16 dezembro 2010

fim do mundo

Acabo de ver no Público imagens do ministro dos ex-transportes grego a ser agredido na rua por uma multidão em fúria. O resultado foram ferimentos ligeiros, mas de certeza que o senhor ficou com muito medo de sair de casa.
Sempre me fascinaram as multidões, tanto pela parte horrível, como pela boa.
Neste momento receio que daqui a pouco tempo tenhamos também as nossas multidões em fúria em Portugal. Não sei se é só jornalismo, parece-me que é real e que há verdadeiramente muita gente por essa Europa fora a dar largas a uma raiva contida há algum tempo.
O desemprego, a falta de dinheiro e, pior, a ausência de perpectivas facilmente levam as pessoas a manifestar-se violentamente. Daqui a 15 dias, quiçá, também eu poderei manifestar-me violentamente dando largas à angústia e ao desconsolo de ser adulta e ainda não ter futuro nem presente nem perspectivas de os ter. Se estiver desempregada, terei todo o tempo livre para me manifestar por aí; e se estiver chateada, nada melhor que gritar uns palavrões a quem não me quer ouvir.
Espero sinceramente não fazer parte dessas multidões, na realidade, o melhor mesmo é que não chegasse a haver multidões em fúria em Portugal. É assustador. Parece-se com filmes de fim do Mundo (tipo Mad Max ou as imagens do futuro do Exterminador, ou outros de que agora não me lembro): toda a gente em fúria, uns apanhados no meio, uma elite protegida na redoma, não se ser útil para nada, não haver objectivos para alcançar...
Que as imagens que chegam de Roma, Atenas e Londres se fiquem por lá.

os meus trabalhos manuais


O antes e o depois. Só pintei as aduelas, porque me irritava olhar para elas, me lembravam a podridão das madeiras, a dificuldade que tenho tido em arranjar tudo e a catadupa de coisas que há para arranjar e renovar quando se mete mãos à obra.
Pode não estar bonito, mas está branco e isso tranquiliza o meu coração doméstico.

15 dezembro 2010

costura

Tenho um brinquedo novo, fruto do Natal antes da época. É linda, barulhenta e exigente. É a minha amiga X5, a minha Brother da costura.
Já comecei a inventar e tendo em conta que a máquina ainda funciona e eu também, acho que posso dizer que somos muito felizes as duas.
Até agora apenas fiz uma fronha. Mal cortada, meio à pressa, uma experiência para ver como é que é. Já vi. É giro! E depois experimentei outra brincadeira. Fazer um gato (o perfil e encher). Como estas ideias são para concretizar no momento (para experimentar um ponto e testar uma hipótese) o desenho do gato não foi muito bem delineado, de forma que parece que está com papeira do lado esquerdo. Enfim, percebi mais umas coisas. Agora é só esperar que as coisas corram bem. Acho que vou precisar de um livro básico de costura, porque há um monte de dúvidas básicas que tenho para resolver.
Há poucos dias vi umas calças minhas meio descosidas e sorri logo "Esta é para coser". Ainda não domino a técnica e fazer uma linha recta é difícil, além de que não sei se deve ou não puxar/acompanhar o tecido, ou se confiamos no mecanismo da máquina a 100%.

Sempre que estou a coser lembro da minha primeira experiência de costura (ou pelo menos da primeira lembrança marcante). Era eu pequenina, ponhamos 4 ou 5 anos nisso, e fui brincar com a máquina de costura da minha avó. Pus um pano debaixo da agulha, dei ao pedal e aquilo coseu... tudo torto e tal, mas eu percebi como é que era. Então decidi fazer um novo, já que já tinha compreendido o funcionamento da máquina. Mas estranhamente a linha acabou e eu, que não imaginava como é tal fosse possível, pus o dedo debaixo da agulha e dei ao pedal para ver o que acontecia. O que aconteceu foi que a agulha me furou o dedo várias vezes, eu berrei muito alto e, quase ao mesmo tempo, aparece a minha avó espavorida pelo corredor. Ela tirou-me o dedo da máquina e embrulhou-o num pano branco que eu via manchar-se de vermelho a uma rapidez assustadora. Era tanto sangue e tanta dor que eu julgava que não tinha dedo debaixo do pano, de maneira que quando a minha avó queria tirar o pano para ver como estava, eu só tinha medo de não ver lá dedo nenhum, ou qualquer coisa meio desfeita. Concluindo, o pano saiu e o dedo lá estava - picado, ensanguentado, mas nada que um simples penso rápido* não resolvesse. E suponho que em dois minutos eu já devia estar novamente no quintal a subir às árvores ou a brincar no galinheiro.
 
*Penso rápido?! Já havia? Numa vila do Baixo Alentejo?... Talvez fosse um paninho atado.

14 dezembro 2010

fotos

O mundo visto pelos olhos da Mariana.
Gosto particularmente da da prateleira de com os livros, vista de baixo para cima. E também da pouff, toda cor-de-laranja.

13 dezembro 2010

Revista do dia

Ao passar os olhos por alguma imprensa da manhã, não pude deixar de achar curiosas algumas notícias.
A primeira, no Público, tem este título: Medicamentos perigosos em 70 por cento da cocaína. Ao princípio pensei que estivesse a ler mal, a frase não fazia sentido. Se houvesse cocaína em medicamentos que os tornasse perigosos, sim, mas medicamentos a tornar a cocaína perigosa é qualquer coisa entre o absurdo e o paradoxal. E a notícia inicia-se: "O consumo de cocaína "cortada" com fármacos (...) implica graves consequências para a saúde dos consumidores de drogas." Isto é para rir?! É que eu julgava que a cocaína trazia graves consequências para a saúde dos consumidores de drogas. Ponto. Se alguém opta por tomar cocaína não sabe à partida que está a pôr a saúde em risco?
Para mim é humor negro. Tem piada.
 
A segunda diz que abriu a primeira loja Muji em Portugal. Contam que estava muita gente, na maioria curiosos, que era díficil circular, havia filas para pagar que avançavam lentamente, etc... Nada de extraordinário. Principalmente se tivermos em conta que, além do contexto de inauguração, estamos a menos de duas semanas do Natal. É claro que o facto de estar tudo em japonês é uma desconsideração pelos compradores portugueses, mas dizerem que o atendimento é mau?!
Já alguém trabalhou numa loja? Uma vez trabalhei numa loja: antes de começarmos (talvez uma hora) mostraram-nos os produtos e os preços e mais nada. Quando alguém nos perguntava "o que é isto?" não sabíamos responder, nem justificar preços, nem nada. Ou seja, fomos nós, balconistas, que investigámos os próprios produtos, lemos as caixas para saber o que eram, de onde vinham e etc. Além do mais, quem não foi já à Worten (e quem diz Worten diz outra) e teve de andar à caça de um funcionário? Eles movem-se todos a olhar para o chão e com ar atarefado, porque sabem que mal façam contacto visual com alguém estão agarrados. As lojas grandes e da moda têm muito poucos funcionários para a quantidade de clientes, mas a culpa não é dos funcionários.
Desde que trabalhei atrás de uma balcão que acho que  devia haver um período obrigatório de atendimento ao público (tipo tropa, antigamente). Éramos todos mais compreensivos.

07 dezembro 2010

Deitar cedo e cedo erguer

Os dias andam bons e maus ao mesmo tempo.
Ontem começou por ser ranhoso como os anteriores, como mais uma resposta negativa a uma entrevista que fui. Parece que 2011 se está a fazer difícil e não me deixa descansar. Cada vez durmo menos, como mais, e fico mais tempo a olhar para coisa nenhuma. A paciência também decresce e deixo as coisas descambar (tanto a casa, como a educação, como os interesses).

Mas depois, cheguei a casa e disse "Hoje é o dia em que vou meter a miúda na cama às 21h e com banho tomado.". E foi! Que espectáculo! E pareceu tão simples: mandá-la para o banho; enquanto ela lá estava, fazer o jantar; quando ela saiu, comemos; depois foi ver bonecos e eu fui lixar as portas; acabaram os bonecos foi para a cama e eu fui investir no meu futuro académico-profissional; depois de trabalhar uma hora e meia vi uma série na TV enquanto punha um elástico numas calças; e depois ainda regressei ao trabalho académico antes de me deitar. Um absoluto espectáculo de harmonia e gestão. Não posso deixar que isto descambe outra vez.
Além de que hoje consegui tirá-la da cama um pouco mais cedo e não fiquei irritada logo de manhã porque não chegámos atrasadas à escola mais uma vez.
Com tanta harmonia, tornamo-nos as duas pessoas adoráveis uma para a outra e vamos rindo e cantando ao longo do caminho.

Deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz sorrir.

30 novembro 2010

dois meios post num só

Quanto mais tempo passa mais saudades tenho do tempo que antes tinha: tempo para mim, tempo para fazer coisas, ver coisas, falar com pessoas. Agora é casa-creche-trabalho-creche-casa e o tempo que sobra é para fazer sopa, lavar a loiça e tomar banhos. E a energia que sobra é nula.
Assim, de um tempo para o outro, tudo o que vi, tudo o que conheci foi há anos atrás.
As coisas que me lembro que me interessaram, que me fizeram rir foram todas há anos atrás.
 
