31 março 2010

caso arquivado

Fiz frente, argumentei, mostrei e provei as minhas capacidades. Perdi a batalha.


Vejo aquela série dos Casos arquivados, em que há sempre uma pessoa boa que é assassinada. O assassinado é em geral uma pessoa que luta pelos direitos dos outros, é íntegra, combate a descriminação e a desigualdade, e estava a um passo de fazer a diferença. Em geral é morto por alguém que lhe era próximo e que gostava dela. Uma pessoa que só precisava de uma coisinha qualquer, não lhe queria fazer mal, mas que explodiu.

Tenho a pessoa ideal para a personagem de assassinado; mas não me apetecia nada ser o assassino, embora estejamos no enquadramento certo.

30 março 2010

Dúvidas, dúvidas, dúvidas.

Já tenho mais alimento para insónias: agora é a situação no trabalho. Não era boa, continua a não ser; apetece-me (e acho que devia) impôr-me; tenho receio de, ao fazê-lo, ir para a rua ou ter de me submeter (de novo) de uma forma mais humilhante.
Não dormi a noite inteira.
 
Contudo, prometem-nos contrato e aumento.
 
É mesmo só a minha honra que está em causa.  ... e a minha coluna vertebral.
 
Se deixar esses problemas de coluna de lado, recebo um aumentozinho e deixam-me ficar por lá.
 
Agarro-me a migalhas (não tão más quanto isso) ou exigo que reconheçam o meu valor?
 
Dúvidas, dúvidas, dúvidas.

24 março 2010

Mais dois erros para alimentar insónias

1) não tive os cuidados suficientes com os ouvidos da miúda (porque não me disseram nada... e eu também não perguntei, é verdade)
2) enviei um currículo com um erro!!!

Ontem andava de rastos com o primeiro, agora, quando esse já estava a ficar nos bastidores da memória, aparece-me esta gralha para me azucrinar a cabeça e angustiar o estômago.

Estou feita. Não há casa nova que me reerga das amarguras do arrependimento e da falha.

Buá! Schuif.... Schuif...

23 março 2010

été indien

Encontrei isto.


Achei giro: já tinha ouvido a música, mas nunca tinha visto o (belo!) teledisco. :)

18 março 2010

pesadelo

A imaginação é uma coisa mesmo fenomenal: a gente imagina que a vida corre bem, que não temos problemas financeiros, que temos alguém que gosta de nós e que temos o que gostavámos de ter (coisas simples, como um cãozinho) e depois até ficamos felizes como se fosse verdade. Andamos por aí com um sorriso na cara, como se tudo fosse bom.Vamos trabalhar com gosto, comemos com apetite, dizemos piadas e rimos alto.
Mas depois a imaginação começa a falhar, a realidade intromete-se e de repente dá-se o choque entre a constatação do que temos e do que tínhamos nos nossos sonhos e as cores coloridas e leves dos sonhos transformam-se numa peçonha escura que cobre tudo à nossa volta.

BLARGH!!!

Spider woman!

foto tirada por uma amiga minha aquando da nossa estadia no hospital

15 março 2010

wc: durante



Este é o estado em que se encontra agora a minha casa-de-banho. Linda!!!

o presente

Nada melhor que um bom fim-de-semana de sol, cheio de ar puro, rocha, arranhões e dores nos músculos, para recomeçar em força a vida, depois de uma clausura terapêutica.
Agora, com a ligadura na cabeça, a miúda parece cada vez mais rufia. Então, sentadinha na esplanada, com uma perna por cima da cadeira, a ligadura meia à banda, a cair sobre os olhos ou quase só no alto da cabeça, o cabelo a sair espetado por cima, parece um autêntico moço de recados de uma família mafiosa. Mas não é.
É uma bem disposta que nem liga nada à ligadura, excepto quando não consegue ver através dela.
 
Gozamos agora os últimos dias de baixa (visto que depois passo de novo a recibo verde e nunca mais vou ter baixa na vida). Ainda havemos de ir ao jardim hoje e amanhã, depois do hospital, devemos ir ver a casa nova, que já passou da fase da destruição para a da construção. Tenho uma fotografia muito gira da casa-de-banho: parece saída de um filme sobre marginais.
 
Entretanto, já está lido a Teresa baptista cansada da guerra (obrigado pelo final feliz. Estava a ver que aquilo não acabava bem), e já vou no segundo do Dennis McShade. O primeiro era uma paródia qualquer, chamada Blackpot (mas eu não me ri) e o segundo tem uns sonhos estranhos em itálico de 6 páginas que tenho de saltar. Não tenho paciência para sonhos, principalmente se não acrescentam nada à história. Faz parte dos meus direitos de leitora saltar as partes que não me interessam.
 
