26 janeiro 2009

Viva o Alasca!

No outro dia fui à Torre do Tombo e enquanto esperava que me atendessem peguei num jornal e o que é que eu vejo? Que morreu um antigo professor meu. Na altura em que o tive, como professor de jornalismo no 10º ano, gostei dele e, de vez em quando, ainda me lembro dele por uma razão ou outra. Ele nunca me achou especialmente inteligente ou interessante, por isso, das várias vezes que o vi por aí, nunca fui reconhecida. Mas quando via artigos escritos por ele (dos quais só conseguia identificar o autor porque tinham foto) lia sempre.
Pois lá li no Jornal de Letras a sua biografia e quanto mais lia mais o achava especial e pensava "mas foi mesmo ele que foi meu professor?", Pensava isto, porque achava quer era uma grande sorte minha. Mas foi, lá dizia que durante vários anos deu aulas de jornalismo no D. Pedro V. Tenho pena de não o ter aproveitado mais. Mas se calhar alguma desta minha paixão irracional pelo 25 de Abril e pela liberdade também vem daí.
Deu-me um 18, no final do ano, com um trabalho sobre o Calvin e Hobbes que terminava com esta frase "Viva o Alasca!!.
Ando a trabalhar de uma forma diferente e nem me aborreço para fazer o meu intervalo de passeio pelos blogues. Antes ficava um bocado despontada quando não havia novidades e daqui a nada já tenho romances para ler.
Mas gosto desta sensação de trabalhar assim: com muita coisa, muita acção, muitos contactos. Estamos vivas!
Por outro lado, muita outra coisa em standby. Nada realmente importante, mas sempre com pouco tempo.
A Mariana cada vez mais palradora: acho que descobriu toda a beleza dos érres agora, por isso, usa-os em quase todas as palavras que cria.
Estamos bem.
Ainda não largou o "raisparta" da chucha e continua a deitar-se tarde.

É uma fofa!

24 janeiro 2009

Obrigado

Tenho a impressão* de que ontem ela disse o seu primeiro "obrigado" espontâneo. Dei-le qualquer coisa e ela "didado". Que espectáculo! Está a tornar-se um ser social!
Um dia destes, quando lhe perguntarem "Como estás?", pergunta também "Como estás?" sem sequer lhe passar pela cabeça responder ou ouvir uma resposta (eu ainda não me eduquei a não responder. Continuo a pensar que as pessoas querem mesmo saber de mim...).
 
* "impressão" porque não sei se é o primeiro, mas ela disse mesmo.

21 janeiro 2009

4ª feira

Estamos em casa as duas e estamos tão bem.
Nem parece normal.
 
Ando a insistir para ela não ter a chucha em casa e até corrido bem. É tão bom ouvi-la falar. Continua a falar mal, mas já nomeia muito mais coisas e estar a deixar algumas onomatopeias para trás: o porco é um "pôto", já não um "ró-ó" [barulho de ronco do porco], o pópó passou a "tarro" e mais algumas.
 
E conversamos mais. É bom estou a gostar.
 
Agora eu estou aqui no computador e ela em cima da mesa a tirar as canetas da caixa e a pôr. E sempre a dizer "tdadu" (cuidado).
 
Vou brincar com ela. Que também quero pô-la na cama em breve.

a morte e o vídeo

Soube agora que mais uma das pessoas que entrevistei morreu. Morreu já em Novembro, mas só agora é que soube.
Entrevistei 4 pessoas há 3 anos ou 4 e já morreram 3.
Também os meus cães morreram depois de os ter filmado. Filmei o Argos, morreu; o Aramis morreu. E depois a Rufia e Portos.
Na altura em que os cães morreram fiquei com a sensação de que as imagens na câmara roubam a vida (como os índios pensavam). E agora, ao ver o meu documentário, de onde só resta uma pessoa com vida, acabo por de forma indirecta me sentir responsável. É claro que sei que não sou, e que passado um tempo estas ideias passam. Mas lembro-me de ter tido medo de filmar a Mariana.
 
Deixo aqui as minhas saudades ao Argos, ao Tomás, à Rufia e ao Portos.
E também ao Canto e Castro, Eduardo Street e Pedro Pinheiro.
 
E espero que a minha máquina de filmar passe a ter o passado de pessoas (e animais) que o podem ver.

19 janeiro 2009

é mesmo assim

No Sábado lá estava a Mariana a coçar repetidamente a cabeça. Fui inspeccionar, com medo de piolhos e lêndeas, mas apareceu-me pele seca. Muita! Deve ser das lavagens de cabelo espaçadas. Ontem lavei-o e pareceu-me bem, ou melhor.
 
Acho que não aguentaria mais uma rotina. Quer dizer, é claro que aguentava, mas... nem sei.
 
E mais uma vez não consegui fazer uma coisa que queria: no fim-de-semana passado, quando combinei escalar, ela ficou com febre; neste choveu. Nunca, mas nunca consigo fazer uma coisa de que goste. Quando, passado imenso tempo, planeio e digo "vou", apesar do trabalho que me dá ir com ela e do medo que tenho que fique doente, não vou.
Esta coisa cansa-me tanto!
E depois cai-se numa desistência, numa aceitação de que "a vida é mesmo assim". E a vida só é "mesmo assim" quando é uma merda. Nunca ninguém diz "a vida é mesmo assim" quando corre bem.
Não percebo porque é que a forma de ser da vida há-de ser contra os nossos desejos, mas parece que é.
Eu não quero que seja.
Quero que vida seja mesmo assim boa, fixe, alegre, entusiástica!
 
Por enquanto é mesmo assim à antiga. Vamos ver se muda, que já estou farta até...