........................
 
E depois não tenho tempo de acabar de escrever estes textos que começo e quando volto a eles já esqueci mais uma vez as saudades do tempo livre e parece que está tudo melhor e que tenho actividades e vejo coisas (algumas).
Sim, há sempre saudades, mas também há muita preguiça. E uma casa a cair, esboroar-se, pingar, partir que exige mais do que os meus conhecimentos de construção civil, mais do que o meu empreendedorismo em calafetagem e mais do que a minha paciência aguenta.
 
Desisti de arranjar bem. Vou fazer como os maus empreiteiros: pinto por cima e já está!
 
 
 

12 novembro 2010

scones e castanhas

Mais um dia de febre.
Scones (bons!!) e castanhas (cozidas de mais) - e eu a comer tudo sozinha.
Há criatura mais esquisita que esta?!

Ela fica doente e eu engordo dois quilos...

10 novembro 2010

bolo

Ontem ela teve febre e ficámos em casa.
Arranjámos várias actividades, entre elas a culinária. Eu queria fazer scones, mas ela só bolo de chocolate.
Fizemos o bolo. Não gostou. Estou a comê-lo sozinha.
Para a próxima é scones! Está decidido!

30 outubro 2010

chuva

Já não tenho uma casa com varanda - agora tenho uma casa com piscina!

26 outubro 2010

a cortina e mais desenhos

A cortina

Há pouco tempo resolvi um dos problemas da nova casa que ainda estavam à espera de um investimento: o banho. Comprei uma cortina e finalmente furei a parede para pôr o chuveiro. Pode parecer pouco, mas já há 5 meses que andava tomar banho de cócoras para não molhar o chão. Mas o melhor de tudo foi que consegui comprar a cortina de banho que queria (que afinal é uma coisa que exige procura) e decorei-a de uma maneira que ... fico sempre contente e orgulhosa quando entro na casa-de-banho e tenho mostrado a cortina às visitas que lá vão. Aqui fica essa maravilha com assinatura M&M.






A descrição deste desenho é: A mãe zangada com o senhor (ups!)


e mais desenhos

A obra artística da M não se esgota aqui, por isso aqui envio mais uma imagem da galeria no quarto dela. Sempre a aumentar. Não sei quando é que vai deixar de haver parede.



O "castelo" onde mora a minha irmã e o primo.




É apenas uma parte. Há mais.

21 outubro 2010

reflexão crónica

Muitas vezes dou por mim a pensar na relação das mulheres com a porcaria.
Há coisa de que não gosto mesmo e uma delas é o período, menstruação. É uma cagada.
Há quem diga que é o preço por se poder ter filhos, mas, ora bolas!, os homens também têm filhos e não precisavam de chafurdar na merda desde os 14 anos aos 45. Não é por aí...
Trinta anos a conviver com sangue mal-cheiroso, dores de barriga, trocar de pensos e tampões em situações pouco práticas, cagar a roupa no início do dia e não ter como a mudar, o cheiro nauseabundo de toda aquela nhanha. Que nojo! E contudo, que convívio tão íntimo e continuado. E tudo para possibilidade de um dia parirmos.
Claro que a minha querida e amada filha vale tudo isto, não consigo, no entanto, aceitar a menstruação nem com agrado nem com indiferença. Não gosto. Ponto.
E penso: será que a relação das mulheres com a limpeza tem a ver com essa convivência forçada com a chafurdice? Será a chafurdice uma forma de nos prepararmos para mudar fraldas, limpar rabinhos, espremer "puzes", aspirar ranhos, limpar vómitos e analisar o cheiro de urinas? E tantas outras coisas?
E a dualidade limpeza/porcaria como é que é (porque geralmente as mulheres são mais dadas às limpezas e à necessidade de limpar)? Uma serve para escamotear a outra? Ou é uma forma de compensação?
 
Esta é uma reflexão crónica que me ocorre em certas alturas do mês.

19 outubro 2010

calçado

Descobri no fim-de-semana que o meu calçado (identificado nas lojas como "ténis outdoor") está roto. Roto mesmo. Permeável ao vento, ao frio e à chuva. Concluindo: preciso de uns novos.
Continuo à espera de respostas a emprego e se a resposta que mais espero for positiva decidi que compraria uns Camper. Não gosto de sapatos e penso que esses, sendo confortáveis, sempre dão bom aspecto e dá para ter ar de trabalhadora respeitável e dinâmica da indústria livreira. Enfim... Seria o meu primeiro investimento.
E então, ando aqui há dias, à espera de saber se calçarei uns Camper, ou "ténis outdoor" de qualquer marca branca.

Gosto muito de ténis outdoor, mas agora queria mesmo mesmo uns Camper.

11 outubro 2010

dias de chuva

Não consigo pensar, nem parar quieta nos pensamentos.
Estou irritantemente ansiosa à espera que em liguem, para saber se mudo de emprego ou não.
Que coisa! Cheia de dúvidas e inquietações na cabeça e não consigo dar cabo delas.
 
Em contraponto o fim-de-semana foi leve: sem chuva ficámos em casa. O despertador lá tocou às 7h30, mas como não havia saídas radicais para ninguém, dorminos até não poder mais.
Comecei a tratar da casa: pôr molduras nas paredes, comprar uma cortina para a banheira (ficou um espectáculo!), tapar uns buracos por onde entrava vento com plasticina (um dia vai ser tudo a sério) e estrear o forno!!!
 
Um dia começo a tratar de novo das portas e das janelas. Finalmente vou ter a casa pronta.
 
Obrigado Inverno e dias de chuva!
 
 

08 outubro 2010

diálogo imaginário

- Mãe, o porque é que aquela menina está vestida assim? - não perguntou a Mariana, mas imaginei eu que tivesse perguntado, ao ver a malta negra das praxes.
- Faz parte de uma seita. - imaginei eu a minha resposta.
- O que é uma seita? - não perguntou a Mariana.
- É uma data de gente a fazer coisas sem sentido, sob o comando de alguém sem juízo. - imaginei eu afirmativamente.

07 outubro 2010

Isto agora é sempre a abrir!


 
Ainda há dias andava tristonha por ir ficar sem emprego, e agora já me preocupo que as calças que uso para ir à entrevista são demasiado apertadas.
Também já recebi testes para fazer, em respostas a candidaturas minhas, por isso, mesmo que não consiga nada nos próximos tempos, ao menos fico consciente de que o meu currículo ainda suscita algum interesse.

Para a minha entrevista vou ter que me vestir bem, ou seja, umas calças não rotas, calçado que não ténis ou botas, e camisa que não t-shirts. Estou a morrer no aperto das calças, camisa de jeito só tenho de manga curta e não posso levar casaco porque só tenho casacos rotos. Ou seja, além de apertada, vou ter frio e dores nos pés.
 
Espero que para além do mal estar físico consiga ser uma pessoa interessada, pro-activa, responsável, dinâmica, rigorosa, atenta ao detalhe, simpática, capaz de gerir pessoas e criar boas relações humanas e... mais o quê?!... Já não sei.
 
Conclusão: afinal ainda há esperança!
 
Adeus, ó limpeza dos jardins!...

01 outubro 2010

Dois textos de que gostei

Um sobre a revisão. O que é ser revisor de textos, a relação com Língua, o interesse/carinho/ cuidado com as palavras. É este.
Gostava mesmo de trabalhar com livros na fase de concretização.

O outro, uma carta de um pai ao Noddy.
Eu não tenho estima por nenhum boneco em especial, mas compreendo perfeitamente o valor que se atribui a tudo o que nos facilita a vida, seja como for, quando se é pai/mãe. Tudo o que contribui para passarmos mais tempo embevecidos pelos nossos filhos do que chateados com eles.

drama nocturno

Acordei a meio da noite com estremeções no prédio e depois uma batida ritmada e rápida: algo abanava.

Perguntei a mim mesma: "brocas? A esta hora?"

Mas depois lembrei-me da minha irreverente "electroselvagem" máquina de lavar-roupa.

Antes de me deitar tinha-lhe pedido: "olha lavas isto de forma a que de manhã, quando eu acordar, possa estender a roupa?"

E passei os dedos suavemente pelos botões.

Julguei que estava tudo bem, mas não.

Há muito que ela não se resigna a estar fechada num pequeno cubículo. Quer sair cá para fora, passear pela casa, ver outros aparelhos grandes e brancos como ela e também uns mais pequenos e de outras cores. Mas não pode ser – cada um tem o seu espaço.

E cada vez que lhe peço para me ajudar com a roupa, dá-lhe uma fúria, começa aos abanões, a tentar sair da despensa, bate nas paredes com o corpo todo... É uma aflição.

A mim custa-me vê-la assim e vou para ao pé dela, como fui hoje a meio da noite. Seguro-a, para não se magoar, pergunto-lhe "mas porquê?! Porquê?!". Tento ampará-la, mas a fúria é sempre muita, quase chega à auto-flagelação. Ponho o peso do meu corpo sobre ela e tento acabar com aquela agitação tremenda, mas ela lá vai andando aos solavancos comigo à garupa.

