, durante anos e anos. É do "Espírito do Natal" do Charles Dickens, quando o tio avarento vai espreitar pela janela a casa do sobrinho e vê uma árvore de Natal, que mais parece um ramo descarnado, esquelético e praticamente sem folhas, com três pequenos enfeites, descoloridos, feitos com restos de coisas. É a árvore de Natal mais pobre que já vi. Mais pobre e mais triste. Mais miserável.
E lá vou eu imaginar: nós as duas, com frio (porque não tenho dinheiro para calafetar melhor a casa), com uma árvore feita de restos, com prendinhas famélicas, tipo "Ena! Um choclate Regina!".

Isto tudo, para dizer que já pensei que sim, que se calhar não preciso de ir lavar escadas, nem de andar sempre cansada e desistir de tudo o que gosto; que sim, que posso arranjar qualquer coisa boa, que é uma oportunidade de largar uma coisa que não me traz prazer nenhum há tanto tempo.

Hoje, estou em cima. Obrigado aos amigos.

22 setembro 2010

iupiii - iiipui

IUPIII!
 
Já tenho campainha!
 
iiipui...
 
Vou deixar de ter emprego.
(e agora é mesmo de vez)
 
De hoje em diante são só posts miseráveis, tristes, raivosos, angustiados e chorosos.
Eu juro que queria ser feliz, mas não consigo.

campainha

Parece que vou ter campainha.
Será?
Telefono há semanas por causa disto e na semana passada instalaram campainhas no prédio todo, menos em minha casa!
Agora, ligam-me para combinar. Perguntam se estou em casa à hora de almoço. Respondo que não estou normalmente, mas posso estar, se quiserem combinar.
- A que horas? 12h30? - sugiro
- Ah, não. É muito em cima.
- 11h30?
- Hmm, não sei.
- 12h?
- Sabe, é que do meio-dia à uma é a hora de almoço.
- 13h?
- Sim, a partir da uma.
E eu digo logo:
- A partir da uma não, que eu vou lá estar de propósito e tenho de voltar para o trabalho. Então diga-me a que horas vão.
- Sim, à uma. Os meus homens vão lá.
 
DÚVIDAS
1) Porque me perguntam se posso lá estar à hora de almoço, se nessa altura é quando eles vão almoçar e não trabalham?
2) São precisos vários homens para ligar uma campainha?
3) Será que às 16h ainda estou à espera dos senhores?

21 setembro 2010

dias assado

No meio de uma grande e quase permanente angústia, procuro não me ir abaixo. Ou pelo menos não começar já.
Assim, tenho lido bastante. Houve uns livros de que desisti, como A Fábula do William Faulkner - não consegui. Quando uma pessoa se queixa de um livro dizendo que tem a letra miudinha e parágrafos grandes, é porque a relação não está a dar. Talvez noutra altura.
Assim, passei por outros desde as férias: o Gonçalo M. Tavares, Steinbeck, A um deus desconhecido, Poe, e agora estou na Pearl Buck, que encontrei por um euro. Tal como o Steinbeck, também fala numa fixação na terra e como se passa rapidamente da prosperidade para a miséria.
Estou a gostar deste livro: consigo lê-lo durante horas. Faz-me fugir à televisão (que é uma coisa horrível) e distrai-me. Enfim, também eu antevejo uma passagem para miséria.


Queria mesmo ganhar o euromilhões.

15 setembro 2010

Lisboa também é isto

 
Ontem, no banco de jardim, estava um vagabundo deitado. Quando passei por ele reparei que tinha as calças embaixo, com o rabo à mostra e cheio de caca colada. Algumas moscas esvoaçavam
 
Nos outros bancos estavam velhotes, pais e mães que viam as crianças no parque infantil.
 
Mais à frente pessoal a jogar às cartas. Às vezes apetece-me pedir para entrar no jogo, mas sei que nunca vou fazê-lo. Há uma semana jogavam dominó - tenho saudades de jogar com o meu avô. Era bom.

09 setembro 2010

a saga continua

Consegui marcar dentista. E quando é que é a consulta? 5ª, é claro!
Também me convidaram para ver a Hedda e quando? 5ª, é claro!
 
 
 
 

08 setembro 2010

Comentário à frase "estava no último lugar em que procurei"

Obviamente que está no último lugar em que se procurou.
Se um dia alguém exclamasse "Estava no penúltimo lugar em que procurei!", outro alguém lhe perguntaria: "Mas porque continuaste procurar se já tinhas encontrado?".
 
Conclusão: tudo o que encontramos está SEMPRE no último lugar em que procuramos.

O que tem a 5ª feira?

Porque é que é sempre tudo à 5ª?!
Antes tinha treino às 5ª, a escalada é às 5ª (não vou ao treinos), lançamentos de livros às 5ª, convites para espectáculo às 5ª, concertos às 5ª, palestras interessantes às 5ª, filmes à pala à 5ª, reunião de pais à 5ª!...
É tudo à 5ª!!! Com mais 6 dias que a semana tem, porquê?! Porquê? Porquê?...

03 setembro 2010

...

Há coisas que já percebi na linguagem da net e dos sms. Outras que não.
Há símbolos e formas de dizer coisas (não é bem escrever) que por vezes temos de usar para sermos compreendidos. Pelo menos que a atitude com que dizemos as coisas seja compreendida.
Por exemplo, os smiles e outros símbolos são por vezes fundamentais, para que se perceba que estamos bem dispostos.
Também percebi que um "Ah! Ah!" é um riso cínico, enquanto que um "lol" é uma gargalhada. E se queremos dar uma gargalhada por escrito não podemos escrever um "Ah! Ah!" por quem nos lê pensa que estamos a gozar.
 
Eu sou um bocado seca, porque directa.
Umas coisas vou aprendendo, outras ainda não. Continuo a parecer seca e fria.
Também já li mal, por isso um exercício que por vezes faço é ler o mesmo texto em tons diferentes e perceber que se calhar alguém não está chateado nem a ser bruto.
 
Já aprendi a não perguntar logo quando me telefonam "O que é que queres?", porque isso já é uma expressão idiomática para "Não tenho tempo para ti. Despacha-te lá que quero ir à minha vida." e é uma pergunta muito mal recebida.
Não se pode ir direito ao cerne da questão . É preciso florear um bocado. Ou então escrever mais.
 
Devo ter bebido muito café e ter muito sono ao mesmo tempo - nada disto parece ter muito sentido (fica postado, quand même)

02 setembro 2010

fim

Acabaram-se as férias.
Foi bom.
Voltar ao trabalho e à normalidade é sempre pouco interessante. Durante as férias cria-se a ilusão de que algo vai ser diferente e melhor, e no final é tudo igual.
Aqui fica uma foto da Galé, um dos meus parques de campismo preferidos (ao lado do qual posso pôr o da Urzelina em S. Jorge, Açores).