31 outubro 2008

O meu carrinho lindo

Já estou melhor dos meus rancores. Ainda assim o carro continua na garagem da faculdade, salvaguardado da indigência da minha rua. T(r)emo por este fim-de-semana, que ele irá passar só à noite, à beira da estrada. Pobre carrinho lindo!...

27 outubro 2008

Esta miúda é que vale por tudo

Pois, quando a gente se chateia com a vida, olha para filha linda e percebemos de imediato que temos muita sorte. A chatice de estarmos chateadas é que ficamos com menos paciência para as pequenas arrelias dela e a paciência esgota-se facilmente. O que é difícil é termos de estar sempre a ser racionais, ponderadas, a incentivar os miúdos, ser alegres e ter disposição interminável para os aturar. Ando a perder a paciência com esta coisa da vida de ter sempre de ter azar a tudo. O carro assaltado duas vezes no mesmo mês é uma merda! E não é só pelo vidro, nem pelo tempo que se perde (principalmente a ir à esquadra, onde eles parece que não sabem escrever num computador), o que chateia é a seguir odiar toda gente, desconfiar de toda a gente, adormecer a pensar "será que o carro vai estar lá amanhã?", sonhar com condomínios privados, garagens, e para isso invejar toda a gente que consegue pagar essas coisas, e ter vontade de explodir com o intendente e a sopa dos pobres e pôr veneno nas drogas (irónico!...) e acabar com pragas da sociedade... É isto! este discurso das "pragas da sociedade" a sair da minha própria boca causa-me uma irritação tremenda. Não quero ser xenófoba. A sério que não quero... Mas parece que tenho culpa por viver numa zona em que há a sopa dos pobre e os drogados. Eu tenho culpa. Como moro lá tenho de aguentar as garrafas de cerveja partidas no chão, um ecoponto a tresandar mijo, tal como tresanda a estação de metro e qualquer recanto, 3 arrumadores por cada 10m de rua, e sei lá que mais... Gostava que houvesse um jardim infantil, mas nem bancos de jardim há debaixo das árvores para que os indigentes não façam ali a sua cama. Um dia também tiram as árvores, para eles não aproveitarem a sombra delas para partir vidros aos carros, tal como noutros sítios fecham os supermercados para eles não os assaltarem. E as pessoas normais? Não podem ter direito à vida? A ir para o jardim? A ir às compras ao pé de casa? A andar de avião sem serem bombistas em potência? Estou a ficar farta desta merda toda. Por causa de pessoas que são a praga da sociedade, os normais é saem prejudicados (a não ser que tenham dinheiro para se isolarem, terem jactos provados, condomínios privados, praias privadas). Também quero ter direito à vida e quero que a Mariana também tenha. [interrompo esta queixa, porque a mariana está a limpar o bacio e a cara com o mesmo papel. Esta miúda é que vale por tudo!]

17 outubro 2008

Que raiva, que ódio, que nojo!

Eu acho que nunca vou superar desta coisa de a Mariana não ter pai.
Há imensas coisa sobre filhos que não tiveram pais e superaram, mas como é que superam as mães?
Uma pessoa tenta e faz tudo para que ela tenha todas as oportunidades, se desenvolva bem a todos os níveis, mas depois? A coisa mais básica, que é ter um pai, não conseguimos colmatar isso e será uma lacuna para a vida, sempre a tempo inteiro.
Que raiva, que ódio, que nojo!

13 outubro 2008

pedregulho na consciência


Este domingo tive mais um susto, daqueles que me levam a pensar que a Mariana escapa à tudo a toda a hora.Fui escalar com ela e apenas mais um adulto, com ainda mais um puto (coisa que depois das férias eu jurara a mim própria não fazer mais: depois das férias tinha chegado à conclusão inteligente que as crianças devem ser à razão de uma para dois adultos e que menos que isso é o cansaço mental e o esgotamento nervoso). Ora bem, como não andava a conseguir aplicar este ratio, porque há muitas mães que continuam a escalar (constatação do último fim-de-semana) e porque eu não sou menos que elas, achei que também havia de conseguir conciliar as duas coisas e prosseguir feliz e contente com a minha vida.Lá fomos.O dia estava muito bom, apesar de uma enormíssima carga de água que apanhámos no caminho, de antes ter de fazer 50km para buscar uma corda e de aturar um miúdo chato. Escalei pouco e fiquei cansada rápido. E naquela que era para ser a última via, como nas anteriores, fui em top. O Mário já tinha dito que a rocha não era sólido e que os putos deviam sair dali, mas as birras da Mariana fizeram com que a deixasse ficar, e o outro puto também. E pronto, como já se percebe pelo que foi dito, quando eu já estava quase no fim da via, agarro-me a um bocado de rocha que salta na forma de um calhau gigantesco, capaz de dar cabo de qualquer pessoa que apanhasse com ele em cima.
Fiquei com um peso enorme na consciência, aprendi pela enésima vez a mesma lição: não podemos ceder às birras dos putos. Principalmente quando o que está em causa é a integridade física deles.
O dia foi bom, mas a única coisa que me ficou gravada na cabeça foi o momento em que estava pendurada na corda e vi o pedregulho cair por ali abaixo sem poder fazer nada e sem saber como é que aquilo ia acabar.
Pior ainda: quando a Mariana tinha meses, aconteceu uma situação semelhante. E pelos vistos não aprendi nessa altura.
Andava com vontade de conciliar a minha vida de diversão com a maternidade, mas parece-me que sempre é complicado.
Ainda tenho de pensar mais sobre como (não) fazer tudo o que quero.