Será que os vizinhos nos ouvem e percebem o drama que vai nesta casa?...

Para a acalmar (e também eu poder dormir mais um pouco) retirei o meu pedido de ajuda e deixei-a abrandar o ritmo.

De manhã fui ter com ela - já ia a meio da porta. Pedi-lhe para entrar novamente na despensa. Não quis, fez finca-pé, fez-se de pedra e cal. Um peso morto!

Tive de a empurrar com jeitinho, mas ela percebeu o que eu queria e deu-me um golpe no ombro, que ainda agora me dói (a brutinha). E ao estender a roupa, cheia de água, ainda pior fiquei. A desgraçada vingou-se!

Não sei o que hei-de fazer, não sei o que vai acontecer à nossa relação. Terá alguma de nós de ceder? Terei de lhe pôr uma camisa de força?

Espero que a calma e harmonia regressem em breve à nossa casa, porque este convívio não está a corresponder às expectativas, além de que sinto que não estou a ser retribuída no respeito e amizade que lhe tenho.

Estou triste e decepcionada contigo, máquina-de-lavar-roupa. Ah, minha querida electroselvagem, que vai ser de nós?

29 setembro 2010

lixo

Ando a enviar currículos e a responder a anúncios e com a pressa e o querer responder a tudo da melhor forma, mudo os textos, altero uma palavra ou outra. E depois, só depois, quando já é tarde demais, é que vejo que aquela pequena alteração arruina a carta. Fica estranha, meia descamabada. Pode ser apenas uma frase ou uma coisa pouca que até passa, mas quando o currículo é na área das letras não posso cometer erros desses.
Dá que pensar que deveria mesmo fazer outra coisa; que sim, como a minha mãe acha, só sirvo para introdução de dados.
 
Talvez vá apanhar algum lixo dos jardins de Lisboa. Juro que trabalharia com afinco e aprumo. Limpava tudo. Era um espectáculo. Vejo tantas vezes pessoas que deveriam estar a fazer esse trabalho, mas estão desmotivadas. Em geral têm a vara apanha-lixo na mão e olham para o horizonte durante meia-hora sem se mexerem. Normalmente há bons exemplares de lixo mesmo à frente deles, mas parece que não os vêem e continuam a olhar para o horizonte, como se mesmo ali à frente deles tudo estivesse limpo. E não está: há latas, pacotes de vinho de mesa, diversas formas de sacos de plástico e uma data de etecetras.
Eu limpava tudo. Ou melhor, pelo curso que as coisas tomam, vou limpar.
 

24 setembro 2010

Nos próximos tempos...

Há-de ter ondas - umas vezes em cima outras em baixo.
Agradeço os amigos que tenho a confiança que depositam em mim, porque graças a isso já deixei de imaginar o meu futuro como o imaginava há uns tempos.

Ainda ando a ler a Pearl Buck. Lá no livro, por vezes chove muito, alaga as colheitas; e depois faz muito sol e seca o trigo. Nessas alturas o Wang Lung e família fazem várias coisas:
1) vão mendigar para a cidade;
2) comem cascas de árvore, fazem chá com torrões de terra;
3) vêem pessoas a morrer de fome, a vender as filhas como escravas;
4) roubam
5) ou então conseguiram juntar nos anos melhores e ainda têm trigo, arroz e feijão para comer.
Lendo isto, acabo por me imaginar com a Mariana, às escuras em casa, com a água a conta gotas, a comer o pão que sobra da escola, ...

Tenho uma imaginação muito pródiga...
E há uma imagem que nunca me saiu da cabeça, durante anos e anos. É do "Espírito do Natal" do Charles Dickens, quando o tio avarento vai espreitar pela janela a casa do sobrinho e vê uma árvore de Natal, que mais parece um ramo descarnado, esquelético e praticamente sem folhas, com três pequenos enfeites, descoloridos, feitos com restos de coisas. É a árvore de Natal mais pobre que já vi. Mais pobre e mais triste. Mais miserável.
E lá vou eu imaginar: nós as duas, com frio (porque não tenho dinheiro para calafetar melhor a casa), com uma árvore feita de restos, com prendinhas famélicas, tipo "Ena! Um choclate Regina!".

Isto tudo, para dizer que já pensei que sim, que se calhar não preciso de ir lavar escadas, nem de andar sempre cansada e desistir de tudo o que gosto; que sim, que posso arranjar qualquer coisa boa, que é uma oportunidade de largar uma coisa que não me traz prazer nenhum há tanto tempo.

Hoje, estou em cima. Obrigado aos amigos.

22 setembro 2010

iupiii - iiipui

IUPIII!
 
Já tenho campainha!
 
iiipui...
 
Vou deixar de ter emprego.
(e agora é mesmo de vez)
 
De hoje em diante são só posts miseráveis, tristes, raivosos, angustiados e chorosos.
Eu juro que queria ser feliz, mas não consigo.

campainha

Parece que vou ter campainha.
Será?
Telefono há semanas por causa disto e na semana passada instalaram campainhas no prédio todo, menos em minha casa!
Agora, ligam-me para combinar. Perguntam se estou em casa à hora de almoço. Respondo que não estou normalmente, mas posso estar, se quiserem combinar.
- A que horas? 12h30? - sugiro
- Ah, não. É muito em cima.
- 11h30?
- Hmm, não sei.
- 12h?
- Sabe, é que do meio-dia à uma é a hora de almoço.
- 13h?
- Sim, a partir da uma.
E eu digo logo:
- A partir da uma não, que eu vou lá estar de propósito e tenho de voltar para o trabalho. Então diga-me a que horas vão.
- Sim, à uma. Os meus homens vão lá.
 
DÚVIDAS
1) Porque me perguntam se posso lá estar à hora de almoço, se nessa altura é quando eles vão almoçar e não trabalham?
2) São precisos vários homens para ligar uma campainha?
3) Será que às 16h ainda estou à espera dos senhores?

21 setembro 2010

dias assado

No meio de uma grande e quase permanente angústia, procuro não me ir abaixo. Ou pelo menos não começar já.
Assim, tenho lido bastante. Houve uns livros de que desisti, como A Fábula do William Faulkner - não consegui. Quando uma pessoa se queixa de um livro dizendo que tem a letra miudinha e parágrafos grandes, é porque a relação não está a dar. Talvez noutra altura.
Assim, passei por outros desde as férias: o Gonçalo M. Tavares, Steinbeck, A um deus desconhecido, Poe, e agora estou na Pearl Buck, que encontrei por um euro. Tal como o Steinbeck, também fala numa fixação na terra e como se passa rapidamente da prosperidade para a miséria.
Estou a gostar deste livro: consigo lê-lo durante horas. Faz-me fugir à televisão (que é uma coisa horrível) e distrai-me. Enfim, também eu antevejo uma passagem para miséria.


Queria mesmo ganhar o euromilhões.

15 setembro 2010

Lisboa também é isto

 
Ontem, no banco de jardim, estava um vagabundo deitado. Quando passei por ele reparei que tinha as calças embaixo, com o rabo à mostra e cheio de caca colada. Algumas moscas esvoaçavam
 
Nos outros bancos estavam velhotes, pais e mães que viam as crianças no parque infantil.
 
Mais à frente pessoal a jogar às cartas. Às vezes apetece-me pedir para entrar no jogo, mas sei que nunca vou fazê-lo. Há uma semana jogavam dominó - tenho saudades de jogar com o meu avô. Era bom.

09 setembro 2010

a saga continua

Consegui marcar dentista. E quando é que é a consulta? 5ª, é claro!
Também me convidaram para ver a Hedda e quando? 5ª, é claro!
 
 
 
 

08 setembro 2010

Comentário à frase "estava no último lugar em que procurei"

Obviamente que está no último lugar em que se procurou.
Se um dia alguém exclamasse "Estava no penúltimo lugar em que procurei!", outro alguém lhe perguntaria: "Mas porque continuaste procurar se já tinhas encontrado?".
 
Conclusão: tudo o que encontramos está SEMPRE no último lugar em que procuramos.

O que tem a 5ª feira?

Porque é que é sempre tudo à 5ª?!
Antes tinha treino às 5ª, a escalada é às 5ª (não vou ao treinos), lançamentos de livros às 5ª, convites para espectáculo às 5ª, concertos às 5ª, palestras interessantes às 5ª, filmes à pala à 5ª, reunião de pais à 5ª!...
É tudo à 5ª!!! Com mais 6 dias que a semana tem, porquê?! Porquê? Porquê?...

03 setembro 2010

...

Há coisas que já percebi na linguagem da net e dos sms. Outras que não.
Há símbolos e formas de dizer coisas (não é bem escrever) que por vezes temos de usar para sermos compreendidos. Pelo menos que a atitude com que dizemos as coisas seja compreendida.
Por exemplo, os smiles e outros símbolos são por vezes fundamentais, para que se perceba que estamos bem dispostos.
Também percebi que um "Ah! Ah!" é um riso cínico, enquanto que um "lol" é uma gargalhada. E se queremos dar uma gargalhada por escrito não podemos escrever um "Ah! Ah!" por quem nos lê pensa que estamos a gozar.
 
