05 agosto 2008

há dois dias sem a miúda e fico assim

Esta semana estou sem a miúda, a trabalhar. Julgava que me ia divertir muito e aproveitar para fazer coisas que não consigo fazer com ela. Contudo, surgiram umas quantas burocracias para tratar e tenho andado aos papéis e aos carimbos e assinaturas e fotos e impressos e não tenho tido tempo para me divertir.
Ontem, noite livre, achei que devi aproveitar. Nem me apetecia muito (esta coisa dos papéis cansa), mas lá fui ao cinema ver "O meu irmão é filho único". Gostei imenso.
Não há filmes que metam histórias de irmãos que não me soltem umas lagriminhas. O amor fraternal é uma coisa mesmo muito forte. As minhas irmãs são muito importantes para mim. E quando digo "muito" é porque já não me sinto à vontade para dizer "o mais importante", como fazia antes da Mariana nascer.
Ainda não sei o que sinto em relação à Mariana. É óbvio que gosto dela. Mas.. é tudo diferente.
Por exemplo, posso dizer que ela é a pessoa mais importante para mim. Mas não sinto isso. Nem que seja de quem gosto mais.
É porque ela existe de tal forma que coisas como "a mais importante", "de quem gosto mais" não parecem fazer sentido. É uma relação demasiado intrínseca para haver espaço para palavras.
Sou eu e ela, somo nós e não há mais nada. Nem adjectivação.
Quando a vejo faz-me rir, e é gira a toda a hora (chata também). Fico feliz a vê-la tentar calçar um sapato, a tirar macacos do nariz, a puxar as cuecas para baixo, a apanhar a sopa da barriga com a colher, a olhar para a mão com uma luva calçada, a riscar a mesa, histérica de felicidade com uma mosca, apanhar pedras do chão, a atirar-se para os braços dos outros, a despedir-se, a abraçar os colegas da escola ou o primo, a correr a beira-mar, e tanto, tanto, que é demais.
Bom, não sei. Digo que gosto muito dela e que é o mais importante para mim, porque dá uma ideia do que sinto. Mas o que sinto não é isso: é tanto e tão simples ao mesmo tempo que não tem palavras.

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