E é assim... sou uma miúda sem grande futuro, mas com um bom presente ;)

04 março 2010

sol

Dizem que a 13 de Março o sol nascerá às 7h05 e pôr-se-á às 18h32. É um sábado. Com Sol, será um grande dia de sol ao fim-de-semana. Esperemos que seja.

02 março 2010

dúvida - Chile

Como é que funciona o recolher obrigatório quando as pessoas não têm casa para onde ir?!
Não percebo.

01 março 2010

livros

Tantos blogues a falar de livros e leituras levam-me a relembrar os meus contactos com os livros.

Ainda na primária, sempre que saía da escola, no regresso a casa, passava por uma papelaria que tinha alguns livros. Entrava e ficava horas a ler ali. Quase todos os dias. Quando eu não aparecia em casa os meus pais já sabiam onde me haveriam de ir buscar e por vezes até eram os donos da papelaria que me diziam para ir para casa.
Também me lembro de ir a ler no caminho e de por vezes ficar muito tempo parada antes de atravessar a rua, completamente distraída com o livro na mãos.

Não faço ideia de que livros li nesta altura. Sei que Os Cinco, Os Sete, Uma Aventura, a Alice Vieira, e mais uma carrada deles do mesmo género foi tudo.

Depois houve uma fase complicada: quando me fartei dos livros juvenis, mas ainda não estava preparada para os livros do meus pais. Sei que aí me custou um bocado - parecia que não havia nada para eu ler e custou-me começar a ler livros com lombadas grossas.

Mas depois, pronto, fui por aí fora, sem receio. Mais ou menos tudo a eito.

Até há pouco tempo recusava-me a não acabar um livro. Mesmo quando não estava a gostar. Pensava sempre que poderia melhorar no fim, que se calhar tudo aquilo era para no fim haver uma reviravolta que desse sentido à coisa. O primeiro livro que não li até ao fim foi Assim falava Zaratrusta. Quis lê-lo porque dos livros que andava a ler vários eram os que lhe faziam referência. Mas depois desisti. Mais tarde consegui pegar nele e lê-lo a té ao fim, mas foi muito custoso - acho que cada página me fazia cair para o lado com sono. Pouco ou nada me lembro daquilo.

Por outro lado, o primeiro livro que li de uma assentada só (dos de lombada grossa) foi O marinheiro de Gibraltar da Marguerite Duras. Tinha uma personagem que casa com o "rei dos rolamentos de esferas". Não me lembro já o que são os "rolamentos de esferas", mas não passo por essa expressão sem me lembrar de novo do livro.

...

Já entrei em estado pré-operação. É uma mistura de ansiedade, angústia e terror. Parece que me podem cair lágrimas a qualquer altura. Já não tenho praticamente unhas inteiras nas mãos. Sinto vontade de comer tudo, de me encharcar em cafés, mas não tenho nem fome nem sono. Não tenho vontade de fazer nada, mas não consigo ficar quieta.

Espero estar definitivamente normal daqui a 10 dias. 10 dias disto e regresso à normalidade.

Já faltou mais, mas também já poderia ter passado. Sinto-me tão estúpida por não lhe ter dado logo antibiótico em Janeiro - a primeira data da operação. E assim a questão da viagem (do podemos ir ou não ir) também não se colocava, porque ou não a tinha reservado ou antes de a reservar sabia que não havia problemas. A quantidade de coisas que eu podia ter evitado se fosse mais previdente, mais activa.. pró-activa. Quero ser pró-activa... Quero mesmo.

Por outro lado, se calhar ainda não havia otite serosa (mais uma! Isto vai ter fim!?), por isso seria talvez uma nova operação. Raios! E ainda não estou convencida de que todas estas operações valem a pena.

E depois antecipo, na minha imaginação, o dia da operação: o sairmos de casa para o hospital, não lhe poder dar comida nem água, ter de a manter 4 horas em cima de uma cama sem ela ter nada de mal; e depois da operação, quando acorda da anestesia, a confusão que é, e como é que ela vai estar e dizer-lhe que não pode fazer isto e aquilo. Que stress! Que horror!

O melhor é daqui a dois meses, as duas à varanda da casa nova, a apanhar sol sem nos lembrarmos já disto tudo. Isso é que é mesmo bom.