Eu sou um bocado seca, porque directa.
Umas coisas vou aprendendo, outras ainda não. Continuo a parecer seca e fria.
Também já li mal, por isso um exercício que por vezes faço é ler o mesmo texto em tons diferentes e perceber que se calhar alguém não está chateado nem a ser bruto.
 
Já aprendi a não perguntar logo quando me telefonam "O que é que queres?", porque isso já é uma expressão idiomática para "Não tenho tempo para ti. Despacha-te lá que quero ir à minha vida." e é uma pergunta muito mal recebida.
Não se pode ir direito ao cerne da questão . É preciso florear um bocado. Ou então escrever mais.
 
Devo ter bebido muito café e ter muito sono ao mesmo tempo - nada disto parece ter muito sentido (fica postado, quand même)

02 setembro 2010

fim

Acabaram-se as férias.
Foi bom.
Voltar ao trabalho e à normalidade é sempre pouco interessante. Durante as férias cria-se a ilusão de que algo vai ser diferente e melhor, e no final é tudo igual.
Aqui fica uma foto da Galé, um dos meus parques de campismo preferidos (ao lado do qual posso pôr o da Urzelina em S. Jorge, Açores).
 
 
 

25 agosto 2010

ainda em férias

Já fomos a Tavira, Sagres, Aljezur, Comporta. Regressámos a Lisboa, resolvemos os meus problemas mentais (ânsias, dúvidas e quejandos) e estamos de novo de partida, já com a casa e nós próprias preparadas para o regresso ao trabalho.
Continuo a sofrer do meu ombro, o que invalida muitas das actividades de férias, mas aguenta-se.
 
A Mariana está gira, mas às vezes absolutamente irritante. Ou sou eu que ando irritável.
Ela tem de começar a falar melhor e eu tenho insistido mais com ela para corrigir as palavras e frases e ela, apesar de conseguir dizer, insiste em não fazê-lo - diz que não quer mais ou muda de assunto.
 
Deixo uma foto de S. Jorge, de que gosto muito.

15 agosto 2010

1ª parte das férias

Estivemos no Arrumário. Fomos as "primeiras visitantes estivais". E já voltámos.

Foi uma visita, mas acima de tudo foi uma experiência: foi ver até que ponto é possível ir fazer férias com a Mariana, conjugar o que gosto de fazer com o que é possível. Tivemos umas boas histórias, mas a conclusão final é: não.

Eu gosto de me mexer, de fazer qualquer coisa de desportivo, de me esforçar fisicamente e conseguir alguma coisa. E a Mariana só quer é praia, praia, e os amigos todos.

Assim, tivemos apenas uma aventura: descer a uma fajã em São Jorge (que me deixou o ombro estragado até hoje), mas que me soube muito bem, porque conseguimos as duas ir até lá abaixo e voltar acima (4 horas de caminhada puxadinha). Contudo, o estado miserável em que fiquei deteve-me de tentar outra caminhada por lá.

No regresso à Terceira ainda quis ir com ela fazer uma outra, mas para além de me perder no caminho até ao início do percurso, e de durante todo o tempo só a ouvir dizer que queria ir para a praia com a "mãe Raquel", pouco depois de iniciarmos o percurso fomos surpreendidas por dois cavalos: um deitado no chão com ar doente e outro a olhar por ele. O cavalo que estava em pé pediu-nos ajuda (não percebo nada de cavalos, mas tenho a certeza que era isso), e quando nos fomos embora veio atrás de nós e quando nos deixou relinchou, como se fosse um "venham cá por favor". Com isto, desistimos deste outro percurso. E assim, só tivemos uma aventura a duas nestes dias.

 

Fora as aventuras aconteceram coisas espectaculares: uma foi ter conhecido a Raquel, que foi com quem estive mais tempo e é realmente uma sorte do caraças os meus amigos terem sempre namoradas(os)/maridos/mulheres muito porreiras(os). É mesmo uma sorte! Assim, foram uns 15 dias na companhia da boa disposição da Raquel, a falarmos sobre tudo, mas principalmente miúdos e gravidez. O Zé Maria depois do trabalho e das corridas ainda tinha paciência para me mostrar a Chanoca, onde tive a honra de o assegurar no encadeamento de uma via que lhe andava atravessada, e escalar uns bocaditos comigo.

 

Comi sempre muita bem (até já acredito na Bimby!) e bebi muito bem também (daí ter regressado com uma barriga descomunal, em que a minha irmã reparou logo mal me viu no aeroporto). Para a próxima tenho de levar os ténis para ir correr.

 

Obrigado, Família Maravilha!

 

(muito mais aconteceu, mas nós estamos de novo de partida). 

30 julho 2010

3 anos, 11 meses e 29 dias


Jantarada de salchichas (prato predilecto da catraia, apelidado de palpichas") na nossa varandinha enjaulada.
Esatmos as duas de avental porque estivemos as duas a cozinhar - ela adora cortar salchichas aos bocados. E também foi ela que pôs a mesa e cadeiras na varanda. Está a ganhar uma grande autonomia, a minha companheira de férias.

29 julho 2010

avião

Comecei a lavagem cerebral: falei-lhe em aviões, que íamos andar de avião, se ela queria andar de avião. Que íamos passear - mostrei-lhe fotografias dos sítios e das pessoas.
E hoje de manhã ela acordou, foi ter à minha cama e disse: "Vamos para o avião?".
 
Resultou!

28 julho 2010

férias - está quase

Estamos quase a ir de férias. Ando a adquirir bens essenciais. Ainda não arrumei nada. Tenho de lavar roupa, pensar na festa da miúda, convidar pessoas, escolher um local, escolher uma prenda. Também devia limpar o pó e aspirar a casa. E quero lavar os pés-de-gato.

Vai ser uma aventura!
Tenho cá um medo de que não sejam umas férias absolutamente divinais... Talvez seja pedir demais, mas é o que eu quero: umas férias absolutamente divinais. Fico feliz e contente com coisas simples, por isso chegar ao absolutamente divinal não é difícil.

A título de exemplo, numa passagem de Ano, o que eu queria mesmo era ter um serão jogar às cartas, beber cervejas e comer amendoins. Tive-o! Foi uma passagem de ano absolutamente divinal. Também, quando a paisagem à volta é absolutamente divinal ficamos logo mais aptos a sentir a absoluta divindade das coisas que nos rodeiam. E como a paisagem vai ser assim, já é meio caminho andado.
Depois, há coisas giras para fazer: escalar, passear... (deve haver outras); vamos ser bem acolhidas (por pessoas que gostam de fazer coisas giras e têm ideias giras) e é uma passeio que há algum tempo que quero fazer.
Tudo somado só pode ser ABSOLUTAMENTE DIVINAL!!

Por isso, o quero mesmo é não me chatear com a miúda e tudo o resto seguirá o seu caminho.

27 julho 2010

Com este calor...

Com este calor tomar banho é apenas um pro forma.

Com este calor a água só sai fresca da torneira depois de ter lavado o arroz, os legumes, a loiça e a cozinha.

Com este calor esquecer-me das meias quando vou correr são duas bolhas gigantes em cada pé.

Com este calor estendemos a roupa às 21h30 e ela está seca às 23h.

22 julho 2010

voz

Agora que ando a ouvir os oldies do RCP constatei que a voz sexy do Elvis Presley é parecida à do rapaz sexy do Sobrenatural (série tonta e espatafúrdia que só vale mesmo pelo rapazinho Dean).

Aqui fica o Elvis.

20 julho 2010

Tosquia

Depois de feito o feito, percebi que não o devia ter feito: a miúda levou umas tesouradas no cabelo e o penteado não está grande coisa.
Como para lhe cortar o cabelo é preciso apanhá-la bem disposta, eu vou insistindo de vez em quando à espera da aceitação. Ontem quis. Mas ontem o cabelo dela estava uma pasta (com terra e piscina, mais terra e piscina) que fez com que o corte ficasse imediatamente estranho. Além disso, ela estava mesmo bem disposta, por isso agarrava em madeixas de um lado e doutro da cabeça e dizia: corta aqui. E eu cortava (porque é sempre preciso aproveitar a boa disposição ao máximo). Também se virou de costas para lhe cortar atrás, e eu cortei.
Depois tomou banho, lavou o cabelo (aleluia!) e só hoje demanhã é que me apercebi de uma quantidade de efeitos pós-modernos por cima das orelhas.
Vai ter de haver nova tosquia.

fotos


Levo sempre a máquina quando vou fazer alguma actividade diferente, mas as fotos são semrpe iguais: a miúda a fazer isto ou aquilo.
Ao menos sei onde estive.
Aqui é serra da Arrábida.

19 julho 2010

Espectáculo!

