14 julho 2010

papéis

Quase a ir de férias e a única coisa em que perco tempo é a pedir assinaturas e papéis e papéis com assinaturas e certos papéis com certas e determinadas assinaturas. A burocracia é uma perda de tempo total e absoluta. Uma estupidez de todo o tamanho.

Nada tem validade. Uma informação só é válida se estiver num determinado papel assinado por uma determinada pessoa de determinada instituição. Não interessa se essa pessoa sabe ou não alguma coisa do assunto, se tem conhecimento sobre a informação que tem o papel. Não, o que interessa é quem assina e o carimbo, e o layout e logo do papel. Isso é que interessa. Verdades objectivas? Só são válidas se devidamente carimbadas.

Estou tão farta da caça ao papel: perdem-se horas, dias, semanas das nossas vidas. Esgotamos a alegria que ganhámos porque o dia anterior nos correu bem, quando sabemos que no dia seguinte temos de ir a duas ou três repartições para ter a valiosa assinatura.

É tudo, tudo treta!

Lembro-me de que há uns anos, resolvi ir fazer um interrail de repente. O meu passaporte estava caducado e precisava de um novo. Quando o fui fazer, o prazo de urgência, que era duas semanas, só estava disponível para quem tinha um bilhete de avião (eu ia de comboio a partir de Itália) ou com uma carta da empresa a dizer que ia em viagem de negócios (que não tinha possibilidade de arranjar). Expliquei a minha situação, mas não me possibilitavam o pedido de urgência. Então, cheia de medo de ser apanhada, escrevi uma carta, assinei e lá fui, tremendo. O senhor perguntou-me se tinha a carta, disse que sim, e o mero vislumbre do envelope foi suficiente para me concederem o pedido de urgência. Ou seja, apenas a assinatura conceptual foi suficiente para a máquina burocrática. Espantoso! A verdade e a pragmática não interessam para nada...

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