29 julho 2009

reflexões à meia-noite

Acho que hoje, ou amanhã, é o meu último dia nesta casa.
É estranha esta despedida, o sair daqui e ir para casa dos pais outra vez. A casa nova.
Mas na realidade, não sinto saudades e acho que não vou sentir.
Não sei porquê, e só reparo agora, esta casa sempre me pareceu uma etapa. O meu comportamento em relação a ela foi sempre "estragar o menos possível porque um dia vou vendê-la e tem de estar em bom estado" e por outro lado "não investir nela porque um dia vou vendê-la e estou só a perder dinheiro". É como passar do 12º para a universidade: por muito bom que tenha sido,  ninguém permanece no 12º. A lógica do 12º é a universidade (ou os cursos profissionias ou lá o que é).
Acabei por apenas alugar, mas até gosto mais assim.
Se tudo correr bem, e eu morrer nova*, a Mariana sempre há-de ter aqui uma fonte de rendimento. Conheço várias pessoas que recebem rendas de casas que foram dos pais ou dos avós e isso dá-lhes não só segurança, mas também liberdade de não se prenderem a trabalhos que não as realizem e arriscarem outros sem ter de pensar imediatamente na sobrevivência diária.
O dinheiro é uma prisão.

Relativamente à casa nova: ainda estou para ver se sempre existe. Começo a desconfiar que as coisas não vão correr bem. E desconfio apenas porque o resto da vida vai correndo bem e nunca nada é total. Normalmente, muitos planos baseados numa só coisa correm mal. A coisa não acontece e tudo o que fizemos em prol dela perde o sentido e a utilidade.

Vamos ver.

Daqui a dois dias a maluca faz anos. 3.

Estou com sono e isto está a ficar confuso.

* quer dizer, enquanto eu for viva a fonte de rendimento há-de ser minha. Por exemplo, quando ela tiver a minha idade: a mim sabia-me bem ter dinheiro a entrar sem grande esforço da minha parte. 

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