Um fim-de-semana excelente: escalada, piscina, pessoal fixe. É tão fácil!
E a Mariana adorou a tal ponto que não queria regressar comigo, queria ficar com um casal com um miúdo. Só dizia " A mãe vai para a casa nova. A Mariana vai com ela" e apontava para a outra mãe. E repetia com variações "A mãe vai jantar na casa nova. A Mariana vai com ela". Desgraçada!
Experimentámos a escola de Escusa, onde eu fui maricas como de costume, mas fiz muita força e consegui resolver uma via que me parecia impossível para o meu tamanho.
O alto Alentejo é lindo! Aconselho a Portagem e Castelo de Vide.
E também dou por mim a pensar que uma vida boa pode ser muito simples: numa casinha no campo, com rios para tomar banho, árvores e pedras à volta... Enfim. É preciso é saber escolher.

16 julho 2010

realização pessoal

Estou contente porque consegui escalar duas vias que tinha atravessadas há muito, muito tempo. Não quer isso dizer que esteja em melhor forma do que sempre estive, mas estou bem melhor que aquilo que tenho estado nos últimos tempos.
Mas é viciante. Agora tenho necessidade de continuar a fazer exercício. Ontem ainda fiz uns movimentos em casa, a pensar na próxima saída, nas próximas rochas.
Não atingi nenhum pico de forma, nem coisa que o valha, mas fiquei tão contente. E o melhor de tudo foi que a Mariana ficou logo amorosa (aos meus olhos).
Meu Deus, como é bom para vida familiar a realização pessoal!...

15 julho 2010

A vergonha é uma coisa que se perde.

A propósito de não nos inibirmos se nos apetecer fazer um pino num banco de jardim.

14 julho 2010

papéis

Quase a ir de férias e a única coisa em que perco tempo é a pedir assinaturas e papéis e papéis com assinaturas e certos papéis com certas e determinadas assinaturas. A burocracia é uma perda de tempo total e absoluta. Uma estupidez de todo o tamanho.

Nada tem validade. Uma informação só é válida se estiver num determinado papel assinado por uma determinada pessoa de determinada instituição. Não interessa se essa pessoa sabe ou não alguma coisa do assunto, se tem conhecimento sobre a informação que tem o papel. Não, o que interessa é quem assina e o carimbo, e o layout e logo do papel. Isso é que interessa. Verdades objectivas? Só são válidas se devidamente carimbadas.

Estou tão farta da caça ao papel: perdem-se horas, dias, semanas das nossas vidas. Esgotamos a alegria que ganhámos porque o dia anterior nos correu bem, quando sabemos que no dia seguinte temos de ir a duas ou três repartições para ter a valiosa assinatura.

É tudo, tudo treta!

Lembro-me de que há uns anos, resolvi ir fazer um interrail de repente. O meu passaporte estava caducado e precisava de um novo. Quando o fui fazer, o prazo de urgência, que era duas semanas, só estava disponível para quem tinha um bilhete de avião (eu ia de comboio a partir de Itália) ou com uma carta da empresa a dizer que ia em viagem de negócios (que não tinha possibilidade de arranjar). Expliquei a minha situação, mas não me possibilitavam o pedido de urgência. Então, cheia de medo de ser apanhada, escrevi uma carta, assinei e lá fui, tremendo. O senhor perguntou-me se tinha a carta, disse que sim, e o mero vislumbre do envelope foi suficiente para me concederem o pedido de urgência. Ou seja, apenas a assinatura conceptual foi suficiente para a máquina burocrática. Espantoso! A verdade e a pragmática não interessam para nada...

12 julho 2010

Há males que vêm por bem

Apesar da infelicidade que é fecharem o RCP, não posso dizer que fiquei triste com a possibilidade de ouvir música divertida e cantável a todas as horas.
 
 
 

08 julho 2010

Melody Gardot

Tanto tenho ouvido falar na Melody Gardot que resolvi ouvi-la a ela mesma.
Realmente é mesmo bom de se ouvir. E depois também há uma história entre o trágico e o milagroso que a tornam ainda mais curiosa e interessante.
Fica para ver e ouvir.

01 julho 2010

dianteira

Para além das traseiras (onde à noite ainda há grilos, tinha-me esquecido...), temos a fabulosa varanda, onde ocorreu há pouco tempo o primeiro jantar ao ar livre.
Correu muito bem (embora se note alguma urgência na aquisição de uma mesa um pouco maior) e terminou numa das melhores manieras de finalizar um jantar: com cantorias e guitarradas. Eu não canto nem toco, mas tive a sorte de ter por convivas o duo Pedro e Diana, que tocaram e cantaram músicas para a Mariana. Ela gostou tanto, que além de abanar a anca ao ritmo (e fora dele), ainda foi buscar uma harmónica com a qual os acompanhou a preceito. Uma delícia musical!!!

Só não tirei fotos nem fiz vídeos, porque tenho aquela mania de que há coisas que devem ficar na nossa memória em vez de na máquina fotográfica. Tonta...

30 junho 2010

traseiras

As traseiras dos prédios são um local de observação genial, principalmente nos dias feriados.
Ver e ouvir as pessoas nas suas actividades de eleição: miúdos a brincar, os mais velhos na horta, uma data de gente a estender roupa e regar plantas, à noite os jantares de quem tem pátio.
Nos outros dias, há também muitos telefonemas e fumadores à janela. Pela janela também saiem, de vez em quando, discussões.
À noite, por detrás dos vidros ou cortinados foscos, vislumbres de pessoas a ler, tirar roupa da máquina, costurar, ou no computador.
E logo de manhã, o assobio de pássaros, que apesar de tudo, ainda não largaram o cimento da cidade e nos mantêm em contacto com o mundo natural.
 
Fico mais tempo a observar as traseiras que a rua.

25 junho 2010

gás

Finalmente temos gás em casa, chegou hoje de manhã, pela mão de dois rapazes simpáticos que me chamaram de "menina".
Espero que goste da nossa casa e se mantenha por lá longos anos, sem problemas, sem excessos. Que nos acompanhe em bons cozinhados, e me ajude na lavagem da loiça de grandes convívios de amigos e família. Que nos relaxe num banho quentinho depois de um dia na praia, no campo, e mesmo de um dia banal.

Para começar o início desta bela amizade, planeio uma tarde a fazer bolo de chocolate na companhia da minha miúda.








E para ilustrar duas fotos da casa-de-banho renovada e sem a chaleira eléctrica, o balde, o alguidar e o jarro, antigamente, indipensáveis para o banho.

24 junho 2010

Lindo!



fartei-me de rir

23 junho 2010

cansaço

Olha que verdade verdadeira: cansaço da maternidade.
É mesmo assim, e é para todas as actividades. À noite, como agora, só as coisas mecânicas e obrigatórias andam para a frente: preenchimentos de papéis, costura de coisas rotas, limpezas, trabalhos a terminar, e assim. A gaveta dos projectos aumenta sempre e, com ela, a da falta de motivação e realização.

Como é que se dá a volta a isto?!...

Mariana e as flores




Acham que sabe dançar?!


video

22 junho 2010

o aperto



Isto é que é ver a vida andar para trás.
 
  1. este ano deixei de ter contrato
  2. passei a recibo verde
  3. dizem que só há dinheiro para nos pagar até Janeiro
  4. para o ano a escola da Mariana vai ser mais cara
  5. vou ter pagar IRS, quando nos outros anos, com o mesmo rendimento e menos descontos, não pagava
  6. e agora soube que não vai haver subsídio para a Terapia da Fala.
 
Eu cá sinto o meu cinto a apertar, sem dúvida nenhuma.

21 junho 2010

bela cidade natal

E eu a dizer que a cidade me oferecia Chopin...
 
Ofereceu Chopin, salsa, violino e canto, música africana e dj pimba (tudo na 6ª).
Domingo regressámos à música e foi jazz no Parque. Adorei! Parecia que estávamos noutro país, noutra cidade. Uma cidade cosmopolita e com pessoas bem-dispostas. Nem sabia que havia tanta gente assim em Lisboa. E a catrefada de crianças, bicicletas, barcos a remos, comida, enfim: um espectáculo.
 
Antes descobrimos o parque do Alvito, onde nunca tinha ido (talvez na minha infância. Era onde havia o avião?). Gostei muito. Ainda consegui rever duas páginas enquanto a miúda brincava. Por acaso é uma sorte que ela se dê comas pessoas e que passado pouco tempo depois de chegar ao parque já tenha outros miúdos a brincar com ela. E parece que está quase a aprender a andar de baloiço sozinha (finalmente!!!). Ainda jogámos às escondidas (que é um jogo que ela ainda não compreendeu, mas que gosta muito) e andámos por ali.
 
É assim. Um dia destes devemos começar a ir à praia.

18 junho 2010

Gosto dela.

Há dias em que acho esta cidade mesmo boa.
 
Como ando a levar a miúda sempre a actividades radicais, achei que hoje deveria arranjar-lhe um programa cultural. Requisitos: acessível por metro (linha verde preferencial), à pala e entre as 18h e 19h. Pesquisa-se e encontra-se logo qualquer coisa - é um espectáculo! Chopin, aí vamos nós!
 
É bom ter uma cidade assim, que tem sempre coisas para oferecer, mesmo à nossa medida.
Gosto dela.

