19 dezembro 2008

os amigos da Mariana

A Mariana é muito amiga: ela estende os braços a quem lhe abre os seus e beija a pedido.
Tudo bem, até certo ponto.

Ao sair de casa cumprimentamos sempre com muita efusão e sorrisos o arrumador, o Vítor; descemos um pouco a rua e é altura de saltar para o colo do senhor que guarda a capela; mais um bocadinho chegamos ao Metro e dizemos adeus ao segurança; à saída da creche, ao descer a rua, é preciso correr até ao carrinho das castanhas (a ponto de alvoraçar os presentes que pensam que ela se vai atirar contra as brasas) e fazer gracinhas à vendedora...
E agora arranjou mais um amigo: o pedinte sentado no chão, mal-cheiroso e sujo. Ele chama-a, estende-lhe os braços e lá vai ela a correr, senta-se ao colo dele e ele beija-a na cara e ela a ele.

Eh pá! Eu não quero isto! É pela falta de higiene - o homem deve ser um ninho de micróbios e bactérias famintas de um corpinho saudável e tenrinho.
Mas para não parecer (ser, sei lá!) xenófoba digo assim: "anda, já estamos atrasados" e quando a consigo arrancar dos braços dele: "Diz adeus ao senhor". A situação faz-me confusão. Ainda por cima porque o pedinte me agradece por a Mariana lhe ter dado um abraço.

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