15 janeiro 2009

o trabalho também faz parte

Hoje fui inscrevê-la para o pré-escolar.
Fui à minha escola preparatória (parece tão velha!) para a inscrever na minha escola primária.
Saí de lá aliviada e com vontade de lhe oferecer uma prenda, mas não ofereci.
Os livros que vi eram feios e caros. Ainda recolhi dois com defeito para dar ao empregado.

É assim: ela cresce!

Mas a sensação de alívio depois passou porque cheguei ao trabalho e me irritei muito: as minhas condições de trabalho, em termos contratuais, são do pior. E vejo pessoas a entrar para lá agora e a terem melhores condições que eu e isso deixa-me doida. Quando eu digo que também quero dizem que não é possível, mas entretanto entre este ano e ano passado já entraram para lá 5 pessoas com melhores condições que eu e a minha colega que trabalha lá ainda há mais tempo que eu.
Nós já decidimos que vamos refilar e exigir, mas eu acho que não nos vão dar nada. Quando disseram que queriam regularizar a nossa situação foi só por terem medo de ser apanhados, e a situação deles resolve-se facilmente sem resolver a nossa.
Estou em stress!!! Irritada e angustiada... Não quero estar assim mais tempo. Quero ter direitos!

14 janeiro 2009

o salto

12 janeiro 2009

...

Só para informar que a miúda sempre teve febre (tive de a ir buscar à creche depois da sesta), ainda teve febre na 6ª à noite (com os avós lá em casa para lhe darem o mimo todo) e ainda um bocadito no sábado.  Mas no Domingo foi só ranho. Ufa!...
Quanto à conversa, parece mais ou menos a mesma. Não noto grande diferença. Vamos lá ver o que diz a terapeuta.
 
A única vez que manifestou alguma coisa em relação ao aparelho foi quando os meus pais chegaram a minha casa: mostrou-lhes o aparelho e a mola que o segura, toda entusiasmada.
E eu tenho mais rotinas: tirar o aparelho, lavar com algodão molhado, soprar, secar, guardar, ver a pilha. Mas até já estou a pô-lo melhor e tudo. Cromíssima!
 
Tive um sonho no fim-de-semana em que a educadora e terapeuta da Mariana se chateavam comigo, diziam que era má mãe e sei lá o quê. Acordei com um grande peso em cima e de vez em quando ainda me parece que vou ter de andar a pedir desculpas. Depois é que me lembro que não aconteceu, mas essa sensação desagradável de discutir com pessoas com quem queremos ter boas relações permanece.
 
Espero ter mais novidades em breve.
 
Entretanto, como sempre continuo cansada. Isto parece que não me passa. E sem tempo.
 
Voltarei com mais novidades
 

08 janeiro 2009

E então é assim...

Então a miúda já tem o seu aparelho.
Como muitas vezes, a normalidade é o melhor e assim depois do aparelho colocado ela estava igual a todos os dias.
Ficámos a tarde em casa e a única coisa diferente que ela fez que poderia ter alguma relação com o aparelho foi pôr o volume da aparelhagem no silêncio e depois subir só um bocadinho para se ouvir o mínimo e começar a dançar quase no silêncio.
Ainda fomos fazer fotos tipo passe para as inscrições para o próximo ano e depois deu-lhe o badagaio: completamente inexplicavelmente a seguir ao banho adormeceu.
Tirei-a de lá porque já tiritava e, por isso mesmo pu-la na minha cama debaixo do edredão enquanto fui buscar o pijama. Quando cheguei já dormia e assim ficou até agora. Vou juntar-me a ela daqui a pouco tempo.
Não sei se foi o som que a cansou, se o facto de ainda não ter reposto o sono das noitadas com os avós ou outra coisa qualquer.
Obviamente, pela estranheza e novidade da coisa, fui logo ver se tinha febre: não tem. Ouvi-a respirar: normal, com alguns momentos mais stressados (mas acho que são sonhos). Portanto, parece que é só mesmo muito sono.
Mas como vou dormir com ela fico atenta.
 
E é assim: temos aparelho, ouvimos, somos como os outros. É óptimo!
 
Mas espero mais coisas extraordinárias...que contarei.

06 janeiro 2009

mais um milagre

Acontece tudo tão devagar e tão escassamente que cada etapa deste complicado processo de aquisição de um aparelho auditivo é recebido como um milagre.
 
Então, ontem, para começar bem o ano, retomei os meus telefonemas a chatear pessoas: chateei algumas; prometeram ligar-me, não me ligaram; insisti, não atenderam; insisti, atenderam, mas disseram que hoje já era demasiado tarde, que só amanhã.
Hoje, julgava que ia repetir o dia de ontem, mas o tal milagre aconteceu e, pelo que me foi dito, a Mariana terá esta semana o seu aparelho auditivo.
Espero bem que sim.
Quando me marcaram lá os encontros e passeios só pensava: "vão-me chatear na creche porque é na hora do almoço, não vou poder ir ao treino porque a consulta é de manhã, já não dá para ter a tal reunião na 5ª..." Mas depois, bem, vieram-me as lágrimas aos olhos. Será mesmo o fim desta coisa? Vou deixar de estar à espera de alguma coisa? De ter de pensar em ligar para alguém para saber quando é que nos atendem? Ela vai mesmo ouvir bem e começar a falar sem ter de fazer mais nada?!
Nem eu sei o que esta coisa me angustia. Só de vez em quando dou conta, quando é possível uma sensação de alívio e aí é que vejo como estou.
 
Vamos lá ver...
 
Não quero demasiada esperança: a desilusão custa sempre mais.