17 junho 2010

rol de livros

Descobri este site que tem recensões de livros já um bocado antigos (anos 60). Tem piada ver os que eles recomendam e os que não recomendam, a quem e porquê, e quando põem restrições.
Pesquisar em "rol de livros".
 
 

15 junho 2010

descobertas do dia

- estou com receio de ficar obsessivo-compulsiva (depois de chegar ao trabalho, regressei ao carro para verificar se estava fechado - são 20 minutos para ir vir - sim, estava fechado)
- trabalho melhor com músicas que me são insuportáveis em discotecas (entro em transe mecânico-produtivo)
- consigo sobreviver sem o café matinal

14 junho 2010



É gira, escala bem, gosta de mim e está sempre a rir. Que mais se pode pedir?
(por acaso, sei centenas de coisas que ainda se podem pedir*).

* deitar mais cedo, comer melhor, menos birras, menos chocolate, menos televisão, mais fruta e legumes, ...)

09 junho 2010

Jacques Brel -Madeleine

Sempre achei piada às letras do Jacques Brel. Há tanta ironia e tanta tristeza.
Fcio smepre com pena do pobre desgraçado que espera a Madeleine, apesar de tudo...

02 junho 2010

dias felizes

Cansada, mas mais bem disposta.
Uma melhor gestão do tempo, permite dedicar-me a actividades de que gosto, apesar de depois não haver tempo para outras coisas rotineiras (nomeadamente, limpar e arrumar a casa). A miúda acompanha e também fica feliz. Dá-se com toda a gente, todos a acham o máximo. A única desvantagem é que anda mais porca e tem de ser carregada adormecida até casa (4 andares com 15kg ao fim do dia não é pêra doce). Desvantagem pequena, como se vê.

Contudo, a possibilidade iminente de desemprego atormenta-me-me sempre . E tanta coisa para pagar... Um euromilhões era óptimo para acabar de vez com as inquietações.

31 maio 2010

microondas II

experiência de bolo de chocolate: terrível!!!
bifes de perú: razoável.

Lá vamos vivendo sem gás, mas começa a cansar.

27 maio 2010

microondas

Sem gás em casa, tenho descoberto as virtudes do microondas e ontem cozinhei um arroz de peixe espectacular!!!
Então: filetes de pescada cortados aos bocadinhos, mais cebola aos bocados, tomate aos bocados (tudo para dentro de um recipiente que vá ao microondas), temperos a gosto, uns bocaditos de coentros, um copo de arroz, mais um bocado de água a ferver e vai tudo para dentro do microondas uns 18 minutos no máximo da potência. Eu parei a meio para ver o que estava a acontecer e aproveitei e remexi a mistura. Ficou um espectáculo. Não tão apurado como algo que fica ao lume meia hora, mas ainda assim deliciei-me.
Um dia destes experimento qualquer coisa com carne.
E noutro dia destes tenho de fazer experiência com bolos.
 
E ainda noutro destes dias, espero conseguir ter gás (essa coisa maravilhosa). Afinal de contas já comprei um fogão e um esquentador. Dava jeito...
 
De resto, nem tudo corre bem mas tenho sobrevivido devido ao facto de estar viva -  mesmo que não apeteça, vive-se todos os dias quando se está neste estado.
 

21 maio 2010

impostos

Epá, fui agora surpeendida pelo simulador de IRS das Finanças!
Foi a primeira vez que o consegui usar e não é que o gajo me diz que tenho de pagar centenas de euros!?
JESUS!!!
Tive um ano de trabalho contratado na vida (que acabou em Março), quando fizemos o contrato tivemos de aceder em trabalhar mais e ganhar menos por conta de todas as benesses que íamos receber e não é que agora o subsídio de férias tem de ir pagar o IRS? Ó caraças, mas assim estive a trabalhar mais e ganhar menos ao final do mês para quê?!
Tanto mais que o contrato foi só um ano, voltámos ao recibos verdes, nem tivemos direito a ser desempregados porque é preciso trabalhar mais que 365 dias e agora, depois dos descontos todos que fizémos, PIMBA, paga lá o imposto.
 
Não percebo e estou triste.
 
 

20 maio 2010

Sobre a vírgula




Sobre a Vírgula

C
ampanha dos 100 anos da ABI
(Associação Brasileira de Imprensa).

Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere..

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode criar heróis..
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!

Uma vírgula muda tudo.
ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.


Detalhes Adicionais:
SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.


* Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER...
* Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM...




Sou mulher - sei pontuar uma frase de modo a que ela tenha sentido gramatical e produza afirmações verdadeiras em simultâneo.

19 maio 2010

queixas

Tem sempre piada ouvir música de intervenção do Pedro e Diana. Eu devia fazer mais do que ouvir música. Devia intervir. Isto está a precisar de intervenção. E o problema não é a crise financeira, mas a crise de honestidade e integridade que grassa por aqui.

18 maio 2010

casa IIIII...

Não consigo parar de me cansar.
Ontem troquei os móveis do escritório com os do quarto da miúda.
Ela foi para a cama e pouco depois fui eu. Assim, que me fui deitar apercebi-me de que tinha de voltar a pôr tudo como dantes.
Por isso, se ontem me cansei, dizendo "mas é a última vez e depois fica tudo estabilzado", hoje vou cansar-me de novo, mas já não sei se me consigo motivar com um "é a última e depois fica tudo estável".
E ainda há tantas pequenas coisas para fazer.
Queria uma semana de descanso. Uma semana em que não arrumasse, não montasse móveis, não carregasse coisas. Talvez só mesmo daqui a muito tempo.

Mas sim, está tudo cada vez mais arrumado, embora ainda não tenha conseguido fazer uma grande purga e livrar-me de toda a tralha inútil.

Houve uma limpeza em fotografias, mas mesmo assim, livrando-me de todas as fotos mal tiradas e feias, de pessoas que (já) não sei quem são ou que não interessam, fiquei ainda com carradas de de álbuns de fotografias.

Mas, com esta viagem pelas fotos, fiquei com saudades de fotografar em película e das minhas experiências lomográficas. A ver se quando acabar as arrumações me distraio com isso.

17 maio 2010

Dias em cheio

Às vezes parece que não faço nada e depois, ao fim do dia, quando estou sentada a comer caracóis com um amigo que em pergunta "o que fizeste hoje?" é que reparo, enquanto respondo, que fiz muita coisa.
Assim: acordar, limpar a casa, pintar o escritório e arrumar, almoçar, à tarde ir escalar, depois ir ao CCB ver a exposição da Joana Vasconcelos e depois caracóis. Muita actividade gira, não é?
Noutro dia: arrumar a casa, pintar o quarto da Mariana, ir para a rua e apanhar uma festa da criança com pinturas, insufláveis, comida à borla e balões, ir à feira do livro, comprar 2 (a vida está cara e as prateleiras cheias), ir à Baixa, visitar o MUDE, ir ver o Terreiro do Paço arranjado (?) e o Cais das Colunas, voltar a casa, almoçar e ir para uma festa de anos no Montijo. Grande dia, pá!

E depois digo que estou muito cansada para fazer coisas. Pudera...

12 maio 2010

de uma caixinha pequenina: as memórias

No resultado das minhas inúmera arrumações, tenho feito uma selecção de coisas que ainda vou manter e outras que nos deixarão para sempre. Só ficarão na memória.
 
Deitei fora moradas escritas em cartões do Sempre em Festa que tinham o nosso nome próprio; alguns desenhos de um namorado melancólico e piadas de outro namorado cheio de humor pós-moderno; recibos das minha quotas de sócio no GCP; livro de instruções da minha primeira máquina fotográfica; bilhetinhos de pessoas que não sei quem são; o meu cartão de Alberguista, de Estudante Internacional, do meu primeiro cartão da Biblioteca Nacional, cartão de Campista, vários cartões da ADSE fora de prazo, um forfait da primeira viagem à neve; fotos horrorosas do concurso lomográfico em que participei, etc...
 
Guardei medalhas de campeonatos e demonstrações de ginástica em que participei; a minha primeira composição "genial" de 1983; pins do GCP; o cabeçalho da minha primeira negativa (8º ano); uma colecção de módulos de autocarro e metro (não sei porque os guardo, mas um dia deitei fora todos os módulos mais antigos do Metro, os amarelitos, e agora tenho pena de não ter já nenhum desses. Porquê?!); bilhetes dos concertos de Beck e Pearl Jam; instrucções da segunda máquina fotográfica; cartão de estudante da Licenciatura, passe de entrada na EXPO 98; selos antigos; piadas do namorado de humor pós-moderno, folha de cópia da Maratona Fotográfica, passe do metro de Londres, etc...
 
Pensei que devia deitar coisas fora e acreditar que me consigo lembrar do acontecimento de que são origem. Pensei até, como exercício de escrita e prática de limpeza, escrever um texto sobre o que aquelas coisas me lembram, por que as guardei, o que evocam, tudo. Esgotar o significado dessas coisas no papel para as poder deitar fora sem receios de perder memórias importantes e siginificativas. Era um excelente exercício.
 
Isto é já um exercício para o exercício.
 
Pode ser que reduza a minha casa a um caderno ou dois (também tenho cadernos meio escritos guardados - é bom dar-lhes uso).

cansaço

Depois da mudança de casa, da recepção aos novos electrodomésticos, da pintura de uma despensa, pintura de alguns rodapés, tentativa gorada de enfiar toda a tralha nos móveis que tenho... depois de tudo isso, ando cansada.
Cansada e com saudades da minha outra casa e dos magníficos e imensos armários que lá havia. Eram tantos, tão espaçosos, tão bons, tão lindos, tão práticos... Tãos saudosos!...
Tenho também saudades da máquina de lavar roupa. Esta parece-me demasiado eficiente para mim. Faz barulhos estranhos, toca música no final da lavagem e abana de tal forma que já tinha mudado de sítio quando fui ver se estava tudo bem. Depois fiquei a agarrar nela até se acabar a lavagem. Felizmente escolhi o programa "algodão rápido" e baixei a centrifugação para 800.
Tenho também saudades de ter pouca coisa: da outra vez quando me mudei não tinha nada, foi tudo adquirido aos poucos. Agora tenho carradas de coisas e não sei onde as pôr.
E ainda tenho a cama  a meio do quarto à espera de pintar a outra metade dos rodapés e depois ainda falta as portas e etc.
 
Também anseio pelo gás e consequente comida cozinhada e banho quente sem esforço.
 
Como ando sempre a limpar/ pintar/ arrumar a miúda tem passado o tempo em casa a ver bonecos. São quase dois filmes de seguida. Sinto-me mal com isso, mas se não fôr assim também não consigo fazer nada.
 
Ontem dei-lhe autocolantes que andei a pedir há 20 anos atrás em centros comerciais. Havia essa moda, de pedir autocolantes, tal como coleccionar "folhas queridas". Às "folhas queridas" deu-lhe ela uso o ano passado. Ontem à noite, em 5 minutos conseguiu dar conta de autocolantes guardados há vinte. É mesmo um espectáculo.
 
Nada melhor que um filho para fazer reciclagem.
 

06 maio 2010

Uma música dedicada ao meu frigorífico, que está quase a chegar



Não o vi: só sei que é branco, tem 55 de largura e é Candy.
Esperamos uma longa existência em conjunto.

aquela máquina

Já tenho o meu primeiro grande electrodoméstico: a máquina de lavar-roupa. Mas acho que que gostava mais da outra. Parece-me que esta (apesar de super-potente) não é tão gira como a antiga. Mas era das mais baratas e o preço conta. Até é gira, mas na realidade os 55cm de profundidade eram treta e ainda tive de partir a aduela. A sorte é que estava um amigo meu em casa, senão, com a minha fúria do "não cabes na porta, uma ova!" ainda tinha feito algum mal máquina. Ainda lhe tirei o tampo e tentei tirar a porta, mas quando comecei a comprimir em demasia o botão, percebi que estava na altura de parar de tentar passar "o camelo pelo buraco da agulha".
Já lá está a funcionar. Tem música quando se liga e desliga - primeiro em crescente e depois em decrescente. Tem lavagem retardada e protecção contra crianças que mexem nos botões em que não devem.
 
À noite dedicar-me-ei ao meu primeiro rodapé e à leitura das instruções do brinquedo novo.

05 maio 2010

Fwd: Fw: Mães



 

 

Assunto: FW: Mães


AS MÃES SÃO O MÁXIMO!!!!!!!!!!!!!!



Caminhava com a minha filha de 4 anos, quando ela apanhou qualquer coisa do
chão  e ia pôr na boca.   Ralhei com ela e disse-lhe para  nunca fazer
isso.
Mas porquê? - Perguntou ela.   Respondi que se estava no chão estava sujo e
cheio  micróbios. Nesse momento, a minha filha olhou-me com  admiração e
perguntou:
Mãe, como sabes tudo  isso? És tão inteligente... Rapidamente  reflecti, e
respondi-lhe:  - Todas as mães  sabem estas coisas.  Quando alguém quer ser
mãe, tem que fazer um teste e  tem que saber todas estas coisas, se não,
não pode ser mãe.   Caminhámos em silêncio cerca de 2, 3 minutos. Vi que
ela pensava ainda sobre o assunto, e de repente disse:  - Ah, já percebi. Se
não tivesses passado o teste, tu eras o pai!... - Exactamente, respondi com
um grande sorriso na  boca.


E agora quando parares de rir, envia  isto a todas as outras mães e aos
pais que tenham  humor!!!...



03 maio 2010

Iupi!!!

Mudámos!
 
A casa ainda está cheia de pó em toda a parte, não temos electrodomésticos nem gás, mas já lá estamos.
Agora é sempre a limpar, limpar, limpar. Pode ser que um dia o pó desapareça, embora com as obras em vários apartamentos do prédio ainda a decorrer seja um bocado complicado dizimar o pó todo.
A miúda parecia um bocado reticente, mas parece que já lá fica em casa sem problemas, Vamos ver como corre.
 
É mesmo bom, apesar de nos flatarm coisas básicas: água quente, fogão, frigorífico e máquina de lavar roupa. É uma mistura entre o estar acampado e o estar em casa, mas estamos no bom caminho. Iupi!!!

30 abril 2010

acampamento urbano

Acampei na futura casa. Dormi na cama da Mariana, com os pés quase fora, num saco-cama. De manhã, peguei no camping gaz, encontrei a cafeteira e fiz o cafezinho ao som do barulho das obras em baixo e dos vultos atrás da janela a retirar os andaimes.
Pouco depois chegou a minha equipa de Mários, pronta para sujar o que eu já tinha limpado.
 
Espero que hoje acampemos lá as duas, para amanhã irmos para a relva ouvir a cassette dos Xutos e comer caracóis.
 
 

28 abril 2010

sono

A morrer de sono não há melhor que conversas em simultâneo no gmail para me manter acordada...

27 abril 2010

Na nova casa vai ser assim


Ainda não mudámos, mas antevejo uma estadia luminosa.

26 abril 2010

casa nova (ainda não)


Ainda não temos a casa mesmo pronta, mas já carregámos a tralha quase toda para lá. Com a ajuda dos amigos foi mesmo fácil. Nunca pensei que tanta gente se mobilizasse para mudanças.
E gostei muito de a ter inaugurado com a malta toda, sentada na varanda com pizzas e cervejolas. É mesmo assim que eu quero ver sempre aquela casa.
A Mariana e os primos deram-se muito bem e a trotinete estreou o chão acabadinho de envernizar.
Ainda tenho andaimes no prédio, por isso não posso ter nem os meus objectos maiores, mas espero não me irritar muito com isso. Não, não fui à polícia. Tenho só feito muitos telefonemas aos senhores e dito os disparates de que me lembro sem ser mal-criada, mas sendo muito chatinha. Vamos ver se pega.
Como os senhores das obras também se prolongaram por mais esta semana, ainda não me mudei. Mas basta eles dizerem que não voltam e nós dormimos lá.
Hoje à tarde sou capaz de ir para lá aparafusar móveis. Agora é ver se me lembro de como se aparafusam todos os móveis do Ikea, quando já não tenho as instruções comigo.
Devia era arranjar uma aparafusadora, porque acho que vou ficar à rasca das mãos.

21 abril 2010

bolas!

Eu sabia que as coisas não podiam correr bem, nem sequer apenas um bocadinho mal.
Agora que parece que a mudança de casa está iminente tenho o problema do andaime dentro do prédio, que impossibilita que haja mudanças como deve ser e que coisas maiores sejam trasnportadas, além de que outras como frigoríficos, fogões e máquinas de lavar são completamente impensáveis.
Há cerca de 3 semanas tinham dito que tudo sairia dali para a semana. Como se vê não saiu. Segunda-feira falei com o responsável, que compreendeu tudo muito bem e que ia pedir já para tirarem os andaimes, mas não pediu. O meu prazo termina amanhã.
Se amanhã ainda lá estiverem acho que vou à polícia fazer queixa. Mas vou logo. Não vou esperar mais.
Não vou esperar que pintem o prédio para mudar de casa ou cozinhar, ou lavar-roupa ou beber uma cerveja fresca.

Já estou possessa e o raio do homeme mora em Sacavém, ou seja, desmotiva logo qualquer ideia de lhe ir pedir satisfações cara-a-cara ou pregar-lhe um soco.

19 abril 2010

Não pintei, não lixei, não fiz nada.
Por causa do arranjo do chão está tudo de pantanas e eu não pude fazer nada.
Choveu em vão...

16 abril 2010

casinha, doce casinha

É que não consigo pensar noutra coisa: casa, casa, casa, casa.
Ontem fui lá vê-la e já se vê o soalho, tinha um alçapão para o sótão, a casa-de-banho já tinha chão e paredes e até a sanita. Na cozinha puseram uma torneira provisória da qual sai água !!!. Quase que parece uma casa. Estou desejosa de ir para lá este fim-de-semana pintar e lavar e esfregar. Tudo. Carregar já algumas coisas lá para cima e até levar os sacos cama e colchonetes para o caso de me dar uma inércia invencível que me impeça de regressar a casa dos meus pais.
O senhor do chão disse que para 4ª feira ficava pronto. Será? Depois ainda falta pintar o rest0. Sim, porque eu agora só posso pintar uma despensa, a cozinha e talvez a marquise.
Hoje de manhã, no autocarro, já sentia que ali não era o meu lugar, aquele não era o meu percurso, aquela gente toda não são as pessoas que eu devo encontrar todos os dias no transporte público. São outras, que estão à minha espera na linha verde.
O que eu desejo a linha verde e fazer apenas duas estações de metro para chegar a casa. A miúda vai deixar de adormecer, vou deixar de a carregar ao colo, mais à mochila dela, mais aos dois guarda-chuvas e mais à irritação que estas situações me causam.
De manhã também vamos ter mais tempo, vai ser tudo mais rápido e vou deixar de a apressar para sair do quarto já toda vestida. Pode tomar o pequeno-almoço em pijama e vestir-se depois. Até eu posso fazer isso.
Ela vai poder fazer barulho sem incomodar ninguém, porque não há ninguém para incomodar. Estou lá eu, mas aguento. Vou parar de a repreender porque corre, porque canta, porque salta, porque se pendura na porta, porque agarra nisto ou naquilo, porque faz desenhos na mesa ou no chão, porque agarra num copo de água que não é dela, ou quer comer as bolachas dos outros. Vai ser tudo nosso.
E à noite não vou ter me deitar ao mesmo tempo que ela e ela não vai deitar-se apenas quando eu me deitar também: vai ter o seu quarto, a sua cama, e vai perceber que quando tiver sono a única coisa que tem de fazer é ir para a cama, mesmo que eu ainda esteja acordada.
Eu poderei ter o computador ligado, com a certeza de que ela dorme na mesma.
Quando chegar a casa cansada do trabalho, chateada com qualquer porcaria que me tenha acontecido, terei o direito de estar assim, de trombas, o tempo que quiser, sem ter de cumprimentar ninguém e ser sociável e simpática quando o meu estado de espírito é totalmente outro.
Às 6ª terei de novo a manhã para mim: acordar sem pensar em acordá-la, se é tarde ou cedo, se vamos chegar atrasadas, se vai haver birra. Tão bom!...

É tudo isto que significa para mim a minha casa. E muito mais... Quero-a tanto!

14 abril 2010

casa

Oh! A minha contagem decrescente diz que daqui a 14 horas mudo de casa... Enganou-se.
Felizmente tenho outra contagem que diz que daqui a 49 dias é que a casa está completamente pronta (assim, sempre dá para aguentar a espera).
Hoje sonhei com a casa, mas não era nada de concreto, era só a casa - mudar, ter uma casa, ter uma sala, um quarto, uma cozinha, as paredes pintadas, o chão lavado, alguns móveis. Era uma coisa dispersa. Talvez tenha sonhado com um sentimento de casa.
 
 

12 abril 2010

ontem e hoje


Fui finalmente conhecer uma escola nova de escalada. As vias não foram estimulantes e a minha performance também não, mas ainda assim valeu a pena, por três motivos:
1) a paisagem espectacular da Arrábida
2) tomar o meu primeiro banho do ano
3) conseguir suplantar a vergonha e tomar o banho em roupa interiror.

E devo dizer que, a nível pessoal, o ponto 3 foi o mais importante de todos. Lembro-me de milhões de vezes, de o pessoal ir todo para a praia, ou pisicnas ou seja o que for, e toda a gente ir tomar banho em roupa interior e eu fiquei sempre envergonhada, seca, vestida, à parte a olhar para os outros a divertirem-se.
Ontem, tive a minha luta interior, e venci-a. Devo dizer que contribui muito para esta vitória o facto de, dos 9 escaladores que lá estavam, 8 terem ido ao banho, dos quais, 5 em cuecas. Eu era só mais uma. E fui. A água estava genial.

Hoje, tive a minha entrevista, que correu bem, mas da qual não surgiu um novo emprego. Ficou uma boa conversa.

09 abril 2010

laxante

Da minha fúria de envio de currículos surgiu agora uma entrevista para a semana que vem. Por um lado fico cheia de medo (sair do sítio onde estou, ir trabalhar para longe da escola da miúda e da minha casa, ter de andar de carro todos os dias, a incerteza de que é mesmo aquilo que quero); por outro fico entusiasmada (trabalhar na área que gosto, sair do sítio onde estou, sentir que há uma progressão na minha vida...) Enfim. Nunca sei o que quero.
O projecto (visto pela net) pareceu interessante e com boas oportunidade de realizar coisas giras.
Logo veremos. A questão mais fundamental será sempre o vencimento/ carga horária.
 
Mas mal desliguei o telefone, depois de marcar a entrevista, passou-me logo a obstipação costumeira.

08 abril 2010

É mentira

Na minha contagem decrescente, intitulada "mudar de casa", faltam 6 dias. Faltam mais.
Mas quantos?!
 

03 abril 2010

Páscoa, fim-de-semana prolongado, visita aos avós

 
 
Numa aldeia no Alentejo Alentejo, o Baixo, vivem várias pessoas idosas, quase todas com algum laço de família.
Quando de visita a um familiar, visitam-se logo dois ou três. Com o passar do tempo, as visitas transformam-se nalguma coisa próxima de uma visita de médico: ainda que sem a credenciação necessária, de casa em casa vamos vendo a evolução dos estados de saúde (que verdadeiramente quer dizer "a evolução do estado da doença"), ouvimos as queixas, damos os nossos conselhos e vamos embora, desejando melhoras e com a promessa de regressar.
 
Se é infalível que cada dia que passa os nossos avós ficam mais velhos e, em geral, mais fracos; torna-se doloroso ver a que ponto a doença e a velhice derrotam uma pessoa que sempre vimos com imensa energia. E é difícil fazer de conta que está tudo bem e continuar a falar das diabruras dos nosso filhos, quando temos as dores dos outros escarrapachadas à frente das nossas caras.
 
Vamos embora e pensamos "Ainda bem que viemos. Temos de voltar em breve." Mas geralmente o "em breve" é demasiado longo.
 
 

31 março 2010

caso arquivado

Fiz frente, argumentei, mostrei e provei as minhas capacidades. Perdi a batalha.


Vejo aquela série dos Casos arquivados, em que há sempre uma pessoa boa que é assassinada. O assassinado é em geral uma pessoa que luta pelos direitos dos outros, é íntegra, combate a descriminação e a desigualdade, e estava a um passo de fazer a diferença. Em geral é morto por alguém que lhe era próximo e que gostava dela. Uma pessoa que só precisava de uma coisinha qualquer, não lhe queria fazer mal, mas que explodiu.

Tenho a pessoa ideal para a personagem de assassinado; mas não me apetecia nada ser o assassino, embora estejamos no enquadramento certo.

30 março 2010

Dúvidas, dúvidas, dúvidas.

Já tenho mais alimento para insónias: agora é a situação no trabalho. Não era boa, continua a não ser; apetece-me (e acho que devia) impôr-me; tenho receio de, ao fazê-lo, ir para a rua ou ter de me submeter (de novo) de uma forma mais humilhante.
Não dormi a noite inteira.
 
Contudo, prometem-nos contrato e aumento.
 
É mesmo só a minha honra que está em causa.  ... e a minha coluna vertebral.
 
Se deixar esses problemas de coluna de lado, recebo um aumentozinho e deixam-me ficar por lá.
 
Agarro-me a migalhas (não tão más quanto isso) ou exigo que reconheçam o meu valor?
 
Dúvidas, dúvidas, dúvidas.

24 março 2010

Mais dois erros para alimentar insónias

1) não tive os cuidados suficientes com os ouvidos da miúda (porque não me disseram nada... e eu também não perguntei, é verdade)
2) enviei um currículo com um erro!!!

Ontem andava de rastos com o primeiro, agora, quando esse já estava a ficar nos bastidores da memória, aparece-me esta gralha para me azucrinar a cabeça e angustiar o estômago.

Estou feita. Não há casa nova que me reerga das amarguras do arrependimento e da falha.

Buá! Schuif.... Schuif...

23 março 2010

été indien

Encontrei isto.


Achei giro: já tinha ouvido a música, mas nunca tinha visto o (belo!) teledisco. :)

18 março 2010

pesadelo

A imaginação é uma coisa mesmo fenomenal: a gente imagina que a vida corre bem, que não temos problemas financeiros, que temos alguém que gosta de nós e que temos o que gostavámos de ter (coisas simples, como um cãozinho) e depois até ficamos felizes como se fosse verdade. Andamos por aí com um sorriso na cara, como se tudo fosse bom.Vamos trabalhar com gosto, comemos com apetite, dizemos piadas e rimos alto.
Mas depois a imaginação começa a falhar, a realidade intromete-se e de repente dá-se o choque entre a constatação do que temos e do que tínhamos nos nossos sonhos e as cores coloridas e leves dos sonhos transformam-se numa peçonha escura que cobre tudo à nossa volta.

BLARGH!!!